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| Novas
tecnologias versus desenvolvimento urbano Roberta Nascimento Saint Clair dos Santos |
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| Roberta Nascimento Saint Clair dos Santos é arquiteta e urbanista, pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ | ||||||||||||||||||||||||||||
O
grande desenvolvimento das tecnologias, principalmente na área das telecomunicações
vem causando sucessivas modificações não só nas formas de comunicação,
mas também nas relações de trabalho, comércio e no convívio social. É
através da abordagem do espaço virtual que estão surgindo às novas formas
de relações sociais. É certo, que os nossos relacionamentos primários
– com os filhos, empregados e agregados – continuarão intensos e baseados
no cara a cara doméstico. Mas todos os demais tipos de relacionamento
– em especial aqueles ligados à vida profissional – deverão passar por
mudanças afetadas de alguma forma pelas novas tecnologias. Sendo a cidade
o abrigo de nossas vidas, de nossas relações sociais, é inevitável que
as absorva e acabe também, sofrendo modificações. Assim,
uma das primeiras perguntas que podemos fazer ao pensar a relação das
novas tecnologias com a formação dos espaços urbanos, é até que ponto elas interferem ou podem vir a interferir nessa
formação. Há quem acredite que o avanço das tecnologias pode transformar
as cidades em ‘cidades fantasmas’. Mas até que ponto bastaria apenas o
avanço das tecnologias para que uma cidade, cheia de vida e movimento,
venha a se transformar em uma cidade fantasma, substituindo os deslocamentos
físicos pelos virtuais? É
fato que como seres humanos temos a necessidade do contato físico. Não
há ainda nada que substitua o prazer e o enriquecimento que podemos obter
com a convivência em espaços urbanos acolhedores (2). Com isso, podemos
dizer que, embora não seja imperativo, o lugar continuará existindo e
tendo o seu poder, sua atratividade e mesmo a sua necessidade. Talvez
então, a transformação lenta das cidades atuais em cidades fantasmas que
alguns estão prevendo nem venha a acontecer, mas o fato é que o simples
questionamento de sua possibilidade já serve para nos responder a uma
questão: hoje as novas tecnologias são, sem sombra de dúvida, um agente
urbano importante ao se pensar na formação e transformação dos espaços
urbanos, que sofrem também com a influência direta de outros agentes,
como é o caso da violência. Ao
observar o passado, podemos encontrar nele a causa para a maioria dos
problemas urbanos encontrados no Brasil hoje. A história da evolução do
urbanismo e da arquitetura no Brasil culmina na vontade atual de superar
o Modernismo, vontade essa que ainda esbarra e gera problemas que não
foram resolvidos pelo próprio modernismo. É
possível dizer, que o início da desorganização urbana no Brasil, se dá
com as capitanias hereditárias, que não foram nada mais do que uma forma
rápida, mas irresponsável, de resolver o problema de ocupação territorial
do Brasil. Quase o que acontece hoje com a telefonia, as comunicações
e outras. O que Portugal não viu e que continuou sem importância foi que
sem a presença do Estado não há controle. Hoje nos encontramos em meio
a um caos urbano. A violência assola a maioria das grandes cidades, que
ainda tem que enfrentar problemas de infra-estrutura e população. Os
problemas urbanos no Brasil “[...] não foram equacionados corretamente:
um poder público despreparado para enfrentar a nova situação regia-se
sobretudo pelos interesses imediatos dos agentes economicamente
dependentes do processo de produção da cidade – como promotores imobiliários,
loteadores, empresários de ônibus, indústria automobilística e empreiteiros
de obras públicas - ,mesmo quando uma burocracia estatal emergente ligada
ao planejamento urbano propunha, no nível da retórica ou mesmo de planos
natimortos, diretrizes que buscavam equacionar a longo prazo os problemas
das cidades” (3). Já
é possível observar hoje um movimento de saída dos grandes centros em
busca de cidades menores que ofereçam uma melhor qualidade de vida. Essa
migração esta ocorrendo principalmente por parte de uma população mais
abastada, com melhores condições e por tanto com um maior mobilidade,
que de posse das ‘novas tecnologias’, abre mão de morar em um grande centro
e se muda para uma cidade que na hierarquia das cidades é mais baixa que
a sua de origem. Mas
porque se acredita que as novas tecnologias são um fator importante? A
resposta é simples, com as novas tecnologias é possível encurtar distâncias,
é possível ter acesso a tudo que se deixou para trás na cidade grande
sem grandes dificuldades. Com a nova realidade, o lugar já não importa
mais, não traz nenhuma imposição, basta que o local esteja eletronicamente
interconectado. O lugar de trabalho, por exemplo, pode ser a residência.
