Fiz
parte de um grupo de jovens paulistas que, em 1970, partiu em busca
de uma vaga na faculdade de arquitetura da Universidade de Brasília.
Desembarcamos
depois de uma maratona ferroviária de trinta horas com baldeação
em Campinas e, num veículo de tração animal, fomos até o Núcleo
Bandeirante, popularmente conhecido por cidade livre, onde pegamos
um ônibus até a Estação Rodoviária – encontro das asas com a fuselagem
no avião à jato de asas enflechadas concebido por Lúcio Costa, ponto
zero, intersecção do eixo rodoviário que liga Brasília ao norte
e ao sul do país, junção das asas urbanas com habitações, serviços
e gente comum com o eixo monumental, que à oeste sedia a máquina
de poder do governo local e, à leste, a federal. Em sua ponta mais
ocidental, voltado para o nascente, a cabine do piloto: o Palácio
da Alvorada.
Andamos
pela esplanada sobre as trilhas sulcadas no largo e gramado canteiro
central, quando ainda eram em terra de onde subia uma vermelha poeira
durante a seca. Os ministérios pareciam estar próximos mas não estavam.
Aquela paisagem monumental confundia nossa paulistana sensação espacial
de escala urbana, invadida pelo intenso brilho do sol no planalto
central do país.