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| O
desenho e expansão atípicos de uma cidade correntina na fronteira entre
Argentina, Brasil e Uruguai Oscar Ernesto Mari |
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| Oscar Ernesto Mari é Doutor em História pela Universidade do Salvador (Buenos Aires) 1999; Licenciado em História pela Universidade do Nordeste (1994). Professor de ensino Médio, Normal e Especial em História. Atualmente é bolsista de Pós-doutoramento em pesquisa do CONICET e Professor Adjunto A/C da cátedra História Argentina Colonial na Faculdade de Humanidades da Universidade Nacional do Nordeste (Chaco-Argentina) | ||||||||||||||||||||||||||||
| (leia versão em espanhol) | ||||||||||||||||||||||||||||
Como
a maioria dos estados que compõem a República Argentina, a província de
Corrientes situada no nordeste do país se originou a partir de um centro
populacional erigido nas primeiras etapas da colonização hispânica, sendo
que logo o estado provincial adotou o nome do núcleo originário. Este
primeiro centro (hoje capital) foi fundado em 1588 na confluência dos
grandes rios Paraná e Paraguai, e a partir de então sua jurisdição foi
se ampliando lentamente ao princípio, com ritmo algo mais firme durante
o século XVIII, e com decidido impulso nas primeiras décadas do século
XIX, logo após se organizar como estado autônomo. Deste
modo se regularizou no primeiro terço do século a ocupação das demais
vilas formadas no século XVIII, e se avançou na fundação de novos núcleos
em áreas periféricas, onde se fazia necessária a consolidação das fronteiras
provinciais. Precisamente
a esta política correspondeu a fundação do que hoje se chama Monte Caseros,
cidade situada no extremo sudeste da província, às margens do rio Uruguai,
num ponto tripartido e coincidente com as fronteiras de Argentina, Brasil
e Uruguai. Em
1828, logo após a guerra entre Argentina e Brasil, o chefe do Exército
do Norte, general Fructuoso Rivera, decidiu fundar uma vila na margem
esquerda do rio Uruguai, frente onde hoje está implantado Monte Caseros,
com o propósito de instalar ali os povoadores das missões jesuíticas orientais
que até então haviam residido em territórios que agora deveriam ser entregues
devido aos acordos de paz firmados. Essa
vila foi denominada "Santa Rosa do Cuareim" ou "Bella Unión",
e como neste ponto o rio Uruguai era de fácil transposição, razão pela
qual se chamava "Paso dos Higos", seus povoadores começaram
a cruzá-o freqüentemente até a margem argentina, levando daqui o gado
que encontravam nas imediações. Esta situação levou ao comandante militar
de Curuzú Cuatiá, don Manuel Antônio Ledesma, a enviar cartas ao governo
de Corrientes durante janeiro e fevereiro de 1829 sugerindo a necessidade
de estabelecer um posto para guardar esta paragem. Atendendo
à solicitação, o governador de Corrientes, Pedro D. Cabral, propôs a fundação
de uma vila no "Paso dos Higos" para o Congresso da província,
anexando os informes de Ledesma, iniciativa que teve curso favorável,
decidindo-se em 5 de outubro de 1829, através da lei nº 239, pela execução
da mencionada fundação, recomendando o Congresso ao governador que apressasse
os trâmites para que o ato se efetivasse (1). Em
23 de novembro de 1829 o P.E. dispôs que o agrimensor Santiago Achinelli
se mudasse para Paso dos Higos acompanhado pelo comandante militar de
Curuzú Cuatiá para eleger o lugar onde se ergueria a nova vila. Achinelli
tinha instruções para medir a praça central e duas quadras em torno dela
para residências, e uma légua em torno das quadras para se alocarem as
chácaras. Delineado
e estabelecida a vila, o governador Cabral lhe conferiu grande importância
ao ordenar em 3 de julho de 1830 que as mercadorias provenientes da Banda
Oriental (atual República do Uruguai) deviam ingressar obrigatoriamente
pela localidade, sendo levada após para Curuzú Cuatiá para pagar os impostos
correspondentes. Posteriormente, em 2 de julho de 1838 o governo provincial
habilitou na vila um porto para importações e exportações em geral. Nesta
época, segundo as cifras do censo provincial, "Paso dos Higos"
contava com uma população de 119 homens e 133 mulheres de diversas idades. Em
1855 o governador Juan Pujol provocou um conflito de jurisdição com o
brigadeiro Benjamín Virasoro, a quem, em 1851, foram doadas as terras
adjacentes à vila, e por uma lei do 31 de janeiro deste ano se ordenou
tornar a Paso dos Higos como capital do departamento de Curuzú Cuatiá,
em um ato que se pode considerar como uma refundação da vila (2). Três
anos mais tarde, em 2 de março de 1858, foi criado o departamento de Monte
Caseros comemorando a batalha homônima (Caseros), e determinação a seguir,
se colocou à venda casas e chácaras na vila, que havia sido sancionada
como capital do novo departamento. Ainda que esta lei não tenha trocado
o nome da vila de Paso dos Higos, aos poucos foi sendo adotada a denominação
que correspondia ao departamento; "Monte Caseros", ou simplesmente,
"Caseros" (3). A
partir deste momento a vila começou a ter autoridades próprias já que
antes dependia de Curuzú Cuatiá; foi construída a primeira escola para