Isto é, pode voltar a ser a casa, como já aconteceu no passado, antes
da Revolução Industrial. E essa transformação simples já está acontecendo
em muitos lares (4). Um
exemplo dessas migrações pode ser observado na cidade do Rio de Janeiro,
que atualmente vem sofrendo bastante com a ação pesada dos agentes urbanos,
principalmente a violência, o que leva a cidade a passar exatamente por
esse processo de esvaziamento, para não dizer fuga, da população para
cidades menores perto do Rio, como é o caso das cidades da região serrana
do estado do Rio. A
contra urbanização e a cidade Imperial de Petrópolis Nos
últimos anos, muita atenção se tem dado à questão do desenvolvimento urbano,
principalmente nos grandes centros que a cada dia sofrem mais com os problemas gerados pelo descaso
com que a prática do urbanismo tinha sido tratada até agora. Colocando
as discussões sobre os diferentes pontos de vista que envolvem o assunto
à parte, é inevitável a seguinte pergunta: Que tipo de desenvolvimento
urbano vem sendo realizado no Brasil? De
certa forma, podemos dizer que um novo modo de desenvolvimento já vem
sendo posto em prática. Pouco a pouco, os chamados movimentos pendulares,
deslocamento da população para ir trabalhar ou ter lazer em um local diferente
de onde tem a sua residência, começam a diminuir. É cada vez mais comum
ver pessoas optando por trabalhar próximas ao seu local de trabalho ou
vice-versa, fugindo assim dos congestionamentos e ganhando tempo para
praticar exercícios e outras atividades. Procurando uma melhor qualidade
de vida. É
justamente essa busca pela qualidade de vida que movimenta esse modo novo
e ao mesmo tempo gera também indícios de um movimento para a criação de
um outro modo de desenvolvimento paralelo a este novo. Desiludidas com
a cidade grande, que mesmo com mudanças não atende mais a todas as suas
expectativas, uma parte da população começa lentamente
a buscar sua qualidade de vida fora dos grandes centros urbanos. Essas
migrações podem ser chamadas de contra-urbanização, que segundo Alberto
Jakob, seria um êxodo em grande escala dos cidadãos, com melhores condições
financeiras, da cidade para povoados menores e regiões rurais, em parte
devido aos impactos negativos de crescimento da cidade; o que estaria
levando a uma polarização sócio-espacial e a um enfraquecimento do capital
humano das cidades. Este autor coloca também que as famílias que possuem
crianças em idade escolar formam a força primária na contra-urbanização,
em sua busca por casas maiores e mais espaço (5). Esse
é o caso da cidade de Petrópolis, cuja proximidade com a cidade do Rio
de janeiro e sua localização privilegiada - é ligada, através da rodovia
federal BR-040, às principais estradas de escoamento de produção do Brasil
e além do acesso à região Metropolitana do Rio de Janeiro e à Juiz de
Fora e Belo Horizonte, em Minas Gerais, conta ainda com o entroncamento
da BR-393 no município vizinho de Três Rios, possibilitando o acesso a
São Paulo e também ao Nordeste do Brasil – a torna um dos alvos das migrações. Com
uma breve pesquisa nos distritos de Petrópolis é possível observar, principalmente
em Itaipava, que eles apresentam um crescimento cada vez mais significativo
de moradores residentes e não só veranistas. Essa observação traz junto com ela algumas perguntas
fundamentais para os questionamentos aqui expostos: serão essas pessoas
realmente oriundas da cidade do Rio de Janeiro? Se sim, por que elas resolveram
se mudar? É
um fato, que a vocação econômica natural de Petrópolis em abrigar setores
de tecnologia de ponta, o interesse dos administradores públicos em levar
essas potencialidades à frente e a proximidade com a cidade do Rio de
Janeiro, atraem cada vez mais pessoas para cidade e muitas delas são sim
do Rio de Janeiro, porque encontram na cidade imperial o lugar ideal para
obter a qualidade de vida que procuram, sem com isso abandonar de vez
o Rio de Janeiro. No
entanto é necessário ainda, um estudo mais profundo para avaliar até que
ponto a contra urbanização Rio-Petrópolis já existe e que influências
ela pode trazer para a cidade Imperial, já que essas migrações podem gerar
um novo tipo de organização urbana. Um novo modelo diferente do que temos
no Rio, já que essas pessoas se mudam justamente por rejeitarem o modelo
implantado atualmente no Rio (6). Notas 1 2 3 4 5 6 |
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