Não
sou do tipo que viaja muito. Pelo menos não no varejo. Nem por isso
sou uma turista acidental do tipo que odeia estar em trânsito e,
quando fora do habitat, arranja um jeito de ficar sempre no mesmo
lugar. Muito pelo contrário.
Nas
raras vezes em que viajo, costumo abrir os olhos. Por isso, durante
uma estadia em Melbourne, difícil foi não me espantar com uma cidade
tão acessível, tão aberta para os cidadãos. Uma cidade inclusiva,
franqueada para a primeira, a segunda e a terceira idade. Uma cidade
que acolhe portadores de necessidades especiais: cadeirantes e deficientes
visuais. A tal ponto que as cadeiras rodantes chegam a atrair a
atenção de um transeunte desavisado flanando pelas ruas num dia
comum, eu.
A não
ser que estatisticamente existam mais deficientes físicos lá do
que aqui, não existe outra explicação para transitarem tão expressivamente
pelas ruas do que a acessibilidade das vias urbanas. Sem falar nos
semáforos adaptados para deficientes visuais. Para sua presença
ser detectada, é emitido um som repetitivo característico; e a freqüência
se acelera quando abre para os pedestres.
Cadeirante
nas ruas de Melbourne
Acessibilidade
das vias urbanas
Acessibilidade
das vias urbanas
Sonia Manski é arquiteta formada pela FAU USP e trabalha
no Condephaat
na estrada
Sonia Manski
Melbourne para todos
Arquiteturismo,
nº 26 – ISSN 1982-9930. São Paulo, Brasil, abril de 2009
– Revista online mensal sobre turismo arquitetônico – Editores
responsáveis: Michel Gorski e Abilio Guerra