Cristiane
Freire
Sunday,
March 13, 2005 11:53 PM
Olá, meu nome é Cristiane Freire, moro em
São Paulo capital e sou estudante do curso de Arquitetura
e Urbanismo da Universidade Anhembi Morumbi. Li sobre
o projeto Cidade da Musica, Rio de Janeiro, de Chistian
de Portzamparc, achei muito bonito e moderno mas gostaria
de ver as plantas e cortes para poder ter um conhecimento
mais profundo do projeto como estrutura e distribuiçao
de espaço. Obrigada pelo atenção
[estudante, São Paulo SP]
Vinicius
Barbosa Monday
January 24, 2005 12:49 PM
Caros, interessantíssimo o auditório do
projeto de Portzamparc (AC – ArquiteturaCrítica,
n. 14), cuja arquibancada descentralizada da platéia
dá uma dinâmica surpreendente ao ambiente.
E, obrigado, mais uma vez, pelas excelentes matérias!
Um abraço [arquiteto, Niterói RJ]
Bárbara
Bezerra
Wednesday, November 05, 2003 6:55 PM
Gostaria de saber se vcs já publicaram algo sobre
Charlies Eames, se já poderiam me mandar algo?
Estou pesquisando na internet mas é muito difícil
encontrar algo. caso saibam onde encontrar me ajudem!!!
Agradeço
Ademaro
Mollo Júnior
Tuesday, September 30, 2003 3:05 PM
Excelente! Como professor de Projeto de Edificações
e Urbanismo em duas instituições de ensino,
sinto (sentia) imensa falta de uma publicação
que trate de arquitetura com seriedade e uma certa profundidade,
tão esquecida nos nossos periódicos. O aprendizado
da crítica honesta e bem feita é fundamental
para o aprendizado do projeto, pois desenvolve a auto-crítica,
atividade que traz certas dificuldades para a maioria
dos profissionais de arquitetura, apesar de tão
importante para nosso crescimento. Desde já, como
professor e arquiteto, parabenizo os responsáveis
pela publicação e espero que meus alunos
façam fila de espera para acessar o site. Abraço
Maria
Tereza do N. Guerreiro
Tuesday, September 30, 2003 3:07 PM
Fiquei muito feliz em vez o professor Severiano na A.C
do Vitruvius também. Sou amazonense e tive o prazer
em trabalhar com ele de 73-78 quando cursava Engenharia
Civil. Hoje também sou Arquiteta e amo a profissão
e tenho uma grande admiração pela pessoa
dele e por todo o seu trabalho. A foto da residência
do mestre está invertida e por falar nela, no terreno
será construída uma torre residencial. Me
parece que será reconstruída em outro local,
mas não acredito muito. Severiano foi realmente
um revolucionário com a aplicação
da madeira em suas obras residenciais e até comerciais
como o Banco da Amazônia, loja da Vasp (demolida),
Chapéu de Palha (demolido) e as Lojas Credilar.
Acho que o trabalho de certos arquitetos jamais deveriam
ser destruídos pois são obras de arte. Não
é patrimônio histórico mas é
patrimônio artístico! Essas são as
desvantagens de viver no terceiro mundo. Quando ele chegou
a Manaus, a madeira estava presente nas construções
somente nas esquadrias, que inclusive eram pintadas. Acho
que a madeira mais valorizada com a arquitetura de Serveriano
foi a macacaúba, que possui uma cor e desenho muito
bonito além de possuir propriedades estruturais.
Embora feliz por ver meu professor na Vitruvius, acho
que ele possui muito mais para ser divulgado. Quem sabe
alguém já não esteja elaborando um
livro sobre todos os seus trabalhos? Inclusive me ponho
a disposição caso alguém já
tenha esse projeto em mente ou andamento. Até outra
oportunidade.
Clarice
Godinho
Monday, May 19, 2003 2:22 PM
Olá. Através do site da IAB-RJ cheguei até
vocês. Meu nome é Clarice Godinho e eu escrevo
para o programa Universidade no Ar, da rádio CBN,
que vai ao ar todo primeiro sábado de cada mês.
O projeto é uma parceria da CBN-RJ com a faculdade
de Jornalismo da UFF e, para a próxima edição,
do dia 07/06, falaremos sobre o patrimônio histórico
do Rio de Janeiro. Gostaria de saber se vocês podem
nos ajudar. Vocês falam sobre o assunto ou conhecem
alguém que fale aqui no Rio de Janeiro? Fico esperando
contato. Desde já, muito obrigada pela atenção.
Um abraço
Simone
Pallone
Wednesday, May 14, 2003 11:45 AM
Olá, o meu nome é Simone, sou repórter da revista Ciência
e Cultura, uma publicação da Sociedade Brasileira para
o Progresso da Ciência, e estou preparando uma matéria
sobre a construção do Museu Guggenheim no Rio. Para a
minha matéria, gostaria de entrevistar a Ana Luíza Nobre.
Como me comunico com ela? Desde já agradeço. Atenciosamente
[Simone Pallone, revista Ciência e Cultura, SBPC]
Vicente
del Rio
Tuesday, April 29, 2003 3:09 AM
Parabéns ao Otavio Leonidio pelo excelente artigo
de "avaliação pré-ocupação"
do projeto de Jean Nouvel para o pier da Praça
Mauá. Corajosa e erudita matéria, que faz
uma crítica contundente com uma argumentação
similar àquela utilizada pelo próprio Nouvel
para "vender o seu peixe". Um exercício
de plástica arquitetônica num projeto capenga
totalmente equivocado para o lugar, as funções
urbanas, as integrações, e os acontecimentos
que deveria promover. Embora eu agora esteja morando longe,
continuo a alimentar uma de minhas mais antigas "cachaças"
e exercíicios acadêmicos: o sonho da revitalizaçãao
da área portuária carioca. Uma área
com enorme potencial social, cultural e econômico,
que os governantes há muitos anos cismam em ignorar
em suas atitudes estreitas e auto-suficientes, e sua falta
de visão estratégica. Ao invés de
ser projeto coerente em seu próprio programa, e
contextualista em seus diálogos com a cidade –
através de conexões visuais, funcionais,
e culturais – parece mesmo que o nosso "signature
project" de Nouvel olha apenas para seu próprio
umbigo. Mais do que um "desacontecimento" e
uma arquitetura do "não-lugar", como
apontado por Otavio, nosso Guggenheim promove mesmo a
"des-revitalização" do seu sítio.
[Associate Professor, Cal Poly San Luis Obispo, EUA]
Edson
Elito
Wednesday, March 12, 2003 6:38 PM
Caros Abílio e Haifa: sei que os projetos do Teatro
Oficina e do Teatro do Colégio Santa Cruz são
exemplos interessantes de arquitetura teatral não
convencional e interessa aos arquitetos, estudantes e
interessados no assunto, mas o destaque e o modo de enfocar
o tema me surpreendeu e, confesso, me emocionou.
Quando recebi o e-mail do Abílio dizendo que estava
no ar, eu estava em Lisboa, de onde cheguei no fim de
semana e qual não foi a minha emoção
ao ver de lá uma matéria tão bonita
e bem feita, a respeito dos meus projetos! Imaginem. Quero
agradecer a gentileza e o carinho demonstrado e dizer
que a publicação na Internet, como vocês
realizaram, ficou perfeita, em termos de adequação
da qualidade necessária ao meio utilizado. Meus
parabéns a vocês dois, que além do
mais considero amigos. Um grande abraço [arquiteto,
São Paulo SP]
João
Maurício Ribas Pegorim
Monday, February 24, 2003 3:12 PM
Querida Ana, recebi há pouco o informe da Vitruvius,
e a ou ver chamada para texto seu, corri para conferir.
