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| Mostras
de design da V BIA (editorial) Ethel Leon |
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| Ethel Leon é jornalista, editora da revista Design Belas Artes e curadora da Mostra de Design da próxima 5ª BIA – Mostra Internacional de Arquitetura e Design de São Paulo |
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Com
o tema Metrópole, o mesmo da Bienal de Artes, a V Bienal Internacional
de Arquitetura de São Paulo incorpora o design como campo autônomo. As
exposições de arquitetura seguem um padrão que privilegia a produção autoral,
além de apresentar mostras institucionais. No
design, a organização será feita seguindo critérios temáticos e não autorais.
O tema Metrópole se desdobra em quatro áreas:
Com
esse temário, a intenção foi demarcar um campo do design integrado à V
BIA. Não parece o caso de investigar utensílios domésticos, espaços de
trabalho, artesanato/design e outras questões, que vêm recebendo a atenção
de museus e centros culturais. Aqui, o que vale é perguntar que tipo de
contribuição o design pode dar às cidades. A
idéia também foi, num primeiro momento, abrir uma grande área de atuação
e fechar, na seqüência, em alguns interesses mais específicos, fazendo
convergir as mostras de algumas representações nacionais, algumas exposições
institucionais às mostras especiais determinadas pela V BIA. Desse
modo, dentro do item transporte urbano, ganha grande dimensão uma exposição
de bicicletas que se prestará a um duplo exame: o design dos objetos nos
últimos anos e as inovações de materiais; e as alternativas construídas
por várias cidades de transporte individual integrado a meios de transporte
público. Desse modo, interessa pensar não apenas o objeto, mas a ciclovia,
os estacionamentos, as alternativas de integração com ônibus, metrôs e
trens. Claramente
essa é uma postura política, de combate ao automóvel como veículo urbano
individual e deve ser montada visando ao debate da mobilidade sustentável. Na
mostra de mobiliário urbano, além de apresentar o estado da arte das grandes
empresas produtoras de móveis de serviços, financiados por vultosos contratos
publicitários, a mostra da Bienal deve procurar aqueles objetos que estimulam
a convivialidade nas cidades e que são, muitas vezes, produtos de encomendas
públicas em localidades específicas. Atenção
especial ganham os playgrounds e brinquedos públicos. O Brasil é um país
com uma grande base de pirâmide demográfica. Brinquedos públicos são uma
necessidade de primeira importância. Uma mostra com função prospectiva
e didática pode ser montada no próprio parque. As belíssimas esculturas
lúdicas ou brinquedos escultóricos da arquiteta Elvira de Almeida poderão
ser montados no Parque do Ibirapuera. Alguns outros arquitetos e algumas
empresas dedicadas a brinquedos públicos serão convidados a apresentar
seus produtos. Mostras especiais
Além dessas áreas de trabalho, o design deve ter três mostras especiais internacionais. A primeira delas, já decidida, é de Paul Mijksenaar, titular do grupo holandês responsável, entre outros, pela sinalização dos aeroportos de Schipol (Amsterdã) e JFK, La Guardia e Newark em Nova York. Dois
designers de grande projeção internacional e que adotam perspectivas bem
diferentes, seja de escala, de visão sobre o que é design, sua relação
com a indústria e com o artesanato deverão ser convidados a apresentar
mostras individuais. Com duas visões (e práticas) singulares será possível
discutir o campo do design hoje, considerando suas grandes mudanças e
a luta por uma visão hegemônica do sentido dessa atividade. Essas
duas mostras deverão perguntar se é possível projetar no mundo contemporâneo. Essa
é uma questão fundamental e que uma primeira mostra de design na BIA deve
ter a preocupação de abordar. O
que é design? Uma atividade de mediação do trabalho intelectual com a
produção? A possibilidade que a produção incorpore o projeto justamente
questionando a divisão entre trabalho manual (mecânico, eletrônico) e
