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| joão walter toscano, reinventando o passado haifa yazigi sabbag |
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“Um discurso arquitetônico simples e largo, não complicado nem mesquinho, simples mas não ingênuo nem primário, largo mas não disperso, antes contido. E mais, um discurso claramente brasileiro, pela abertura e pela grandeza – que pode não ser grande – das suas criações, onde estão presentes as obras e as figuras de Vilanova Artigas, Lucio Costa ou de Oscar Niemeyer” – assim definiu Fernando Távora a obra do paulista João Walter Toscano, no livro dedicado ao arquiteto (Editora UNESP, 2002). Reconhecidamente um dos mais destacados arquitetos de sua geração, graduado em 1956 pela FAUUSP, Toscano é, realmente, um dos mais fiéis seguidores da moderna arquitetura brasileira, cujos mestres – Artigas foi seu professor – indicaram como direção a interpretação estética dos cânones modernos a partir de raízes nacionais. Ele confessa que o convívio na FAU despertou seu entusiasmo pela arquitetura do passado colonial brasileiro, que foi conhecer pessoalmente percorrendo de Pernambuco ao Rio Grande do Sul. Para Toscano, a memória e o estudo dessas obras têm papel fundamental na execução do novo projeto: “é a partir do existente que se pensa o novo; o passado é o apoio”, diz. "Uma reivenção do passado", segundo o arquiteto português Alexandre Alves Costa. Nesses quase 50 anos de profissão, o arquiteto apresenta um currículo invejável, com destaque para inúmeras obras públicas no Estado de São Paulo. Ao recordar o começo de sua vida profissional quando ganhou o concurso para o Iate Clube de Londrina junto com Roberto Katinsky e Abrahão Sanovicz em 1959, observa que o projeto já revelava relação profunda com as obras mestras da arquitetura brasileira. No projeto da Faculdade de Filosofia e Letras de Itu que se seguiu ao do Iate Clube, ele acrescenta vários elementos desse vocabulário. “As influências vão ocorrendo em função de uma procura. O projeto depende da sua intenção, de seu compromisso”, afirma ele na longa conversa realizada em seu escritório em final de novembro passado. O campus de Assis, de 1961, um dos primeiros edifícios projetados para a UNESP, traduz fisicamente conceitos – na época inovadores – elaborados por professores que implantaram institutos de ensino superior no Estado de São Paulo, destacando o papel da universidade e sua inserção na comunidade. Interessante no projeto a disposição dos espaços com a laje do mezanino como que interrompida para proporcionar mais iluminação no hall principal da administração contemplado com pé direito duplo. A partir de Assis, Toscano iniciou a seqüência de escolas para o campus de Araraquara (1968). O projeto foi pensado visando o futuro – ampliação ou mudanças inevitáveis de função. Um grande eixo longitudinal atravessa o terreno como uma grande rua onde se encontram o grêmio, centros de convívio, auditório, e uma grande praça formada pela implantação dos volumes dos edifícios das classes, departamentos, centro de vivência, biblioteca e Edifício das Ciências. Escadas e rampas protegidas ligam os dois complexos, dispostos em níveis diferentes. Toscano criou brise-soleils com o prolongamento do beiral da cobertura dos edifícios para resolver esteticamente problemas de insolação. O paisagismo esteve a cargo da arquiteta Odiléa Toscano. colaboradora em todos os seus trabalhos. Em sua residência, projetada em 1968, em terreno com forte desnível, o arquiteto teve a liberdade de ousar, aplicando algumas inovações entre as quais as chapas metálicas perfuradas com função de veneziana, obtendo assim efeitos surpreendentes de luz. No projeto para o Balneário de Águas da Prata, realizado em 1970, Toscano retoma algumas experiências aplicadas com sucesso em sua casa, como os brises-soleil em chapas perfuradas de alumínio, aqui em escala maior para melhor visualização da paisagem, de grande efeito estético e inovador. A espacialidade também se manifesta de forma diferenciada; o pavimento superior foi projetado para os banhos, com grande visuais para o exterior; no intermediário, espaços recreativos e sociais e no inferior, consultórios, administração, entre outros serviços.O auditório situa-se em um corpo separado, também em concreto aparente e com iluminação zenital. O arquiteto foi autor, em 1972, do Campus Universitário de Rio Claro; realizou vários planos diretores para cidades do Estado entre elas Itu e Santa Bárbara do Rio Pardo, e elaborou diagnósticos para implantação de programa de Ação Cultural para a cidade de Itu a pedido do Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico, projetou ainda residências, colégios e clubes de campo e participou de diversos concursos. Mas o marco na sua carreira foi a estação Largo 13, em São Paulo, para a Fepasa, em 1985, estruturada em aço, que recebeu inúmeros prêmios internacionais e grandes espaços nas revistas especializadas. O emprego desse material, ainda incipiente no Brasil, distingue-se pelo desenho sensível e harmonioso, uma homenagem às antigas ferrovias. Toscano, que sempre usou o concreto conforme a tradição moderna brasileira, aqui empregou o aço também como elemento de expressão. Ao ser contratado pela Fepasa, que mantinha acordo com a Cosipa, foi induzido a realizar a estrutura em aço cosarcor, recém lançado no Brasil. Procurou elaborar uma obra que emocionasse, apesar da frieza do material, e oferecesse uma identidade à região. Um conjunto articulado de volumes contém a gare, a torre e a passarela. Os pórticos de aço de formas curvas apóiam-se sobre fundações de concreto armado e vão se sucedendo a cada 20 metros sustentando o mezanino. A torre do relógio reaparece, referência às antigas estações. O tratamento cromático do conjunto assim como os painéis que o ornamentam foram realizados por Odiléa. A esse trabalho seguiram-se outras intervenções urbanas em São Paulo: Estação Jurubatuba, em 1986; Terminal Princesa Isabel (1996); Estação Pêssego do Metrô (1990); Estação Vila Madalena do Metrô (1992); Praça do Monumento do Ipiranga (1994); Passarela de Pedestres (Parque Ibirapuera, rua Sena Madureira, 2002); Terminal de Ônibus Santo Amaro (2001), entre outros projetos, com a colaboração de Odiléa Setti Toscano e Massayoshi Kamimura. Das obras mais atuais constam o projeto do Pátio de Vila Sônia, linha 4 do metrô, em que ele desenvolveu todos os equipamentos, desde lavagem dos trens até escritórios da administração, oficinas, veículos auxiliares, torno rodeiro, comunicação visual e paisagismo. Estão em elaboração ainda mais cinco estações para a CPTM na linha Santos Jundiaí, antiga São Paulo Railway – Estações Piqueri, Pirituba, Perus, Caieiras e Baltazar Fidelis. Foi concluído, recentemente, o projeto do NUCEL – Núcleo de Terapia Celular – USP. Em 2005 a CPTM implantou a Galeria Subterrânea sob da Estação da Luz para integração de diversas linhas do metrô e trem (1). Nota 1 |
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João Walter Toscano nasceu em Itu, Estado de São Paulo, Brasil, em 1933. Graduou-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo em 1956, onde é professor doutor do Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto. Foi bolsista do governo francês em 1963/1964 e da Fundação Calouste Gulbenkian, Portugal, em 1971. Em 2004, o Intituto dos Arquitetos de Rio de Janeiro apresentou uma exposição com suas obras, que seguiu para a cidade do Porto, em Portugal, e em breve, será montada em Lisboa. [Fonte: biografia presente em ARTIGAS, Rosa (org.). João Walter Toscano. São Paulo, Editora Unesp, p. 175.]
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