Não me arrependi!! Há muito não lia
um bom texto crítico sobre obra específica
e escrito pelas terras de cá!! Parabéns!
Beijos [João Maurício Ribas Pegorim é
arquiteto, Rio de Janeiro RJ]
Andrey
Rosenthal Schlee
Wednesday,
January 01, 1997 12:12 AM
A
revista BRAVO publicou recentemente em seu Caderno T (nº
14), dois artigos, assinados por Aracy Amaral e Décio
Pignatari, intitulados respectivamente “A questão do projeto
do MAC” e “Por uma crítica da arquitetura no Brasil”.
Tais artigos, no meu entendimento, estão a pedir uma releitura crítica de todos que honesta e criteriosamente
se preocupam com os rumos da arquitetura brasileira.
Inicialmente devo dizer que estou de acordo com os dois
polemistas no reconhecimento da necessidade de se constituir
no Brasil, urgentemente, uma crítica de arquitetura –
que, entretanto, imagino sempre e necessariamente
sólida, criteriosa e respeitável. Até porque entendo que
um crítico só adquire credibilidade quando constrói seu
pensamento baseado
no conhecimento da obra que analisa e quando demonstra
ser possuidor de um repertório teórico e prático que permita
tal análise.
Aracy Amaral parte de um pressuposto fantástico: que está
na hora de o Brasil contar com projetos de arquitetos
de todo o mundo, porque tal “arejamento” beneficiaria
nossa arquitetura - no que respeita a projeto, execução, materiais e acabamento.
Além do mais, admite que a inclusão de nomes estrangeiros
em concursos para novos prédios, garantiria, no futuro,
projetos de qualidade e de tendências as mais variadas.
Frente a tamanho complexo de inferioridade, impõe-se uma
pergunta: qual seria a garantia da qualidade de tais projetos?
Na falta de uma argumentação condizente para defender
(por que não criticar ou analisar?) o projeto de Bernard
Tschumi para o MAC-USP, Aracy optou por polemizar sobre
nosso mais reconhecido arquiteto: ninguém ousa falar de Niemeyer, diz ela – logo
lembrando, como uma autodefesa antecipada, que “quando um crítico não-arquiteto ousa analisar a produção arquitetônica,
o corporativismo entra em ação a fim de desqualificar
essa crítica”. Pergunta-se então: como constituir
uma crítica duradoura com posturas como essa?
Ao mesmo tempo em que defende concursos fechados (tipo
carta-convite) como o realizado para o MAC, Aracy argumenta
que o Brasil precisa ultrapassar a etapa atual, e dar
voz (e vez) a novos arquitetos: “temos grandes nomes de arquitetos, na sombra”.
O que ela não responde é como garantir a participação
de tais arquitetos? Quem são eles? Ou: por que não defendeu
um concurso público abrangente, no qual os novos nomes
poderiam ter despontado?
Décio Pignatary, por sua vez, também está preocupado com
a qualidade de nossa arquitetura (como de resto estamos
todos nós, arquitetos); e também reclama da falta de uma
crítica arquitetônica; e também descamba no Niemeyer.
Depois de atribuir a autoria do Ministério da Educação
e Saúde a Le Corbusier e de qualificar as colunas dos
palácios de Brasília como “curvinhas kitsch neobarrocas”, questiona
por que o estamento arquitetônico e cultural brasileiro
não conseguiu instituir uma crítica de arquitetura no
Brasil. A resposta parece ser a mais óbvia: não conseguiu,
porque não há rigor e seriedade na maioria das críticas
elaboradas, como se comprova pelo seu artigo.
Oscar Niemayer, com seus 94 anos, continua incomodando
muita gente. A polêmica gira em torno do processo de escolha
do autor do projeto da futura sede do MAC-USP. Processo
do qual participaram apenas dois arquitetos brasileiros
- Paulo
Mendes da Rocha e Eduardo de Almeida. No entanto, para
justificar a escolha do projeto vencedor (de Bernard Tschumi),
vale até criticar Niemeyer. Afinal – para um dos membros
do júri – o MAC-Niterói “já surgiu com sua arquitetura
ultrapassada” (obra reverenciada por Rem Koolhaas, Jo
Coenen, Christian de Portzamparc, Kathleen Bartels, Ana
Luíza Nobre, Matheus Gorovitz, Roberto Segre, entre outros).
O problema é a crítica sem critérios, estéril e passional!
É verdade que a arquitetura brasileira contemporânea enfrenta
uma crise inquestionável e duradoura. Alguns – como Carlos
Eduardo Dias Comas – têm procurado compreendê-la e buscam
as raízes da questão (falta de oportunidades, equívocos
na política profissional, decadência na formação dos jovens
arquitetos); outros ficam na superficialidade, e apostam
na transfusão de sangue – o que pode até ocorrer através
da elaboração de mega-projetos (como o MAC em São Paulo,
o Guggenheim do Rio de Janeiro, ou o Iberê Camargo em
Porto Alegre). Concordo com os primeiros: acredito nos
concursos públicos amplos, luto pela criação do Colégio
de Arquitetos (e para tanto tenho que ser corporativista!);
e estou em greve em defesa do ensino público de qualidade.
Por fim, temos que ter uma crítica arquitetônica verdadeira.
[Andrey
Rosenthal Schlee é arquiteto e professor da UFSM, Santa
Maria RS]
Pedro
Moreira
Tuesday, November 20, 2001 9:03 AM
Cara Ana Luiza Nobre, com grande interesse tenho seguido
seu trabalho conjunto com Haifa Sabbag em parceria com
arquitextos/vitruvius. Além das opções temáticas e do
conteúdo dos artigos, entusiasma a dinâmica desse meio,
que já de início veio a causar discussões a meu ver produtivas,
ainda que estas, talvez por falta da experiência, tenham
sido meio desajeitadas... Escrevo com uma sugestão/pedido:
que se introduza nos textos um "cabeçalho" ou duas linhas
contendo fonte, autoria e data dos textos, já que estes
dados não estão sendo emitidos na impressora dos leitores
(um problema exclusivo para os usuários de Macintosh,
quem sabe ?). Seria uma pequena mas importante mão na
roda por razões de arquivo. Com cordiais saudações [arquiteto,
Berlim Alemanha]
Roberto
Villavicencio Grossmann
Monday, November 19, 2001 9:36 AM
Parabéns pelo espaço. É bom ver espaços de debate surgirem,
especialmente na Internet, cujo acesso fica fácil para
todos, inclusive para aqueles que estão fora do Brasil.
Estou indicando o site a colegas interessados em Teoria
e Crítica e que moram no exterior. Tenho, porém, uma sugestão
crítica: falta um reforço no aspecto crítico. Tenho encontrado
debate e, no máximo operative criticism (como diria
Jorge Silvetti) e não verdadeira crítica que gera, sim,
teoria. Gostaria de ver mais uma digitalização de Oppositions
ou Assemblage, do que Architectural Record
[Arquiteto, M.Arch. Professor de Teoria da Arquitetura]
Assunta
Viola
Sunday, November 18, 2001 1:36 PM
Prezado Abílio, O último encontro, no IAB-SP, por ocasião
da apresentação do Plano Diretor para o município de São
Paulo pelo atual Secretário de Planejamento Urbano, Jorge
Wilhein, mostrou uma série de polêmicas sobre o Planejamento
como instrumento de intervenção na cidade. Não diminuamos,
no entanto, a importância de todas as análises que este
instrumento possibilita para o entendimento do comportamento
dos movimentos urbanos. Gostaria apenas de salientar,
já que foi publicado neste site uma crítica à obra do
arquiteto e professor Joaquim Guedes (a.c
nº8, novembro 2001), debatedor no evento do IAB-SP,
a atualidade de suas polêmicas opiniões. Mais uma vez
gostaria de parabenizar Vitruvius, através da publicação
desta crítica, pelo seu envolvimento com o pensamento
em marcha da construção das cidades brasileiras, real
razão de qualquer atividade profissional que venhamos
a exercer no papel de arquitetos, grandes ou pequenos,
da nossa real responsabilidade, e de sugerir um espaço
de debates exclusivamente sobre o Plano Diretor para os
profissionais da área, um sinal de envolvimento e solidariedade
de toda a sociedade na busca de soluções urbanas atreladas
ao nosso tempo, ao nosso espaço.
