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| Roberto
Cerqueira César (1917–2003) Gilberto Belleza |
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| Gilberto
Belleza é arquiteto, mestre e doutorando pela
FAU-USP, professor de TFG da FAU MACKENZIE, sócio diretor do escritório
G. Belleza, M. Pereira & M. C. Batalha Arquitetos
Associados, e presidente do IAB-SP e vice-presidente nacional do IAB. |
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Faleceu
no ultimo dia 25 de junho o engenheiro arquiteto Roberto Cerqueira César. Roberto
Cerqueira César (São Paulo, 1917) era formado engenheiro arquiteto pela
Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e era o único remanescente
que assinou a ata de fundação do Departamento de São Paulo do Instituto
de Arquitetos do Brasil em 1943. Trabalhou
e foi sócio de Rino Levi desde sua formação, sendo um dos mais importantes
arquitetos que participaram da introdução da arquitetura moderna em São
Paulo. Foi
professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e teve importante
participação junto à atividade publica; primeiro Presidente da EMURB –
Empresa Municipal de Urbanização, primeiro Presidente da
COGEP – Coordenadoria Geral de Planejamento, depois SEMPLA –
Secretaria Municipal de Planejamento de São Paulo, e primeiro Secretario
Estadual de Negócios Metropolitanos de São Paulo, entre outros. Como
sócio do escritório Rino Levi teve a participação em vários trabalhos
que marcaram a arquitetura Paulista e Brasileira, entre eles, o Edifício
Prudência, o Teatro Cultura Artística, o cine Ipiranga, o Hospital Albert
Einstein, o Hospital do Câncer, o Centro Cívico de Santo André e a Sede
da Fiesp na Avenida Paulista, além do terceiro lugar no Concurso de Brasília. Tive
pessoalmente a oportunidade de trabalhar com ele, Dr. Roberto como o chamávamos,
ou também “Robertão” como também era conhecido,
por sua presença e impostação de voz grossa, era uma pessoa incrível.
Acho que era um dos poucos exemplos ainda que tinham uma completa atuação
de arquiteto. Lembro de quando trabalhava com ele no escritório Rino Levi,
naquelas grandes pranchetas elevadas, ficava fascinado com sua dedicação
e entusiasmo ao projeto, qualquer que fosse ele. Sentava-se na sua cadeira,
com sua lapiseira leve de alumínio, de grafite grossa e já sem cor de
tanto uso, e desenhava tudo referente ao projeto. Desenvolvia todo o projeto
e avançava até nos detalhes de banheiro, que muitos grandes profissionais
não querem nem saber como serão resolvidos. Lembro
me quando projetava o auditório do SESI de Osasco, foi o responsável por
tudo. Desenhou o auditório, calculou todos assentos, todo o projeto acústico
com as placas reverberadoras e suas inclinações
alcançadas após rigoroso estudo de reverberação do som, a luminotécnica, após estudo de cada ponto e seu alcance geral,
enfim tudo seria resolvido por seu desenho. Era uma atividade que fascinava
os jovens pelo conhecimento e pela dedicação. Quando digo que teve uma
atuação completa como arquiteto é porque esse tipo de atuação se deu em
várias frentes e sempre com muita qualidade. Dessa mesma maneira atuou
em planejamento, junto com Rino no famoso projeto de Brasília que obteve
o terceiro lugar e foi o mais ousado em tecnologia e avanço, além do importante
papel como dirigente publico sendo o responsável pela criação dos primeiros
organismos de planejamento da cidade de São Paulo. Atuou
também na área de ensino como professor da FAU-USP e depois na FAU da
UnB, e foi um dos fundadores do IAB-SP em 1943
e um dos autores de nossa sede, onde sempre participou e onde foi candidato
a presidente, numa grande disputa com Pedro Paulo de Melo Saraiva. Foi várias vezes homenageado pelo IAB, a mais recente, em 2002,
recebida por sua filha pelo tombamento de nossa sede. Enfim teve uma atuação completa, honrando sempre nossa profissão, e valorizando
sempre nosso trabalho. Uma
das últimas recordações que tenho de Roberto Cerqueira César foi
no Concurso para o Centro Cívico de Votorantim, um concurso organizado pelo IAB. Quando cheguei
na cidade para conhecê-la, com um grupo jovem de colegas da equipe, encontrei-o
com Paulo Bruna, também
vistoriando o local, e ele me viu e me apontou, de maneira muito brincalhona,
a direção errada do local a ser desenvolvido o concurso, dizendo e rindo
: “É por ali”. Fiquei
muito em duvida de escrever um depoimento tão pessoal assim, mas no fim
aceitei como uma necessária informação aos mais jovens de como nossa profissão
poderia ser exercida em toda sua plenitude, com competência, qualidade
e preocupação profissional. |
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