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Exotismos
Os melômanos por Heitor
Villa-Lobos devem estar exultando com o recente interesse internacional
pela obra do compositor brasileiro. Novos registros de peças de seu repertório
vêm surgindo no mercado fonográfico, realizados por conjuntos instrumentais
europeus e americanos. À parte de algum ufanismo que isso possa produzir,
vale a pena observar a arte das capas dos CDs dessas obras. Em uma edição
inglesa de peças para sopros, a capa com a pintura Le repas du Lion
do pintor Henri Rousseau (1844-1910) – tido como um artista naïf,
precursor do surrealismo – sugere um imaginário exótico e onírico de flores,
animais e cores (2). O CD de peças para violoncelo, executadas pela Orquestra
Sinfônica de Galícia, reproduz na capa a imagem denominada La Selva
(3). Um outro CD intitulado Alma Brasileira traz uma foto do regente norte-americano
de óculos escuros, no braço uma vistosa arara empoleirada e o fundo tomado
de folhas de bananeira (4). Parece inevitável essa associação de uma manifestação
cultural brasileira com o esplendor e a extravagância tropical, mesmo
na esfera da alta cultura, como na música erudita, reiterando estereótipos
históricos.
Sob o signo
do colonialismo
Tais conceitos têm
origem imemoriável. Antonello Gerbi observa que "na Antiguidade,
o nexo entre clima e gênio era quase um lugar comum", ou que Hipócrates,
tido como "Pai da Medicina", "estabelecia uma relação entre
as alterações do clima e as mudanças bruscas das estações, de um lado,
e os vários temperamentos e qualidades fisiológicas dos homens" (5).
A enciclopédica obra de Gerbi reúne pérolas que elucidam o juízo sobre
a inferioridade dos habitantes dos trópicos, como em David Hume (1711-76);
"há motivos para pensar que todas as nações que vivem para além dos
círculos polares ou entre os trópicos sejam inferiores ao resto da espécie".
Voltaire (1694-1778) não deixava por menos: "pode-se fazer sobre
as nações do Novo Mundo uma reflexão [...] [de] que os povos afastados
dos trópicos sempre foram invencíveis, enquanto os povos mais próximos
dos trópicos foram quase todos submetidos a monarcas". Ou Montesquieu
(1689-1755), "que admitia uma predisposição natural para a escravatura
nos países cálidos e admirava a liberdade prosperar no frio e no gelo"
(6).
Teses contaminadas
de determinismo geográfico ou climático declinaram para interpretações
racistas, como que a estabelecer uma etnoclimatologia firmando uma tênue
fronteira entre clima e civilização. Esta civilização que, no contexto
do colonialismo do século 19, deparou-se com o enfrentamento dos trópicos
como fator integrante do processo civilizatório e de dominação promovidos
pelas potências européias. Tal ideário se manifestava na introdução de
uma obra que se pode considerar um dos primeiros manuais de conforto ambiental,
sintomaticamente editada não na metrópole, mas na colônia. Em 1882 publicava-se
na Argélia, então partição francesa, o livro L 'habitation dans les
pays chauds – contribution a l'art de l'acclimatation, de autoria
de H. Dessoliers, de 1882 (7), "ingénieur dês arts et manufactures".
Considerando-se os limites dos conhecimentos físicos e médicos do último
quartel do oitocentos, tratava-se de um formidável compêndio, no qual
questões de clima (temperatura, umidade, vento) e luminosidade eram confrontadas
com a fisiologia humana; processos de transformação das condições ambientais
(ventilação, refrigeração, evaporação, dissecação) eram especificados
conforme recomendações considerando sistemas construtivos e dispositivos
mecânicos.
“Não é suficiente
atenuar pela drenagem e pelo cultivo as influências telúricas de sítios
pantanosos, de torná-los habitáveis; é necessário também modificar as
condições térmicas e higrométricas do meio no qual viveremos”,
fundamentava Dessoliers,
porque
“em todos os países
quentes, a casa deve ser um sanitarium no qual o homem, cada
dia, retempera suas forças. Então ele resistirá mais energicamente aos
princípios mórbidos do lugar e logrará mais decididamente a obra-mãe
da colonização: o saneamento da terra”. (8).
Todo esse esforço
tinha uma finalidade maior. A introdução do compêndio de Dessoliers intitula-se
"A colonização é para a França uma questão de primeira ordem".
Citando Paul Leroy-Beaulieu na obra De Ia Colonisation chez les Peuples
Modernas, o engenheiro justifica a aclimação como um processo vital
para a continuidade e disseminação do domínio francês no mundo:
“No começo do século
20 os russos ocuparão enormes espaços, alemães e austríacos dominarão
a Europa Central, anglo-saxões ocuparão os melhores recantos do globo
impondo ao mundo civilizado a sua língua, e o que será da França? [...]
Nosso país tem uma maneira de evitar essa irremediável decadência –
é colonizar. Se não colonizarmos, dentro de dois ou três séculos estaremos
abaixo dos espanhóis e dos portugueses, que tiveram a rara felicidade
de implantar suas raças e suas línguas nos imensos espaços da América
do Sul”. (9)
Sob o signo
do salubrismo
A colonização como
vetor de investigação climática e a aclimação como processo para aliviar
a inserção humana em latitudes julgadas críticas pelo ideário civilizador
europeu, conformou parte das preocupações que fomentaram especulações
sobre o que muito mais tarde seria conhecido como uma disciplina pelo
conforto ambiental. No século 19, a interpretação da ação do ambiente
sobre o homem ganha outros contornos: o determinismo climático não mais