José
Tabacow
Monday, August 27, 2001 3:28 PM
Oi, Ana. Li o artigo e a entrevista (a.c
nº3, fevereiro 2001). Fica impossível comentar
tudo por e-mail, mas acho que a questão mais importante
para discutir, entre tantas de grande importância, é a
maneira como se propõe a instalação do Museu: parece um
aproveitamento do entusiasmo tupiniquim, que provincianamente
diz amém ao que vem do exterior. Se o Guggenheim quizesse
se estabelecer por sua conta, acharia ótimo, mas reajo
à idéia da venda de um nome, da imposição de condições
(finaceiramente irreais, para nós) em troca de uma marca,
como se fosse um Boticário ou um McDonald's. Aliás, falando
em Boticário, lembro-me de minha estranheza quando, em
trabalho na cidade de Nobres (MT), vi uma anacrônica franqueada
da cadeia de perfumarias, na cidade pobre, poeirenta,
em que apenas a rua principal era calçada. A tal loja
era feericamente iluminada e a decoração, com predomínio
de cristais e espelhos, refletia toda a pobreza circundante.
Não quero ser radical, mas...tem algo a ver, não? Abraços,
Sylvio
de Podestá
Friday, August 17, 2001 5:30 PM
Depois do pós, o pós do moderno, esta coisinha sem graça,
toda branca, com vidro verde e reguinhas de madeira simulando
brises. É o moderno totalmente figurativo, desideoligizado,
desdogmatizado, fraquinho mas bom de marketing. Todos
os novos, filhotes de holandeses, filhotes dos G. pennas.
É o moderno figurativo, modern scape. Isto tudo é prá
dizer que adoro o a.c. destas duas moças danadas, atentas
e que sempre fizeram uma boa crítica. Parabéns e um grande
abraço.
Silvia
Monteiro
Quinta-feira, Julho 19, 2001
Ana Luisa Nobre, estou lhe escrevendo em nome da Universidade
Técnica de Delft - Faculdade de Arquitetura, Holanda.
Estamos trabalhando na organização de uma
exposição sobre o Brasil em nossa faculdade
e o Agnaldo Farias me sugeriu que entrasse em contao com
você. Preciso dos seus dados como e-mail e tel para
poder lhe enviar uma carta. Aguardo suas informações
o mais breve possível. Atenciosamente
Renato Luiz Sobral Anelli
Saturday, March 03, 2001 10:59 AM
Abílio, Nada como um Carnaval em casa para se atualizar
um pouco. Como não estava tendo tempo para acompanhar
o site Vitruvius, tinha lido a resenha da Ana Luiza e
deixado o assunto no arquivo. Apesar de um leve desconforto,
não esperava a rica polêmica se seguiu. Acho que é a primeira
vez que se explicita, por escrito, algumas confluências
e outras diferenças no meio dos historiadores de arquitetura.
Deixando algumas pequenas deselegâncias menos importantes,
fico com a "grande irmandade" de Comas (por quem tenho
grande respeito e amizade, e que generosamente me incluiu
ali, mas excluiu os baianos, pernambucanos e o pessoal
da FAU-USP). Na ausência de debates, produções que têm
em comum a revisão da historiografia que já foi hegemônica
mas que possuem enfoques radicalmente diversos, passam
por complementares. Como colocar no mesmo time Marcelo
Puppi e a Sophia Telles, para nos determos apenas em dois
extremos? O debate epistolar esboçou um campo amplo, a
"grande irmandade", e tentou marcar algumas gêneses, a
produção dos articulistas da Projeto no início dos 80
ou a inserção dos gaúchos um pouco mais adiante, deixando
a Ana Luiza na defensiva. Claro que o assunto já daria
uma tese, mas creio que a Ana Luiza tenha uma certa dose
de razão. Em meio à "grande irmandade", a produção dos
pesquisadores da PUC-RJ apresenta algumas especificidades
que a diferencia. Ana Luiza ressalta a presença de Ronaldo
Brito, o que não é pouca coisa. Difícil colocar sua postura
metodológica (e não apenas) no mesmo barco daqueles que
foram agentes de uma revisão com enfoque guiado pelas
mais variadas matizes do pós-modernismo que floresceu
no Brasil a partir dos anos 80 (pelo qual, confesso, tive
franca simpatia em um primeiro momento). Nunca é ocioso
lembrar que a corrente crítica e artística constituída
ao redor da revista Malasartes, da qual participaram Ronaldo
Brito, Carlos Zilio, José Resende, Cildo Meirelles, para
citar apenas alguns nomes mais conhecidos, foi responsável
por retirar a produção artística brasileira dos impasses
a que chegara na década de 1970. Crítica e produção ali
reunidas apontaram para um novo projeto que colocou as
artes plásticas brasileiras na linha de frente da produção
internacional. A pequena circulação da revista Malasartes
entre os arquitetos fora do eixo Rio - São Paulo pode
ser responsável pela sua omissão nas gêneses ali apontadas.
Através dela (e da atuação de Sophia Telles no meio arquitetônico)
poderíamos encontrar uma raiz comum que justifique as
afinidades entre certos enfoques de alguns pesquisadores
da PUC-RJ, da PUCCAMP e da USP-São Carlos. Mas é certo
que essa linha, guardadas as diferenças internas, tem
poucas afinidades com enfoques historicistas e tipológicos
dominante em outras regiões ou ainda ao pluralismo relativista,
muitas vezes saudoso do ecletismo, que em alguns casos
vem sustentando o domínio de um pós-moderno banal na produção
arquitetônica brasileira. Não estou me referindo diretamente
aos livros da resenha de Ana Luiza, mas sim a um conjunto
de produções difundida em artigos e livros originádos
de pesquisas sérias (acadêmicas ou não), que pela miopia
do mercado editorial encontram ainda um pequeno espaço
de circulação. Claro que as informações levantadas nessas
pesquisas circulam e alimentam toda a "irmandade" de historiadores,
mas as diferenças já deveriam estar claras para quem está
na estrada há tanto tempo. No entanto, discordo da Ana
Luiza no seu primeiro artigo provocativo ("A falta que
nos faz") onde afirma que criticar não é julgar mas sim
dialogar. Ali ela abre o espaço para seus oponentes. Criticar
é julgar, dar valor, elevar um fato a cultura, com todos
os riscos e incertezas que isso implica. Tenho certeza
que nossa decadência é fruto da insegurança em julgar
esteticamente a produção arquitetônica contemporânea.
