Panorâmica de Brasília DF. Foto Augusto Cesar B. Areal. CLIQUE AQUI PARA ÍNDICE GERAL
Rosa Kliass   Meu São Roque
 

Rosa Grena Kliass é
arquiteta paisagista. Entre suas mais importantes obras estão a Reurbanização do Vale do Anhangabaú e o Parque da Juventude, em São Paulo; o Parque do Abaeté e o Parque de Esculturas do MAM-Bahia, em Salvador; o Parque Mangal das Garças e o Projeto Feliz Luzitânia, em Belém; e o Parque do Forte – Complexo Fortaleza de São José, em Macapá

viagem à minha terra
     

Rosa Kliass (3ª) em São Roque na adolescência e inscrição da lápide "Ninguém" [passar mouse sobre imagem]

 

Na manhã do dia do aniversário da cidade de São Paulo, sexta feira dia 25 de janeiro, teve início aquela que poderá vir a ser a mais significativa das minhas viagens: a que poderá recriar para mim as imagens de um São Roque que é o Meu São Roque. Em exatamente uma hora, desloquei-me corporalmente do Itaim Bibi ao Hotel Cordialle, na pequena cidade do interior de São Paulo. Porém, usando outra medida de espaço/tempo, efetivamente, fui transportada como em um passe de mágica, ao Meu São Roque dos anos 30 e 40 do século passado. No quilômetro 62 da Rodovia Raposo Tavares, logo depois do núcleo de Mailasky e do Alto da Serra, penetra-se na área urbanizada da cidade a partir do bairro do Taboão. Daí em diante foi um sucessivo e intenso relembrar: lugares, pessoas, eventos...

As primeiras impressões são ligadas aos aspectos urbanísticos e arquitetônicos. Sua origem bandeirista e a função de posto de troca dos tropeiros que vindos do Sul, demandavam o planalto de São Paulo. Por outro lado, o sítio em que se implantou é encaixado entre pequenas elevações nos vales dos rios Acaraí e Carambeí, situação que a manteve isolada das influências do desenvolvimento da capital, apesar dos poucos 62 km que as separam.

São Roque, panorâmica e subida da Estação de Trem [passar mouse sobre imagem]
 

Nem mesmo a chegada da ferrovia, a Estrada de Ferro Sorocabana, ainda em fins do século XIX, chegou a perturbar a sua condição urbana. A estação se instalou majestosamente, a cavaleiro do núcleo urbano, aos pés do Morro do Cruzeiro, mantendo-se como objeto símbolo de deslocamento.O acesso à estação preparava o viajante para o percurso que o levaria à capital.

O Barão de Piratininga

A cidade teve um papel importante no quadro da Província e, mais tarde, do Estado de São Paulo. O cidadão sanroquense Antonio Joaquim da Rosa, o Barão de Piratininga, foi figura importante do Império, como político e como intelectual. Chegou a exercer o cargo de Vice Presidente da Província e como escritor teve vários livros publicados, entre os quais A Cruz de Cedro, editado em 1854. Em seu testamento deixou expresso o desejo que em seu túmulo, em uma simples lápide cercada por uma grade, deveria ser inscrita tão somente a palavra Ninguém.

 
Arquiteturismo, nº 13ISSN 1982-9930. São Paulo, Brasil, março de 2008 – Revista online mensal sobre turismo arquitetônico – Editores responsáveis: Michel Gorski e Abilio Guerra