constituía uma perspectiva incondicional, mas enxergava-se um viés "possibilista"
(10), no qual se vislumbrava uma interação menos absoluta e submissa entre
o ambiente e os humanos. A consciência do ambiente como uma totalidade
ampla e complexa ganha força com o desenvolvimento da medicina de inspiração
científica surgida com a Revolução Francesa, pelo esquadrinhamento do
médico, sob o signo da salubridade. Michel Foucault assim define a salubridade:
“não é a mesma coisa
que saúde, e sim o estado das coisas, do meio e seus elementos constitutivos,
que permitem a melhor saúde possível. Salubridade é a base material
e social capaz de assegurar a melhor saúde possível dos indivíduos.
E é correlativamente a ela que aparece a noção de higiene pública, técnica
de controle e de modificação dos elementos materiais do meio, que são
suscetíveis de favorecer ou, ao contrário, prejudicar a saúde. Salubridade
e insalubridade são o estado das coisas e do meio enquanto afeiam a
saúde; a higiene pública – no século 19, a noção essencial da medicina
social francesa é o controle político-científico deste meio”. (11)
Monteiro Lobato (1882-1948),
na esteira do ideal salubrista, também foi um arauto de uma vertente colonialista
e civilizatória, pensando o Brasil em 1918:
A higiene é a defesa
artificial que a civilização criou em substituição da defesa natural
que perdeu. Ela permite ao inglês na índia uma vida próspera, exuberante
de saúde no meio de nativos derreados de lazeira. Ela permitirá erguerem-se
grandes empórios nas zonas até aqui condenadas. Ela, só ela, permitirá
criar na terra brasileira uma civilização digna deste nome. (12)
No horizonte da medicina
do final dos oitocentos, endemias e epidemias eram enigmas a decifrar,
as etiologias, as patologias, as terapêuticas eram questões ainda distantes
de uma formulação razoável. O miasma como agente deletério deixa de ser
considerado a explicação principal na origem das doenças a partir das
investigações de Pasteur (1822-95) e os estudos de seus pares que darão
origem à microbiologia. No final do século 19 e até a terceira década
do século seguinte, a ventilação e a insolação – nem sempre numa perspectiva
conjunta – estarão fundamentalmente relacionados com a salubridade.
Aragem e moléstias
A (possivelmente)
primeira publicação editada no Brasil, em 1878, voltada à questão da ventilação,
Estudos sobre ventilação em geral e na sua applicação a escolas, hospitaes,
theatros, salas de reuniões grandes, habitações, etc., baseados nos
trabalhos do General Morin , Luiz Degen, A. Pinzger e outros, coadunava-se
com o ideário salubrista (13). O discurso de seu autor, Luiz Schreiner
(1838-92), engenheiro-arquiteto formado na Real Academia de Belas-Artes
de Berlim e ativo no Rio de Janeiro, incorporava a retórica colonizadora,
ainda que timidamente se comparada à mensagem de seu contemporâneo, Dessoliers.
Afirmava Schreiner:
“Até certo ponto
pode-se considerar a vida civilizada como uma luta contra o clima, nas
latitudes altas não só contra o frio excessivo do inverno, mas também
contra o calor demasiado do verão, e nas latitudes baixas contra o último”.
(14)
Ao reunir uma base
em literatura técnica saxônica com um empirismo de um europeu indignado,
Schreiner justificava uma dimensão civilizatória com o seu livro:
“E incontestável
a necessidade, para o Rio de Janeiro principalmente, de uma transformação
absoluta dos sistemas de construções. E uma triste verdade, não haver
no mundo outro país, em que a construção de habitações tão pouco corresponda
ou para melhor dizer, de nenhum modo esteja de acordo com as exigências
do clima”. (15)
As palavras de Schreiner
testemunhavam as inquietações e as respostas de uma época:
“Os médicos e os
sábios, de há muito, procuram conhecer as causas das epidemias. Uns
acham-nas nos miasmas provenientes, quem sabe de onde, outros falam
de cloacas, esgotos, ele. etc. Nós dizemos: ‘para que procurar tão longe?’
Principiemos de mais perto, pelo nosso dormitório, examinemos o estado
de nossa casa, as condições higiênicas de nossa habitação.
No verão, sobretudo, sentimos falta de ar nas casas e, para aliviarmo-nos,
abrimos as janelas e as portas, crendo estabelecer uma ventilação completa,
porém, o que conseguimos procedendo desse modo? Expomos nosso corpo
a uma correnteza de ar e abrimos as portas a todas as enfermidades!
Em regra geral os dormitórios se encontram em alcovas, que recebem a
luz e o ar indiretamente de outros quartos; que nestas alcovas o ar
sempre esteja viciado é natural, portanto ai vamos encontrar os verdadeiros
focos de infecção para alimentar qualquer epidemia”. (16)
Neste momento, ventilar
significava trazer a doença. A corrente de ar era vetor de insalubridade,
portador dos misteriosos miasmas. Era mister controlar a malignidade do
vento. Era o que propunha Schreiner:
“No seguinte provaremos
como e por que razão o ar é a verdadeira base da vida e da saúde, e
em que quantidade dele necessitamos para não sofrermos e para permanecermos
em um estado normal; depois trataremos dos meios para obter estas quantidades
de ar em todas as circunstâncias” (17).
E mais adiante:
“Depois de muitas
experiências feitas em hospitais, teatros, lugares públicos e casas
de habitação pode-se definir a natureza da ventilação e sua necessidade
da forma seguinte: 1º) O fim da ventilação é afastar o ar viciado e
introduzir em seu lugar ar fresco; sem que por esta introdução se estabeleça
uma corrente de ar insalubre”. (18)