Nunca se projetou e construiu tanta coisa de baixa qualidade
na história da arquitetura brasileira e ninguém tem coragem
de falar nada publicamente. Ficamos apenas nos "diálogos",
tentando dourar a pílula. Apesar da seriedade da produção
intelectual da "grande irmandade", confesso que estou
um pouco cansado do diletantismo que vem se expandindo
no ambiente acadêmico. Não sei se sobreviveremos à inundação
de pesquisas forçadas pela exigência de pós-graduação,
a qual cresce proporcionalmente à explosão de cursos de
arquitetura no país. De fato o campo da "nova história"
é mais amplo do que sugeriu Ana Luiza na sua resenha,
mas deveríamos reconhecer que está se consolidando um
corpo específico de enfoque que se diferencia do que vem
sendo produzido há pelo menos 20 anos de revisão. Mais
do que o artigo "A falta que nos faz", essa pequena resenha
foi capaz de provocar a ira no campo que se interessa
por debater. Talvez seja só esse que conte neste momento.
Está mais do que na hora de se explicitar essas diferenças,
nem que seja dessa forma. Um abraço, Renato
Lidia Kosovski
Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2001 00:22
Caros amigos, Foi com grande surpresa que me vi incluida
por Carlos Eduardo Comas na "irmandade" dos historiadores
da arquitetura brasileira! Desconheço a origem
desta suposição, mas intuo que deva ser
decorrente de minha participação na exposição
"Rio Jamais Visto", realizada no CCBB em conjunto com
Ana Luiza Nobre e Alfredo Britto. Devo no entanto esclarecer
que, embora seja formada em arquitetura, materia pela
qual ainda nutro profundo interesse, não segui
esta vertente ao longo da minha vida profissional, tendo
me dedicado à cenografia teatral, como criadora,
professora e estudiosa. Apesar de ser uma das responsáveis
pela realização da exposição
"Rio Jamais Visto" não acho razoável ser
equiparada a Alfredo e Ana Luiza, estes, que vêm
dedicando toda a vida à historia e crítica de arquitetura.
Não nego ambiciosos planos de, mais adiante, tocar
na questão arquitetônica sob o prisma "cenográfico"
ou "cênico", universo que venho desenvolvendo teoricamente
em estudos inseridos no Programa de Pos-Graduação
de Comunicação e Cultura da ECO-UFRJ. Mas
para chegar ao patamar de historiadora ou pesquisadora
de arquitetura uma longa estrada ainda me aguarda. De
qualquer forma parabenizo a todos que vem doando parte
de seu precioso tempo e saber a este forum, a anunciar
uma visível vitalidade na retomada do pensamento
dialógico, aparentemente esvaziado nas ultimas
décadas. Bom, é isso. Com alguma frustração
de não pertencer a esta nobre "irmandade", certamente
continuarei uma assidua "voyeur" das discussões
que, espero se intensifiquem, dia a dia, nesta virada
de milênio. E quem sabe?, um dia vir a ser mais
uma legítima interlocutora. Um abraco a todos,
com admiração e carinho subscrevo-me
Lidia Kosovski, arquiteta e cenógrafa, Rio de
Janeiro RJ
Hugo Segawa
Sunday, February 11, 2001 9:17 PM
Prezada Ana Luiza. Sinto-me chegando no fim da festa,
lendo sua resposta a Ruth Verde Zein, Carlos Eduardo Dias
Comas, Cêça de Guimaraens e Cecília Rodrigues dos Santos.
Quando me deparei com seu comentário, “Arquitetura
Moderna Brasileira enfim, uma Nova História,
julguei-a correta e até inofensiva porque resenha
não é espaço para propor teses. Mas, especialmente, incentivadora
ao caracterizar na nova história do título algum apelo
pela qualidade das publicações. As repercussões geraram
réplicas suas que, a meu ver, se tornaram emenda pior
que o soneto. Há uma questão subjacente em sua posição,
Ana Luiza, à qual já ponderei por escrito anteriormente,
ao tecer anotações sobre o seu artigo A
falta que nos faz, publicada em Summa+ e
disponível em Arquitextos. Caso você guarde correspondência,
em 2 de fevereiro de 2000 enviei-lhe email com as tais
observações. Entre elas, a de que seu discurso teria sentido
nos anos 1960/70, e hoje me parece requentado, sobretudo
partindo de uma jovem crítica. Ou talvez aquilo que lhe
parece relevante, para mim é uma etapa superada, porque
a natureza da problematização mudou, ou deveria ser outra.
A referência à invenção da roda e as derivações alusivas,
evocadas por vários missivistas, remetem à gradual construção
de um ambiente de história e crítica nos últimos vinte
anos no Brasil, que tanto em A falta que nos faz
como em Enfim uma nova história não relativizam,
ou permitem subentender que não têm importância como
atestam as reações. Por isso (se é que eu entendi sua
última tréplica, a coletiva, cheia de perífrases) não
vejo justificativa plausível para distinguir produção
textual e produção historiográfica: a construção da roda
se faz no cotidiano, com uma nota, com um artigo, com
um livro, com muito sacrifício. Algum desses pode mudar
as cabeças das pessoas. É a contribuição possível e humilde
que cada um de nós pode fazer, sem nenhuma pretensão de
participar do Olimpo da Historiografia. Penso que serei
feliz se ficar engatinhado em fazer história até o fim
de meus dias. Na medida que suas réplicas foram suavemente
esclarecendo o conteúdo da sua resenha, comecei a suavemente
discordar daquilo que no início senti e anotei como correta
e inofensiva. Entrando na especificidade dos trabalhos
resenhados, é certo que as contribuições de Conduru e
Kamita são bibliografia fundamental, anunciam uma nova
geração de historiadores, mas que anteriormente não produziu-se
uma análise crítica de obras arquitetônicas no Brasil
sob o ponto de vista expresso nos dois livros ora publicados
é uma afirmação desgastante e um tanto tautológica, porquanto
só Conduru e Kamita têm o talento de escrever o que escreveram.
É preciso ser cuidadoso ao atribuir caráter instaurador
àquelas obras, no contexto de seu discurso e diante do
contexto da produção daqueles que se dedicam a discorrer
nesse domínio. Manifesto este juízo com tranqüilidade.
Esses autores sabem o que penso porque: 1) participei
da banca examinadora do doutorado de Roberto Conduru,
de cuja tese se extraiu um capítulo que se tornou a base
de Vital Brazil publicado; 2) enviei carta em janeiro
passado a João Masao Kamita expressando minha divergência
sobre algumas interpretações em Vilanova Artigas.
Tenho em conta o autor do livro sobre o arquiteto carioca
um dos mais brilhantes pesquisadores da recente geração,
e a sua publicação o estado-da-arte sobre o personagem;
o mesmo não posso afirmar sobre a reflexão sobre o arquiteto
paulista sem invalidar a contribuição de Kamita (igualmente
brilhante pesquisador do grupo da PUC/RJ) somando-se aos
vários ensaios e à quase dezena de teses e dissertações,
já concluídas ou em andamento, contemplando o mestre de
São Paulo. Já declarei, publicamente, meu apreço por Carmen
Portinho, e em correspondência particular o encanto
de O Rio jamais visto. Com isso quero apenas reforçar
minha alta estima por você. Mas na polêmica em curso,
pelas suas posições, você está enxergando as árvores,
não o bosque. Abraço do Hugo Segawa
PS A respeito da proposta de um “seminário
sobre o tema: em 1994 a FAUUSP promoveu o encontro O
Estudo da História na Formação do Arquiteto; escolas
do Rio Grande do Sul organizaram, até o ano passado, cinco
encontros de teoria e história da arquitetura; o colóquio
Arquitetura Brasileira: Redescobertas, durante
o XVI Congresso Brasileiro de Arquitetos em Cuiabá setembro
passado dedicou uma seção para o tema Historiografia e
Crítica da Arquitetura no Brasil. Nos seminários nacionais
e regionais do DOCOMOMO/Brasil (quatro organizados até
1999) o tema da historiografia da arquitetura moderna
brasileira é pauta vitalícia; no V International DOCOMOMO
Conference em Brasília, também setembro passado, Brasília
na historiografia internacional foi tema recorrente. Se
soubermos tirar proveito do que rola por aí, aprenderemos
mais.
