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  dezembro de 20030
     
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  Rogelio Salmona (1)
Benjamin Barney Caldas
 

 
         
     

Benjamin Barney Caldas é arquiteto e ex-professor de arquitetura da Universidad del Valle e da Universidade San Buenaventura, Cali. Foi selecionado no II Prêmio Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-americana

 
  (leia a versão em espanhol)      
 

Rogelio Salmona (Paris 1927), nosso melhor arquiteto, foi duas vezes finalista do Prêmio Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-americana, cinco vezes premiado nas Bienais de Arquitetura Colombiana; Prêmio Taller de América, Medalha de Mérito Cultural, Prêmio da Fundação Príncipe Clauss de Holanda e Prêmio da II Bienal Ibero-americana de Arquitetura e Engenharia Civil.

Metade espanhol e metade francês, entrou ainda menino no Liceu Francês de Bogotá. Seus professores europeus o interessaram pela arte e em 1947 ingressou na Faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional, tendo aula de teoria com o arquiteto alemão Leopoldo Rother. Ali conheceu Le Corbusier, o grande arquiteto francês, quando veio para realizar o Plano Diretor de Bogotá, e quando foi para Paris, por conseqüência do 9 de abril de 1948, trabalhou para ele vários anos, ao mesmo tempo em que cursava sociologia da arte com Pierre Francastel. Em 1953 viajou para o sul da França, Espanha e norte da África, e finalmente esteve alguns meses com o arquiteto Jean Prouvé.

Após seu regresso, em 1958, deu aulas de história e em seguida de desenho na Universidade dos Andes, aonde validou seu titulo depois de exercer a profissão por alguns anos e de realizar com Guillermo Bermúdez sua primeira grande obra: os Apartamentos do Polo. Seguiram as Torres do Parque, a mais importante, a Casa de Hóspedes Ilustres, em Cartagena, na qual a lembrança de Granada se fez evidente pela primeira vez, e que lhe deu fama internacional; o Museu Quimbaya na Armênia, a mais difícil, o Arquivo Geral da Nação, a mais bela, e a Biblioteca Virgilio Barco, a mais elogiada. Em Cali temos o Edifício Marulanda, do início de sua carreira, e o da FES, hoje Centro Cultural de Cali (com P. Mejía, J. Velez e R. H. Ortiz) que mesmo considerando seu discutível tijolo, é o melhor dos últimos anos na cidade. Sua já vasta obra começou com o elogio a um projeto de 1959 de Fernando Martínez e terminou por transformar a boa arquitetura na Colômbia. Infelizmente muitos arquitetos do país não assumiram sua constante preocupação pela cidade, as tradições construtivas e a ética profissional, mas apenas imitado seu tijolo aparente, o que em algumas mãos torpes se tornou oportunista, repetitivo ou arbitrário.

O emprego crítico de formas, técnicas e usos tradicionais permitiu a alguns arquitetos do chamado Terceiro Mundo construir alternativas autônomas utilizando materiais próprios e tecnologias possíveis, que reconhecem e valorizam o patrimônio construído, consideram o clima e qualificam a paisagem. Suas formas e significados dão novas expressões à tradição ou a reinterpretam poeticamente para fazê-la participante de novas situações. É a busca de Salmona e de Luis Barragán no México, Hassan Fathy no Egito, Sir Geofrey Bawa no Sri Lanka, Charles Correa e Raj Rewal na Índia, Sedad Eldem na Turquia e outros no Marrocos, Coréia, Singapura, Indonésia e também, com certeza, na América hispânica.

Quando a Escola de Arquitetura da Universidade do Valle lhe ofertou há alguns anos um Doutorado Honoris Causa, perguntaram no Conselho Acadêmico quem era e o quê havia realizado pelo município. Pouco depois a Universidade Nacional lhe outorgou e hoje recebe a Medalha Alvar Aalto da Associação Finlandesa de Arquitetos, o que o aproxima do Prêmio Imperial do Japão e do Prêmiol Pritzker.

Nota

1
Artigo originalmente publicado na coluna ¿Ciudad?, El Pais, Cali, Colombia.

 


Biblioteca Virgilio Barco, Bogotá, Rogelio Salmona. Foto Paul Meurs


Restaurante no Parque Simon Bolivar, Bogotá, Rogelio Salmona. Foto Paul Meurs


Torres do Parque da Independência , Bogotá, Rogelio Salmona. Foto Paul Meurs


Canalização de córrego, Bogotá, Rogelio Salmona. Foto Paul Meurs

 
         
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