Nos anos 1910 a teoria
dos miasmas era letra morta. No entanto, prevalecia a regra da "cubação
de ar" nos códigos sanitários, ou resquício do entendimento que a
salubridade de um ambiente fechado decorria da quantidade de ar disponível
conforme uma previsão de consumo de ar por um certo número de ocupantes.
Ao se estabelecer o volume de ar num ambiente, deduzia-se uma geometria
dos cômodos de longa permanência –o que explica em parte os altos pés-direitos
determinados pelas normas municipais de construção na virada do século
19 para o 20. Victor da Silva Freire (1869-1951) – importante como pouco
valorizado personagem da história da arquitetura e do urbanismo paulista
– é autor de uma preciosa memória em 1918 sobre a salubridade nas duas
primeiras décadas do século 20. A propósito da permanência desse resquício
e as novas abordagens na segunda década do século, vale a pena reproduzir
os termos da querela no testemunho do engenheiro:
“Limitemo-nos a
frisar as conclusões práticas. Os três elementos de ventilação nos códigos
antigos eram:
(a) Cubação elevada,
para armazenar maior ‘volume‘ de ar; como conseqüência;
(b) Pé-direito alto,
por exigir muito terreno uma superfície grande bastante para um mesmo
cubo com pouca altura; e, como corolário;
(c) Área qualquer,
a suficiente apenas para, por diferenças de temperatura e densidade,
renovar o ar 'viciado' " (19).
Foram esses elementos
transformados posteriormente, nos códigos orientados cientificamente:
"(a) Cubação
qualquer – desde que o ar possa penetrar em movimento e ‘circular’ pelo
interior da casa entre a frente e o fundo;
(b) Pé-direito qualquer
– determinado de preferência pela iluminação, admitindo-se que se lê
perfeitamente no fundo de um cômodo distante da janela o dobro da altura
(com a condição, claro está, que a rua ou a área correspondentes sejam
claras);
(c) Área ampla proporcionada
à altura das paredes que a contornem, afim de que o ar não fique ‘estagnado’
mas a percorra sem cessar de um topo a outro”. (20)
Num manual de educação
sanitária de 1930 destinado ao magistério público temos selado o final
para a controvérsia entre cubagem e ventilação:
“A boa ventilação
dos locais onde vivemos é, pois, condição primordial e é muito mais
importante que a própria cubagem. Por maior que seja esta, será sempre
insuficiente, se a renovação do ar for nula, enquanto que com uma cubagem
pequena e uma renovação eficaz do ar, as condições fisiológicas da respiração
e da refrigeração do corpo serão sempre asseguradas”. (21)
Buscando o
sol
Não obstante a obra
de Schreiner de 1878 fosse dedicada à ventilação, o engenheiro-arquiteto
alemão também se referiu numa passagem a outro componente:
“A base do bem estar
é o ar e a luz, assim como a planta sem estes elementos morre, o homem
também tem de pagar com o prejuízo em sua saúde e muitas vezes com a
vida, a indolência e descuido, com que sacrificou o seu bem-estar a
interesses mesquinhos”. (22)
Em que momento o sol
se torna um protagonista do salubrismo? Em 1904, participando de uma comissão
encarregada de proceder a revisão do Código Sanitário do Estado de São
Paulo, Victor da Silva Freire, defendia que:
[...] tendo em conta
a climatologia geral do Estado, com o seu elevadíssimo grau de umidade
do ar [...] a orientação dos prédios será de tal que assegure uma insolação
de três a quatro horas por dia, no mínimo. (23)
Tal proposição derivava
de uma verificação por um cientista suíço – então ainda não explicada
cientificamente – do maior índice de mortalidade em áreas menos insoladas
das ruas, originando uma (ainda equivocada) concepção de que:
“pelo deslocamento
das camadas de ar que determina o aquecimento do chão e das paredes,
mostra-se a ação direta dos raios do nosso astro-rei mais indispensável
talvez ainda ao arejamento do que apropria iluminação regular dos ambientes
habitados, na justificativa de Freire” (24).
A insolação conquistava
uma outra importância. Entre as conclusões do III Congresso Internacional
de Saneamento e Salubridade da Habitação em Dresden, 1911, ratificava-se:
“A importância da
ação direta dos raios do sol é fundamental na construção das cidades.
O espectro solar revelou-nos os raios ultravioletas como sendo microbicidas
por excelência. Todos os micróbios sem exceção são aniquilados pêlos
raios do sol. Ora, é incontestável que o sol tem sido esquecido nos
nossos planos de cidades; é esse um ponto fundamental, que necessita
reforma profunda nos nossos hábitos”. (25)
A insolação como profilaxia,
como terapêutica, vai ganhando corpo no discurso médico. Os engenheiros
e arquitetos compartilham a prática salubrista e colaboravam na vulgarização
da chamada "questão de higiene pública e privada moderna" derivada
dos poderes bactericidas da osculação solar como norteadora dos códigos
sanitários e de obra, impondo orientações para edifícios, aberturas de
janelas e tempos mínimos de insolação, caminhando para questões mais amplas
como orientação e dimensionamento de ruas e quarteirões, afastamentos
mínimos, alturas de prédios. Em particular, os engenheiros contribuíram,
a partir da astronomia, na elaboração de diagramas de insolação e gráficos
de projeção de sombras, evidenciando as melhores orientações segundo a
trajetória solar. Entre os trabalhos pioneiros, encontravam-se "Da
Orientação e Insolação das Ruas e Edifícios", do engenheiro Domingos
Cunha, apresentado ao IV Congresso Médico Latino-americano em 1908, o
artigo na Revista de Engenharia e na Gazeta Clínica, ambos de 1911, do