meninos e se fundou no ano seguinte (1859) a primeira paróquia chamada
"Nossa Senhora das Vitórias", que logo passou a ser "Nossa
Senhora do Rosário", e que foi implantada no mesmo local que ocupa
até hoje. Em
1861 começou a funcionar a Receita Nacional e em 6 de agosto de 1867 o
governador Evaristo López criou por lei a municipalidade de Monte Caseros. Recém-estabelecidas,
as autoridades municipais determinaram em 1870 que a vila fosse urbanizada
em quadrículas e requisitaram para isso os serviços do agrimensor Carlos
Wybert. Este havia completado recentemente, em 1875, a mensuração do tecido
urbano e das chácaras próximas, seguindo os lineamentos traçados por Achinelli
em 1829, ou seja, a subdivisão de quadras com 95,26 metros de lado, com
ruas de 34,65 metros de largura (4). A
vila demarcada por Achinelli permanecia encostada junto ao rio Uruguai
e até esse momento apenas estava delineada sua praça central (chamada
então de "25 de Mayo") com três quadras de cada lado, sendo
seus limites o rio Uruguai a leste, a antiga rua 2 de fevereiro ao norte,
a rua Chacabuco ao sul, e a rua Itália a oeste. A
ampliação realizada por Wybert não modificou a orientação nem a ampla
largura das ruas que lhe fora conferida por Achinelli em 1829 e que lhe
outorgam justamente essa característica tão particular a Monte Caseros,
mas reimplantou o que era o centro cívico da vila (junto ao rio), no local
que ocupa atualmente, a trezentos metros deste. Esta
mensuração se concluiu ao mesmo tempo em que se finalizava a implantação
dos trilhos do Trem Este Argentino, desde Federação (província de Entre
Rios) a Monte Caseros. Precisamente neste ano (1875) se inaugurou a estação
– ainda conservada –, com a presença do Presidente Nicolás Avellaneda
(5). A paisagem urbana Com
a inauguração da estrada de ferro em 1875 – o primeiro que entrava na
província de Corrientes – se inicia uma etapa de notável progresso para
Monte Caseros, que a partir deste momento terá uma comunicação direta
com o restante do país, e, em conseqüência, se canalizarão com maior fluidez
os produtos locais até as cidades do alto Uruguai utilizando o ramal que
agora chegou até o novo porto de "Lo Ceibo", a 5 quilômetros
da vila. Este porto foi construído a esta distância devido às dificuldades
que implicava colocá-lo frente ao núcleo urbano dada a presença das típicas
cachoeiras (pequenos saltos com pedras), abundantes nas margens desta
parte do rio Uruguai. Este
acontecimento coincidiu também com a chegada de importantes contingentes
imigratórios, principalmente de italianos e espanhóis, que depositaram
sua marca particular ao componente humano da vila e também a suas zonas
lindeiras ao formar prósperas colônias agrícolas (6). O
redimensionamento da vila, a incorporação de imigrantes e a inauguração
da estação do F.C.E.A. produziram uma transformação radical na estrutura
urbana de Monte Caseros, já que a partir de então começaram a erguer-se,
no entorno e até o sul da estação, as casas comerciais e as habitações
das famílias, conformando o que hoje é o centro comercial e residencial
da cidade. Alguns
anos depois se inauguraria uma nova estação ferroviária mais a oeste em
relação à primeira, originando uma nova transformação no projeto da malha
urbana. No
final do século XIX a planta urbana de Monte Caseros – que estava dividida
em quadras, subdivididas por sua vez em uma média de seis lotes cada uma,
e separadas por largas avenidas – motivavam a curiosidade dos visitantes,
que se surpreendiam com a generosa distribuição dos espaços – algo pouco
comum nas localidades correntinas –, e a imagem inanimada que tal conformação
conferia à vila. Podia
se observar claramente a vila de Bela União na vizinha margem do rio Uruguai,
e já surgiam algumas das novas casas e edifícios públicos de estilo italianizante,
graças à forte presença de imigrantes desta península, oportunamente o
tipo arquitetônico que prevaleceu a partir de 1875. Monte
Caseros já contava no final do século com um hospital chamado "de
Caridade", um escritório de alfândega, uma sucursal do Banco da Nação,
um periódico, um teatro, uma biblioteca pública, um edifício de correios
e telégrafos, dois hotéis, grandes edifícios em construção e várias entidades
sociais com suas sedes já inauguradas ou em vias de execução, como o Clube
Social (1881), a Sociedade Italiana (1887), a Sociedade Espanhola (1891),
a Sociedade Inglesa, o Clube "Progresso" e o Clube "Artesãos",
entre outros (7). Também
já haviam sido inauguradas as primeiras gráficas da cidade, onde se imprimiram
periódicos como "O observador", "Democracia" e "O
Eco do Sul". Em
1900, o cronista correntino Benjamín Serrano oferecia a seguinte descrição
