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Cristiane Freire
Sunday, March 13, 2005 11:53 PM
Olá, meu nome é Cristiane Freire, moro em São Paulo capital e sou estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Anhembi Morumbi. Li sobre o projeto Cidade da Musica, Rio de Janeiro, de Chistian de Portzamparc, achei muito bonito e moderno mas gostaria de ver as plantas e cortes para poder ter um conhecimento mais profundo do projeto como estrutura e distribuiçao de espaço. Obrigada pelo atenção [estudante, São Paulo SP]

Vinicius Barbosa Monday
January 24, 2005 12:49 PM
Caros, interessantíssimo o auditório do projeto de Portzamparc (AC – ArquiteturaCrítica, n. 14), cuja arquibancada descentralizada da platéia dá uma dinâmica surpreendente ao ambiente. E, obrigado, mais uma vez, pelas excelentes matérias! Um abraço [arquiteto, Niterói RJ]

Bárbara Bezerra
Wednesday, November 05, 2003 6:55 PM
Gostaria de saber se vcs já publicaram algo sobre Charlies Eames, se já poderiam me mandar algo? Estou pesquisando na internet mas é muito difícil encontrar algo. caso saibam onde encontrar me ajudem!!! Agradeço

Ademaro Mollo Júnior
Tuesday, September 30, 2003 3:05 PM
Excelente! Como professor de Projeto de Edificações e Urbanismo em duas instituições de ensino, sinto (sentia) imensa falta de uma publicação que trate de arquitetura com seriedade e uma certa profundidade, tão esquecida nos nossos periódicos. O aprendizado da crítica honesta e bem feita é fundamental para o aprendizado do projeto, pois desenvolve a auto-crítica, atividade que traz certas dificuldades para a maioria dos profissionais de arquitetura, apesar de tão importante para nosso crescimento. Desde já, como professor e arquiteto, parabenizo os responsáveis pela publicação e espero que meus alunos façam fila de espera para acessar o site. Abraço

Maria Tereza do N. Guerreiro
Tuesday, September 30, 2003 3:07 PM
Fiquei muito feliz em vez o professor Severiano na A.C do Vitruvius também. Sou amazonense e tive o prazer em trabalhar com ele de 73-78 quando cursava Engenharia Civil. Hoje também sou Arquiteta e amo a profissão e tenho uma grande admiração pela pessoa dele e por todo o seu trabalho. A foto da residência do mestre está invertida e por falar nela, no terreno será construída uma torre residencial. Me parece que será reconstruída em outro local, mas não acredito muito. Severiano foi realmente um revolucionário com a aplicação da madeira em suas obras residenciais e até comerciais como o Banco da Amazônia, loja da Vasp (demolida), Chapéu de Palha (demolido) e as Lojas Credilar. Acho que o trabalho de certos arquitetos jamais deveriam ser destruídos pois são obras de arte. Não é patrimônio histórico mas é patrimônio artístico! Essas são as desvantagens de viver no terceiro mundo. Quando ele chegou a Manaus, a madeira estava presente nas construções somente nas esquadrias, que inclusive eram pintadas. Acho que a madeira mais valorizada com a arquitetura de Serveriano foi a macacaúba, que possui uma cor e desenho muito bonito além de possuir propriedades estruturais.
Embora feliz por ver meu professor na Vitruvius, acho que ele possui muito mais para ser divulgado. Quem sabe alguém já não esteja elaborando um livro sobre todos os seus trabalhos? Inclusive me ponho a disposição caso alguém já tenha esse projeto em mente ou andamento. Até outra oportunidade.

Clarice Godinho
Monday, May 19, 2003 2:22 PM
Olá. Através do site da IAB-RJ cheguei até vocês. Meu nome é Clarice Godinho e eu escrevo para o programa Universidade no Ar, da rádio CBN, que vai ao ar todo primeiro sábado de cada mês. O projeto é uma parceria da CBN-RJ com a faculdade de Jornalismo da UFF e, para a próxima edição, do dia 07/06, falaremos sobre o patrimônio histórico do Rio de Janeiro. Gostaria de saber se vocês podem nos ajudar. Vocês falam sobre o assunto ou conhecem alguém que fale aqui no Rio de Janeiro? Fico esperando contato. Desde já, muito obrigada pela atenção. Um abraço

Simone Pallone
Wednesday, May 14, 2003 11:45 AM
Olá, o meu nome é Simone, sou repórter da revista Ciência e Cultura, uma publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, e estou preparando uma matéria sobre a construção do Museu Guggenheim no Rio. Para a minha matéria, gostaria de entrevistar a Ana Luíza Nobre. Como me comunico com ela? Desde já agradeço. Atenciosamente [Simone Pallone, revista Ciência e Cultura, SBPC]

Vicente del Rio
Tuesday, April 29, 2003 3:09 AM
Parabéns ao Otavio Leonidio pelo excelente artigo de "avaliação pré-ocupação" do projeto de Jean Nouvel para o pier da Praça Mauá. Corajosa e erudita matéria, que faz uma crítica contundente com uma argumentação similar àquela utilizada pelo próprio Nouvel para "vender o seu peixe". Um exercício de plástica arquitetônica num projeto capenga totalmente equivocado para o lugar, as funções urbanas, as integrações, e os acontecimentos que deveria promover. Embora eu agora esteja morando longe, continuo a alimentar uma de minhas mais antigas "cachaças" e exercíicios acadêmicos: o sonho da revitalizaçãao da área portuária carioca. Uma área com enorme potencial social, cultural e econômico, que os governantes há muitos anos cismam em ignorar em suas atitudes estreitas e auto-suficientes, e sua falta de visão estratégica. Ao invés de ser projeto coerente em seu próprio programa, e contextualista em seus diálogos com a cidade – através de conexões visuais, funcionais, e culturais – parece mesmo que o nosso "signature project" de Nouvel olha apenas para seu próprio umbigo. Mais do que um "desacontecimento" e uma arquitetura do "não-lugar", como apontado por Otavio, nosso Guggenheim promove mesmo a "des-revitalização" do seu sítio. [Associate Professor, Cal Poly San Luis Obispo, EUA]

Edson Elito
Wednesday, March 12, 2003 6:38 PM
Caros Abílio e Haifa: sei que os projetos do Teatro Oficina e do Teatro do Colégio Santa Cruz são exemplos interessantes de arquitetura teatral não convencional e interessa aos arquitetos, estudantes e interessados no assunto, mas o destaque e o modo de enfocar o tema me surpreendeu e, confesso, me emocionou.
Quando recebi o e-mail do Abílio dizendo que estava no ar, eu estava em Lisboa, de onde cheguei no fim de semana e qual não foi a minha emoção ao ver de lá uma matéria tão bonita e bem feita, a respeito dos meus projetos! Imaginem. Quero agradecer a gentileza e o carinho demonstrado e dizer que a publicação na Internet, como vocês realizaram, ficou perfeita, em termos de adequação da qualidade necessária ao meio utilizado. Meus parabéns a vocês dois, que além do mais considero amigos. Um grande abraço [arquiteto, São Paulo SP]

João Maurício Ribas Pegorim
Monday, February 24, 2003 3:12 PM
Querida Ana, recebi há pouco o informe da Vitruvius, e a ou ver chamada para texto seu, corri para conferir. Não me arrependi!! Há muito não lia um bom texto crítico sobre obra específica e escrito pelas terras de cá!! Parabéns! Beijos [João Maurício Ribas Pegorim é arquiteto, Rio de Janeiro RJ]

