![]() |
![]() |
|
||||||||||||||||||||||||||||
| Uma
rápida avaliação do II encontro do DOCOMOMO São Paulo (editorial) Ademir Pereira dos Santos |
||||||||||||||||||||||||||||
| Arquiteto pela UEL em 1986, doutor pela FAUUSP, é professor da UNITAU, Universidade de Taubaté e coordenou a organização do II Encontro Docomomo SP |
||||||||||||||||||||||||||||
|
O II Encontro DOCOMOMO
SP, realizado em Taubaté de 6 a 9 de novembro último, pelo Departamento
de Arquitetura da UNITAU, cumpriu o papel de continuar a montagem da rede
de colaboradores, reunindo estudiosos, profissionais, instituições e ativistas
em torno da documentação e da conservação da memória do movimento moderno
no Estado de São Paulo. Possibilitou também, a troca de idéias e dessa
forma, constituiu-se num momento importante para a atuação do Docomomo
entre nós. Ao comentar estes aspectos do evento, apresentaremos a seguir,
algumas das observações e propostas que surgiram nas mesas formais do
evento, bem como nos cafés, nos corredores, nos bares... Relicário paralelo
onde borbulham comentários e contribuições valiosas. O
II Seminário promovido pelo Grupo de Trabalho do Vale do Paraíba e Alto
Tietê (GTVPAT) durante o Encontro Estadual teve como tema "O moderno
e os modernismos no Estado de São Paulo". Buscou a montagem de um
panorama representativo do que se investiga nas instituições paulistas
e obteve-se uma boa receptividade junto aos cursos de graduação e programas
de pós-graduação. Neste aspecto o Docomomo ampliou o raio de abrangência
no Estado e o Seminário parte agora para a sua afirmação como um fórum
específico no calendário acadêmico paulista. Essa condição será confirmada
na sua próxima edição, provavelmente em Mogi da Cruzes, promovido pelo
curso de Arquitetura e Urbanismo da UBC, Universidade Braz Cubas. Pretende-se
então, consolidar o evento como catalisador e que tem como característica
principal, a reunião, lado a lado, de experientes pesquisadores com iniciantes,
estudantes de mestrado e doutorado. Notou-se que a implantação de programas
de iniciação científica nas universidades repercutiu no seminário, ampliando
esse convívio. A interação resultante desse encontro tem proporcionado
um ambiente estimulante, resultando na ampliação do interesse pelo estudo,
pela documentação e pela ação preservacionista do legado moderno. Surge
assim, como uma evidente tarefa para o Docomomo, aprimorar o formato do
evento para que seja aproveitado esse potencial mobilizador que o estudo
da modernidade possui, fazendo como que o Docomomo se firme como referência
de uma entidade atuante. Os
trabalhos apresentados evidenciaram objetos e modalidades de pesquisas
marcados por esforços historiográficos, tematizando acervos de arquitetos,
de cidades, bem como o estudo aprofundado de setores de uma cidade ou
de apenas uma edificação. Nesta edição do Arquitextos são publicados com
exclusividade, três trabalhos representativos do evento. O paisagismo,
as artes plásticas e o design, tal como no I Seminário (1998), fizeram-se
presentes como tema de trabalhos de grande importância para alargar os
horizontes da compreensão do modernismo em São Paulo. Por
outro lado, percebeu-se grosso modo, que se prefere o estudo da produção
dos "modernos" à dos "modernismos", fato que revela
um certo apego à uma versão oficial e grandiosa que permeia a historiografia
do movimento moderno no Brasil. Ela se manifesta no estudo de obras canônicas
ou na produção de arquitetos recorrentes. Situação que delineia um vasto
caminho para se percorrer, e que extensas terras virgens nos separam da
compreensão dos contornos da modernidade no Estado de São Paulo, principalmente
a amplitude social, política e antropológica que assumiu no interior e
nos arrabaldes industrializados da metrópole paulistana. É
necessário fazer um breve relato sobre as homenagens e os lançamentos
de livros (Biblioteca Docomomo), iniciando pela mesa "Centenário
de Lúcio Costa", que reuniu na abertura do evento, o depoimento de
Alberto Xavier, a apresentação da tese de doutoramento de Abílio Guerra
(IFCH-Unicamp) e do livro de Guilherme Wisnik (Cosac & Naify). Foram
três falas reveladoras sobre a obra e o lugar ocupado pelo arquiteto na
história da Arquitetura brasileira. Miguel Forte, o segundo arquiteto
homenageado, falecido dias antes de receber nosso convite, foi o tema
de Mônica Junqueira de Camargo, autora da apresentação do livro "Diário
de um jovem arquiteto", onde Forte registrou sua viagem pelos EUA
no ano de 1947. A trajetória de Eduardo Corona, terceiro homenageado,
foi o tema da palestra de Antônio Gameiro, antigo colaborador e sócio
do arquiteto-professor. Corona faleceu dias antes de ver editado seu último
livro, intitulado Oscar Niemeyer: uma lição de arquitetura. Complementou
essas homenagens, o lançamento de Rino Levi: arquitetura e cidade
(de Renato Anelli, Abílio Guerra e Nelson Kon), de Os rumos da cidade:
urbanismo e modernização em São Paulo (de Candido Malta Campos) e
de Urbanismo sanitário de São José dos Campos (de Ana Sousa e Laerte
Soares). Os autores apresentaram além do conteúdo dos livros, o trabalho
de pesquisa que demandou a edição das obras, constituindo-se num relato
de grande interesse metodológico. No
que diz respeito à organização do Docomomo, o II Encontro SP teve como
objetivo principal, preparar o próximo Seminário Nacional, que será realizado
no segundo semestre de 2003, pelo Departamento de Arquitetura e Urbanismo
da Escola de Engenharia de São Carlos, EESC-USP. Num horizonte não muito
distante, vislumbra-se também a próxima Conferência Internacional, prevista
para Nova York em 2004. A participação do coordenador do Docomomo Brasil,
Hugo Segawa e da secretária Mirthes Baffi, foram fundamentais para apresentar
aos presentes, a posição de relativo prestígio da organização brasileira
e os resultados da Conferência Internacional realizada em Paris no último
mês setembro. Uma repercussão imediata do reconhecimento da importância
da participação efetiva foram as novas adesões que ampliaram o quadro
de associados no Estado. Quanto à organização do Docomomo em São Paulo e no Brasil, o encontro de Taubaté apontou para importância do Seminário Nacional de 2003 em São Carlos, como momento bastante propício para se fortalecer a entidade e dar um salto qualitativo na sua organização. No plano local, ficou evidente para o GTVPAT, a quem coube a organização do evento, que o apoio do Departamento de Arquitetura da Universidade de Taubaté representou o começo de uma nova fase para as atividades do grupo, em especial para suas atividades de documentação e de defesa das obras modernas que promove na região desde o início de suas atividades em 1997. |
|
|||||||||||||||||||||||||||
| | 031 | 031.01 | 031.02 | 031.03 | Autor | Assunto | Números | Página principal | Expediente | Vitruvius | | ||||||||||||||||||||||||||||