de Monte Caseros: "Está edificada sobre uma porção de terreno argiloso e pedregoso, com mescla de húmus e areia. Domina uma formosa e pitoresca situação sobre o rio Uruguai numa altura aproximada de 15 metros acima do nível do rio, o que lhe permite ser batida livremente pelos ventos. Suas ruas de orientação leste-oeste vão até o rio Uruguai, e as de orientação norte-sul vão até os riachos Santa Lucia e Mamangá, respectivamente, o que possibilita uma ótima drenagem das mesmas [...]. Tem uma bonita praça feita com bom gosto, a "Colombo", em cujo centro se levanta o magnífico monumento erigido pela vila em homenagem ao ilustre navegante. O espírito de sociabilidade está muito desenvolvido neste vila, que tem modalidades e acentuadas tendências de cultura. Existem hotéis cômodos e bem servidos, e duas ou três casas fortes de negócios, como as dos senhores Eduardo e Antonio Mouzo, Irmãos Oria, e outros [...]. As estações ferroviárias têm sempre um movimento inusitado, pois ali estão as grandes oficinas e a administração central das duas linhas – a do Leste, e a do Nordeste Argentino" (8). Esta
última alusão se deve ao fato que precisamente nesta época se inaugurou
a nova estação ferroviária no Oeste da cidade, juntamente com grandes
oficinas de conserto, cuja construção tornava-se obrigatória devido a
condição de nó ferroviário de Monte Caseros (9). Este
complexo propiciou a formação nas proximidades de um grande conjunto habitacional,
onde começaram a residir as centenas de operários que direta ou indiretamente
participavam da atividade ferroviária. De fato se conformou assim um conglomerado
inicialmente desconectado da cidade, com características e um ritmo de
vida próprio distintos do núcleo urbano original. Por
volta de 1910 se contabilizavam 920 casas de material na malha urbana
e a população, composta em boa parte por italianos, rondava os 5.000 habitantes,
ou seja, o dobro do registrado no último censo de 1895 (10). A
atividade produtiva principal da zona circundante continuava sendo a pecuária,
preferencialmente a ovina, que ainda hoje segue conseguindo ótimos resultados.
Já então e graças à iniciativa dos imigrantes italianos, havia se desenvolvida
notavelmente a exploração citrícola, inclusive a de vinhedos e de oliveiras.
Certamente havia algumas indústrias desenvolvidas, como a fábrica de macarrão
"Oria, Preisler e Cia", e outras mais modestas como serrarias,
moinhos, curtumes, queijarias, carpintarias e fábricas de sabão. Existiam
já três Vice-Consulados assentados – do Brasil, do Uruguai e o da Itália.
Havia 9 escolas primárias, um Banco (Nação) e meia dezena de entidades
sociais, desportivas e públicas (11). No perfil urbano já se sobressaiam
justamente as sedes de algumas destas entidades, que até hoje continuam
sendo as mais representativas da cidade. Como
já se mencionou, durante a década de 1870, acompanhando a ampliação urbana,
se iniciou em Monte Caseros um período de sensível progresso no que concerne
às construções, acompanhado de uma mudança nos métodos de trabalho e,
mais tarde, dos estilos arquitetônicos. Tal
fato já podia se perceber em algumas residências, como as de José Dalcero,
Alcira Ramírez, Eduardo Mouzo, María Gracia de Solari, Luis e Pedro Raggio,
a padaria Valle e Larrea, e a capela "Nossa Senhora do Rosário",
construída por Domingo Anzini em 1875, terminada tal como está até hoje
em 1890. Não
se pode esquecer a estação do F.C.E.A., que foi o exemplo mais representativo
desta primeira etapa e que ainda se conserva em ótimo estado. O edifício,declarado
monumento histórico nacional em 1979, foi restaurado em 1994 para converter-se
em museu (12). Entre
1880 e 1920 se levantariam as sedes sociais da Sociedade Italiana e da
Sociedade Espanhola, o Clube Artesãos, a Escola Graduada nº 1, edifícios
que entre outros deram à arquitetura de Monte Caseros um destacado estilo
sóbrio, cujas linhas serviram de inspiração para várias famílias abastadas
ao construírem suas mansões. O
primeiro edifício deste período foi a sede do Clube Social (1881), seguindo-se
a do Clube Progresso no mesmo ano, a Escola Graduada nº 1 (1883), a Sociedade
Italiana "União e Benevolência" (1887), a Sociedade Espanhola
do Socorro Mútuo (1890), e um pouco mais tarde, o Clube Artesãos. Da mesma
época datam outras construções importantes, como o hospital Robinson –
chamado assim em homenagem ao primeiro médico de Monte Caseros –, o Exército
Federal, finalizado em 1912, o galpão industrial "Baeza", que
se converteu em "Teatro Baeza" a partir de 1912, a Escola Superior
"Centenário", iniciada neste último ano, e o Banco da Nação
Argentina, cuja sede foi inaugurada em 1918. No
período imediatamente posterior foram finalizados os edifícios do Clube
Regatas (1920) e a atual prefeitura (1927) – renovada posteriormente –,
com o qual se concluiu uma prolífica etapa de construções destacadas,
que renasceria posteriormente, durante a década de cinqüenta através dos
planos de obras públicas impulsionados principalmente pelo governo nacional
(13). No
que diz respeito aos espaços públicos, deve se dizer que originalmente
a praça principal de Monte Caseros esteve implantada no local que hoje
ocupa a Caixa d’Água, exatamente à frente da igreja principal "Nossa
Senhora do Rosário", na atual rua Atamañuk. Esta praça foi denominada
"25 de Maio" mas durante a segunda intervenção urbanística sofrida
pela vila (1875), a praça principal se implantou no local atual, formando
assim parte do novo centro cívico, onde desde então foram implantados
a prefeitura, o cartório civil e a delegacia, entre outros edifícios públicos.