Andrey Rosenthal Schlee
Wednesday, January 01, 1997 12:12 AM
A revista BRAVO publicou recentemente em seu Caderno T (nº 14), dois artigos, assinados por Aracy Amaral e Décio Pignatari, intitulados respectivamente “A questão do projeto do MAC” e “Por uma crítica da arquitetura no Brasil”. Tais artigos, no meu entendimento, estão a pedir uma releitura  crítica de todos que honesta e criteriosamente se preocupam com os rumos da arquitetura brasileira.
Inicialmente devo dizer que estou de acordo com os dois polemistas no reconhecimento da necessidade de se constituir no Brasil, urgentemente, uma crítica de arquitetura –  que, entretanto, imagino sempre e necessariamente sólida, criteriosa e respeitável. Até porque entendo que um crítico só adquire credibilidade quando constrói seu pensamento  baseado no conhecimento da obra que analisa e quando demonstra ser possuidor de um repertório teórico e prático que permita tal análise.
Aracy Amaral parte de um pressuposto fantástico: que está na hora de o Brasil contar com projetos de arquitetos de todo o mundo, porque tal “arejamento” beneficiaria nossa arquitetura - no que respeita a projeto, execução, materiais e acabamento. Além do mais, admite que a inclusão de nomes estrangeiros em concursos para novos prédios, garantiria, no futuro,  projetos de qualidade e de tendências as mais variadas. Frente a tamanho complexo de inferioridade, impõe-se uma pergunta: qual seria a garantia da qualidade de tais projetos?
Na falta de uma argumentação condizente para defender (por que não criticar ou analisar?) o projeto de Bernard Tschumi para o MAC-USP, Aracy optou por polemizar sobre nosso mais reconhecido arquiteto: ninguém ousa falar de Niemeyer, diz ela  logo lembrando, como uma autodefesa antecipada, que “quando um crítico não-arquiteto ousa analisar a produção arquitetônica, o corporativismo entra em ação a fim de desqualificar essa crítica”. Pergunta-se então: como constituir uma crítica duradoura com posturas como essa?
Ao mesmo tempo em que defende concursos fechados (tipo carta-convite) como o realizado para o MAC, Aracy argumenta que o Brasil precisa ultrapassar a etapa atual, e dar voz (e vez) a novos arquitetos: “temos grandes nomes de arquitetos, na sombra”. O que ela não responde é como garantir a participação de tais arquitetos? Quem são eles? Ou: por que não defendeu um concurso público abrangente, no qual os novos nomes poderiam ter despontado?
Décio Pignatary, por sua vez, também está preocupado com a qualidade de nossa arquitetura (como de resto estamos todos nós, arquitetos); e também reclama da falta de uma crítica arquitetônica; e também descamba no Niemeyer. Depois de atribuir a autoria do Ministério da Educação e Saúde a Le Corbusier e de qualificar as colunas dos palácios de Brasília como “curvinhas kitsch neobarrocas”, questiona por que o estamento arquitetônico e cultural brasileiro não conseguiu instituir uma crítica de arquitetura no Brasil. A resposta parece ser a mais óbvia: não conseguiu, porque não há rigor e seriedade na maioria das críticas elaboradas, como se comprova pelo seu artigo.
Oscar Niemayer, com seus 94 anos, continua incomodando muita gente. A polêmica gira em torno do processo de escolha do autor do projeto da futura sede do MAC-USP. Processo do qual participaram apenas dois arquitetos brasileiros - Paulo Mendes da Rocha e Eduardo de Almeida. No entanto, para justificar a escolha do projeto vencedor (de Bernard Tschumi), vale até criticar Niemeyer. Afinal – para um dos membros do júri – o MAC-Niterói “já surgiu com sua arquitetura ultrapassada” (obra reverenciada por Rem Koolhaas, Jo Coenen, Christian de Portzamparc, Kathleen Bartels, Ana Luíza Nobre, Matheus Gorovitz, Roberto Segre, entre outros). O problema é a crítica sem critérios, estéril e passional!
É verdade que a arquitetura brasileira contemporânea enfrenta uma crise inquestionável e duradoura. Alguns – como Carlos Eduardo Dias Comas – têm procurado compreendê-la e buscam as raízes da questão (falta de oportunidades, equívocos na política profissional, decadência na formação dos jovens arquitetos); outros ficam na superficialidade, e apostam na transfusão de sangue – o que pode até ocorrer através da elaboração de mega-projetos (como o MAC em São Paulo, o Guggenheim do Rio de Janeiro, ou o Iberê Camargo em Porto Alegre). Concordo com os primeiros: acredito nos concursos públicos amplos, luto pela criação do Colégio de Arquitetos (e para tanto tenho que ser corporativista!); e estou em greve em defesa do ensino público de qualidade. Por fim, temos que ter uma crítica arquitetônica verdadeira. [Andrey Rosenthal Schlee é arquiteto e professor da UFSM, Santa Maria RS
]

Pedro Moreira
Tuesday, November 20, 2001 9:03 AM
Cara Ana Luiza Nobre, com grande interesse tenho seguido seu trabalho conjunto com Haifa Sabbag em parceria com arquitextos/vitruvius. Além das opções temáticas e do conteúdo dos artigos, entusiasma a dinâmica desse meio, que já de início veio a causar discussões a meu ver produtivas, ainda que estas, talvez por falta da experiência, tenham sido meio desajeitadas... Escrevo com uma sugestão/pedido: que se introduza nos textos um "cabeçalho" ou duas linhas contendo fonte, autoria e data dos textos, já que estes dados não estão sendo emitidos na impressora dos leitores (um problema exclusivo para os usuários de Macintosh, quem sabe ?). Seria uma pequena mas importante mão na roda por razões de arquivo. Com cordiais saudações [arquiteto, Berlim Alemanha]

Roberto Villavicencio Grossmann
Monday, November 19, 2001 9:36 AM
Parabéns pelo espaço. É bom ver espaços de debate surgirem, especialmente na Internet, cujo acesso fica fácil para todos, inclusive para aqueles que estão fora do Brasil. Estou indicando o site a colegas interessados em Teoria e Crítica e que moram no exterior. Tenho, porém, uma sugestão crítica: falta um reforço no aspecto crítico. Tenho encontrado debate e, no máximo operative criticism (como diria Jorge Silvetti) e não verdadeira crítica que gera, sim, teoria. Gostaria de ver mais uma digitalização de Oppositions ou Assemblage, do que Architectural Record [Arquiteto, M.Arch. Professor de Teoria da Arquitetura]

Assunta Viola
Sunday, November 18, 2001 1:36 PM
Prezado Abílio, O último encontro, no IAB-SP, por ocasião da apresentação do Plano Diretor para o município de São Paulo pelo atual Secretário de Planejamento Urbano, Jorge Wilhein, mostrou uma série de polêmicas sobre o Planejamento como instrumento de intervenção na cidade. Não diminuamos, no entanto, a importância de todas as análises que este instrumento possibilita para o entendimento do comportamento dos movimentos urbanos. Gostaria apenas de salientar, já que foi publicado neste site uma crítica à obra do arquiteto e professor Joaquim Guedes (a.c nº8, novembro 2001), debatedor no evento do IAB-SP, a atualidade de suas polêmicas opiniões. Mais uma vez gostaria de parabenizar Vitruvius, através da publicação desta crítica, pelo seu envolvimento com o pensamento em marcha da construção das cidades brasileiras, real razão de qualquer atividade profissional que venhamos a exercer no papel de arquitetos, grandes ou pequenos, da nossa real responsabilidade, e de sugerir um espaço de debates exclusivamente sobre o Plano Diretor para os profissionais da área, um sinal de envolvimento e solidariedade de toda a sociedade na busca de soluções urbanas atreladas ao nosso tempo, ao nosso espaço.