Hugo Segawa é arquiteto, historiador, crítico
e professor do Departamento de Arquitetura da EESC-USP
Ana
Luiza Nobre responde a Ruth
Verde Zein, Carlos Eduardo Dias Comas, Ceça Guimarães
e Cecilia Rodrigues dos Santos
Friday, February 09, 2001 12:13 AM
Aproveitando a simultaneidade
das cartas de Ruth Verde Zein, Carlos Eduardo Dias Comas,
Ceça Guimarães e Cecilia Rodrigues dos Santos, tomo a
liberdade de responder a todas de uma só vez. Sinto antes
de mais nada o dever de ressaltar o que me parece não
ter ficado suficientemente claro, haja visto os termos
entre aspas a mim atribuídos em algumas das cartas: falo
de uma "nova história", não de uma "nova crítica". A distinção
é necessária, mesmo tratando-se de campos muitas vezes
coincidentes (parafraseando Lionello Venturi, poderíamos
dizer que a história da arquitetura é função da crítica
de arquitetura). E me apresso a acrescentar algo que dou
como certo: produção textual não é produção historiográfica.
Não necessariamente, digo. Porque uma coisa são os ensaios
críticos, as crônicas, os inventários, as matérias jornalísticas,
as cartas que escrevemos e muitas vezes publicamos. Outra
é o fazer história, terreno no qual estamos engatinhando.
O fato de eu ter identificado características historiográficas
comuns e no meu entender, desculpem se insisto,
sem precedentes em dois títulos recentes, distinguindo-os
com um recorte ao qual nomeei de "nova história" (numa
alusão óbvia a certa torção conhecida na oficina da história),
não significa que eu tenha, por princípio, negado todos
os escritos historiográficos, inclusive
que vêm antes, ou durante, ou depois. Conforme nos lembra
o historiador Francisco Falcon, o panorama historiográfico
contemporâneo é marcado pela diversidade, sendo a chamada
"Nouvelle histoire" francesa apenas uma dentre as muitas
novas histórias surgidas no século XX. E evidentemente,
mesmo esta "irmandade" que o Comas defende compreende
múltiplos e divergentes métodos e abordagens. Que fique
definitivamente claro, portanto, que minha leitura não
é excludente nem preconceituosa, apenas porque não se
dispõe a fazer, de uma resenha, um balanço da historiografia
da arquitetura brasileira. Isto, aliás, como sabemos todos,
está por ser feito. E é neste sentido que venho propor
a realização de um seminário sobre o tema. Nada seria
mais frutífero que aprofundarmos uma discussão que mostra-se
tão polêmica, refletindo juntos sobre a nossa História
ou as nossas histórias. Com um abraço, Ana Luiza
Nobre
Nota: Aos que se interessam pelo tema, recomendo como
leitura inicial o excelente livro de entrevistas com grandes
historiadores da atualidade de Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke:
"As muitas faces da história: nove entrevistas", Unesp,
2000.
Cecilia Rodrigues dos
Santos
Thursday, February 08, 2001 12:21 AM
Caro Abílio. Estou aqui sentada na frente da tela pensando
ainda se devo ou não entrar nesta polêmica sobre "méritos
e vaidades". Eu me refiro à resenha assinada por Ana Luiza
Nobre com o sub-título de "Enfim uma nova historiografia",
um bilhete dirigido a você pelo arquiteto Carlos Eduardo
Comas comentando aspectos deste texto e a resposta da
Ana Luiza Nobre, todos divulgados no Vitruvius. Apesar
do livro "Le Corbusier e o Brasil", do qual sou co-autora
com Margareth Pereira, Romão Pereira e Vasco Caldeira,
ter sido citado nesta correspondência, ainda tenho dúvidas
se devo entrar na discussão, porque o que me move não
é uma questão conceitual ou técnica sobre arquitetura
mas antes uma questão ética. Ou talvez por isso mesmo
deva me manifestar... Eu havia resolvido engolir quieta,
com uma certa dificuldade para digerir devo confessar,
a parte do discurso da Ana Luiza Nobre que reivindica
a inauguração de uma "nova história" da arquitetura moderna
no Brasil - a primeira suficientemente analítica e crítica
para não se perder em "digressões inúteis" - para esta
geração de alunos e professores da PUC do Rio de Janeiro.
O desconforto não se deveu apenas à ignorância do meu
próprio trabalho mas principalmente do trabalho de colegas
em Universidades; em Instituições que guardam e estudam
arquivos importantes como a Fundação Vilanova Artigas,
Fundação Lina Bo e Pietro Maria Bardi ou Fundação Oscar
Niemeyer; em órgãos de preservação e em ONGs como o DOCOMOMO;
em algumas revistas (nos tempos áureos) e a todos os artigos
e livros publicados, no próprio Rio de Janeiro e em todo
o país, a respeito do MoMo no Brasil, se você me permite
a intimidade. Pena que a voz que tenha se levantado reinvidicando
um justo crédito intelectual não tenha sido compreendida.
O caráter ético, fundamental, do bilhete virtual de Comas
foi preterido em favor de detalhes formais e nós que esperávamos
uma exposição sobre as diferenças conceituais que poderiam
ter levado Ana Luiza Nobre a ignorar ou desconsiderar
na sua profundidade trabalhos anteriormente realizados,
ou que a autora pudesse vir a pontuar suas afirmações
com o verdadeiro reconhecimento do lugar e do mérito de
toda uma produção intelectual existente sobre a arquitetura
moderna no Brasil, tivemos que assistir, incrédulos, a
um verdadeiro puxão de orelha pela "informalidade desrespeitosa"
com que seu interlocutor havia se referido a autores e
obras e pela sua "vaidade" em ter lançado argumentos interpretados
como um "desproposital esforço de reivindicar para si
a 'invenção da roda' ". E lá se foi pelo ralo nossa oportunidade
de um verdadeiro debate. Falta de prática, falta de espaço
para exercer esta crítica, eu sei. Nas últimas décadas,
nós arquitetos não soubemos garantir este espaço na imprensa
diária, nas revistas ditas especializadas, nos meios de
comunicação em geral, apesar do esforço de alguns. Quero
acreditar que estejamos vivendo um momento de recuperação,
com o ganho adicional de espaços virtuais como o Vitruvius.
Mas para que sejamos reconhecidos pela seriedade e possamos
garantir a liberdade de nossas colocações não podemos
prescindir de uma postura absolutamente ética; ela será
nossa garantia de credibilidade e continuidade. Enquanto
escrevia me veio à lembrança a figura emblemática de Lucio
Costa, não só porque o livro sobre Le Corbusier foi citado,
mas porque estamos falando de respeito, ética, inteligência
crítica. Para ficar apenas no episódio da vinda de Le
Corbusier ao Brasil em 1936 e sua participação no projeto
para o recem batizado Palácio Capanema, o velho e sempre
moderno MEC, vale a pena reler a correspondência trocada
pelos dois arquitetos. E descobrir como, sem nunca deixar
de reconhecer e respeitar a genialidade do arquiteto suíço,
Lucio Costa defendeu com convicção o espaço e a criação
dos então jovens arquitetos brasileiros. Em meio a tantas
qualidades pessoais e intelectuais, talvez a generosa
modéstia e a grande dignidade de Dr. Lucio tenham desempenhado
um papel mais importante no processo de invenção desta
arquitetura moderna carioca do que normalmente se supõe,
na medida em que soube sempre elevar o nível e manter
o tom dos debates. Saudades do Dr. Lucio! Grande abraço
[São Paulo 04 / 02 / 2001]
Cecília Rodrigues dos Santos é arquiteta
e crítica de arquitetura
Fabrício
Pinheiro
Thursday February 08, 2001 1:36 AM
Sou eu quem tenho de agradecer a vocês por terem criado
este site tão bacana! Gostei muito das críticas da Ana
Luiza Nobre e das discussões no espaço reservado ao leitor.