Esta mudança explica porque a igreja maior ficou fora do centro cívico. A
atual praça principal de Monte Caseros está situada em torno de 300 metros
do rio Uruguai e, mesmo que originalmente tenha se denominado "9
de Julho", passou a se chamar "Colombo" a partir de 1900,
retomando logo o nome de "9 de Julho", para em 1993 adotar definitivamente
o de "Cristóvão Colombo". Existem
outras reduzidas praças como a "Eva Perón", situada na esquina
das ruas Alvear e Juramento, e o passeio da velha estação do leste, entre
as avenidas Vicente Mendieta e Buenos Aires. Ainda que possa se pensar
que estes espaços verdes são escassos para uma cidade, deve se recordar
que as ruas de Monte Caseros são em sua maioria avenidas que têm amplos
canteiros centrais bem arborizados, de maneira que na prática, cada quadra
é em si mesma uma pequena praça. Deve
se destacar também a existência um balneário municipal e um grande parque
natural (San Martín), que foram criados na década do cinqüenta e que por
suas dimensões, dão uma imagem suficientemente desimpedida da costa da
cidade. A evolução do equipamento e os serviços A
aparição de equipamentos e dos primeiros serviços em Monte Caseros aconteceu
graças ao início de funcionamento, aproximadamente na mesma época que
em outras cidades médias correntinas, do cemitério e da iluminação pública. A
organização dos cemitérios adquire importância em Corrientes durante o
transcurso da guerra da Tríplice Aliança, pois na mesma época as epidemias
– especialmente de febre amarela – se propagavam. Foi precisamente em
1866 que se constrói o cemitério "A Misericórdia" fora da cidade.
Antes desta data os enterros se faziam no local onde hoje está instalado
o policlínico ferroviário, a duas quadras da praça central. Este cemitério
foi remodelado entre 1950 e 1954 e até hoje continua funcionando. A
iluminação pública surgiu dois anos antes, em 1864, com o mesmo sistema
que em outras cidades de Corrientes – postes com velas e posteriormente
de querosene, mas colocados não nas ruas mas na frentes das casas. Somente
em 1929 se inauguraria o serviço com energia elétrica, e a responsabilidade
do serviço coube à empresa "Balbi Hermanos" (14). Esta
empresa forneceu rapidamente o serviço domiciliar, e em 1935 já fornecia
energia para 556 lares. Duas décadas mais tarde esta usina passou para
as mãos do estado provincial, e no final da década de sessenta o serviço
elétrico era prestado a 2.193 usuários da cidade (15). Quanto
à telefonia, Monte Caseros conta com este serviço desde 1903, época em
que a "Sociedade Telefônica de Monte Caseros" tinha a rede sob
seu controle. Em 1935 a mesma passou para o controle da "Companhia
Internacional de Telefones", e na década do cinqüenta ficou em poder
da "Entel". No final dos anos sessenta o serviço telefônico
cobria a 258 usuários em Monte Caseros (16). No
que diz respeito ao equipamento comercial e sanitário, deve comentar-se
que em 1884 a H.C.R. de Corrientes sancionou uma lei que autorizava ao
município de Monte Caseros, juntamente com o de Mercedes, a construir
um mercado municipal, mas a mesma, mesmo tendo sido devidamente regulamentados
os procedimentos de concessão e comercialização, não chegou a ser implantada,
já que em 1888 se uma nova lei com conteúdo similar foi sancionada. Em
4 de novembro de 1887 a Legislatura também autorizou a construção de um
matadouro em Monte Caseros, sendo que a lei especificava as medidas e
os materiais com os quais se deveria construir o local, e inclusive se
determinou a propriedade da construção. É difícil determinar em qual ano
se estes primeiros locais foram inaugurados já que em várias ocasiões
se rescindiram os contratos de construção, e quando autorizados, não havia
fundos para efetivá-los. De
qualquer forma, no princípio da década de cinqüenta, beneficiada por um
plano provincial e nacional de obras públicas, a cidade de Monte Caseros
pôde contar com um novo mercado, que contaria com um frigorífico e uma
fábrica de gelo. Este mercado é o atual e se acha situado na esquina das
ruas Alvear e General Lavalle (17). Também
deve se assinalar que até os fins do século passado Monte Caseros dispunha
de um hospital público mantido pela sociedade "Damas de Caridade".
