Panorâmica de Tiradentes MG. Foto Nelson Kon. CLIQUE AQUI PARA ÍNDICE GERAL
 

Carlos Alberto Cerqueira Lemos, arquiteto, é professor titular e livre-docente da FAU-USP. Membro do Icomos, foi diretor do Condephaat e membro do conselho consultivo do IPHAN. Chefiou o escritório de Oscar Niemeyer em São Paulo, na década de 1950. Desenhou os loteamentos da praia Vermelha em Ubatuba e Mirim Açu em Ibiúna. É autor de Cozinhas, etc., Arquitetura brasileira, O que é patrimônio histórico, Dicionário da arquitetura brasileira, com Eduardo Corona, Alvenaria burguesa e Casa paulista. Está concluindo o livro Patrimônio: setenta anos em São Paulo

entrevista
     
Carlos Lemos   Patrimônio e turismo

Carlos Lemos. Foto Clara Correia d'Alambert / Carlos Lemos em álbum de formatura [passar mouse sobre imagem]

 

Qual seria um roteiro para um turista arquiteto pela arquitetura paulistana?

Há muitos formatos e temas possíveis. Sugiro um roteiro que pode ser elaborado a partir da evolução dos estilos e das técnicas construtivas e associando-as com habitações unifamiliares, passando por taipa de pilão, taipa de mão, tijolo, concreto armado, etc.

Em pedra, não temos nada. Começando por casas bandeiristas, de taipa de pilão, como a Casa do sertanista do Caxingui, a do bandeirante no Butantã, a do Sítio da Ressaca, há também uma em Santana e outra no Tatuapé. De taipa de mão, pode ser a Casa do Grito, no Ipiranga.

De tijolos são os palacetes dos fazendeiros do café, as casas de classe média, em vários estilos do começo do século XX, neocolonial, hispano-americano, normando, todos em paralelo ao neo-clássico.

 
 

Museu da Língua Portuguesa na antiga Estação da Luz. Projeto de reciclagem dos arquitetos Paulo Mendes da Rocha e Pedro Mendes da Rocha / Casa do Grito, São Paulo. Fotos Victor Hugo Mori [passar mouse sobre imagem]
 
 

Temos belíssimos exemplares de art déco, que até merecem tombamento, na rua Ceará em Higienópolis, por exemplo, e em concreto armado, os destaques são as casas do Artigas e Paulo Mendes da Rocha.

Outro roteiro seria pelo bairro da Luz onde arquitetos interessados na requalificação de edifícios antigos poderiam, inclusive, apreciar instalações museográficas interessantes, como aquelas no Recolhimento da Luz, onde se instalou o Museu de Arte Sacra; a Pinacoteca do Estado, no primitivo edifício do Liceu de Artes e Ofícios; o Museu da Língua Portuguesa; a Estação Pinacoteca no antigo D.O.P.S.

Depois, há a Sala São Paulo, dedicada a concertos e apresentações musicais, instalada na velha Estação da Sorocabana, projeto de Christiano das Neves; o Quartel da Força Pública, de fim do século XIX, projeto de Ramos de Azevedo, também autor do edifício da atual sede do Arquivo Histórico Municipal Washington Luís; e a igreja de São Cristóvão, anexa ao que sobrou do velho Seminário da Luz.

 
Arquiteturismo, nº 18ISSN 1982-9930. São Paulo, Brasil, agosto de 2008 – Revista online mensal sobre turismo arquitetônico – Editores responsáveis: Michel Gorski e Abilio Guerra