engenheiro paulista Lúcio M. Rodrigues, "Uma Questão de Hygiene"
(26) e o livro do engenheiro paulista Alexandre de Albuquerque, "Insolação:
orientação e largura das ruas altura dos edifícios" (27), de 1916
(figura 1).
Arquitetura
exótica
Alexandre de Albuquerque
(1880-1940), mais do que propor ábacos de insolação para a condição paulistana,
arremetia-se contra um paradoxo, ainda em 1917:
“Entre nós, nada
se tem feito até agora, para que as novas ruas sejam orientadas de modo
a facilitar o assoalhamento dos prédios marginais.
As fontes de consulta
que possuem os nossos legisladores são as leis criadas e promulgadas
em países estrangeiros. Estas leis, porém, nem sempre se adaptam aos
usos indígenas e muito menos se coadunam com a nossa latitude e condições
climatéricas. A nossa posição geográfica, e as exigências comerciais
e sociais, não aceitam em matéria de insolação, largura de prédios e
altura de edifícios, as normas de Paris ou Berlim.
Para criar preceitos
puramente nossos, precisamos, em primeiro lugar, estudar o problema
astronômico para a latitude local, examinar o clima, os hábitos do povo
e te., para que as conclusões teóricas estejam de acordo com as necessidades
da vida e as condições gerais de salubridade”. (28)
A reivindicação por
uma coerência com o meio ganha força na segunda década do século 20, como
se aufere desta manifestação do médico carioca Afrânio Peixoto (1876-1947):
“A casa, destinada
ao abrigo, deve ser disposta segundo o regime meteorológico do meio
e os costumes dos que a devem habitar. A arquitetura satisfaz estas
necessidades e ajunta o supérfluo, mas já indispensável pela cultura
estética, de bom gosto. De todas as belas artes é ou deve ser a mais
nacional, compreendidos neste qualificativo os sentidos de
étnico e regional. Existe, pois, uma arquitetura grega, latina, árabe,
germânica, eslava, como existem tipos anglo-saxônicos, franceses, mediterrâneos,
mouriscos, etc. Cada tempo, cada raça, cada região, definem assim o
seu caráter, quando o têm. Isto explica porque no Brasil não existe
arquitetura própria; apenas, começam a aparecer alguns raros arquitetos.
Há mestres de obras e engenheiros, que constroem casas mal feitas e
feias, segundo o seu capricho, ou dos proprietários, quando imitam construções
exóticas, disparatadas em nosso meio. As nossas modernas construções
são ainda inferiores, como arquitetura, ao tipo colonial, que era o
menos cômodo e não presumido, sem nenhuma: imitam casas alemãs pesadonas,
chalés suíços com os tetos dispostos a receber neve, cúpulas, cerâmicas
e arrebiques mouriscos, sem fidelidade na aplicação nem propriedade
no conjunto.
Haverá que pensar
no clima e no meio social para o qual se constrói”. (29)
Avocar uma arquitetura
apropriada segundo o clima foi uma preocupação que deve ser necessariamente
relacionada com o emergir de manifestações de nacionalismo, como os discursos
do engenheiro Ricardo Severo (1869-1940) em 1914 (30) e 1917 no Grêmio
Politécnico de São Paulo (31), defendendo uma "arte tradicional no
Brasil" e o estudo da arte colonial como orientação para a "perfeita
cristalização da nacionalidade", ou o proselitismo do médico e historiador
de arte carioca José Marianno Filho (1881-1946) em defesa de uma linha
tradicionalista na arquitetura tendo como base a arquitetura colonial
como a mais adequada "às condições mesológicas" do país (32)
– ambos discursos na origem do movimento conservador que se chamou de
arquitetura neocolonial no Brasil entre os anos 1920 e 30 (33).
Evitando o
sol
Heitor de Souza Pinheiro
foi um engenheiro paulista que desde jovem, no início do século 20, militou
no campo sanitário. Em 1943 publicou um folheto intitulado Excesso
de sol nos aposentos. O título em si e a introdução do trabalho traziam
um posicionamento que caracterizou um novo ponto de vista na questão da
insolação:
“Um distinto arquiteto,
o snr. Eng. Eduardo Kneese de Melo, deu-nos a honra de nos consultar
sobre a questão seguinte: qual a direção dos raios solares, nas diferentes
horas do dia, em São Paulo, no rigor do verão?
Seu intuito era
o de estudar, com esses elementos, os meios de proteger o interior das
edificações contra o sol excessivo, escolhendo, para esse fim, situação
conveniente para as janelas e posição adequada para os 'stores' das
mesmas.
É, pois, um problema
interessante e de aplicação imediata para todos os arquitetos brasileiros”.
(34)
Como se sabe, Eduardo
Kneese de Mello (1906-94) foi um dos pioneiros da arquitetura moderna
em São Paulo. Sua solicitação mirava uma perspectiva distinta daquela
que presidiu o interesse inicial pela geometria da insolação. O intuito,
como assinalava Pinheiro, era proteger o interior das edificações
contra o sol excessivo, e não assegurar uma insolação mínima, conforme
os ditames higienistas de origem salubrista. Essa postura "anti-solar",
se assim podemos chamar, consolidava-se nos anos 1940. O engenheiro carioca
Paulo Sá, pioneiro de questões de conforto térmico, como veremos adiante,
postulava de maneira sistemática essa nova maneira de enfrentar o excesso
de insolação:
“Entre nós, os que
não se contentavam com repetir as regras européias ou americanas sobre
o assunta, baseavam a orientação no cálculo do número mínimo de horas
de insolação exigidas. Consideravam assim o problema como uma questão
de mínimo a ultrapassar, mediante o fenômeno com a hora de insolação
como unidade.
Ora, afixação de
um mínimo correspondente a admitir que em nosso paia a ação do sol é