Sou recém formado pela UFF e creio que este espaço vem
contribuir, aliado ao trabalho já feito pelas revistas,
para cobrir a lacuna deixada pela escassez de publicações
dentro das nossas universidades! Um abraço e muito sucesso
Fabrício Pinheiro, arquiteto, Rio de Janeiro RJ
Cêça Guimaraens
Quarta-feira, 7
de Fevereiro de 2001 23:47
Haifa e Ana Luiza,
tive notícias de vocês por meio da Ruth Verde Zein. É ótimo
ler vocês em casa sem ter que esperar o envelope plastificado
da AU! De quebra e grátis, há alguns dias, um "tempo quente"
em torno da invenção de uma história nova da ArqBras.
Está enriquecendo as noites cariocas de verão. A
geração de críticos/historiadores que se formou com
o abraço amigo do Vicente Wissenbach demonstra que ainda
entende das coisas, assumindo erros e exigindo a autoria
de acertos. Esse movimento é sólido e impossível de se
manter submerso. Quando se trata de nova história, não
dá p'rá esquecer Mário de Andrade, Lucio Costa, Edgar
Graeff, Ferrreira Gullar, Aracy Amaral e outros que registraram
em revistas de arquitetura a matéria que daqui a pouco
vai servir à "nova crítica". Todos esses e cada um, de
modo (im)próprio, deixaram-se rotular de "novos". Em Cuiabá,
assistimos uma discussão memóravel sobre se os Depoimentos
do Após-Brasília poderiam comemorar bodas de prata, sem
medo de esconder a idade. A continuar, este recadinho
corre o risco de transformar-se em notas das mil e uma
noites. A profissão mais velha do mundo não é a da prostituta,
é a do historiador. Portanto, à maneira das meninas,
para permanecer, quem faz a História de agora precisa
fazer-se "novo" em cada esquina.
Cêça Guimaraens, arquiteta e professora da FAU/UFRJ
Carlos
Eduardo Comas
Tuesday,
February 06, 2001 11:53 PM
Oi Ana Luiza. Li a sua resposta às minhas observações
quanto à idéia de uma "nova crítica", que haviam sido
expostas num email informal entre colegas- você inclusa-
e cuja publicação online se fez sem meu conhecimento e
autorização. Nela você diz que fui pouco respeitoso
com o Conduru e o Kamita - a quem prezo como pessoas
e homens de cultura e me alerta para as armadilhas
da vaidade pessoal. É evidente que não não detalhei com
a clareza necessária o meu pensamento. Afinal, acreditava
estar iniciando uma conversa privada, não um debate público.
Mas já que se converteu nisso, à minha revelia, não vou
me furtar a reiterar minha posição. A meu juízo, teria
sido mais instrutiva para o público e mais acorde com
os fatos dizer na sua resenha que os livros são uma brilhante
contribuição a um corpus de revisão da historiografia
da arquitetura moderna brasileira, revisão que é
movida justamente pelo embate com a obra e pela investigação
do contexto em que a obra se faz. É nesse sentido que
eu falei de "reinvenção da roda". Penso em Conduru e Kamita
como membros dessa grande irmandade que inclui os paulistas
Cecilia Rodrigues dos Santos, Sophia da Silva Teles, Luis
Espallargas Gimenez, Ruth Verde Zein, Hugo Segawa, Guilherme
Mazza Dourado, Marcelo Ferraz, Carlos Martins, Renato
Anelli, Carlos Alberto Andrade, Nabil Bonduki, Sylvia
Ficher, Marlene Acayaba, Marcos Tognon, Marcelo Puppi,
Annateresa Fabris, o português paulista Vasco Caldeira,
os cariocas Jorge Czajkowski, Luis Paulo Conde, Alfredo
Brito, Mauricio Lissovsky e Paulo Sá, Lidia Kosovski Margareth
e Romão da Silva Pereira, os gauchos Edson Mahfuz, Claudio
Calovi, José Artur Frota, o brasiliense Matheus Gorowitz,
a mineira Eline Caixeta, eu, você e tantos outros mais.
Sim, a maior parte desse corpus está em artigos, dissertações
e teses de acesso relativamente dificultoso, mas nem por
isso inexistente e me parece que Conduru e Kamita seriam
os primeiros a reconhecê-lo. Francamente, não vejo
em que isso desmereça os estudos ora publicados. A reivindicação
que me parece excessiva é você que está fazendo e não
o Conduru ou o Kamita. Entendo e compartilho seu entusiamo,
mas acho que o exagero pode ser tomado como compadrismo,
acarretando a desconfiança contra os estudos e uma resenha
em tudo o demais excelente. E é claro que nunca
é demais enfatizar, como você faz, que o embate
com a obra é fundamental para qualquer crítica séria,
que a forma é intrínseca ao objeto arquitetônico. Sem
atenção, respeito e amor à forma não há nem arquitetura
nem apreciação da arquitetura. Quanto à menção ao livro
"Le Corbusier e o Brasil" e ao artigo de minha autoria
"Protótipo e monumento, um Ministério, o Ministério",
publicado em Projeto 102, tem certamente uma justificativa
histórica. No mesmo ano, 1987, o livro recebeu o Prêmio
de Pesquisa e Crítica e o artigo Menção Honrosa na Premiação
Nacional do IAB-RJ. Tanto quanto eu saiba,
na linha do embate com a obra de arquitetura moderna brasileira
e seu contexto, foram os ou pelo menos dos primeiros trabalhos
reconhecidos pela comunidade dos arquitetos brasileiros.
Não vejo porque não citá-lo. Há elegâncias que podem
soar como hipocrisia fishing for compliments, dizem
os ingleses. E, francamente, seria hipócrita dizer que
não me orgulho do trabalho e do prêmio e da sua relativa
precocidade no país. Mas em momento algum reivindiquei
a paternidade da abordagem- porque não fiz mais senão
acatar e parafrasear os ensinamentos do mestre Colin Rowe,
que já em 1947 publicava "The Mathematics of the Ideal
Villa". Desse ponto de vista, como você vê, sou apenas
um retardatário. Tudo é relativo, e já escrevia Francis
Bacon, secundando Platão, que todo conhecimento não é
senão memória, e secundando Salomão, que toda novidade
não é senão esquecimento. Em resumo, acho que não mereço
o pito que você me passou. Espero que não passe de um
mal-entendido. Aliás, o culpado é o Abílio, que
não lhe explicou direito o contexto do email, e ele já
sabe disto e já se desculpou. Estou enviando cópia
do presente para ele. Antecipadamente grato aos dois pela
publicação online da longa tréplica, aceite o meu abraço
sincero.
Ruth
Verde Zein
Sunday, February 04, 2001 5:41 PM
Li o comentário
de Carlos Eduardo Comas e a resposta da Ana Luiza e não
posso deixar de colocar meu grão de sal. Estou absolutamente
estarrecida em descobrir que tudo o que fiz nos
últimos 20 anos, em centenas de textos publicados, a maioria
deles fazendo "análises formais de obras", desde momentos
anteriores em que isso não era moda, e sim postura anatemizada
pelas patrulhas ideológicas de então, acaba de passar
à categoria de "antecedente" da "verdadeira nova tradição
crítica formal brasileira", e que apenas agora, neste
novo século, se inicia. Estarrecida, até, porque sinto-me
ainda demasiadamente nova para já ser relegada à condição
de "velha geração", não é mesmo?