intelectual? Ou a submissão a essa lógica capitaneada pelas necessidades
da sociedade de consumo? Para
enfrentar essa discussão, estão convidados como mostras especiais os designers
Enzo Mari e Kenji Ekuan (1). Mari
é figura fundamental em toda a literatura do design mundial pós Segunda
Guerra. Tem um pequeno estúdio em Milão. Sua produção abraça, sobretudo,
móveis e objetos domésticos magistrais. Ele também pode reproduzir ao
ar livre, em pleno parque, a mostra que montou no ano passado no Japão,
sobre o Retrato de Deus, uma instalação, cujo sentido é o de contestar
o próprio sistema design em que se insere. Mais do que uma exposição de
objetos, a mostra de Mari deve transmitir sua visão do design que não
é aquela de uma “profissão”, mas de uma possibilidade de reinventar o
próprio trabalho, retirando dele as características alienantes. Mari retoma
o pensamento utópico do século 19 e defende que a indústria mecanizada
seja circunscrita a algumas atividades, e que o artesanato seja revalorizado,
numa busca por outro tipo de sociedade que leve adiante os ideais da Revolução
Francesa, retomando um fio histórico e recusando aqueles resultados da
busca pela igualdade que geraram o consumo desenfreado. Contrapondo-se a ele, o japonês Kenji Ekuan é presidente de uma das maiores empresas de design do mundo, o GK Design, com escritórios em vários países. Autor de um grande número de projetos, de trens a motocicletas Yamaha (em que o corpo da mulher é, muitas vezes, grande definidor da forma), embalagens como aquela paradigmática do shoyu Kikkoman, é figura de honra em todos os grandes encontros internacionais de design e preside a organização não-governamental Design for the World, com sede em Barcelona, que reúne designers importantes de todo o mundo em ações comunitárias. Além de uma exposição de objetos, em que pode apresentar aqueles feitos para cidades, Ekuan poderá sintetizar seu pensamento (os objetos têm alma) numa instalação para exprimir seus conceitos de design que sedimentou no Institute of Doghology. Mari
e Ekuan serão as duas grandes mostras convidadas pela V BIA que, além
de trazer ao público brasileiro o conhecimento do alcance do design no
mundo contemporâneo, permitirão discutir o campo, o objeto do
design. Os dois titulares das mostras deverão também participar do Fórum
de Debates com uma sessão inteiramente dedicada ao sentido e às tarefas
do design. Até
a presente data, a Bienal recebeu o sinal positivo de Enzo Mari para a
montagem de uma exposição que está sendo gestada e discutida. Sugestões
recebidas Aproveito para agradecer as mensagens de apoio e oferta de ajuda prática que muitos designers e arquitetos vêm-me fazendo, desde que aceitei o convite da Fundação Bienal para fazer a curadoria das mostras especiais de design da V BIA. Entre muitas das sugestões que recebi, está a de pensar a questão do lixo urbano e de outros temas bastante vinculados ao debate ambiental. Esses temas serão tratados pela Bienal, que está montando uma área específica de tecnologia. Outra sugestão recorrente é de mostras de materiais. Até o momento, embora nada tenha sido firmado, estamos pensando (não é plural majestático, o nós se refere a Ricardo Ohtake, Gloria Bayeux e eu, além de colaboradores da Fundação Bienal) em incluir algumas exposições internacionais de novos materiais e uma brasileira sobre o tema da madeira. Todas essas mostras, embora interdisciplinares, pertencerão ao domínio da tecnologia na V BIA. Como tenho repetido em e-mails e conversas, o tema de design, como está formulado até agora, é muito amplo. Tenho certeza que, para realizar exposições de qualidade, os núcleos de interesse deverão ser mais específicos, mais concentrados e em pequena quantidade. Aproveito ainda para dizer que estou na sede da Fundação Bienal às segundas e quartas-feiras à tarde. O telefone de lá é (11) 5574-5922 e meu e-mail é ethel.leon@uol.com.br. Nota 1 |
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