tanto mais benéfica quanto mais prolongada. Não o será, com certeza,
pelo seu efeito térmico: já que no Brasil (na parte tropical do país)
há calor em excesso e o objetivo será sempre diminuí-lo quanto se possa.
[...] Quanto à ação luminosa, já mostramos em outro trabalho que os
iluminamentos habituais são aqui antes excessivos do que deficientes:
e não há, em regra, qualquer perigo de que falte iluminação solar (a
não ser em casos excepcionais, como por exemplo em prédios muito altos
com as passagens absurdamente estreitas que entre eles se permitem).
Restaria ainda a
ação dos ultravioletas. Em relação a esses, em nosso estudo A orientação
dos edifícios da Cidade Universitária do Rio de Janeiro (1937) calculamos
que quase sempre atingimos fácil e superabundatemente os mínimos que
os especialistas exigem”. (35)
Efetivamente, desde
meados dos anos 1930, Paulo Sá vinha desenvolvendo pesquisas para o Instituto
Nacional de Tecnologia – organismo vinculado ao Ministério do Trabalho,
Indústria e Comércio –sobre conforto ambiental, em trabalhos como "Estudo
sobre o conforto térmico e o conforto visual no Brasil" (36); "O
problema da iluminação natural e da insolação no Rio de Janeiro"
(37); "A orientação dos edifícios da Cidade Universitária do Rio
de Janeiro" (38); “A orientação dos edifícios nas cidades brasileiras"
(39); "A reflexão térmica e a proteção contra o calor" (40);
e "Arquitetura e conforto na Cidade Universitária" (41), entre
outros estudos, todos para o INT, constituindo um corpo próprio de conhecimento
a partir de experiências e estudos de campo ou de intercâmbio de informações
com base em estudos nacionais e internacionais.
Uma cultura do conforto
térmico se estabelecia então, como se apreende deste outro trecho da introdução
de Heitor de Souza Pinheiro:
“No Brasil os dias
são quentes na maior parte do ano, mesmo nas regiões do sul, onde o
inverno é real e não apenas teórico. Quando nossos avós criaram a arquitetura
colonial, agiram com discernimento adotando paredes espessas, beirais
largos, janelas com rótulas, e outros dispositivos que a arte de construir
podia lhes dar naquela época para atenuar os rigores dos climas escaldantes
e das chuvas torrenciais.
Compete ao engenheiro
moderno o estudo e divulgação das múltiplas maneiras conducentes à melhoria
do conforto no interior da habitação por meio de isolamento térmico
das paredes, de bons sistemas de ventilação, da análise cientifica da
insolação e de outros processos naturais, atinentes ao fim colimado.
Entretanto, isso vai sendo feito a passos de tartaruga.
Insistimos sobre
os processos naturais porque são de aplicação pouco dispendiosa, contrariamente
ao que se verifica com os processos artificiais, como ar condicionado
por exemplo, eficiente, não há duvida, mas luxuoso pelo alto custo das
instalações e, pior ainda, pelas despesas que acarreta, elevadas e permanentes,
de combustível e de energia elétrica”. (42).
Por uma nova
arquitetura
Caberia registrar
uma atitude pioneira, embora, por enquanto, considerada isolada, do médico
pernambucano Aluízio Bezerra Coutinho que, em 1929, apresentou sua tese
"O problema da habitação hygienica nos paizes quentes em face da
Architectura Viva”, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.
Tentando interpretar Le Corbusier e citando outros arquitetos modernos,
Bezerra Coutinho propunha uma adequação da arquitetura brasileira às condições
climáticas defendendo a proteção ao excesso de calor recorrendo a novos
materiais, técnicas e à estética corbusieriana. Tomando as palavras de
Le Corbusier em Ver s une architecture, Bezerra Coutinho afirmava:
“Não obstante, precisados
desde 1923, os lermos deste problema, nem por isso, hoje, se poderá
afirmar a posse de soluções adequadas para a totalidade de suas minúcias.
Porque, em arquitetura, não há uma fórmula perfeita, suficientemente
plástica, para se adaptar a todas as contingências. Há, porém, um método
geral, o do encontro das soluções naturais. Este é o método que a Arquitetura
Viva propõe.
A casa é um envoltório
que encerra no seu espaço interior uma atmosfera de qualidades constantes,
própria para a existência confortável do homem. Um abrigo contra o ambiente
e suas variações, cujas amplitudes nem sempre são compatíveis com a
existência normal.
Mas um abrigo adequado.
E para isto necessariamente,
o meio deverá, por suas características, condicionar a casa. Os climas
extremos exigem as soluções extremas.
Na adequação da
casa às condições locais reside o nó da questão. E sua resolução trará
o estabelecimento de padrões que serão definitivos, uma vez que no sentido
da eficácia, representem o aproveitamento máximo das possibilidades
dos meios técnicos empregados”. (43)
Aluízio Bezerra Coutinho
apelava também para vislumbres antropológicos para chamar a atenção da
pertinência da arquitetura vernacular como solução ambiental:
O estudo das propriedades
da casa nativa dos trópicos, e o conseqüente reconhecimento das causas
determinadoras de suas vantagens, permite entrever a maneira de realizar
a casa racional, já pelos materiais a serem empregados, já pêlos recursos
técnicos aplicados no sentido de obterem a reprodução de suas qualidades,
evitando o aparecimento dos seus defeitos, oriundos, evidentemente,
dos recursos precários de que pode dispor o nativo. (44)
Se cotejarmos as maneiras
de tratar certos temas entre Alexandre de Albuquerque, em meados dos anos
1910, e Aluízio Bezerra Coutinho, pouco mais de década e meia depois,