José Tabacow
Monday, August 27, 2001 3:28 PM
Oi, Ana. Li o artigo e a entrevista (a.c nº3, fevereiro 2001). Fica impossível comentar tudo por e-mail, mas acho que a questão mais importante para discutir, entre tantas de grande importância, é a maneira como se propõe a instalação do Museu: parece um aproveitamento do entusiasmo tupiniquim, que provincianamente diz amém ao que vem do exterior. Se o Guggenheim quizesse se estabelecer por sua conta, acharia ótimo, mas reajo à idéia da venda de um nome, da imposição de condições (finaceiramente irreais, para nós) em troca de uma marca, como se fosse um Boticário ou um McDonald's. Aliás, falando em Boticário, lembro-me de minha estranheza quando, em trabalho na cidade de Nobres (MT), vi uma anacrônica franqueada da cadeia de perfumarias, na cidade pobre, poeirenta, em que apenas a rua principal era calçada. A tal loja era feericamente iluminada e a decoração, com predomínio de cristais e espelhos, refletia toda a pobreza circundante. Não quero ser radical, mas...tem algo a ver, não? Abraços,

Sylvio de Podestá
Friday, August 17, 2001 5:30 PM
Depois do pós, o pós do moderno, esta coisinha sem graça, toda branca, com vidro verde e reguinhas de madeira simulando brises. É o moderno totalmente figurativo, desideoligizado, desdogmatizado, fraquinho mas bom de marketing. Todos os novos, filhotes de holandeses, filhotes dos G. pennas. É o moderno figurativo, modern scape. Isto tudo é prá dizer que adoro o a.c. destas duas moças danadas, atentas e que sempre fizeram uma boa crítica. Parabéns e um grande abraço.

Silvia Monteiro
Quinta-feira, Julho 19, 2001
Ana Luisa Nobre, estou lhe escrevendo em nome da Universidade Técnica de Delft - Faculdade de Arquitetura, Holanda. Estamos trabalhando na organização de uma exposição sobre o Brasil em nossa faculdade e o Agnaldo Farias me sugeriu que entrasse em contao com você. Preciso dos seus dados como e-mail e tel para poder lhe enviar uma carta. Aguardo suas informações o mais breve possível. Atenciosamente

Renato Luiz Sobral Anelli
Saturday, March 03, 2001 10:59 AM
Abílio, Nada como um Carnaval em casa para se atualizar um pouco. Como não estava tendo tempo para acompanhar o site Vitruvius, tinha lido a resenha da Ana Luiza e deixado o assunto no arquivo. Apesar de um leve desconforto, não esperava a rica polêmica se seguiu. Acho que é a primeira vez que se explicita, por escrito, algumas confluências e outras diferenças no meio dos historiadores de arquitetura. Deixando algumas pequenas deselegâncias menos importantes, fico com a "grande irmandade" de Comas (por quem tenho grande respeito e amizade, e que generosamente me incluiu ali, mas excluiu os baianos, pernambucanos e o pessoal da FAU-USP). Na ausência de debates, produções que têm em comum a revisão da historiografia que já foi hegemônica mas que possuem enfoques radicalmente diversos, passam por complementares. Como colocar no mesmo time Marcelo Puppi e a Sophia Telles, para nos determos apenas em dois extremos? O debate epistolar esboçou um campo amplo, a "grande irmandade", e tentou marcar algumas gêneses, a produção dos articulistas da Projeto no início dos 80 ou a inserção dos gaúchos um pouco mais adiante, deixando a Ana Luiza na defensiva. Claro que o assunto já daria uma tese, mas creio que a Ana Luiza tenha uma certa dose de razão. Em meio à "grande irmandade", a produção dos pesquisadores da PUC-RJ apresenta algumas especificidades que a diferencia. Ana Luiza ressalta a presença de Ronaldo Brito, o que não é pouca coisa. Difícil colocar sua postura metodológica (e não apenas) no mesmo barco daqueles que foram agentes de uma revisão com enfoque guiado pelas mais variadas matizes do pós-modernismo que floresceu no Brasil a partir dos anos 80 (pelo qual, confesso, tive franca simpatia em um primeiro momento). Nunca é ocioso lembrar que a corrente crítica e artística constituída ao redor da revista Malasartes, da qual participaram Ronaldo Brito, Carlos Zilio, José Resende, Cildo Meirelles, para citar apenas alguns nomes mais conhecidos, foi responsável por retirar a produção artística brasileira dos impasses a que chegara na década de 1970. Crítica e produção ali reunidas apontaram para um novo projeto que colocou as artes plásticas brasileiras na linha de frente da produção internacional. A pequena circulação da revista Malasartes entre os arquitetos fora do eixo Rio - São Paulo pode ser responsável pela sua omissão nas gêneses ali apontadas. Através dela (e da atuação de Sophia Telles no meio arquitetônico) poderíamos encontrar uma raiz comum que justifique as afinidades entre certos enfoques de alguns pesquisadores da PUC-RJ, da PUCCAMP e da USP-São Carlos. Mas é certo que essa linha, guardadas as diferenças internas, tem poucas afinidades com enfoques historicistas e tipológicos dominante em outras regiões ou ainda ao pluralismo relativista, muitas vezes saudoso do ecletismo, que em alguns casos vem sustentando o domínio de um pós-moderno banal na produção arquitetônica brasileira. Não estou me referindo diretamente aos livros da resenha de Ana Luiza, mas sim a um conjunto de produções difundida em artigos e livros originádos de pesquisas sérias (acadêmicas ou não), que pela miopia do mercado editorial encontram ainda um pequeno espaço de circulação. Claro que as informações levantadas nessas pesquisas circulam e alimentam toda a "irmandade" de historiadores, mas as diferenças já deveriam estar claras para quem está na estrada há tanto tempo. No entanto, discordo da Ana Luiza no seu primeiro artigo provocativo ("A falta que nos faz") onde afirma que criticar não é julgar mas sim dialogar. Ali ela abre o espaço para seus oponentes. Criticar é julgar, dar valor, elevar um fato a cultura, com todos os riscos e incertezas que isso implica. Tenho certeza que nossa decadência é fruto da insegurança em julgar esteticamente a produção arquitetônica contemporânea. Nunca se projetou e construiu tanta coisa de baixa qualidade na história da arquitetura brasileira e ninguém tem coragem de falar nada publicamente. Ficamos apenas nos "diálogos", tentando dourar a pílula. Apesar da seriedade da produção intelectual da "grande irmandade", confesso que estou um pouco cansado do diletantismo que vem se expandindo no ambiente acadêmico. Não sei se sobreviveremos à inundação de pesquisas forçadas pela exigência de pós-graduação, a qual cresce proporcionalmente à explosão de cursos de arquitetura no país. De fato o campo da "nova história" é mais amplo do que sugeriu Ana Luiza na sua resenha, mas deveríamos reconhecer que está se consolidando um corpo específico de enfoque que se diferencia do que vem sendo produzido há pelo menos 20 anos de revisão. Mais do que o artigo "A falta que nos faz", essa pequena resenha foi capaz de provocar a ira no campo que se interessa por debater. Talvez seja só esse que conte neste momento. Está mais do que na hora de se explicitar essas diferenças, nem que seja dessa forma. Um abraço, Renato