Tenho a impressão que, se levássemos esse debate epistolar
a sério, estaríamos vendo uma tentativa de historiografia
precoce, na base da criação de um mito que - guardadas
as diferenças , se assemelha vagamente àquele
que, outrora, construiu uma modernidade oficial triunfante
e triunfal, e que considerou retroativamente tudo o que
ocorrera antes de si mesma, e que não pode deixar de ser
levado em consideração, como meros "precursores" de si
própria. E nessa construção imaginária lá vamos todos
nós, em bloco, de roldão, água abaixo, levados por essa
simplificação. E não falo por mim, só: que tal o texto
do Luis Espallargas publicado há quinze anos? Que tal
os textos de Hugo Segawa? Que tal o texto do Edson Mahfuz
sobre Niemeyer quase da mesma idade? E, obviamente, que
tal os textos do Comas? Para citar só alguns poucos...
Não, nada disso foi a "verdadeira" "nova"
"crítica formal" da "arquitetura brasileira".
Para ficar claro a que me refiro, eis o trecho citado
pela (desculpe, não sei se é professora doutora, senão
qualificaria corretamente) prezada arquiteta Ana Luiza
Nobre, por quem evidentemente sempre consagrei o maior
respeito:
"A
nova história da arquitetura moderna no Brasil
a que me refiro, algo formalista para alguns, e
que é movida sobretudo pelo embate com a obra, sedimentando
uma tradição de crítica de arte à qual meu texto alude,
configura-se, sim, neste momento, (grifo meu)
graças, inclusive, à extraordinária contribuição dada
até aqui por profissionais como você." [resposta de Ana
Luiza Nobre a Carlos Eduardo Comas ver abaixo]
Que
bom saber que fomos úteis para as novas gerações, não
é mesmo - e ainda em vida! Bom, se isso for mesmo verdade,
pelo menos espero que a "nova geração" empunhe a bandeira
com garra, como fizemos, a contrapelo das tendências de
então e sem o afago dos maiores e o apoio das instituições
de classe. Em compensação, tínhamos a vantagem de ter
atrás de nós um relativo vazio, e assim não foi preciso
pisarmos em outras cabeças para tentarmos nos firmar mais
alto. Que as pessoas em geral esqueçam isso, é natural,
ou pelo menos, comum. Que pesquisadores da relevância
da Ana Luiza Nobre o façam, é desconcertante. Aliás, quero
enfatizar que as notícias de nossa morte foram muito exageradas,
como diria o velho Twain: ainda não somos carta fora do
baralho... nos aguardem! Por fim, mais do que respeito
por nossos títulos, queremos o respeito pelo que fizemos,
na sua real dimensão. E sei que o temos, de quem interessa
ter.
Roberto Conduru
Mon, 15 Jan 2001 13:43:39
Prezada Ana Luiza Nobre. Vi sua resenha dos livros sobre
os arquitetos Vilanova Artigas e Vital Brazil, editados
recentemente pela Cosac & Naify, e a achei bem boa. Seu
texto é franco e aberto, posicionado, com as escolhas,
os elogios e as críticas explicitados. É óbvio que, como
a maioria dos autores, eu gostaria de ler uma resenha
exclusiva do livro que escrevi (Vital Brazil). Contudo,
acho que, diante das limitações do veículo, o enquadramento
está muito bom: relacionado às questões da crítica histórica,
no panorama da historiografia da arquitetura modernista
no Brasil, no âmbito da coleção, de par com um ótimo livro.
Além disso, de modo sucinto você sublinhou alguns aspectos
da minha trajetória profissional e do meu trabalho que
me são bastante caros, para o bem e para o mal. Outro
ponto a destacar é que, ao contrário da maioria dos textos
do gênero, você aborda tanto o tema do livro (ponto no
qual geralmente as pessoas se concentram, evitando comentar
o objeto em questão) quanto o livro em si (plano editorial,
projeto gráfico, textos etc.). Mais do que tudo, o importante
é ter rompido o silêncio. Eu acho que um dos problemas
que nós temos hoje no Brasil é a falta de debate crítico
com relação à arte. As obras (tanto as realizações plásticas
quanto as historiográficas) caem no silêncio e lá ficam.
Nesse sentido, posso lembrar a recepção do livro sobre
a obra de Jorge Machado Moreira, organizado por Jorge
Czajkowski e editado pela Prefeitura do Rio de Janeiro
em 1999: a maioria dos comentários girava em torno da
qualidade gráfica do livro, esquecendo que havia uma leitura
daquela arquitetura feita pelo organizador do livro na
seleção de projetos, imagens, textos etc., e outra análise
feita por mim no texto introdutório; apenas duas resenhas
trataram desses "textos". De minha parte, agradeço a leitura,
a divulgação e a análise do meu trabalho. Se houver algum
comentário a mais, "sou todo ouvidos". Um abraço
Roberto Conduru é arquiteto e autor do texto
do livro "Vital Brazil", da Cosac & Naify
Ana
Luiza Nobre responde a Carlos Eduardo Comas
Monday, January 15, 2001 11:05 AM
Caro
Comas, Agradeço muito seu interesse por nossa seção. Estou
certa de que o êxito desta modesta iniciativa (a qual,
devo esclarecer, parte de um projeto pessoal meu e da
Haifa, gentilmente acolhido pelo portal Vitruvius) depende
da intensidade e da qualidade do diálogo que conseguirmos
estabelecer com nossos leitores, e devo confessar a você
que estou vibrando com cada comentário recebido. Nem por
isso sua argumentação deixa de me surpreender. Já de saída,
pela maneira pouco respeitosa pela qual sinto você se
referir aos dois autores em questão os Professores
Doutores Roberto Conduru e João Masao Kamita. Qualquer
que seja a leitura de um crítico a respeito de uma obra
seja esta projetual ou teórica a correta
referência aos seus autores me parece, antes de tudo,
fundamental. Sobretudo considerando a necessidade de dar
substância e rigor a um espaço de discussão tão rarefeito
entre nós. Mas esse poderia ser apenas um deslize (lamentavelmente
freqüente na comunicação via email), não fosse o seu desproposital
esforço de reivindicar para si "a invenção da roda". Você
bem sabe da importância que atribuo ao seu trabalho teórico,
cuja seriedade é há muito reconhecida aqui e no exterior.
