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| IV
Bienal Ibero-Americana: ampliando intercâmbios Ruth Verde Zein |
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Ruth Verde Zein, arquiteta, professora da FAU - Universidade Mackenzie, crítica de arquitetura, delegada do Brasil para a III e IV Bienais Ibero-Americanas (2002-2004) |
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| Encontros reunindo profissionais arquitetos de toda a América Latina já acontecem pelo menos desde a década de 1930 e são sempre ocasiões muito especiais de intercâmbio. Compartilhando panoramas sociais, políticos e econômicos assemelhados, ao trocarmos idéias nos damos conta tanto de nossas aproximações quanto de nossa diferenças e peculiaridades. Nos anos 1985 a 1995 ocorreram os memoráveis SAL – Seminários de Arquitetura Latino-Americana, num momento de crise dos impulsos originais das vanguardas modernas e de intensa renovação de caminhos – de resto, consolidando uma importante rede de relações pessoais e profissionais que serviu de base para um mútuo reconhecimento. Mesmo sempre existindo, a participação brasileira nesses eventos tem sido aquém do desejável. Embora a arquitetura brasileira seja reconhecida e estimada em toda América Latina, o mesmo não se pode dizer do conhecimento brasileiro sobre a arquitetura de seus vizinhos. Talvez por nosso amplo e variado espaço geográfico, pela nossa peculiaridade lingüística em relação aos países vizinhos, ou ainda por nosso arraigado costume de voltarmos os olhos para a costa atlântica e além-mar, ou no máximo para nossa própria e complexa realidade nacional – ainda há muito a se fazer para aumentar esse intercâmbio, que poderá ser muito profícuo para todos. Ao mesmo tempo, desde há algumas décadas vem sendo incrementada a aproximação entre a região ibérica da Europa e suas antigas colônias americanas, tanto na esfera comercial como na cultural – talvez como parte do profético sonho de José Saramago em sua “Jangada de Pedra”. Trocar o “latino” pelo “ibero-americano” não é necessariamente um caminho melhor ou mais preciso – mas é inevitável, assumindo a simpatia que nos une, e talvez abrindo as portas do século 21 para renovadas relações entre nações amigas e aparentadas. Em breve tempo, se houver empenho de todos, esse processo poderá assumir plenamente uma dupla mão de direção. Por enquanto a iniciativa de uma Bienal Ibero-americana de Arquitetura coube à Espanha – e é bem vinda. Organizada através do apoio de vários órgãos públicos espanhóis juntamente com o Colégio de Arquitetos e da Universidade de Alcalá, sua primeira edição ocorreu em 1998 em Madrid, repetindo-se bienalmente a cada vez em um país diferente; o que vem sendo possível pela associação, em cada caso, com organismos governamentais e associativos locais. Ocorreram assim as edições de 2000 na Cidade do México, 2002 em Santiago do Chile e agora a quarta edição, de 25 a 31 de outubro de 2004, em Lima, Peru. Desde a 3ª edição a Bienal Ibero-americana optou por organizar a representação de cada país através de delegados locais, cuja atribuição é divulgar a possíveis interessados as várias possibilidades de participação do evento, bem como selecionar as obras de arquitetura que representarão o país na exposição e premiação que configura o cerne da Bienal – a qual, além disso, também conta sempre com conferências, mesas redondas, workshops, divulgação e lançamentos de periódicos e livros e ainda outras atividades. O papel dos delegados nacionais ou regionais (representando Argentina, Bolívia, Brasil, Caribe, Centro América, Colômbia, Cuba, Chile, Equador, Espanha, México, Paraguai, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela) ajudou a superar as dificuldades de comunicação e divulgação continentais, e evitou indesejadas ocorrências de participação aleatória ou nula de alguns dos países que se quer congregar. As obras que participam da Bienal são sem dúvida o seu grande foco de interesse e o reconhecimento e divulgação da melhor da arquitetura ibero-americana recente seu maior atrativo. Trata-se obviamente de tarefa impossível de levar a efeito sem incorrer em falhas e ausências, até porque o espaço limitado disponível condiciona uma seleção menos abrangente do que seria o ideal, afunilada ainda mais por um exaustivo processo de seleção a nível nacional e internacional – cujos resultados não pretendem em absoluto substituir, mas apenas colaborar com