Lidia Kosovski
Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2001 00:22
Caros amigos, Foi com grande surpresa que me vi incluida por Carlos Eduardo Comas na "irmandade" dos historiadores da arquitetura brasileira! Desconheço a origem desta suposição, mas intuo que deva ser decorrente de minha participação na exposição "Rio Jamais Visto", realizada no CCBB em conjunto com Ana Luiza Nobre e Alfredo Britto. Devo no entanto esclarecer que, embora seja formada em arquitetura, materia pela qual ainda nutro profundo interesse, não segui esta vertente ao longo da minha vida profissional, tendo me dedicado à cenografia teatral, como criadora, professora e estudiosa. Apesar de ser uma das responsáveis pela realização da exposição "Rio Jamais Visto" não acho razoável ser equiparada a Alfredo e Ana Luiza, estes, que vêm dedicando toda a vida à historia e crítica de arquitetura. Não nego ambiciosos planos de, mais adiante, tocar na questão arquitetônica sob o prisma "cenográfico" ou "cênico", universo que venho desenvolvendo teoricamente em estudos inseridos no Programa de Pos-Graduação de Comunicação e Cultura da ECO-UFRJ. Mas para chegar ao patamar de historiadora ou pesquisadora de arquitetura uma longa estrada ainda me aguarda. De qualquer forma parabenizo a todos que vem doando parte de seu precioso tempo e saber a este forum, a anunciar uma visível vitalidade na retomada do pensamento dialógico, aparentemente esvaziado nas ultimas décadas. Bom, é isso. Com alguma frustração de não pertencer a esta nobre "irmandade", certamente continuarei uma assidua "voyeur" das discussões que, espero se intensifiquem, dia a dia, nesta virada de milênio. E quem sabe?, um dia vir a ser mais uma legítima interlocutora. Um abraco a todos, com admiração e carinho subscrevo-me
Lidia Kosovski, arquiteta e cenógrafa, Rio de Janeiro RJ

Hugo Segawa
Sunday, February 11, 2001 9:17 PM
Prezada Ana Luiza. Sinto-me chegando no fim da festa, lendo sua resposta a Ruth Verde Zein, Carlos Eduardo Dias Comas, Cêça de Guimaraens e Cecília Rodrigues dos Santos. Quando me deparei com seu comentário, “Arquitetura Moderna Brasileira – enfim, uma Nova História, julguei-a correta e até inofensiva porque resenha não é espaço para propor teses. Mas, especialmente, incentivadora ao caracterizar na nova história do título algum apelo pela qualidade das publicações. As repercussões geraram réplicas suas que, a meu ver, se tornaram emenda pior que o soneto. Há uma questão subjacente em sua posição, Ana Luiza, à qual já ponderei por escrito anteriormente, ao tecer anotações sobre o seu artigo A falta que nos faz, publicada em Summa+ e disponível em Arquitextos. Caso você guarde correspondência, em 2 de fevereiro de 2000 enviei-lhe email com as tais observações. Entre elas, a de que seu discurso teria sentido nos anos 1960/70, e hoje me parece requentado, sobretudo partindo de uma jovem crítica. Ou talvez aquilo que lhe parece relevante, para mim é uma etapa superada, porque a natureza da problematização mudou, ou deveria ser outra. A referência à invenção da roda e as derivações alusivas, evocadas por vários missivistas, remetem à gradual construção de um ambiente de história e crítica nos últimos vinte anos no Brasil, que tanto em A falta que nos faz como em Enfim uma nova história não relativizam, ou permitem subentender que não têm importância como atestam as reações. Por isso (se é que eu entendi sua última tréplica, a coletiva, cheia de perífrases) não vejo justificativa plausível para distinguir produção textual e produção historiográfica: a construção da roda se faz no cotidiano, com uma nota, com um artigo, com um livro, com muito sacrifício. Algum desses pode mudar as cabeças das pessoas. É a contribuição possível e humilde que cada um de nós pode fazer, sem nenhuma pretensão de participar do Olimpo da Historiografia. Penso que serei feliz se ficar engatinhado em fazer história até o fim de meus dias. Na medida que suas réplicas foram suavemente esclarecendo o conteúdo da sua resenha, comecei a suavemente discordar daquilo que no início senti e anotei como correta e inofensiva. Entrando na especificidade dos trabalhos resenhados, é certo que as contribuições de Conduru e Kamita são bibliografia fundamental, anunciam uma nova geração de historiadores, mas que anteriormente não produziu-se uma análise crítica de obras arquitetônicas no Brasil sob o ponto de vista expresso nos dois livros ora publicados é uma afirmação desgastante e um tanto tautológica, porquanto só Conduru e Kamita têm o talento de escrever o que escreveram. É preciso ser cuidadoso ao atribuir caráter instaurador àquelas obras, no contexto de seu discurso e diante do contexto da produção daqueles que se dedicam a discorrer nesse domínio. Manifesto este juízo com tranqüilidade. Esses autores sabem o que penso porque: 1) participei da banca examinadora do doutorado de Roberto Conduru, de cuja tese se extraiu um capítulo que se tornou a base de Vital Brazil publicado; 2) enviei carta em janeiro passado a João Masao Kamita expressando minha divergência sobre algumas interpretações em Vilanova Artigas. Tenho em conta o autor do livro sobre o arquiteto carioca um dos mais brilhantes pesquisadores da recente geração, e a sua publicação o estado-da-arte sobre o personagem; o mesmo não posso afirmar sobre a reflexão sobre o arquiteto paulista sem invalidar a contribuição de Kamita (igualmente brilhante pesquisador do grupo da PUC/RJ) somando-se aos vários ensaios e à quase dezena de teses e dissertações, já concluídas ou em andamento, contemplando o mestre de São Paulo. Já declarei, publicamente, meu apreço por Carmen Portinho, e em correspondência particular o encanto de O Rio jamais visto. Com isso quero apenas reforçar minha alta estima por você. Mas na polêmica em curso, pelas suas posições, você está enxergando as árvores, não o bosque. Abraço do Hugo Segawa
PS – A respeito da proposta de um “seminário sobre o tema: em 1994 a FAUUSP promoveu o encontro O Estudo da História na Formação do Arquiteto; escolas do Rio Grande do Sul organizaram, até o ano passado, cinco encontros de teoria e história da arquitetura; o colóquio Arquitetura Brasileira: Redescobertas, durante o XVI Congresso Brasileiro de Arquitetos em Cuiabá setembro passado dedicou uma seção para o tema Historiografia e Crítica da Arquitetura no Brasil. Nos seminários nacionais e regionais do DOCOMOMO/Brasil (quatro organizados até 1999) o tema da historiografia da arquitetura moderna brasileira é pauta vitalícia; no V International DOCOMOMO Conference em Brasília, também setembro passado, Brasília na historiografia internacional foi tema recorrente. Se soubermos tirar proveito do que rola por aí, aprenderemos mais.
Hugo Segawa é arquiteto, historiador, crítico e professor do Departamento de Arquitetura da EESC-USP

