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| As
quatro escolas do FDE em Campinas
(1) Luis Espallargas Gimenez |
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Luis Espallargas Gimenez, arquiteto e professor da FAU PUC-Campinas e FAU Unip |
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| (veja versão em francês) | ||||||||||||||||||||||||||||
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O destaque e a intensidade dessas escolas, em triste periferia desenganada pelo planejamento habitacional mais escasso, faz pensar como a profissão, num âmbito reduzido, mas exigente, se tornou necessário exercício de resistência. As quatro implantações adquirem, por intermédio de processos formais simples e eficientes, notável ajuste urbano e exemplar estabilidade em exíguos terrenos de conjuntos habitacionais, além de alcançar completo sentido na sucessão e distribuição das partes de seus programas. Com programas em comum, todos projetos parecem submetidos à mesma série de condições. Um sistema construtivo principal e isostático, com pré-moldados de concreto, combinado com estrutura secundária de perfis metálicos. Partidos compactos e fechados, protegidos e adequados ao clima cálido de Campinas e quadra poliesportiva coberta que possa ser utilizada pela comunidade através de acesso separado das salas escolares. Conforme preconiza a teoria moderna, as dimensões modulares das estruturas de concreto pré-moldado exigem das plantas muita ordem e legibilidade. Estruturas pré-fabricadas que, com isenção feita aos arquitetos, foram executadas com excessiva tolerância dimensional e insuficiente controle de produção. O que explicaria porque os escritórios acataram a pauta estrutural na planta, e disso se beneficiaram, mas não confiaram o resultado ao ritmo e controle do sistema construtivo, para preferir a aparência, visto que a pauta rigorosa de eixos de viga e pilar que formam, constroem e tridimensionam os edifícios acabou sendo mascarada por uma pele de fachada, para assemelhar-se à estética mais atual dos tempos da virtualidade. Com exceção do projeto do escritório MMBB (2), caso em que a decisão de apresentar a estrutura como forma final da escola parecia decidida pelo cobogó de elementos pré-moldados nos entrepanos, mas acabou subvertida por critérios de cor e pintura que iludem o entendimento em favor de grandes e pitorescos recortes coloridos. As cores fortes sobre os planos e elementos, presentes em todos projetos, parecem confirmar a tradição escolar da atitude paulistana inaugurada por Artigas e Cascaldi. Os outros três projetos, quase em sincronia com estilemas contemporâneos, aplicam planos na face externa de concreto para desenhar – de olho na abstração mais perceptiva, mas menos sensitiva – em nome dos fechamentos leves, da iluminação difusa e do brise-soleil as superfícies extensas, imateriais ou texturadas. Requadros colados e expostos, mais apropriados para estruturas hiperestáticas em balanço, fazem pouco dos detalhes de proteção, estanqueidade, arremate e acabamento além de comprometer durabilidade e resistência. Detalhes melhorados caso contassem com providências especiais e fáceis – abas ou rebaixos – nos perfis e seções da estrutura pré-moldada para evitar tantos rufos costurados com rebite pop a agravar miséria e desalinhamento comuns nas obras públicas. Andrade e Morettin (3) exageram um pouco na falta de consistência construtiva quando envolvem um volume único com dois tipos diferentes de proteção leve e plásticos serrilhados nas fachadas, como diversas peles ou faces, a noventa graus, separadas por tosca cantoneira de aresta em chapa galvanizada fina. Como a manutenção desses edifícios inexiste e o vandalismo domina nunca seria demais especificar detalhes vigorosos. Quadras poliesportivas cobertas e associadas ao corpo principal da edificação serviram como argumento principal para organizar as quatro escolas. O escritório UNA (4) coloca o piso da quadra sobre a cobertura do terceiro pavimento da escola e desenvolve o projeto mais sintético, preciso e vertical entre todos, inclusive monumentalizado, de propósito, por rasgos verticais e extremos a partir de finos pilares musculados com engenho por prótese de perfis metálicos para suportar flambagem. Inversamente, os arquitetos Vainer e Paoliello (5) prolongam a laje de cobertura para cobrir a quadra e conseguir a solução mais clara, compacta e certamente mais econômica