E longe de mim negar a relevância da minha própria exposição
(com Alfredo Britto e Lidia Kosovski), do seu artigo sobre
o Ministério, ou do livro "Le Corbusier e o Brasil", de
Cecília Rodrigues dos Santos et alii, para ficar nos exemplos
que você enumerou. Ocorre que em nenhum destes trabalhos
produziu-se uma análise crítica de obras arquitetônicas
no Brasil sob o ponto de vista expresso nos dois livros
ora publicados. A "nova história" da arquitetura moderna
no Brasil a que me refiro, algo "formalista" para alguns,
e que é movida sobretudo pelo embate com a obra, sedimentando
uma tradição de crítica de arte à qual meu texto alude,
configura-se, sim, neste momento, graças, inclusive, à
extraordinária contribuição dada até aqui por profissionais
como você. Ainda assim, se cada um de nós tem um lugar
na construção desta história, como você faz questão de
assinalar, não fica bem para nenhum de nós reivindicar
para si um papel central neste campo. Continuemos a enfrentar
corajosamente os desafios inerentes ao nosso ofício, isso
sim, e venhamos a público utilizando todos os espaços
disponíveis com o supremo compromisso de estimular e aprofundar
um debate crítico mais que necessário. Ou correremos o
risco de sermos tomados antes por nossas vaidades que
por nossos méritos. Aceite meu abraço sincero. Ana Luiza
Nobre
Carlos
Eduardo Comas
January 10, 2001 10:24 PM
Oi Abilio, bom milênio e muito mais sucesso ainda. Gostei
muito da iniciativa do Arquitetura e Crítica e acho que
a Ana Luiza e a Haifa foram ótimas escolhas para pilotar
a secção. Mas cá para nós a Ana exagerou um pouco no seu
entusiasmo pelo Conduru e colega. Os livros são ótimos
e benvindos e oportunos, mas não é enfim uma nova história,
porque o processo de revisão da arquitetura moderna brasileira
está em andamento pelo menos desde 1986, com o meu texto
sobre o Ministério e o Le Corbusier e o Brasil da Cecilia
e cia. Há uma tendência brasileira ao esquecimento (e
à reinvenção da roda) e inadvertidamente a colocação feita
pode coontribuir para tanto. Espero que a Ana não me leve
a mal, mas é porque ela mesma é uma das que tem contribuido
para escrever essa nova história (a exposição do Rio que
não foi é uma bela prova disso) que me senti compelido
a fazer a observação.
Carlos Eduardo Comas é arquiteto, membro da
Comissão Coordenadora do PROPAR (Programa de Pesquisa
e Pós-Graduação em Arquitetura) da Faculdade de Arquitetura
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e responsável
pela pesquisa "Arquitetura Brasileira Contemporânea: Cidade
Figurativa, Teoria Acadêmica, Arquitetura Contemporânea"
Fabio
Yazigi Sabbag
Terça-feira, 9 de Janeiro de 2001 18:14
Parabéns pela Editoria A.C. Tenho certeza que encontraremos
sempre conteúdo crítico e técnico, divulgando somente
obras que tenham valor arquitetônico, não cedendo a outros
interesses. Muito bonita a reportagem sobre o Forum Internacional
de Tokyo. Assim como a reportagem, as fotos são muito
boas. Interessante apresentar a biografia do autor. Gostaria
de dar algumas sugestões para aperfeiçoar o site: o link
para opinião do leitor deveria aparecer em todas as telas;
após clicar na revista, o índice com as duas reportagens
poderia conter uma foto de cada; na tela das autoras,
também poderia aparecer uma foto delas; poderia sugerir
que o leitor indicasse projetos para reportagens futuras.
Sucesso a vocês!
Claudio
Pincas Feldman
Terça-feira, 26 de Dezembro de 2000 23:59
Suerte !! Interesante propuesta felices fiestas y buen
año nuevo saludos
Claudio Pincas Feldman é arquiteto em Buenos
Aires, Argentina
Fabio
Duarte
Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2000 18:42
Parabéns Ana Luiza Nobre e Haifa Yazigi Sabbag
pela nova editoria do Vitruvius e pelos dois textos inaugurais.
Desde que vi anúncio da abertura da editoria, imaginei
que esse poderia ser um espaço não apenas
para a breves críticas sobre projetos, mas também
campo importante para a reflexão sobre a crítica
(seu papel, sua transformação, etc), sobretudo
quando, acompanhando as publicações nacionais
nos últimos anos, as páginas da AU e Projeto
para o ensaio e crítica cairam (ou mesmo extinguiram-se).
Espero que arquitetos e estudantes utilizem o vitrivius
e a editoria a.c. como referência. Boa sorte na
empreitada do site.
Fábio
Duarte é arquiteto, mestre em Multimeios pela Unicamp
e doutor em Comunicações e Artes pela USP
[O
artigo Elipse
crítica. Reflexões a partir de Manfredo
Tafuri, enviado por Fábio Duarte para
arquitetura.critica foi publicado em Arquitextos]
Ana
Luiza Nobre responde a Vicente del Rio
Domingo, 17 de Dezembro de 2000 22:17
Querido Vicente, Muito obrigada por seu email. Sua
contribuição é oportuna e necessária para fortalecer este
espaço recém inaugurado de discussão e reflexão sobre
arquitetura, e considero-a particularmente estimulante,
justamente por divergir da minha posição. Como já se disse,
"toda unanimidade é burra"... Devo dizer que entendo e
respeito boa parte do seu desconforto como morador da
região, mas naturalmente não posso concordar com a maior
parte dos seus argumentos - em especial no que diz respeito
à estratégia, que me parece já bastante ultrapassada,
de deter as favelas com poder de polícia. No fundo, creio
que são os próprios equívocos cometidos nos anos 70, ainda
tão frescos na memória de tantos, que contribuem para
valorizar iniciativas como o projeto em questão, cuja
contribuição à cidade, como um todo, me parece absoluta.
Um grande abraço, e mais uma vez obrigada por sua valiosa
contribuição.
Vicente del Rio
Tuesday, December 12, 2000 9:49 PM
Queridas Ana Luiza e Haifa,
Parabéns pela iniciativa, excelente, e desejo todo sucesso
possível.
Aproveito para inaugurar a Opinião dos Leitores, e me
permito discordar de alguns pontos colocados pela Ana
no artigo do Parque Dois Irmãos. Longe de discordar da
excelência do projeto e da linda vista conquistada
(além do antigo belvedere existente em sua base), é
claro que também prefiro o Parque ao absurdo projeto do
antigo dono para construção de uma torre com hotel. Acho,
entretanto, que algumas questões deveriam sim ser
melhor discutidas, o que agora faço como urbanista
e morador da vizinhança.
1) A Associação de Moradores tem toda a razão de recear
os impactos que a atratividade do Parque e seus equipamentos
irá causar. Que eu saiba, ninguém teve acesso a nenhum
relatorio de impacto de vizinhança, ou até ambiental,
para entender o "planejamento" da idéia. Note-se que
são previstos no projeto do Parque um restaurante,
uma quadra de futebol (se tiver iluminação, vai causar
um impacto bastante complicado na visão ao Morro Dois
Irmãos desde a praia) e um estacionamento para 100 vagas!
Lembro que a rua de acesso é muito estreita, com diversas
curvas acentuadas em cotovelo, planejada há décadas quando
lá só existia um singelo belvedere (aliás abandonado pela
prefeitura havia anos), e cuja pavimentação em placas
de concreto também não resistirá ao novo tráfego.
2) Discordo totalmente do argumento citado por você, utilizado
pela Prefeitura, de que o parque seria "a única maneira
de parar a expansão da favela existente" (Chácara do Céu).
Favela não se para com parque, mas com uma ação constante da
prefeitura que deve zelar pelo interesse público com poder
de polícia. Ao contrário: partindo do antigo belvedere,
as duas estradas de acesso à favela já existiam sequer
da idéia do parque, sendo bastante utilizadas pelos
"cabritos" - kombis de transporte em morros. A melhoria
dos acessos irá certamente incentivar a expansão da favela
existente por todas as áreas ao longo desses acessos (talvez parando
nos "limites" do parque, mas coitada da mata
fora desses limites....). Talvez fosse ilustrativo dar
uma caminhada por essas áreas e ver a situação.
3) Finalmente, discordo também da maneira como foi decidida
a construção (e o projeto) do Parque. Não acho que
o status-quo dos moradores deva sempre prevalescer,
mas discordo que em pleno Século XXI uma prefeitura não
se disponha a discutir a questão, sendo este um projeto
supra-local que irá afetar a vida de muitos localmente.
A arquitetura e o urbanismo precisam de mais aberturas
democráticas e realmente participativas.
Com um grande abraço
Vicente del Rio
é arquiteto, urbanista e professor da FAU UFRJ