Ana Luiza Nobre responde a Ruth Verde Zein, Carlos Eduardo Dias Comas, Ceça Guimarães e Cecilia Rodrigues dos Santos
Friday, February 09, 2001 12:13 AM
Aproveitando a simultaneidade das cartas de Ruth Verde Zein, Carlos Eduardo Dias Comas, Ceça Guimarães e Cecilia Rodrigues dos Santos, tomo a liberdade de responder a todas de uma só vez. Sinto antes de mais nada o dever de ressaltar o que me parece não ter ficado suficientemente claro, haja visto os termos entre aspas a mim atribuídos em algumas das cartas: falo de uma "nova história", não de uma "nova crítica". A distinção é necessária, mesmo tratando-se de campos muitas vezes coincidentes (parafraseando Lionello Venturi, poderíamos dizer que a história da arquitetura é função da crítica de arquitetura). E me apresso a acrescentar algo que dou como certo: produção textual não é produção historiográfica. Não necessariamente, digo. Porque uma coisa são os ensaios críticos, as crônicas, os inventários, as matérias jornalísticas, as cartas que escrevemos e muitas vezes publicamos. Outra é o fazer história, terreno no qual estamos engatinhando. O fato de eu ter identificado características historiográficas comuns – e no meu entender, desculpem se insisto, sem precedentes – em dois títulos recentes, distinguindo-os com um recorte ao qual nomeei de "nova história" (numa alusão óbvia a certa torção conhecida na oficina da história), não significa que eu tenha, por princípio, negado todos os escritos – historiográficos, inclusive – que vêm antes, ou durante, ou depois. Conforme nos lembra o historiador Francisco Falcon, o panorama historiográfico contemporâneo é marcado pela diversidade, sendo a chamada "Nouvelle histoire" francesa apenas uma dentre as muitas novas histórias surgidas no século XX. E evidentemente, mesmo esta "irmandade" que o Comas defende compreende múltiplos e divergentes métodos e abordagens. Que fique definitivamente claro, portanto, que minha leitura não é excludente nem preconceituosa, apenas porque não se dispõe a fazer, de uma resenha, um balanço da historiografia da arquitetura brasileira. Isto, aliás, como sabemos todos, está por ser feito. E é neste sentido que venho propor a realização de um seminário sobre o tema. Nada seria mais frutífero que aprofundarmos uma discussão que mostra-se tão polêmica, refletindo juntos sobre a nossa História – ou as nossas histórias. Com um abraço, Ana Luiza Nobre
Nota: Aos que se interessam pelo tema, recomendo como leitura inicial o excelente livro de entrevistas com grandes historiadores da atualidade de Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke: "As muitas faces da história: nove entrevistas", Unesp, 2000.

Cecilia Rodrigues dos Santos
Thursday, February 08, 2001 12:21 AM
Caro Abílio. Estou aqui sentada na frente da tela pensando ainda se devo ou não entrar nesta polêmica sobre "méritos e vaidades". Eu me refiro à resenha assinada por Ana Luiza Nobre com o sub-título de "Enfim uma nova historiografia", um bilhete dirigido a você pelo arquiteto Carlos Eduardo Comas comentando aspectos deste texto e a resposta da Ana Luiza Nobre, todos divulgados no Vitruvius. Apesar do livro "Le Corbusier e o Brasil", do qual sou co-autora com Margareth Pereira, Romão Pereira e Vasco Caldeira, ter sido citado nesta correspondência, ainda tenho dúvidas se devo entrar na discussão, porque o que me move não é uma questão conceitual ou técnica sobre arquitetura mas antes uma questão ética. Ou talvez por isso mesmo deva me manifestar... Eu havia resolvido engolir quieta, com uma certa dificuldade para digerir devo confessar, a parte do discurso da Ana Luiza Nobre que reivindica a inauguração de uma "nova história" da arquitetura moderna no Brasil - a primeira suficientemente analítica e crítica para não se perder em "digressões inúteis" - para esta geração de alunos e professores da PUC do Rio de Janeiro. O desconforto não se deveu apenas à ignorância do meu próprio trabalho mas principalmente do trabalho de colegas em Universidades; em Instituições que guardam e estudam arquivos importantes como a Fundação Vilanova Artigas, Fundação Lina Bo e Pietro Maria Bardi ou Fundação Oscar Niemeyer; em órgãos de preservação e em ONGs como o DOCOMOMO; em algumas revistas (nos tempos áureos) e a todos os artigos e livros publicados, no próprio Rio de Janeiro e em todo o país, a respeito do MoMo no Brasil, se você me permite a intimidade. Pena que a voz que tenha se levantado reinvidicando um justo crédito intelectual não tenha sido compreendida. O caráter ético, fundamental, do bilhete virtual de Comas foi preterido em favor de detalhes formais e nós que esperávamos uma exposição sobre as diferenças conceituais que poderiam ter levado Ana Luiza Nobre a ignorar ou desconsiderar na sua profundidade trabalhos anteriormente realizados, ou que a autora pudesse vir a pontuar suas afirmações com o verdadeiro reconhecimento do lugar e do mérito de toda uma produção intelectual existente sobre a arquitetura moderna no Brasil, tivemos que assistir, incrédulos, a um verdadeiro puxão de orelha pela "informalidade desrespeitosa" com que seu interlocutor havia se referido a autores e obras e pela sua "vaidade" em ter lançado argumentos interpretados como um "desproposital esforço de reivindicar para si a 'invenção da roda' ". E lá se foi pelo ralo nossa oportunidade de um verdadeiro debate. Falta de prática, falta de espaço para exercer esta crítica, eu sei. Nas últimas décadas, nós arquitetos não soubemos garantir este espaço na imprensa diária, nas revistas ditas especializadas, nos meios de comunicação em geral, apesar do esforço de alguns. Quero acreditar que estejamos vivendo um momento de recuperação, com o ganho adicional de espaços virtuais como o Vitruvius. Mas para que sejamos reconhecidos pela seriedade e possamos garantir a liberdade de nossas colocações não podemos prescindir de uma postura absolutamente ética; ela será nossa garantia de credibilidade e continuidade. Enquanto escrevia me veio à lembrança a figura emblemática de Lucio Costa, não só porque o livro sobre Le Corbusier foi citado, mas porque estamos falando de respeito, ética, inteligência crítica. Para ficar apenas no episódio da vinda de Le Corbusier ao Brasil em 1936 e sua participação no projeto para o recem batizado Palácio Capanema, o velho e sempre moderno MEC, vale a pena reler a correspondência trocada pelos dois arquitetos. E descobrir como, sem nunca deixar de reconhecer e respeitar a genialidade do arquiteto suíço, Lucio Costa defendeu com convicção o espaço e a criação dos então jovens arquitetos brasileiros. Em meio a tantas qualidades pessoais e intelectuais, talvez a generosa modéstia e a grande dignidade de Dr. Lucio tenham desempenhado um papel mais importante no processo de invenção desta arquitetura moderna carioca do que normalmente se supõe, na medida em que soube sempre elevar o nível e manter o tom dos debates. Saudades do Dr. Lucio! Grande abraço [São Paulo 04 / 02 / 2001]
Cecília Rodrigues dos Santos é arquiteta e crítica de arquitetura

Fabrício Pinheiro
Thursday February 08, 2001 1:36 AM
Sou eu quem tenho de agradecer a vocês por terem criado este site tão bacana! Gostei muito das críticas da Ana Luiza Nobre e das discussões no espaço reservado ao leitor. Sou recém formado pela UFF e creio que este espaço vem contribuir, aliado ao trabalho já feito pelas revistas, para cobrir a lacuna deixada pela escassez de publicações dentro das nossas universidades! Um abraço e muito sucesso
Fabrício Pinheiro, arquiteto, Rio de Janeiro RJ

