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Este
livro, aparentemente despretensioso, do urbanista italiano Bernardo Secchi
atualiza possíveis significações relativas às questões do ensino, do saber
e do poder e, principalmente, do projeto da cidade contemporânea.
A palavra Lezione,
contida no título original da coleção, remonta a uma tradição acadêmica
como a da prestigiosa instituição da capital francesa, Collège de France,
onde Michel Foucault pronunciara, em 1970, a aula magna intitulada "A
ordem do discurso". Mas é a conferência, de posse e de abertura,
do novo curso de semiologia literária nesta instituição do professor Roland
Barthes denominada Leçon, em 7 de janeiro de 1977, que o autor
faz referência para explicitar seu percurso narrativo (2).
Passados sete anos
da edição italiana do referido livro (Laterza, 2000), Prima lezione
di urbanistica é traduzido ao português mantendo a tradução literal
da palavra “lição” e não “aula”, como optara,
por exemplo, Leyla Perrone-Moisés na tradução de Roland Barthes (3).
A estrutura do
livro
Alguns urbanistas
consideram importante fornecer uma definição de urbanismo através das
suas intervenções projetuais. No contexto brasileiro poderíamos mencionar
por exemplo, Victor da Silva Freire (1869-1951) (4), Donat-Alfred Agache
(1875-1959) (5), Francisco Prestes Maia (1875-1965) (6), Lúcio Costa (1902-1998)
(7), João Batista Vilanova Artigas (1915-1985) (8), Jorge Willhem (1928–)
(9) ou ainda Luiz Ignácio Romeiro de Anhaia Mello (1891-1974) (10). Alguns
historiadores de urbanismo, apresentam no índice um claro esquema espaço-temporal
a partir de um elenco de obras amplamente ilustrado. Bernardo Secchi,
ao contrário, apresenta um índice erradicado de qualquer temporalidade
e de um elenco de obras evitando uma imediata explicitação do arco temporal
trabalhado.
O percurso transversal
proposto elenca algumas figuras, que remontam temporalidades diversas
e superpostas como artifício para percorrer, na longa duração braudeliana,
toda a tradição disciplinar inclusive aquela pré-moderna.
Através da primeira
figura evocada o autor cria um deslizamento ou déplacement (signo
nuclear da teoria, crítica e escritura barthesiana) do foco da disciplina
urbanismo enfatizando que não é “na cidade que devemos procurar
as figuras do urbanismo” mas no jardim, entendido como ornamento
do solo, que ao ser “construído ex novo” mantém “relações
profundas com as características do lugar através da constituição física
e da forma dos terrenos, das águas e da vegetação, da subdivisão das áreas
de cultivo e das propriedades do solo agrário” [...] “torna-se,
ao longo da história da cidade, exercício de controle das relações espaciais
e de projetos conceituais” (11).
Se a entrada para
se falar sobre Urbanismo é o jardim, esta aciona a escala da cidade e
do território, permitindo uma reconciliação com os outros saberes como
o dos geógrafos e geólogos, antropólogos, botânicos, topógrafos e engenheiros,
agrônomos, sociólogos, médicos e economistas, advogados, historiadores
e arquitetos.
Em um movimento contrário,
emerge uma outra figura instrumentalizada pelo autor, o fragmento, remetendo
à “concepção topológica do espaço, à importância da diferença e
da especificidade dos lugares”. A compreensão da atomização dos
contextos urbanos, que aparece na figura do fragmento, assume uma dupla
condição: a realidade material em si e a do sujeito que a vivencia. A
primeira representa o conjunto complexo de transformações que somente
a partir de tempos relativamente recentes foram centro de análises sistemáticas
e aprofundadas, como aquelas da cidade difusa (12); a segunda ao contrário,
assumiu ao longo do tempo um lugar dentro da história da filosofia e da
cultura ocidental, sendo reconhecida como uma das características da modernidade.