sentiremos mesmo nos pormenores as diferenças de postura. Em Alexandre
de Albuquerque, em 1917, o exame do significado de uma janela tinha uma
denotação:
“Dividiremos o presente
estudo em duas partes: na primeira, examinaremos a janela como fonte
de calor, permitindo o assoalhamento interno dos aposentos, e, na segunda,
será considerada como fonte de luz”. (45)
Já para Bezerra Coutinho,
a abertura teria outro sentido:
“Uma janela, porém,
não é uma simples solução de continuidade. Consiste também nos dispositivos
controladores como as vidraças, persianas, etc., que regulam a maior
ou menor iluminação, ou ventilação ministrada. Estes elementos de janela
devem merecer um estudo detalhado até o estabelecimento de modelos definitivos,
cuja produção possa ser empreendida em série”. (46)
Evidencia-se que para
Albuquerque, a janela é um fundamento higienista, no qual a insolação
tem dupla função e deve responder ao preceito salubrista; para Coutinho,
o vão é responsável por múltiplas funções contemplando o conforto ambiental,
que necessita de um projeto racional passível de serialização – um pressuposto
derivado do ideário moderno.
Não se pode atribuir
a Coutinho, como a Paulo Sá, completa reformulação dos postulados de conforto
ambiental, embora tenham constituído atitudes renovadoras em seu tempo.
O tirocínio ambiental de Bezerra Coutinho tinha como referência – não
isenta de uma confessa admiração – o livro de Dessoliers, que acima enquadramos
como um manual colonialista. Paulo Sá admirava o geógrafo norte-americano
Ellsworth Huntington (1874-1947), "a maior autoridade talvez no que
se refere às relações entre clima e o homem", no dizer do engenheiro
carioca, mas autor reconhecido como de tendências físico-deterministas
e racistas.
Mas a esta geração
de técnicos, como Paulo Sá (figura 2), se deve a constituição de uma disciplina
de conforto ambiental como entendemos hoje, de raiz racionalista e fundamentada
nos preceitos da arquitetura moderna. Afirmava Paulo Sá, sobre a transição
entre e "velha" e a "nova" maneira de encarar o problema:
“Visando, porém,
sempre o belo, procurando sempre conseguir no que construíam, "aquilo
que visto agrade" o arquiteto e o construtor deixavam num discreto
segundo plano as considerações de conforto. Quem quer que examine, desse
ponto de vista, as maravilhosas realizações da arte arquitetural de
outros tempos, logo observa esse descaso relativo pelo bem estar dos
que iam morar nas casas edificadas. Isso se evidencia, seja na disposição
em planta dos cômodos, como nas formas com que se imaginavam os móveis
(tão mais para serem vistos do que usados), seja na escassez de vãos
iluminantes (tão necessários que eram nos céus pouco luminosos dos países
europeus), como na ausência de instalações que fizessem mais confortável
a vida dos moradores.
As casas eram antes
quadros de ver ou espetáculos para a vista. [...]
Ao contrário dessa
tendência mais ou menos constante através da variação dos estilos e
da variedade dos povos nos séculos anteriores, a idade atua! revelou
na arte arquitetural a preocupação fundamental de obter um ambiente
confortável para o homem.
Esse o sentido da
expressão (incontestavelmente exagerada e exageradamente mecanizada
mas com certeza tradutora de uma indiscutível realidade) que definiu
a casa como uma ‘máquina de morar’ (ao invés do ‘quadro para ver’, a
que antes nos referíamos). [...]
Uma evolução mais
recente, porém, levou adiante o conceito de conforto, nele incluindo,
como parte de importância primordial, o ambiente propriamente dito,
a luz em que "moram" os olhos, o ar que os pulmões respiram,
o calor, a umidade e as correntes aéreas em que vivem mergulhados os
corpos. [...]
Os estudos que há
perto de vinte anos vimos fazendo sobre "conforto térmico",
"conforto luminoso", "orientação dos edifícios"
em nosso país e para nossa gente, marcavam essa tendência da arte arquitetural
moderna que os anos anteriores têm confirmado sempre mais: esse sem
dúvida o seu único valor”. (47)
A "arte da aclimatação",
em especial nos trópicos úmidos, parece uma crônica de disparates. No
passado, procurava-se esquivar da corrente do ar, evitando o temeroso
miasma, e a ventilação seria a forma de controlar a insalubridade, como
defendia Schreiner; depois, renovar o ar se tornou a palavra de ordem,
e ventilar uma maneira de proporcionar alívio. Antes, buscava-se a máxima
insolação para tirar proveito da assepsia promovida pêlos raios solares;
depois, o problema se tornou o "excesso de sol nos aposentos",
como se pode auferir do título do opúsculo de Heitor de Souza Pinheiro.
Afrânio Peixoto tolerava na arquitetura "ajuntar o supérfluo"
– a "cultura estética, o bom gosto" –desde que a casa obedecesse
ao "regime meteorológico". Paulo Sá – com todo cuidado de relativizar
os termos – propugnava uma maior atenção as considerações de conforto,
defendendo a "máquina de morar" no lugar do "quadro para
ver". Era a proposição do "certo" – o conforto –, superando
o "incerto" – o belo. Superar essas falsas dualidades é um esforço
ainda inconcluso. Dualismo que se caracterizou na história alimentado
por preconceitos racistas, pêlos impulsos usurpadores do colonialismo,
pelo controle social promovido pelo salubrismo, pela defesa de nacionalismos
toscos. No limiar do século 21, ainda é preciso abandonar o estado de
inocência que circunscreve o conforto ambiental nos limites da temperatura,
da umidade, dos ventos, da luminosidade. Franz Kafka recorda que "a
