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| Redescobrir
a cidade esquecida
(1) Mariano Arana |
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| Mariano Arana é arquiteto e atualmente é prefeito municipal de Montevideo. Foi catedrático de História da Arquitetura Nacional e diretor do Instituto de História da Faculdade de Arquitetura de Montevidéu, Uruguai | ||||||||||||||||||||||||||||
| (leia a versão em espanhol) | ||||||||||||||||||||||||||||
| Para aqueles que tem me visto empunhar a bandeira da defesa da cidade e da preservação do patrimônio arquitetônico, paisagístico e urbano, é imprescindível explicar o óbvio: Se nem tudo o que é velho é adequado, tampouco nem tudo o que é novo é desejável. A preservação, para ser plenamente válida, deve ser, mais do que a manutenção ou reconstrução, uma proposta dinâmica e potencializadora. Mais que regressão nostálgica ou reconstrução, a preservação deve constituir-se essencialmente como um ato de afirmação criadora, de descobrimento, originando o valor e a reabilitação vital. Nem física nem socialmente a cidade é um fato compacto e homogêneo. A cidade – cenário de contradição, de encontro de unidade e fragmentação, de atraso e de estímulo – é terreno fértil para a degradação e o lucro, porém também para a experimentação e o salto qualitativo. A coexistência da multiplicidade do passado possibilita o redescobrir, o reordenar, o recriar partes isoladas da cidade, presentificando-as, redimensionando seu sentido e vigência dentro da estrutura global da cidade. A proposta feita pela equipe de arquitetos do "Complexo CUAREIM" aposta, precisamente, na recuperação para toda a cidade – para toda Montevidéu – de uma de suas áreas mais degradadas e esquecidas: a antiga zona de "La Aguada". Próxima à Bahia e ao lado da região portuária, foi local propício para a edificação de depósitos e instalações industriais. O acerto da proposta reside, ao meu ver, no sensível e equilibrado aproveitamento de algumas instalações fabris em desuso, fazendo ressurgir sua plasticidade soterrada, em conjunção com novas inserções que não buscam a submissão expressiva, mas sim os diálogos compatíveis com o tecido e a trama preexistente. E isso sem se esquecer da viabilidade econômica e da ajustada resposta às estritas necessidades utilitárias. A acertada resolução tipológica de suas unidades habitacionais (novas ou recicladas) assim o comprova. Como o comprova também a moderação das praças-pátio que, adaptando-se à atípica conformação da quadra, permite uma convincente gradação de usos e um inequívoco enriquecimento do entorno urbano imediato. A proposta afirma o que a cidade tem sido sempre: continuidade e testemunho. Memória e mudança. Por isso pode transformar o isolado em marco. E transformar o esquecido em presença. Nota 1 Ficha técnica Denominação da obra Descrição Localização Final do projeto Final da obra Autores do projeto Assessores Promotor / proprietário Empresa construtora Custo total Área construída Outros |
© Fotos e dados: Maria del Pilar Perez Piñeyro, Ricardo Hernán Medrano, Fábio Araújo e Marcelo Svartman |
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| | Autor | Assunto | Números | Página principal | Expediente | Vitruvius | | ||||||||||||||||||||||||||||