Ao tratar da Cidade
moderna e cidade contemporânea o autor faz emergir a variável tempo
através da correlação entre tempo histórico e espaço histórico rejeitando
a concessão de uma historicidade linear segundo a qual a cidade moderna
e a cidade contemporânea fazem parte de dois extremos opostos. Afinal,
o método de subdivisão do mundo em entidades elementares e abstratas,
explicitadas nos conceitos de materiais ou fragmento, corresponde à decomposição
das figuras da arte e da arquitetura em seus elementos irredutíveis, seguindo
rastros dos princípios do século XX, da teorização arquitetônica de raiz
racionalista que absorve as indicações precedentes das vanguardas figurativas,
tal como encontramos no elementarismo abstrato de Vasili Kandinsky (1866-1944),
Piet Mondrian (1872-1944) ou outros autores do grupo De Stijl, ou tal
como se realiza nos experimentos construtivistas da vanguarda russa, como
no espaço Proun de El Lissitzky (1890-1941) ou na dodecafonia de Arnold
Schönberg, como cita o próprio autor.
Na terceira sessão
proposta pelo autor, esboça-se uma tensão entre “Projeto(s)”
e o “O projeto da cidade contemporânea”, entre um livro de
história do urbanismo e um itinerário de pesquisa partindo da análise
à proposição. A afirmação da segunda formulação é assumida como que parafraseando
André Corboz, para o qual “o mundo não é somente para ser lido mas
sempre para ser escrito. E é justamente por isso que o último destino
do olhar é sempre e de qualquer forma o projeto” (13).
Partindo do princípio
de que cada definição é sempre um “constructo estratégico”
(14), e que cada um dos urbanistas supracitados deve ser lido à luz de
sua conjuntura, o que Secchi exprime, e que sem dúvida é o escopo do seu
livro Primeira lição de urbanismo, é falar de um urbanismo como
testemunho de um vasto conjunto de práticas, que são aquelas da contínua
e consciente modificação do estado do território e da cidade. Mas também
para o autor falar de urbanismo hoje significa ocupar-se de algumas coisas:
como elaborar projetos pontuais a serem inseridos dentro de uma visão
de longo período que são passíveis de serem controlados continuamente
com cenários (15).
Logo, o jardim, mas
também o fragmento e as outras figuras em um contínuo deslize, aparecem
como aquilo que tem consistência material e visível e que constitui um
depósito físico dos processos econômicos e sociais, a herança de um momento
histórico que dura no tempo (16). A forma comporta-se como uma espécie
de arquivo das políticas e das práticas que podem ser reinterpretadas,
com a prerrogativa de poder ser observada de maneira direta compondo uma
ampla e eclética seleção de “materiais” (17) a serem manipulados.
A condição de “fragmento” que cada elemento assume na cidade
contemporânea tem a possibilidade de ser reconhecido na sua identidade
individual, de um possível isolamento do contexto do qual porém, torna-se
difícil, se não impossível, reconstruir a unidade, e do qual somente a
parte é capaz de conter as regras gerais.
O tema subliminar
colocado é aquele da relação entre projeto arquitetônico ou urbanístico
e a cidade pré-existente ou, em outras palavras, da relação entre arquitetura
e contexto que pode ser lido com angulações diversas reportando-se a diversos
modos de assumir o contexto histórico-geográfico como material de projeto.
Neste sentido, a afirmação da morfologia aparece no seio da disciplina
urbanismo como componente fundamental na transformação do território,
aqui revistos com o intuito de revelar a postura crítica e criativa do
urbanista num exercício de renovação contínua na estrutura descontínua
da paisagem como um palimpsesto (18).
Inserção crítica
do livro
Primeira lição
de urbanismo no Brasil, re-percorre um filão de efetiva contribuição
e diálogo entre profissionais dos dois países, também nos anos pós Brasília,
por exemplo revelada através de importantes traduções de textos italianos
nas áreas de urbanismo, história e arquitetura, como Território da
arquitetura (19), História da arquitetura moderna (20), História
da arte como história da cidade (21), A cidade e o arquiteto
(22), Arte moderna (23), Saber ver arquitetura (24), Arquitetura
da cidade (25), Projeto e destino (26), dentre outros, sem
incluir aqueles publicados em Portugal que certamente tiveram grande repercussão
no Brasil.
Em um contexto mais
amplo, pode-se alargar o escopo analítico pensando sobre a importância
que os livros e revistas, principalmente Casabella e Urbanistica,
tiveram no debate de um retorno à cidade que se propaga nos anos de 1970.
Franco Mancuso traduz esse momento como aquele em que “a cultura
urbanística recuperou o interesse pelos aspectos formais da cidade e do
território, e reivindicou sua autonomia e seu papel específico nos processos
de reorganização territorial” (27), muitas vezes aparece refletido
na projetação urbana, na idolatria pelo existente ou na afirmação do morfologismo,
como únicas possibilidades do projeto na cidade contemporânea. Alguns
estudos apontam nesta direção, principalmente na França, Espanha, e na
América do Norte (28).