fé no progresso não implica a convicção de que algum progresso já tenha
sido alcançado, pois então não seria fé". O higrômetro não rege a
estética, o anemômetro não registra crenças, o termômetro não mede a temperatura
das práticas sociais. Mas o conhecimento de que o ambiente é tributário
de tudo isso é um passo para a formação de uma consciência.
Notas
1
Publicado originalmente em Ambiente Construído, v. 3, n. 2, p.
37-46. Porto Alegre, Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído,
abr./jun. 2003. ISSN 1415-8876.
2
BENNETT, William; et al. Villa-Lobos music for flute. London,
Hyperion, 1989. l CD.
3
ORQUESTRA SINFÓNICA DE GALICIA; MENESES, António; PÉREZ, V.P. Heitor
Villa-Lobos: Conciertos para Violonchelo y Orquestra n° l e 2. França,
Auvidis, 1999. l CD.
4
NEW WORLD SYMPHONY; THOMAS, M. T. Alma brasileira. [S.l.]: RCA
Victor Red Seal/BMG Classics, 1997. l CD.
5
GERBI, Antonello. O novo mundo: história de uma polemica (1750-1900).
São Paulo, Companhia das Letras, 1996, passim.
6
Idem, ibidem, p. 45, 49, 73.
7
DESSOLIERS, H. L'habitation dans les pays chauds: contribution à l’art
de l'acclimatation. Alger, Imprimerie P. Bienvenu, 1882.
8
DESSOLIERS H. Op. cit., p. 10
9
DESSOLIERS H. Op. cit., p. 4-5
10
AMBIENTE. In: BRUN, Bernard; LEMONNIER, Pierre; RAISON, Jean-Paul; RONCAYOLO,
Michel. Enciclopédia Einaudi>. Lisboa, Imprensa Nacional, 1986.
v. 8, p. 11-36.
11
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 6. ed. Rio de Janeiro,
Graal, 1986, p. 214.
12
LOBATO, Monteiro. Problema vital. São Paulo, Revista do Brasil,
1918, p. 104.
13
SCHREINER, Luiz. Estudos sobre ventilação em geral e na sua applicação
a escolas, hospitaes, theatros, salas de reuniões grandes, habitações,
etc., etc., baseados nos trabalhos do general Morin, Luiz Degen, A. Pinzger
e outros. Rio de Janeiro, Typ. De Leuzinger, 1878.
14
SCHREINER, Luiz. Op. cit., p. 87.
15
Idem, ibidem, p. 3.
16
Idem, ibidem, p. 4.
17
Idem, ibidem, p. 3.
18
Idem, ibidem, p. 12.
19
FREIRE, Victor da Silva. Códigos sanitários e posturas municipaes sobre
habitações (alturas e espaços): Um capitulo de urbanismo e de economia
nacional. Boletim do Instituto de Engenharia, São Paulo, v. l,
n. 3, fev. 1918, p. 280.
20
Idem, ibidem, p. 280.
21
PEREIRA, M. A casa como base da saúde. In: Educação sanitária (hygiene
e medicina preventiva) pêlos inspectores médicos e dentários da Directoria
de Instrucção para uso dos membros do Magistério Municipal. Rio de
Janeiro, Francisco Alves, 1930, p. 425.
22
SCHREINER, Luiz. Op. cit., p. 3.
23
FREIRE, Victor da Silva. A cidade salubre. Revista Polytechnica,
São Paulo, v.8, n. 48, p. 319-354, 1914, p. 326.
24
Idem, ibidem, p. 326.
25
FREIRE, Victor da Silva. Prefacio. In: ALBUQUERQUE, Alexandre de. Insolação:
orientação e largura das ruas, altura dos edifícios. São Paulo: O
Estado de São Paulo, 1916. p. ix. Secção de Obras d'O Estado de São
Paulo.
26
RODRIGUES, Lúcio Martins. Uma questão de hygiene. Revista de Engenharia,
São Paulo, v. l, n. 6, p. 169-175, 10 nov. 1911.
27
ALBUQUERQUE, Alexandre de. Op. cit.
28
ALBUQUERQUE, Alexandre de. Hygiene da residência urbana. Memória. In:
CONGRESSO MEDICO PAULISTA, 1917, São Paulo. São Paulo: O Estado de
S. Paulo,1917, p. 4.
29
PEIXOTO, Afrânio. Hygiene. 2. ed. Rio de Janeiro, Francisco Alves,
1917, p. 286-287. Grifo no original.
30
SEVERO, Ricardo. A arte tradicional no Brasil: a casa e o templo.
In: SOCIEDADE DE CULTURA ARTÍSTICA. Conferencias 1914-1915. São Paulo,
Typographia Levi, 1916.
31
HOMENAGEM a Ricardo Severo: centenário de seu nascimento 1869-1969. São
Paulo, s.n., 1969 [?].
32
MARIANNO FILHO, José. À margem do problema arquitetônico nacional.
Rio de Janeiro, s.ed., 1943.
33
SEGAWA, H. Arquiteturas no Brasil 1900-1990. 2. ed. São Paulo,
EDUSP, 1999, p. 35-39.
34
PINHEIRO, Heitor de Souza. Excesso de sol nos aposentos. São
Paulo, Revista dos Tribunais, 1943, p. 5. [publicação da Engenharia Sanitária
do Departamento de Saúde de São Paulo].
35
SÁ, Paulo. A orientação dos edifícios nas cidades brasileiras.
Rio de Janeiro, Instituto Nacional de Tecnologia, 1942, p. 9-10.
36
SÁ, Paulo. Estudo sobre o conforto térmico e o conforto visual no
Brasil. Rio de Janeiro, Instituto Nacional de Tecnologia, 1936.
37
SÁ, Paulo. O problema da iluminação natural e da insolação no Rio
de Janeiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional de Tecnologia, 1937.
38
SÁ, Paulo. A orientação dos edifícios da Cidade Universitária do Rio
de Janeiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional de Tecnologia, 1937.
39
SÁ, Paulo. A orientação dos edifícios nas cidades brasileiras
(op. cit.).
40
SÁ, Paulo. A reflexão térmica e a proteção contra o calor. [S.L:
s.n.], 1943.
41
SÁ, Paulo. Arquitetura e conforto na Cidade Universitária. Rio
de Janeiro, Instituto Nacional de Tecnologia, 1952.
42
PINHEIRO, Heitor de Souza. Op. cit., p. 5-6.
43
COUTINHO, Aluízio Bezerra. O problema da habitação hygienica nos paizes
quentes em face da "Architectura Viva". Rio de Janeiro,
Offícinas Alba Graphicas, 1930, p. 11-12
44
Idem, ibidem, p. 47.
45
ALBUQUERQUE, Alexandre de. Hygiene da residência urbana (op.
cit.).
46
COUTINHO, Aluízio Bezerra. Op. cit., p. 58.
47
SÁ, Paulo. Arquitetura e conforto na Cidade Universitária (op. cit.),
p. 9-11. Grifo no original.
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Capa do CD: Orquestra
Sinfónica de Galicia - Heitor Villa-Lobos: Conciertos para
Violonchelo y Orquestra n° l e 2. França, Auvidis, 1999

