Roney Cytrynowicz é historiador e diretor da Narrativa Um – Projetos e Pesquisas de História. Entre seus livros publicados estão "Guerra sem guerra. A mobilização e o cotidiano em São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial" (Edusp) e o infanto-juvenil "Quando vovó perdeu a memória" (Edições SM). Fotos Flávio Magalhães |
| entrevista | |||||||
| Roney Cytrynowicz | O historiador e seus passeios a pé |
| Roney Cytrynowicz / Roney, Carlos Lemos e Salomon Cytrynowicz. Foto Michel Gorski [passar mouse sobre imagem] |
| Como um historiador voltou-se para guias turísticos? Eu sempre gostei muito de passear e andar pela cidade, especialmente pelo centro, mas também por bairros mais antigos, imaginando localizar as referências dos 450 anos de história de São Paulo – vestígios da topografia, como no Pátio do Colégio, alguns traçados urbanos coloniais ou nomes e apelidos antigos e novos dos lugares. Caminhar pela arqueologia dos pequenos vestígios desta história constitui um prazer de exploração sem limites. Acho, por exemplo, que o percurso entre o Largo do Arouche até a Praça da Sé é um dos passeios e programas mais interessantes e emocionantes que se pode fazer. A diversidade humana e urbana que se encontra no caminho, a dinâmica da cidade, os usos do espaço público, a justaposição de diferentes períodos históricos, as paisagens de cima do Viaduto do Chá, a beleza e também a feiúra dos prédios, enfim... A cidade é um território infinito de invenções humanas, as piores e as melhores, por isso estamos sempre diante de impasses dramáticos. Mas nada disso se dá de cara ao visitante, daí a decepção na maioria dos casos e a comparação sempre desvantajosa com outros centros históricos bem conservados no mundo. |