Cêça Guimaraens
Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2001 23:47
Haifa e Ana Luiza,
tive notícias de vocês por meio da Ruth Verde Zein. É ótimo ler vocês em casa sem ter que esperar o envelope plastificado da AU! De quebra e grátis, há alguns dias, um "tempo quente" em torno da invenção de uma história nova da ArqBras. Está enriquecendo as noites cariocas de verão. A geração de críticos/historiadores que se formou com o abraço amigo do Vicente Wissenbach demonstra que ainda entende das coisas, assumindo erros e exigindo a autoria de acertos. Esse movimento é sólido e impossível de se manter submerso. Quando se trata de nova história, não dá p'rá esquecer Mário de Andrade, Lucio Costa, Edgar Graeff, Ferrreira Gullar, Aracy Amaral e outros que registraram em revistas de arquitetura a matéria que daqui a pouco vai servir à "nova crítica". Todos esses e cada um, de modo (im)próprio, deixaram-se rotular de "novos". Em Cuiabá, assistimos uma discussão memóravel sobre se os Depoimentos do Após-Brasília poderiam comemorar bodas de prata, sem medo de esconder a idade. A continuar, este recadinho corre o risco de transformar-se em notas das mil e uma noites. A profissão mais velha do mundo não é a da prostituta, é a do historiador. Portanto, à maneira das meninas, para permanecer, quem faz a História de agora precisa fazer-se "novo" em cada esquina.
Cêça Guimaraens, arquiteta e professora da FAU/UFRJ

Carlos Eduardo Comas
Tuesday, February 06, 2001 11:53 PM
Oi Ana Luiza. Li a sua resposta às minhas observações quanto à idéia de uma "nova crítica", que haviam sido expostas num email informal entre colegas- você inclusa- e cuja publicação online se fez sem meu conhecimento e autorização. Nela você diz que  fui pouco respeitoso com o Conduru e o Kamita –- a quem prezo como pessoas e homens de cultura – e me alerta para as armadilhas da vaidade pessoal. É evidente que não não detalhei com a clareza necessária o meu pensamento. Afinal, acreditava estar iniciando uma conversa privada, não um debate público. Mas já que se converteu nisso, à minha revelia, não vou me furtar a reiterar minha posição. A meu juízo, teria sido mais instrutiva para o público e mais acorde com os fatos dizer na sua resenha que os livros são uma brilhante contribuição a um corpus de revisão da historiografia da arquitetura moderna brasileira,  revisão que é movida justamente pelo embate com a obra e pela investigação do contexto em que a obra se faz. É nesse sentido que eu falei de "reinvenção da roda". Penso em Conduru e Kamita como membros dessa grande irmandade que inclui os paulistas Cecilia Rodrigues dos Santos, Sophia da Silva Teles, Luis Espallargas Gimenez, Ruth Verde Zein, Hugo Segawa, Guilherme Mazza Dourado, Marcelo Ferraz, Carlos Martins, Renato Anelli, Carlos Alberto Andrade, Nabil Bonduki, Sylvia Ficher, Marlene Acayaba, Marcos Tognon, Marcelo Puppi, Annateresa Fabris, o português paulista Vasco Caldeira, os cariocas Jorge Czajkowski, Luis Paulo Conde, Alfredo Brito, Mauricio Lissovsky e Paulo Sá, Lidia Kosovski Margareth e Romão da Silva Pereira, os gauchos Edson Mahfuz, Claudio Calovi, José Artur Frota, o brasiliense Matheus Gorowitz, a mineira Eline Caixeta, eu, você e tantos outros mais. Sim, a maior parte desse corpus está em artigos, dissertações e teses de acesso relativamente dificultoso, mas nem por isso inexistente e me parece que Conduru e Kamita seriam os primeiros a reconhecê-lo. Francamente,  não vejo em que isso desmereça os estudos ora publicados. A reivindicação que me parece excessiva é você que está fazendo e não o Conduru ou o Kamita. Entendo e compartilho seu entusiamo, mas acho que o exagero pode ser tomado como compadrismo, acarretando a desconfiança contra os estudos e uma resenha em tudo o demais excelente. E é claro que  nunca é demais enfatizar, como você faz,  que o embate com a obra é fundamental para qualquer crítica séria, que a forma é intrínseca ao objeto arquitetônico. Sem atenção, respeito e amor à forma não há nem arquitetura nem apreciação da arquitetura. Quanto à menção ao livro "Le Corbusier e o Brasil" e ao artigo de  minha autoria "Protótipo e monumento, um Ministério, o Ministério", publicado em Projeto 102, tem certamente uma justificativa histórica. No mesmo ano, 1987, o livro recebeu o Prêmio de Pesquisa e Crítica e o artigo Menção Honrosa na Premiação Nacional do  IAB-RJ.  Tanto quanto eu saiba, na linha do embate com a obra de arquitetura moderna brasileira e seu contexto, foram os ou pelo menos dos primeiros trabalhos reconhecidos pela comunidade dos arquitetos brasileiros.  Não vejo porque não citá-lo. Há elegâncias que podem soar como hipocrisia – fishing for compliments, dizem os ingleses. E, francamente, seria hipócrita dizer que não me orgulho do trabalho e do prêmio e da sua relativa precocidade no país. Mas em momento algum reivindiquei a paternidade da abordagem- porque não fiz mais senão acatar e parafrasear os ensinamentos do mestre Colin Rowe, que já em 1947 publicava "The Mathematics of the Ideal Villa". Desse ponto de vista, como você vê, sou apenas um retardatário. Tudo é relativo, e já escrevia Francis Bacon, secundando Platão, que todo conhecimento não é senão memória, e secundando Salomão,  que toda novidade não é senão esquecimento. Em resumo, acho que não mereço o pito que você me passou. Espero que não passe de um mal-entendido. Aliás,  o culpado é o Abílio, que não lhe explicou direito o contexto do email, e ele já sabe disto e já se desculpou.  Estou enviando cópia do presente para ele. Antecipadamente grato aos dois pela publicação online da longa tréplica, aceite o meu abraço sincero.

Ruth Verde Zein
Sunday, February 04, 2001 5:41 PM
Li o comentário de Carlos Eduardo Comas e a resposta da Ana Luiza e não posso deixar de colocar meu grão de sal. Estou absolutamente estarrecida em descobrir  que tudo o que fiz nos últimos 20 anos, em centenas de textos publicados, a maioria deles fazendo "análises formais de obras", desde momentos anteriores em que isso não era moda, e sim postura anatemizada pelas patrulhas ideológicas de então, acaba de passar à categoria de "antecedente" da "verdadeira nova tradição crítica formal brasileira", e que apenas agora, neste novo século, se inicia. Estarrecida, até, porque sinto-me ainda demasiadamente nova para já ser relegada à condição de "velha geração", não é mesmo?
Tenho a impressão que, se levássemos esse debate epistolar a sério, estaríamos vendo uma tentativa de historiografia precoce, na base da criação de um mito que –- guardadas as diferenças –, se assemelha vagamente àquele que, outrora, construiu uma modernidade oficial triunfante e triunfal, e que considerou retroativamente tudo o que ocorrera antes de si mesma, e que não pode deixar de ser levado em consideração, como meros "precursores" de si própria. E nessa construção imaginária lá vamos todos nós, em bloco, de roldão, água abaixo, levados por essa simplificação. E não falo por mim, só: que tal o texto do Luis Espallargas publicado há quinze anos? Que tal os textos de Hugo Segawa? Que tal o texto do Edson Mahfuz sobre Niemeyer quase da mesma idade? E, obviamente, que tal os textos do Comas? Para citar só alguns poucos... Não, nada disso foi a "verdadeira" "nova" "crítica formal" da "arquitetura brasileira". Para ficar claro a que me refiro, eis o trecho citado pela (desculpe, não sei se é professora doutora, senão qualificaria corretamente) prezada arquiteta Ana Luiza Nobre, por quem evidentemente sempre consagrei o maior respeito:

