Angela Maria Moreira Martins. Arquiteta e Urbanista. Professora e Pesquisadora do PROARQ / Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da UFRJ. Doutora em Arquitetura da UFRJ. Doutora em Planejamento Urbano pela Universidade de Paris X e Pós-Doutora em Turismo e Desenvolvimento pela Universidade de Paris I Panthéon - Sorbonne

arquiteturismo em questão
     
Panorâmica de Tiradentes MG. Foto Nelson Kon. CLIQUE AQUI PARA ÍNDICE GERAL
Angela Moreira   O prazer do ambiente cotidiano

Angela Moreira. Foto Dominique Alvarez / V. Isabel, Rio de Janeiro. Foto Angela Moreira – AM [passe mouse sobre foto]

Quando se pensa em lazer e/ou turismo hoje, é absolutamente imprescindível levar em conta a questão de sua sustentabilidade, aqui referida não apenas no que diz respeito aos recursos econômicos que o turismo aporta mas também, e principalmente, às suas condições de existência. Uma das muitas correntes de estudo dessa atividade toma como condição de sua exeqüibilidade a chamada base local, ou seja, as condições materiais e imateriais existentes nos lugares onde o processo de turistificação (e o de lazer da população local) será exercido. Todavia, o chamado turismo de base local vai utilizar esta base material (muito utilizada) e imaterial (menos utilizada) para ser realizado, através dos elementos que identificam os lugares. Ora, sabe-se que objetos arquitetônicos, espaços urbanos, atrações naturais ou artificialmente criadas são (mais ou menos) importantes, visto que atraem moradores e turistas.

Pretendo fazer algumas considerações acerca de alguns elementos igualmente importantes, pois completam a identificação da ambiência dos lugares dedicados ao lazer e ao turismo. Trata-se principalmente dos tipos de criação, apropriação ou uso da cidade feitos pelos seus próprios moradores.

 
Bairro de La Boca, Buenos Aires / São Cristóvão, Rio de Janeiro. Fotos AM [passe mouse sobre foto]
Arquiteturismo, nº 18ISSN 1982-9930. São Paulo, Brasil, agosto de 2008 – Revista online mensal sobre turismo arquitetônico – Editores responsáveis: Michel Gorski e Abilio Guerra

Sua finalidade é empreender um processo de aprofundamento (um outro e mais profundo olhar) do conhecimento acerca do patrimônio de um lugar (seja para os próprios habitantes locais ou não). Para tanto, deve-se estar consciente da necessidade de uma boa compreensão e do reconhecimento do que compõe o patrimônio territorial que está ligado aos lugares que estruturaram e estruturam uma cidade.

Alguns procedimentos metodológicos precisam ser seguidos: o levantamento do potencial da área, uma análise de suas implicações, principalmente no caso da implantação de qualquer processo de requalificação do lugar, e do impacto que ele vai gerar na ambiência local já existente. Assim, faz-se necessário um conhecimento mais profundo dessas ambiências, dos elementos que compõem a vida cotidiana dos cidadãos e da sua complexidade, dos elementos oriundos do passado, mas também daqueles que são fabricados no presente e dos desejos e necessidades desses grupos sociais, ou seja, de uma leitura e de uma interpretação baseada nesses grupos e nos indivíduos que deles fazem parte, pois eles são os geradores de um processo dinâmico de criação-recriação do lugar no tempo.

Arte Oficial - La Défense, Paris / Arte popular, Calpe, Espanha. Fotos AM [passe mouse sobre foto]