outros fóruns e instâncias de debate e divulgação de cada país e internacionais. Normalmente são indicadas e selecionadas obras variadas, realizadas no periodo de três anos anterior ao do ano da Bienal, com a premiação da Melhor Obra de Arquitetura e um prêmio para a categoria “Jovem Arquiteto”. Mas em a cada edição a Bienal é aperfeiçoada e ampliada, e assim desta vez foram incluídos, além dos tradicionais prêmios para publicações e bolsa de estudos de pesquisa, um concurso de idéias para estudantes inteiramente realizado através de meios digitais, por meio da rede mundial. Igualmente, e por iniciativa dos co-organizadores desta edição, acontecerá o “Prêmio Extraordinário Fernando Belaunde Terry”, a ser outorgado pelo governo do Peru, para a melhor atuação no tema da “Habitação Social na Ibero-américa”, a ser escolhido entre obras realizadas nos últimos 10 anos. A seleção brasileira das obras: um desafio Qualquer que seja a maneira em que se proponha selecionar obras, para seja qual for o evento, vai-se sempre estar sujeito a cometer erros e omissões: a questão é escolher quais se preferem aceitar e quais é melhor evitar. Na seleção da Bienal anterior, o exígüo tempo em que a mesma foi solicitada pela coordenação, na Espanha, apontava para uma saída de cunho arbitrário, mas responsável, à maneira de uma curadoria: pesquisar, definir critérios e abrangências desejadas, escolher 10 obras e convidar seus autores a participar. Nesta IV Bienal, havendo uma disponibilidade de tempo uma pouco maior, experimentou-se outra opção (só viável com o apoio das revistas de arquitetura Projeto & Design e AU – Arquitetura e Urbanismo, e pelo eficiente e inestimável suporte do Portal Vitruvius): uma “chamada de projetos” de inscrição livre e aberta. Fomos surpreendidos favoravelmente pela ótima repercussão, apesar do tempo limitado: 150 obras se apresentaram, todas de alta qualidade, muitas de excepcional interesse. Os projetos foram organizados em duas categorias: obras recentes / obras de habitação social, e o material digital das mesmas, facilitado pelos autores, foi encaminhado a uma Comissão de Seleção reunindo colegas espalhados por 10 das cidades mais importantes do país, que gentilmente ajudaram a divulgar o evento e a escolher as obras a serem encaminhadas ao júri internacional de seleção: Abilio Guerra (São Paulo), Ana Paula Canez (Porto Alegre), Angelo Marcos Arruda (Campo Grande), Fernando Lara (Belo Horizonte), Guilah Naslavsky (Recife), Jussara Derenji (Belém) Luiz Salvador Gnoato (Curitiba), Pablo Benetti (Rio de Janeiro), Paola Berenstein Jacques (Salvador), Sylvia Ficher (Brasília). A facilidade da comunicação eletrônica entre todos foi fundamental para tornar essa proposta possível, atraindo – embora ainda não no grau que gostaríamos de atingir – participantes da maioria das regiões brasileiras. Certamente houveram ausências importantes, de algumas obras que por uma ou outra razão não chegaram a se apresentar, em especial na importante categoria “habitação social”. Mesmo assim, o conjunto reunido excedeu em qualidade , sendo preenchidas as 10 vagas na categoria geral, e 5 na categoria habitação social, oferecidas pela IV Bienal Ibero-americana para a participação brasileira, decidindo a Comissão outorgar também Menções Honrosas, como ampliação do reconhecimento ao esforço realizado. No segundo funil, que ocorreu a nível internacional, foram finalmente selecionadas 9 obras brasileiras nas duas categorias. O que certamente ainda nos parece pouco, mas que já indica uma participação significativa, e que vem aumentando a cada edição. Processo de seleção 1ª Fase (Comissão de Seleção / Brasil) Obras pré-selecionadas pela Comissão de Seleção nacional para a IV Bienal Ibero-Americana, que foram encaminhadas no dia 14 de abril de 2004 para a Comissão de Seleção internacional, em Madri. Pré-selecionados – Categoria Obras Recentes (10 obras)
Pré-selecionados – Categoria Habitação Social (5 obras)
Menções Honrosas – Categoria Obras Recentes (20 obras)
Menções Honrosas – Categoria Habitação Social (5 obras)
Comissão de Seleção / Brasil
2ª Fase (Comissão Julgadora Internacional) Obras que representarão o Brasil na IV Bienal Ibero-Americana, que acontecerá em Lima, Peru, de 25 a 31 de outubro de 2004, e divulgadas no dia 23 de junho de 2004. Obras de arquitetura recentes
Obras de habitação social
Comissão de Seleção / Madri
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