"A nova história da arquitetura moderna no Brasil a que me refiro, algo formalista para alguns, e que é movida sobretudo pelo embate com a obra, sedimentando uma tradição de crítica de arte à qual meu texto alude, configura-se, sim, neste momento, (grifo meu) graças, inclusive, à extraordinária contribuição dada até aqui por profissionais como você." [resposta de Ana Luiza Nobre a Carlos Eduardo Comas – ver abaixo]

Que bom saber que fomos úteis para as novas gerações, não é mesmo - e ainda em vida! Bom, se isso for mesmo verdade, pelo menos espero que a "nova geração" empunhe a bandeira com garra, como fizemos, a contrapelo das tendências de então e sem o afago dos maiores e o apoio das instituições de classe. Em compensação, tínhamos a vantagem de ter atrás de nós um relativo vazio, e assim não foi preciso pisarmos em outras cabeças para tentarmos nos firmar mais alto. Que as pessoas em geral esqueçam isso, é natural, ou pelo menos, comum. Que pesquisadores da relevância da Ana Luiza Nobre o façam, é desconcertante. Aliás, quero enfatizar que as notícias de nossa morte foram muito exageradas, como diria o velho Twain: ainda não somos carta fora do baralho... nos aguardem! Por fim, mais do que respeito por nossos títulos, queremos o respeito pelo que fizemos, na sua real dimensão. E sei que o temos, de quem interessa ter.

Roberto Conduru
Mon, 15 Jan 2001 13:43:39
Prezada Ana Luiza Nobre. Vi sua resenha dos livros sobre os arquitetos Vilanova Artigas e Vital Brazil, editados recentemente pela Cosac & Naify, e a achei bem boa. Seu texto é franco e aberto, posicionado, com as escolhas, os elogios e as críticas explicitados. É óbvio que, como a maioria dos autores, eu gostaria de ler uma resenha exclusiva do livro que escrevi (Vital Brazil). Contudo, acho que, diante das limitações do veículo, o enquadramento está muito bom: relacionado às questões da crítica histórica, no panorama da historiografia da arquitetura modernista no Brasil, no âmbito da coleção, de par com um ótimo livro. Além disso, de modo sucinto você sublinhou alguns aspectos da minha trajetória profissional e do meu trabalho que me são bastante caros, para o bem e para o mal. Outro ponto a destacar é que, ao contrário da maioria dos textos do gênero, você aborda tanto o tema do livro (ponto no qual geralmente as pessoas se concentram, evitando comentar o objeto em questão) quanto o livro em si (plano editorial, projeto gráfico, textos etc.). Mais do que tudo, o importante é ter rompido o silêncio. Eu acho que um dos problemas que nós temos hoje no Brasil é a falta de debate crítico com relação à arte. As obras (tanto as realizações plásticas quanto as historiográficas) caem no silêncio e lá ficam. Nesse sentido, posso lembrar a recepção do livro sobre a obra de Jorge Machado Moreira, organizado por Jorge Czajkowski e editado pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 1999: a maioria dos comentários girava em torno da qualidade gráfica do livro, esquecendo que havia uma leitura daquela arquitetura feita pelo organizador do livro na seleção de projetos, imagens, textos etc., e outra análise feita por mim no texto introdutório; apenas duas resenhas trataram desses "textos". De minha parte, agradeço a leitura, a divulgação e a análise do meu trabalho. Se houver algum comentário a mais, "sou todo ouvidos". Um abraço
Roberto Conduru é arquiteto e autor do texto do livro "Vital Brazil", da Cosac & Naify

Ana Luiza Nobre responde a Carlos Eduardo Comas
Monday, January 15, 2001 11:05 AM

Caro Comas, Agradeço muito seu interesse por nossa seção. Estou certa de que o êxito desta modesta iniciativa (a qual, devo esclarecer, parte de um projeto pessoal meu e da Haifa, gentilmente acolhido pelo portal Vitruvius) depende da intensidade e da qualidade do diálogo que conseguirmos estabelecer com nossos leitores, e devo confessar a você que estou vibrando com cada comentário recebido. Nem por isso sua argumentação deixa de me surpreender. Já de saída, pela maneira pouco respeitosa pela qual sinto você se referir aos dois autores em questão – os Professores Doutores Roberto Conduru e João Masao Kamita. Qualquer que seja a leitura de um crítico a respeito de uma obra – seja esta projetual ou teórica – a correta referência aos seus autores me parece, antes de tudo, fundamental. Sobretudo considerando a necessidade de dar substância e rigor a um espaço de discussão tão rarefeito entre nós. Mas esse poderia ser apenas um deslize (lamentavelmente freqüente na comunicação via email), não fosse o seu desproposital esforço de reivindicar para si "a invenção da roda". Você bem sabe da importância que atribuo ao seu trabalho teórico, cuja seriedade é há muito reconhecida aqui e no exterior. E longe de mim negar a relevância da minha própria exposição (com Alfredo Britto e Lidia Kosovski), do seu artigo sobre o Ministério, ou do livro "Le Corbusier e o Brasil", de Cecília Rodrigues dos Santos et alii, para ficar nos exemplos que você enumerou. Ocorre que em nenhum destes trabalhos produziu-se uma análise crítica de obras arquitetônicas no Brasil sob o ponto de vista expresso nos dois livros ora publicados. A "nova história" da arquitetura moderna no Brasil a que me refiro, algo "formalista" para alguns, e que é movida sobretudo pelo embate com a obra, sedimentando uma tradição de crítica de arte à qual meu texto alude, configura-se, sim, neste momento, graças, inclusive, à extraordinária contribuição dada até aqui por profissionais como você. Ainda assim, se cada um de nós tem um lugar na construção desta história, como você faz questão de assinalar, não fica bem para nenhum de nós reivindicar para si um papel central neste campo. Continuemos a enfrentar corajosamente os desafios inerentes ao nosso ofício, isso sim, e venhamos a público utilizando todos os espaços disponíveis com o supremo compromisso de estimular e aprofundar um debate crítico mais que necessário. Ou correremos o risco de sermos tomados antes por nossas vaidades que por nossos méritos. Aceite meu abraço sincero. Ana Luiza Nobre

Carlos Eduardo Comas
January 10, 2001 10:24 PM
Oi Abilio, bom milênio e muito mais sucesso ainda. Gostei muito da iniciativa do Arquitetura e Crítica e acho que a Ana Luiza e a Haifa foram ótimas escolhas para pilotar a secção. Mas cá para nós a Ana exagerou um pouco no seu entusiasmo pelo Conduru e colega. Os livros são ótimos e benvindos e oportunos, mas não é enfim uma nova história, porque o processo de revisão da arquitetura moderna brasileira está em andamento pelo menos desde 1986, com o meu texto sobre o Ministério e o Le Corbusier e o Brasil da Cecilia e cia. Há uma tendência brasileira ao esquecimento (e à reinvenção da roda) e inadvertidamente a colocação feita pode coontribuir para tanto. Espero que a Ana não me leve a mal, mas é porque ela mesma é uma das que tem contribuido para escrever essa nova história (a exposição do Rio que não foi é uma bela prova disso) que me senti compelido a fazer a observação.
Carlos Eduardo Comas é arquiteto, membro da Comissão Coordenadora do PROPAR (Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura) da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e responsável pela pesquisa "Arquitetura Brasileira Contemporânea: Cidade Figurativa, Teoria Acadêmica, Arquitetura Contemporânea"

Fabio Yazigi Sabbag
Terça-feira, 9 de Janeiro de 2001 18:14
Parabéns pela Editoria A.C. Tenho certeza que encontraremos sempre conteúdo crítico e técnico, divulgando somente obras que tenham valor arquitetônico, não cedendo a outros interesses. Muito bonita a reportagem sobre o Forum Internacional de Tokyo. Assim como a reportagem, as fotos são muito boas. Interessante apresentar a biografia do autor. Gostaria de dar algumas sugestões para aperfeiçoar o site: o link para opinião do leitor deveria aparecer em todas as telas; após clicar na revista, o índice com as duas reportagens poderia conter uma foto de cada; na tela das autoras, também poderia aparecer uma foto delas; poderia sugerir que o leitor indicasse projetos para reportagens futuras. Sucesso a vocês!