Em 1890 se inaugurou um importante edifício hospitalar que logo recebeu
a denominação de "Samuel W. Robinson" em honra ao médico inglês
que foi o primeiro no exercício da profissão na vila. Durante
a década do cinqüenta se inauguraria o hospital policlínico ferroviário
para atender aos numerosos afiliados deste sindicato. Este edifício de
grandes dimensões esteve dotado de equipamento e pessoal suficiente para
satisfazer as demandas das 1300 famílias que nesta década dependiam da
atividade ferroviária em Monte Caseros. Atualmente está fora de serviço
e abandonado. Quanto
ao fornecimento de água, deve comentar-se que desde os inícios da vila
e durante várias décadas a água para consumo vinha diretamente do rio
Uruguai, construindo-se para tal fim, durante a segunda metade do século
XIX, uma torre de captação de pedra sobre a "cachoeira" da costanera,
que até hoje se conserva apesar de fora de uso, sendo uma atração significativa
na atividade turística de Monte Caseros. Em
1948 se inaugurou o edifício de água potável das Obras Sanitárias da Nação
no local onde fora a praça principal da vila antes de 1875, e também as
conexões domiciliares. Este edifício captou inicialmente a água de poços,
mas após 1955, em razão de ser antieconômico tal procedimento, se retornou
à captação de água no rio Uruguai. No mesmo ano estava em gestão a construção
das fossas sanitárias para a cidade. Em
1955 o serviço de provisão de água potável dispunha de 750 conexões domiciliares
e 24 bebedouros públicos, e até finais da década de sessenta, a parte
da rede de esgoto concluída cobria 30% das casas de família. Atualmente
toda a população urbana de Monte Caseros conta com água corrente e a rede
de esgoto cobre 100% do serviço, benefício pouco comum no resto das cidades
correntinas (18). No
que diz respeito ao sistema viário urbano, vale destacar que praticamente
desde sua organização coma vila, Monte Caseros contou com pavimentação
de pedra em suas ruas já que sua zona circundante é rica em seixo rolado
em forma de pedregulho. Sem
dúvida a pavimentação de suas artérias principais demorou bastante em
relação a outras cidades médias de Corrientes devido a excessiva largura
das mesmas, que encareciam este tipo de obras. Por esse motivo é que só
recentemente, durante a década de cinqüenta, se pôde iniciar a pavimentação
parcial em concreto das ruas principais (Alvear e Vicente Mendieta), transcorrendo
várias décadas até que se concretizou a ampliação de tal melhoria. Precisamente
entre 1986 e 1998 foi possível completar a pavimentação de mais de 50
quadras no centro, cabendo destacar que todas as ruas que não têm pavimento,
inclusive as periféricas, contam com cascalho de ótima qualidade (19). O
plano de infraestrutura dos anos cinqüenta e a incidência das oficinas
ferroviárias e guarnições militares na vida urbana Entre
o final da década de quarenta e meados da de cinqüenta (século XX) Monte
Caseros recebeu os benefícios de um importante plano de obras públicas
promovido pelo governo nacional e provincial. Através do mencionado plano
de urbanização se realizaram as primeiras quadras de pavimento, a construção
de veredas, abertura de novas ruas e pavimentação das mesmas, modernização
e ampliação da usina elétrica, habilitação da toma principal de água no
rio, construção dos edifícios do colégio nacional, a escola industrial,
o correio e o registro civil; as fossas, um novo matadouro, oficinas públicas
provinciais, um asilo de idosos e o policlínico ferroviário. Como
parte deste plano se concretizou também a construção de um mercado frigorífico
e fábrica de gelo de características idênticas às que foram construídas
em outras cidades médias como Curuzú Cuatiá, Esquina, Mercedes, etc.;
a modernização e ampliação do balneário local, e a criação do parque ribeirinho
José de San Martín. Este
parque, de cerca de 20 hectares, se complementou com a realização do terrapleno
e calçamento da avenida costeira, encerrando-se assim um vasto plano de
infraestrutura e embelezamento da cidade (20). Mas
sem dúvida, não pode deixar-se de assinalar a influência decisiva que
tem tido no traçado e na vida urbana de Monte Caseros a instalação das
oficinas ferroviárias e das unidades militares. As
oficinas ferroviárias originais instaladas em Monte Caseros pertenciam
ao Ferrocarril Nordeste Argentino. Este foi fundindo-se sucessivamente
com o Ferrocarril Entre Ríos; o Ferrocarril Central de Buenos Aires, até
integrar-se finalmente no Ferrocarril General Urquiza. Na
década do cinqüenta houve um grande redimensionamento destas oficinas,
as quais começaram a efetuar reparações maiores em máquinas e vagões,
tais como fundição e construção de peças, torneamento do material rodante,
construção de vagões de carga e passageiros, armazenagem e provisão de
