Skyline de São Paulo. Foto Nelson Kon. CLIQUE AQUI PARA ÍNDICE GERAL
  Rogerio Batagliesi é arquiteto
arquiteturismo em questão
         
Arquiteturismo, nº 1 – ISSN 1982-9930. São Paulo, Brasil, março de 2007 – Revista online mensal sobre turismo arquitetônico – Editores responsáveis: Michel Gorski e Abilio Guerra

Flanar por SP tem se tornado uma tarefa bastante árdua. Por vários motivos.

Alguns deles de caráter macro e outros micro.

São Paulo, à partir do pós-guerra, como várias grandes cidades do mundo subdesenvolvido, tratou seus valores urbanos de maneira bastante displicente para ser educado.

No nível macro, pelo absoluto desprezo dos aspectos físicos do seu sítio de implantação. Legislações voltadas para interesses privados aliadas a uma visão de curto alcance fizeram com que uma massa de construções inexpressivas e desordenadas mascarasse a caracterização geográfica geral do lugar – do espigão da Paulista, das calhas dos rios Tietê e Pinheiros, dos vales, das visuais, das várzeas, dos rios...

Isso tudo, foi engolido de forma voraz e sem escrúpulos, deixando para as futuras gerações (administrações?) a responsabilidade pela salvação de nosso patrimônio ambiental. A ausência de gabaritos, regras para ocupação, preservação de perspectivas, deixaram que o Privado se apropriasse do privilégio Público da fruição do espaço público.

Expansão da mancha urbana de forma desordenada, aliada ao traçado (?) irracional e sem qualquer resquício de harmonia, transporte público insuficiente, somam-se e contribuem para o transito caótico e exasperação e saturação da população.

No nível micro, a situação não apresenta redenção. Nossa paisagem foi contaminada em larga escala pelo loteamento implacável (ou seria placável?) de todo espaço passível de suportar publicidade, falta de elementos iconográficos e ambientais, postes e fiações, pichações tribais, calçadas aptas a dar trabalho infindável aos ortopedistas, e...

Por ai vai.

Destes apontamentos, óbvios, emergem no mínimo duas questões:

Por que então vivemos aqui?

Por que gostamos deste lugar?

Na primeira questão, a resposta direta (e óbvia!) é; porque aqui nascemos, e/ou porque aqui viemos buscar sustento.

Exemplar de Pau Brasil em São Paulo

Toda vez que se fez um bairro ou um conjunto de casas, abriu-se um boteco, padaria ou restaurante; uma quadra de futebol ou uma loja de brinquedos antigos; uma quermesse ou um evento cultural acadêmico; algo de muito rico soma-se ao vocabulário intersticial e interpessoal que une as pessoas. Muitas vezes em grupos, tribos reunidas por essa unidade de ”vizinhança” Esses grupos constituem história e memória.

Com exceção àquela parte da população voltada exclusivamente a acumulação ou aquelas que se encontram no desespero da sobrevivência – a resultante do processo, podemos de chamar de Cultura Urbana.

A abertura das referências da uma cidade para o visitante de “dentro” ou de “fora”, é um ingrediente saboroso para que se entenda e se goste desta cidade.

Alguns exemplos de como referências micro podem propiciar petiscos de prazer é a referência de fatos e/ou explicações sobre construções, locais, fatos, plantas, etc.

Rogerio Batagliesi   Flanar por São Paulo