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Brasileira, radicada em Paris desde 1970, Elizabeth de Portzamparc vem mostrando sua criatividade com trabalhos realizados na França nas áreas de desenho e mobiliário urbano e de arquitetura de interiores. Inúmeras exposições denotam a receptividade do exigente público francês que a ela abriu suas portas. Já em 1977, a jovem profissional carioca dirigiu o Atelier d’Urbanisme de la Ville d’Antony realizando planejamentos de melhorias urbanas, circulação e equipamentos. No ano seguinte, Elizabeth analisou as conseqüências, sobre a vida dos habitantes, do partido urbanístico implantado no distrito novo de Saint Quentin en Yvelines. Mais recentemente, por meio de concurso realizado em 1998, fez o projeto de urbanismo para a malha urbana da estrada de ferro de Bordeaux, desenvolvendo também todo o mobiliário urbano que definiu a identidade dessa intervenção. Ao chegar à Paris, Elizabeth Jardim Neves estudou e recebeu o master de Sociologia Urbana e o DEA (Diploma of Advanced Studies) na École des Hautes Etudes e lecionou na École d’Architecture Paris La Seine, ex UP-9. A familiaridade com que, desde sua adolescência no Rio de Janeiro, ela mantém com a arte e a arquitetura deve-se à influência quer recebeu de Oscar Niemeyer, Zanine Caldas, Sérgio Bernardes e do artista plástico Iberê Camargo, amigo de seus pais. Da infância guarda memória das fazendas de Diamantina, Minas Gerais, da simplicidade e beleza das casas e seus objetos.Uma emoção que, segundo ela, orienta até hoje seu trabalho, definido por ela mesma como minimalista. Elizabeth sente-se mais à vontade ao se exprimir nos espaços internos (entrevista concedida à Ana Luiza Nobre e Octavio Leonídio, AU/80) participando de alguns projetos de Christian de Portzamparc, seu marido, como a Embaixada da França em Berlim, Café de la Musique, na Cité de la Musique, Parque de la Villette de Paris, em que os dois profissionais procuram não interferir nas respectivas áreas. Porque seu domínio maior se revela no design de objetos e na relação destes com o espaço ou com a figura humana, na íntima ligação que estabelece com os objetos em que o intelecto cria a forma e, a objetividade a função. Na Brasserie Les Grandes Marches, Elizabeth de Portzamparc elaborou a arquitetura de interiores. O cliente pedia uma nova imagem "absolutamente contemporânea e bastante forte para durar e atravessar o tempo". Essa nova imagem, na resposta da designer, deveria ter "força e doçura, movimento e conforto". O resultado já se revela na entrada do restaurante onde os olhos dos usuários alcançam a presença do salão acima e se sentem convidados a entrar, a descobrir os lugares. Desse grande espaço do térreo, o olhar é dirigido à escadaria escultural composta de "grandes degraus", cuja face interna foi trabalhada em planos oblíquos para alongá-la no formato de um triângulo isósceles que se repete sutilmente. Surpreende ao redor da escada a grande parede em curva, metalizada com partículas de titânio, posicionada com grande liberdade, ora obliquamente, ora em plano reto, num movimento acolhedor. No primeiro andar chega-se a um salão redondo muito claro e luminoso, concebido no entorno do vão da escada, com largas aberturas que o unem às demais salas. Este ambiente central oferece uma unidade indispensável ao pavimento, composto originalmente de muitas salas de diferentes formatos. Nele, estão dispostos 174 lugares, dos quais 60 pertencem ao bar. Segundo a designer, a associação de metal, madeira e vidro, realçada pelo veludo e por uma gama de cores foi desenvolvida com a intenção de promover o conceito de "força, suavidade, movimento e conforto". O triângulo alongado, inspirado no desenho da face interna da escada, reaparece na forma das cadeiras, dos nichos luminosos e na louça desenhada especialmente,tornando-se o signo do Les Grandes Marches. A iluminação também contribui para induzir à imagem da brasserie. Totalmente indireta, em tons champanhe, ela realça a arquitetura interior e sugere uma sensação agradável. Ao todo são cinco ambientes diferentes, que convidam ou não à intimidade para que cada um escolha o que lhe convém no momento. Embora diferenciados, eles constituem inflexões da mesma idéia a fim de que, onde quer que se esteja, sinta-se no "Les Grandes Marches", enfatiza Elizabeth de Portzamparc. Um velho edifício, um espaço vanguardista O restaurante de mil metros quadrados e 264 lugares foi implantado em um prédio antigo na Praça da Bastilha, tombado desde que se construiu a nova Ópera nas proximidades. Como o exterior tinha que ser mantido, o arquiteto Christian de Portzamparc, convidado para realizar a recuperação arquitetônica, só pôde intervir no terraço e nos vitrais do primeiro andar."Procurei trazer uma luminosidade nova, branca, como se um filtro preparasse a luz para a transformação e movimento que a arquitetura interior de Elizabeth imprime ao lugar", explica ele. Essa grande vidraça, desenhada com perfeição pelo arquiteto, compõe-se vidros serigrafados na fachada e de "toldos" diáfanos no teto para efeito de luz. Para o restaurante Les Grandes Marches, a designer criou a poltrona Zache 2, cuja forma assimétrica e jogo de curvas e de linhas oblíquas recorrentes nesse seu projeto, também favorecem o conforto e a liberdade de postura. Elizabeth reuniu nesse contexto, a sala do térreo e a sala do terraço em um único espaço, com ambientação justaposta e contínua, articulado pela escadaria escultural, criando uma ambientação moderna e vibrante. |
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![]() Elizabeth de Portzamparc. Foto Gitty Darugar |
Dos muitos projetos de mobiliário, destacam-se o Bureau 24-heures e a luminária Solas, criados em 1986; móveis para o Centro de Informações da Assembléia Nacional (concurso nacional 1989), mobiliário de dez salas de audiência do Palácio da Justiça de Grasse, França (concurso, 1996) e a sede do auditório Dune (1999). Dos trabalhos de arquitetura interior, além do Café de la Musique (1994) e Les Grandes Marches, constam a Embaixada da França em Berlim e seu mobiliário (concurso,1997), Grande Biblioteca de Québec em Montreal – passeio urbano (concurso, 2000). Em museografia projetou o Museu da Civilização Bretã (1997) e o Museu Nacional de Arte Coreana em Seul (concurso 1996, 2o lugar). Em 1999, ela recebeu de Sérgio Bernardes a Medalha de Design e Arquitetura de Interiores da Fundação Cândido Mendes, Rio de Janeiro. |
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