insumos a locomotivas e vagões, construção de sinalizações, aberturas
e estruturas para estações, pequenas casas para habitações, canos e dutos
de cimento, ou seja, tudo que se refere à manutenção dos trens que faziam
o percurso até Posadas (Missões) e a capital de Corrientes. Estas
oficinas que chegaram a ter entre 1200 e 1300 operários nesta e nas décadas
subseqüentes, dinamizaram a economia local e deram origem a um populoso
bairro no entorno de suas instalações. O final de suas atividades ocorreu
durante a década de noventa, e o conseqüente desemprego de funcionários
provocaria um impacto devastador na vida de Monte Caseros (21). Os
grandes quartéis militares de Monte Caseros, que incluíam em suas imediações
um extenso bairro de suboficiais, estão situados fora da cidade, no caminho
que vai para o antigo porto do Ceibo. A atual guarnição se assentou em
Monte Caseros em 1943 como um batalhão avançado do regimento de Gualeguaychú
(Entre Ríos), e em 1947 se instalou no prédio da Companhia de Engenheiros
nº 3. Monte
Caseros tem também um destacamento da Guarda Nacional desde a década do
quarenta, uma delegacia da polícia federal, e é sede de uma unidade da
Prefeitura Naval, cuja permanência se remonta ao ano 1882 (22). O
grande conjunto de famílias dependentes diretamente das forças de segurança
aqui instaladas, tem tido e mantém um peso decisivo na vida econômica
da cidade, e os conjuntos habitacionais ligados a elas formam parte indissociável
da paisagem urbana. Situação
e problemática atual da cidade Como
foi expresso em passagens anteriores, Monte Caseros é uma cidade que por
seu processo histórico, sua configuração urbana inicial e sua expansão
posterior tem suas próprias características particulares que a distingue
das demais cidades médias correntinas. É
uma cidade que devido a sua implantação ocorrida entre 1870 e 1875 e a
sua induzida expansão até o oeste, ficou com seu centro cívico muito separado
do centro comercial que se estende ao longo da Avenida Alvear, e suas
principais instituições públicas e religiosas hoje se encontram dispersas
e algo distanciadas umas das outras. Dentro
de suas particularidades se sobressai um traçado de ruas excessivamente
amplas para uma cidade mediana o qual deixa à primeira vista a impressão
de estar ante uma cidade de reduzida população e escasso trânsito. Estas
características atrasaram em grande medida a pavimentação de suas artérias,
mas uma vez realizadas as obras, os amplos espaços verdes dos canteiros
centrais foram criteriosamente arborizados, oferecendo com isso uma visualização
muita colorida e prolixa da área central da cidade. Na
atualidade existem dentro da cidade dois setores bem diferenciados do
núcleo urbano central. Um deles é o que surgiu logo após o traslado da
estação ferroviária para oeste da cidade, onde graças à instalação das
grandes oficinas ferroviárias, se foi conformando nos arredores um conglomerado
urbano dependente desta fonte de trabalho, o qual, delimitado pelo perímetro
das vias, adquiriu e ainda mantém características próprias. Este
setor não está integrado nem física nem visualmente à cidade devido aos
galpões e muros que impedem uma comunicação natural. Mesmo diante do fechamento
das oficinas e do declínio do transporte ferroviário desde o início desta
década, este setor se conserva povoado e, como o restante da cidade, conta
com todos os serviços. Existe
outra zona povoada situada à beira do caminho que vai para o velho porto
"El Ceibo", a 5 km da cidade, onde, nas adjacências das instalações
militares, pode se observar um importante bairro ocupado pelo pessoal
do Exército. Finalmente, e seguindo o mesmo trajeto, se encontra um antigo
casario que no passado relacionava-se com as atividades portuárias, que
está ainda habitado, mas em franca decadência dada sua distância em relação
ao centro. Atualmente,
tanto a construção de bairros planejados como de escolas e indústrias
acontece junto ao acesso a Monte Caseros (estrada provincial Nº122) já
que esta orientação é a mais razoável para a expansão da cidade. Monte
Caseros é uma cidade que também se distingue das outras cidades médias
pela limpeza e beleza da via pública, pelo esmerado cuidado de espaços
verdes e edificação, e por estar a área urbanizada coberta com a totalidade
dos serviços públicos, chegando ao ponto de até mesmo as áreas periféricas
contarem com fossas, ruas pavimentadas e coleta de lixo. O
fechamento das oficinas ferroviárias repercutiu seriamente na vida da
cidade pois empregavam uma significativa fração da população. Hoje as
fontes de trabalho mais importantes emanam da administração pública, da
produção e da industrialização de cítricos, dos arrozais, e em menor medida
da pecuária, ainda que o turismo da temporada estival represente hoje
uma alternativa de crescimento dada a beleza natural do balneário local.