entre as quatro. Um edifício estrito, com térreo bem formado e proporcionado, mas ainda a aperfeiçoar, como todo objeto moderno deve ser, para amenizar a insolação das salas e o resultado da fachada Norte, onde, no térreo, a escola está exposta ao passeio e estacionamento e apresenta caixilharia indecisa. A entrega do edifício no solo, sobre calçada estreita, corresponde ao padrão infame dos blocos habitacionais circundantes. O grande exemplo está ao lado, na aproximação da escola projetada pelo escritório UNA. Ao longo da parede paralela que entra sob a laje tornada marquise pelo alargamento da calçada que reconhece a aglomeração e as brincadeiras dos estudantes, chega-se ao portão coberto que permite reconhecer ao fundo a transparência do pátio coberto estendido ao jardim. De volta à simplicidade e generosidade da boa arquitetura. Em outra planta irretocável, o escritório MMBB assume uma quadra coberta dentro do pátio formado por dois blocos paralelos e o risco acústico que essa conformação comporta. Isso vale para todas escolas se for confirmada a inobservância de medidas de isolamento e proteção acústica em projetos cuja premissa exige a justaposição do programa. Já os arquitetos Andrade e Morettin arriscam a organização escolar mais controvertida ao colocar a quadra poliesportiva sobre a cobertura do pavimento térreo para organizar aquela parte do programa sempre em contato com o terreno e combinada com o pátio escolar aberto e coberto, ao mesmo tempo, relacionados com um vazio maior, transverso, vertical e ordenador que dá lugar à lâmina de salas de aula. Parecem trabalhar com dois princípios superpostos de organização que explicitam algum conflito e consomem quantidade de área construída para conviver. A obrigação em conectar o vazio vertical com o pátio horizontal sob pilotis aproxima espaços diversos. O primeiro torna-se atravancado e ilegível com as pesadas estruturas metálicas das escadas e elevador e o segundo parece confinado e escuro, pela profundidade que apresenta. Além disso a decisão de elevar a quadra, nesse terreno, obriga a construir a importante rampa externa – comprometer a afirmação do prisma único – para atender o requisito de uso independente da escola. As plantas e os cortes destes projetos animam pela ausência de arbitrariedade e pela evidência de desenhos oportunos e exigentes que sobrevivem a meios e recursos restritos e a pequenos, porém suficientes, terrenos, como fica demonstrado. Os cacoetes repetidos devem ser entendidos como subterfúgio que os arquitetos utilizam quando não é confiável reconhecer valor nos verdadeiros e definitivos processos que envolvem a forma e a produção dos edifícios, enquanto não for aproveitada a competência formal do arquiteto para sintetizar e ajustar problemas de forma e, por isso, designá-lo para coordenar decisões sobre problemas físicos de um edifício. Por exemplo, a estrutura de concreto pré-moldada disponibilizada é tosca e primitiva, apenas dispõe do essencial na concepção e sofrível execução. É compreensível que o sistema só adquira interesse no caso em que se possam projetar peças bem-acabadas e perfeitas que incorporem mais detalhamento, possam condensar e ordenar o máximo de problemas num único sistema. Por exemplo, a relação entre o sistema de concreto pré-moldado e as redes de distribuição hidráulicas e elétricas poderia alcançar resultado definitivo e abrangente se, na estrutura, estivessem previstas e ajustadas. A insuficiente coordenação das especialidades e a conseqüente improvisação ficam evidentes quando se tolera que tubos e dutos aflorem do chão ao lado dos pilares para fixar caixas de passagem, torneiras e tomadas. Quando se vêem chumbadores metálicos parafusados sobre consoles de concreto, quando a forma das bases dos chumbadores metálicos é decidida por um projetista que apenas considera, no problema, sua facilidade. A experiência do FDE mostrou-se positiva e as equipes de arquitetos demonstraram como é possível desenhar e construir se, mais além das medições e ingerências políticas, fosse possível canalizar esforços para o prazer de fazer sempre o melhor. Cabe agora ao FDE dar seqüência ao aperfeiçoamento desses protótipos para que se possa corrigir defeitos e acrescentar as melhorias e ajustes intuídos pelo processo e para que os acertos da arquitetura não sejam entendidos apenas como experimentalismos. Notas 1
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