Claudio Pincas Feldman
Terça-feira, 26 de Dezembro de 2000 23:59
Suerte !! Interesante propuesta felices fiestas y buen año nuevo saludos
Claudio Pincas Feldman é arquiteto em Buenos Aires, Argentina

Fabio Duarte
Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2000 18:42
Parabéns Ana Luiza Nobre e Haifa Yazigi Sabbag pela nova editoria do Vitruvius e pelos dois textos inaugurais. Desde que vi anúncio da abertura da editoria, imaginei que esse poderia ser um espaço não apenas para a breves críticas sobre projetos, mas também campo importante para a reflexão sobre a crítica (seu papel, sua transformação, etc), sobretudo quando, acompanhando as publicações nacionais nos últimos anos, as páginas da AU e Projeto para o ensaio e crítica cairam (ou mesmo extinguiram-se). Espero que arquitetos e estudantes utilizem o vitrivius e a editoria a.c. como referência. Boa sorte na empreitada do site.
Fábio Duarte é arquiteto, mestre em Multimeios pela Unicamp e doutor em Comunicações e Artes pela USP
[O artigo Elipse crítica. Reflexões a partir de Manfredo Tafuri, enviado por Fábio Duarte para arquitetura.critica foi publicado em Arquitextos]

Ana Luiza Nobre responde a Vicente del Rio
Domingo, 17 de Dezembro de 2000 22:17
Querido Vicente, Muito obrigada por seu email. Sua contribuição é oportuna e necessária para fortalecer este espaço recém inaugurado de discussão e reflexão sobre arquitetura, e considero-a particularmente estimulante, justamente por divergir da minha posição. Como já se disse, "toda unanimidade é burra"... Devo dizer que entendo e respeito boa parte do seu desconforto como morador da região, mas naturalmente não posso concordar com a maior parte dos seus argumentos - em especial no que diz respeito à estratégia, que me parece já bastante ultrapassada, de deter as favelas com poder de polícia. No fundo, creio que são os próprios equívocos cometidos nos anos 70, ainda tão frescos na memória de tantos, que contribuem para valorizar iniciativas como o projeto em questão, cuja contribuição à cidade, como um todo, me parece absoluta. Um grande abraço, e mais uma vez obrigada por sua valiosa contribuição.

Vicente del Rio
Tuesday, December 12, 2000 9:49 PM
Queridas Ana Luiza e Haifa,
Parabéns pela iniciativa, excelente, e desejo todo sucesso possível.
Aproveito para inaugurar a Opinião dos Leitores, e me permito discordar de alguns pontos colocados pela Ana no artigo do Parque Dois Irmãos. Longe de discordar da excelência do projeto e da linda vista conquistada (além do antigo belvedere existente em sua base), é claro que também prefiro o Parque ao absurdo projeto do antigo dono para construção de uma torre com hotel. Acho, entretanto, que algumas questões deveriam sim ser melhor discutidas, o que agora  faço como urbanista e morador da vizinhança.
1) A Associação de Moradores tem toda a razão de recear os impactos que a atratividade do Parque e seus equipamentos irá causar. Que eu saiba, ninguém teve acesso a nenhum relatorio de impacto de vizinhança, ou até ambiental, para entender o "planejamento" da idéia. Note-se que são previstos no projeto do Parque um restaurante, uma quadra de futebol (se tiver iluminação, vai causar um impacto bastante complicado na visão ao Morro Dois Irmãos desde a praia) e um estacionamento para 100 vagas! Lembro que a rua de acesso é muito estreita, com diversas curvas acentuadas em cotovelo, planejada há décadas quando lá só existia um singelo belvedere (aliás abandonado pela prefeitura havia anos), e cuja pavimentação em placas de concreto também não resistirá ao novo tráfego.
2) Discordo totalmente do argumento citado por você, utilizado pela Prefeitura, de que o parque seria "a única maneira de parar a expansão da favela existente" (Chácara do Céu). Favela não se para com parque, mas com uma ação constante da prefeitura que deve zelar pelo interesse público com poder de polícia. Ao contrário: partindo do antigo belvedere, as duas estradas de acesso à favela já existiam sequer da idéia do parque, sendo bastante utilizadas pelos "cabritos" - kombis de transporte em morros. A melhoria dos acessos irá certamente incentivar a expansão da favela existente por todas as áreas ao longo desses acessos (talvez parando nos "limites" do parque, mas coitada da mata fora desses limites....). Talvez fosse ilustrativo dar uma caminhada por essas áreas e ver a situação.
3) Finalmente, discordo também da maneira como foi decidida a construção (e o projeto) do Parque. Não acho que o status-quo dos moradores deva sempre prevalescer, mas discordo que em pleno Século XXI uma prefeitura não se disponha a discutir a questão, sendo este um projeto supra-local que irá afetar a vida de muitos localmente. A arquitetura e o urbanismo precisam de mais aberturas democráticas e realmente participativas.
Com um grande abraço
Vicente del Rio
é arquiteto, urbanista e professor da FAU UFRJ

Francisco Segnini
Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2000 15:58
Cara Haifa Parabéns! Um abraço
Francisco Segnini é arquiteto e professor da Uniban

José Wolf
Thursday, December 07, 2000 10:33 AM
Oi, Haifa, li o seu artigo sobre o museu (saint-romain) no Vitruvius. Parabéns, um abração
José Wolf é jornalista e redator da revista AU Arquitetura e Urbanismo

Flávia Brito
Thursday, December 07, 2000 9:19 AM
Ana, parabéns pela revista arquitetura.crítica e por seu artigo. É com grande felicidade que vejo a internet firmar-se como "locus" (c/aspas virtuais...) de discussão arquitetônica. E esta será um importante contribuição, por certo. Desejo sucesso

Marcos de Sousa
Thu, 7 Dec 2000 08:31:58 -0200
Ana, Haifa, A.C. está a cara de vocês: elegante, claro, simples e conciso. Parece-se com o parque 2 irmãos: mais para ver do que para ser visto. De vosso sítio, nossa visão se estende além mar... É um lugar feliz. Beijos
Marcos de Sousa é jornalista especializado em arquitetura

Eduardo Barra
Wednesday, December 06, 2000 7:20 PM

Ana Luiza e Abilio, parabéns pela nova editoria, que começou com pé direito. Parabéns pelo texto do Parque Dois Irmãos, poético e sem frescura. Os dois merecem aplausos, tanto que vou recomendar aos leitores do JP que visitem este texto. Abraços
Eduardo Barra é arquiteto e editor do Jornal da Paisagem, www.jornaldapaisagem.com.br

     
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