Neste sentido, devem ser destacados os planos municipais para terminar
e entregar em concessão as grandes instalações do hotel de turismo que
ficou inconcluso na década de setenta. O
transporte fluvial até o alto e o baixo Uruguai desapareceu e o porto
El Ceibo está abandonado, mas se tem incrementado o tráfego até Bella
Unión, na margem oposta do Uruguai, levando ao paulatino entrelaçamento
comercial e cultural de ambas populações. Atualmente,
a terrestre é a principal via de comunicação de Monte Caseros com o resto
do país, já que seu aeroporto está inativo há vários anos. A estrada de
ferro mesopotâmica circula ocasionalmente com cargas, mas o grosso do
transporte se realiza pela da estrada nº 122, que se articula com a estrada
nacional nº 14. A distância que separa Monte Caseros desta importante
rodovia é de 34 km., colocando a cidade praticamente à margem do circuito
comercial e do próprio transporte de passageiros, tendo por isso que pagar
seus habitantes tarifas extras por mercadorias e passagens de ônibus (23). Considerações
finais Monte
Caseros surgiu na mesma época e pelos mesmos motivos que outras cidades
correntinas – para consolidar as fronteiras da província, neste caso de
seu setor sudeste à margem direita do rio Uruguai. Foi
fundado em 1829 com o mesmo nome que até então havia tido este local (Paso
dos Higos), tornando-se em 1855 Monte Caseros, oportunidade onde aconteceu
a refundação da cidade, logo após o governo da província resolver a questão
jurisdicional. Entre
1870 e 1875 Monte Caseros sofreu intervenção na malha urbana, que foi
acompanhado por uma realocação de seu centro cívico, tarefa esta concluída
ao mesmo tempo em que a vila se converteu em final dos trilhos da primeira
linha ferroviária que penetrava na província. Esta conjunção de obras,
que induziu a vinda de um importante contingente de imigrantes, transformou
notavelmente a paisagem urbana da vila, já que a partir deste momento
se iniciou uma forte etapa de aumento populacional e edilício. Monte
Caseros, que já possuía a peculiar característica de um projeto urbano
generoso em espaços, sofreria uma nova transformação de sua fisionomia
quando no início do século XX se inaugurou uma nova estação e grandes
oficinas ferroviárias que reorientaram a urbanização até o oeste de sua
malha urbana. Como
conseqüência destas alterações, ainda hoje pode se apreciar rapidamente
a virtual desconexão de dois sectores situados de um e outro lado do complexo
ferroviário, em distância equivalente à que separa o centro cívico do
centro comercial da cidade. Apesar destas disfunções, da onerosa manutenção
das ruas excessivamente largas e do colapso produzido pelo recente fechamento
das oficinas que davam serviço para uma boa parte da população local,
Monte Caseros oferece hoje a imagem de uma cidade saneada, bem organizada
e cuidadosamente atendida tanto por suas autoridades como por seus habitantes. Não
se equivocava, portanto, o cronista correntino Benjamín Serrano quando
afirmava no início do século XX que a sociedade de Monte Caseros tinha
"acentuadas modalidades e tendências de cultura". Ele já havia
notado algumas particularidades no componente humano desta cidade, que
a tornavam substancialmente diferente das demais comunidades correntinas. É
que a princípios do século XX mais do 50% da população de Monte Caseros
era de origem ou ascendência européia. Aqui se mesclaram os vascos, galegos
e valencianos da Espanha, lombardos, genoveses e sicilianos de Itália,
com ingleses, franceses, alemães, e também vizinhos brasileiros e uruguaios,
que foram conformando uma sociedade distinta do resto da população de
Corrientes. Isto
ainda se percebe no tipo físico do montecasereño, em seus costumes e hábitos,
em suas maneiras e em seu modo de falar. O habitante desta cidade não
tem o típico acento guarani tão marcado entre outros habitantes da província,
fala um castelhano limpo de entonações, e se alguma se percebe, esta é
mais semelhante à que se escuta entre os naturais do interior uruguaio. Por
certo, os residentes de Monte Caseros têm um fluido e amistoso contacto
com seus vizinhos da cidade de Bella Unión, com os quais compartilham
festas nacionais ou comunais, atividades desportivas e um ativo intercâmbio
comercial e cultural. Os canais de televisão de Uruguai fazem parte da
programação cotidiana nos lares de Monte Caseros, e alguns efeitos desta
proximidade podem ser notados na adoção de costumes tipicamente uruguaias,
como por exemplo as de antepor nomes saxões aos sobrenomes castelhanos. O
habitante de Monte Caseros tem em geral boas maneiras, é prolixo para
construir sus habitações, está orgulhoso de sua cidade e possui um desenvolvido
sentido da ordem e do asseio urbano, virtude que pode ser comprovada na
cuidadosa manutenção de jardins domésticos e espaços públicos, e no cotidiano
cuidado de calçadas e ruas pela própria população (24). Hoje