Capa do CD: William
Bennett and friends et al. Villa-Lobos music for flute. London,
Hyperion, 1989

Página de rosto
do livro: DESSOLIERS, H. De L'habitation dans les pays chauds:
contribution à l’art de l'acclimatation. Alger, Imprimerie P. Bienvenu,
1882



Página de rosto
do livro: SCHREINER, Luiz. Estudos sobre ventilação em geral
e na sua applicação (...). Rio de Janeiro, Typ. De Leuzinger, 1878




Planta e corte da
construção de um cômodo experimental para os estudos
de conforto térmico e luminoso - Cidade Universitária

Vista do cômodo
experimental (Figura 2); Fotografia tomada durante uma das observações
fotométricas, no cômodo experimental (Figura3)

Estudo de conforto
para a Cidade Universitária

Estudo de iluminamento
para janela

Estudo de ventos predominantes
na Cidade Universitária na Primavera

Estudo de ventos predominantes
na Cidade Universitária no Verão

Estudo de ventos predominantes
na Cidade Universitária no Inverno

Hospital Universitário
/ UFRJ, arquiteto Jorge Machado Moreira, Ilha do Fundão, Rio de
Janeiro, 1957

Faculdade Nacional
de Arquitetura / UFRJ, arquiteto Jorge Machado Moreira, Ilha do Fundão,
Rio de Janeiro, 1957

Faculdade Nacional
de Arquitetura / UFRJ - vista externa do Hall principal

Hospital das Clínicas
de Niterói - Planta de Situação

Hospital das Clínicas
de Niterói

Hospital das Clínicas
de Niterói - Diagrama de Insolação: Solstício
de Verão

Figura 1 (a) – Diagrama de insolação e projeção de sombras em dois momentos
(ALBUQUERQUE, 1916) - Diagrama apresentado em meados dos anos 1910, em
estudo de Alexandre de Albuquerque para hospital em São Paulo

Figura 1 (b) – Diagrama de insolação e projeção de sombras em dois momentos
(ALBUQUERQUE, 1916) - Diagrama apresentado no final dos anos 1930, no
anteprojeto do Hospital das Clínicas de Niterói, de Raphael Galvão - Solstício
de Inverno

Figura 2 – Estudo de Paulo Sá da implantação dos edifícios da Cidade Universitária
da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro)
na Ilha do Governador em 1950 – projeto urbanístico do arquiteto Jorge
Machado Moreira
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