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Prêmio
Bienal Colombiana de Arquitetura |
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| Rodrigo Tascón é arquiteto em Cali, Colômbia |
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| (leia a versão em espanhol) | ||||||||||||||||||||||||||||
Causou assombro e descontentamento entre os arquitetos a determinação do júri que o primeiro prêmio da Bienal de Arquitetura, na categoria de projeto arquitetônico, fosse dado à Arquibancada da Universidade de San Buenaventura (1). Entendo esta decisão como uma reação do jurado à feira de vaidades em que converteu a arquitetura nacional. O jurado fala contra o excesso, as formas descontroladas e quase frenéticas, sem justificativa, e o desordenado uso de materiais e cores. Há uma influência sem assimilação da arquitetura divulgada pelas revistas e “os projetos carecem de um vigoroso enraizamento cultural que permita identificar e expressar os valores locais e incorporar as sugestões e preexistências próprias do lugar”, tal como assinou em ata o jurado da Mostra de Arquitetura Vallecaucana deste ano. Posição que expressa uma “reação a la Murcutt” contra a moda. Mas o júri se equivoca ao querer colocar como exemplo uma obra insignificante (no sentido etimológico). A Arquibancada é uma obra correta, bem composta e ordenada, rigorosa, contida e austera. Mas também é uma obra que tem pouco a dizer, que dá tudo de si nas experiências visuais e se esgota ali. Não existem fotos de interiores porque seu espaço interior é irrelevante e seus méritos de aparência não são suficientes para catalogá-la na complexidade da arquitetura. Pode ser um belo objeto colocado ao lado de um campo de futebol, com um fundo de árvores justamente atrás do lado que ninguém vê – e nem faz falta... As arquibancadas são e tem sido sempre – e nos parece que tem que continuar sendo hoje em dia –, planos escalonados para servir de assento aos espectadores de um espetáculo. Mas esta não tem a esbelteza, a beleza ou o arrojo estrutural da arquibancada do Estádio de Beisebol de Cartagena, do arquiteto González Zuleta, ou a do Estádio de Atletismo de Madrid, do arquiteto Cruz e Ortiz – apenas para mencionar dois exemplos paradigmáticos. E a cobertura da arquibancada nem é concebida pelo arquiteto, mas a aplicação de uma solução presente em catálogo de um fabricante de estruturas feitas apenas para proteger o público do sol. Indubitavelmente havia na Bienal outras obras de relevância muito maior. A Biblioteca do Tintal (2) é um maravilhoso exemplo de recuperação, onde novos significados são obtidos numa estrutura pesada e robusta de um depósito de lixo. Inteligentes recursos formais resistem às limitações do antigo para criar novas formas, ricas e expressivas. Sem esquecer suas exemplares conotações sociais e históricas, numa situação urbana criticamente degradada. Mas era a Casa da Justiça (3) – ao menos é assim que a conheço – a obra mais interessante. Baseada em velhos ensinamentos sobre o clima e o meio ambiente, a Casa certamente “expressa os valores locais”, recriando os pátios e elementos da arquitetura tradicional de maneira contemporânea com sabedoria e com oficio. Esta obra não se resume a sua aparência – todos os dias deve ser decifrada a poesia contida em seus percursos, nos reservatórios d’água que a refletem e no céu que lhe dá a presença do cosmos em que se inclui, em seus espaços altos e refrescantes, na ordem das colunatas que a sustenta, nas surpresas que constantemente aparecem a cada passo. Esta é uma obra que seguramente sabe que está em um lugar e que, portanto, a ele pertence e dele se apropria num exercício permanente e cotidiano de reciprocidade. A Casa da Justiça tem magia ou duende, como queria García Lorca que tivessem as coisas. Ou pode ser a forma inevitável de fazer as coisas que busca Glen Murcutt, o último prêmio Pritzker (4). A escolha desta obra teria sido a obra prima que queria o jurado quando na ata final afirma a necessidade de dignidade, autocontrole e rigor. E, dessa forma, não se teria desperdiçado a ocasião de apresentar aos jovens premiados uma lição de Arquitetura. E novamente aparece a urgente necessidade de que a Sociedade Central de Arquitetos financie as visitas dos jurados às obras fora da capital para que no tornem a equivocar-se. Nota 1 2 3
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