a cidade busca com afinco sair da letargia dos anos noventa diversificando
a entrada de recursos através do turismo estival, opção que se apresenta
com boas perspectivas e cujos promissores resultados se tem evidenciado
em outras cidades correntinas que atravessaram recentemente por períodos
similares de estagnação (25). Notas 1 2
3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 Bibliografía e fontes utilizadas CONI, Emilio R. La Provincia de Corrientes (República Argentina). Descripción General, Higienización, Saneamiento, Profilaxia Práctica, Climatología Médica, Epidemiología, Demografía y Estadística Sanitaria, Asistencia Pública y Beneficencia, Etc. Buenos Aires. Coni. 1898. DE BOSINI, José Francisco. Guía General de la Provincia de Corrientes. Años 1934-1935. Corrientes. Imprenta del Estado. 1934. GALANTINI Washington. Reseña Histórica de Monte Caseros. En: Revista Monte Caseros. Cuadernos para su Historia. Junta de estudios históricos de Monte Caseros. Vol 6. 1995. GOMEZ, Hernán. Divisiones Administrativas, Judiciales y Municipales de la Provincia de Corrientes. Corrientes. 1929. GOMEZ, Hernán: Apuntes Sobre la Fundación de Monte Caseros. Publicación del gobierno de la provincia con motivo del centenario de la fundación de Monte Caseros. Corrientes. Imprenta del Estado. 1929. MAEDER, Ernesto J. y GUTIERREZ, Ramón. Atlas Histórico del Nordeste Argentino. Resistencia, Instituto de Investigaciones Geohistóricas. CONICET-FUNDANORD. Universidad Nacional del Nordeste (UNNE), 1995. 197 pp MANTILLA, Manuel Florencio. Crónica Histórica de la provincia de Corrientes. Buenos Aires. 1928. 2 tomos. PALMA, Federico. Historia de Corrientes y sus Pueblos. En Historia Argentina Contemporánea. Buenos Aires. 1969. T IV. PEREZ, María Emilia. La Red Vial y las Comunicaciones Terrestres en Corrientes. Origen y Evolución. 1588-1898. Cuaderno de Geohistoria Regional Nº10. Resistencia. CONICET-FUNDANORD. 1984. SCHALLER, Enrique C. La División Departamental de la Provincia de Corrientes en el Siglo XIX. En XVI Encuentro de Geohistoria Regional. Resistencia. IIGHI.1996. SERRANO, Benjamín P. Guía General de la Provincia de Corrientes. Corrientes. 1901. SERRANO, Benjamín P. Guía General de la Provincia de Corrientes. Corrientes. 1910. Fuentes periodísticas Monte Caseros (1897-1898) El Demócrata, El Observador y El Eco del Sud de Monte Caseros para el período 1876-1900; Revista Monte Caseros. Cuadernos para su Historia. Junta de estudios históricos de Monte Caseros. Volúmenes varios. 1995-1997. Revista Oficial de la Prefectura Naval Argentina Guardacostas. Edición especial nº 80. Buenos Aires. Chulca Impresora. Diciembre de 1994. Publicaciones oficiales y censos REPUBLICA ARGENTINA. Censo Nacional de 1869. DE LA FUENTE, Diego; CARRASCO, Gabriel; MARTINEZ, Alberto. Segundo Censo de la República Argentina. Mayo 10 de 1895, Tomo III. Censos Complementarios. Buenos Aires. 1898. REPUBLICA ARGENTINA. Tercer Censo Nacional de 1914. Bs.As. Talleres Gráficos Rosso. 1917. REPUBLICA ARGENTINA. Censos nacionales de población y vivienda correspondientes a los años 1947, 1960, 1970, 1980 y 1991. CORRIENTES. Registro Oficial de la Provincia de Corrientes, años 1860 a 1930. CORRIENTES. Memoria correspondiente al período de gobierno del gobernador J. Filomeno Velazco. 1949-1952. Corrientes. Imp. del Estado. 1952. CORRIENTES. Informe Coyuntural de las Estructuras Urbanas en la Provincia de Corrientes. Corrientes. Gobierno de Corrientes. Subsecretaría de Obras Públicas. Departamento de Planeamiento Urbano. Tomos I a IV. 1967. CORRIENTES. Lineamientos para las políticas de desarrollo urbano de la provincia de Corrientes (1978-1980). Tomo II. Gobierno de Corrientes. Corrientes. Editorial Nueva Etapa. 1981. Fontes inéditas (Archivo General de la Provincia de Corrientes (A.G.P.C.) Y Archivos de la ciudad de Monte Caseros) A.G.P.C. Censos inéditos, provinciales y municipales (Años varios). A.G.P.C. Expedientes Administrativos (Sala Manuel Mantilla). A.G.P.C. Carpetas de pueblos de Corrientes. Legajos varios. Sala Manuel Mantilla. A.G.P.C. Planos y Croquis de los Municipios de Corrientes. (Sala Manuel Mantilla) Documentos Municipales, planos y croquis de la ciudad de Monte Caseros. Archivo Municipal Planos Catastrales y de Obras Públicas de la Ciudad de Monte Caseros correspondientes a los años 1933, 1934, 1967, 1979, 1988, 1993, 1997 y 1999. Proporcionados por las Direcciones de Catastro y de Obras Públicas de esta municipalidad. Informação elaborada e cedida pelo prefeito de Monte Caseros, Dr. Eduardo Lionel Galantini, sobre a situação da cidade durante a década de noventa. Informação cedida por entidades sociais, culturais e desportivas da cdade de Monte Caseros. Ordenanças e Resoluções municipais de Monte Caseros, anos 1990 a 1998. Levantamento documental e fotográfico próprio realizado em Monte Caseros no transcurso do ano 1999. |
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