Marco De Michelis
em “Ceci tuera cela” discorre sobre essa problemática, apontando
alguns livros fundamentais na consolidação deste processo:
“Quando, nos
anos Sessenta, a arquitetura ocidental tenta conceber seu próprio estatuto
autônomo capaz de interpretar através da especificidade e historicidade
da própria cultura os grandes processos de transformações do mundo,
foram dois livros escritos por arquitetos que determinaram as bases
conceituais desta operação. Ambos publicados em 1966, Complexity
and contradiction in Architecture de Robert Venturi e L’architettura
della cittá de Aldo Rossi, que testemunham este esforço extraordinário
de reconduzir as práticas à sua identidade disciplinar e o direito de
tomar posse da sua especificidade histórica. Mas também um pequeno livro
escrito por um historiador assume um papel crucial neste caso, Progetto
e utopia de Manfredo Tafuri, que retomava e ampliava a análise desenvolvida
em um ensaio de 1969 no qual a idéia de uma “arquitetura autônoma”
era interpretada como o reflexo do seu estatuto ideológico, da angústia
que acompanhava a arquitetura desde o advento da sociedade capitalista,
que a tinha separado dos grandes processos de inovações técnica e científica,
dos mecanismos reais de domínio e de poder, condenando-a ao papel subalterno
de intérprete crítico, isto é, de re-formadora daquilo que os outros
saberes já tinham determinados” (29).
Ressaltar as diferenças
da recepção destes livros nos diversos contextos, talvez sirva para iluminar
relevantes reflexões do ponto de vista historiográfico, que explicariam
as diferenças de temas, como aquela do debate cultural sobre projeto urbano
entre a Itália e a cultura britânica (30), apesar de se colocarem cronologicamente
no mesmo período. Ou ainda, na relevância que os mesmos produziram possibilitando
importante mediação entre a cultura do Moderno e leitura operativa dos
contextos históricos em relação à “nova dimensão” do fato
urbano.
Ao compor o cenário
de cinqüenta anos do urbanismo italiano a partir de biografias, Gabelline
discorre sobre as transformações da disciplina através das figuras de
Luigi Piccinato (1899-1983), Plínio Marconi (1893-1974), Giuseppe Samonà
(1898-1983), Ludovico Quaroni (1911-1987), Giovanni Astengo (1915-1990),
Giuseppe Campos Venuti (1926–), Giancarlo De Carlo (1919-2005) e
Bernardo Secchi (1934–). A contribuição do nosso autor, que é analisada
em uma operação lógica de recomposição interna à disciplina, restabelece
um “percurso interrompido” de um debate crucial sobre a oposição
entre plano e projeto, entre urbanismo e arquitetura, de uma geração formada
por Giuseppe Samonà (31), Ludovico Quaroni (32), e Giancarlo De Carlo
(33).
“Secchi adota
o conceito de regra, contido na definição de contexto
utilizada por Samonà para ler a relação entre formas físicas e sociais,
entre partes morfologicamente complexas da cidade e do território; apóia-se
ao projeto de arquitetura para a construção do plano, co-dividindo a
convicção de De Carlo, que o projeto era um modo para representar a
demanda do espaço habitável enquanto fornecia referência e colocava
vínculos à argumentação e ao imaginário, que neste sentido agiria como
um ‘guia’ fundamental; trabalha sobre a distinção introduzida
por Quaroni entre ‘plano-idéia’ e ‘plano-norma’
e sobre ‘modelos diretores’ prospectando o ‘projeto-norma’
como um irrenunciável ‘depósito inerte’ de soluções atentamente
pré-figuradas, não imediatamente passíveis de atuação e, por isso, confiadas
a sucessivas – mas apropriadas- interpretações” (34).
1. Nos artigos dos
anos de 1980, agrupados no livro Un progetto per l’urbanistica
(35), Secchi delimita um campo de investigação para o urbanismo a partir
de questões, sem negligenciar a forma física da cidade, entendida como
síntese de processos sócio-econômicos capazes de levar a repensar o papel
do urbanismo na sociedade contemporânea. Suas reflexões situam-se na linha
da reconstrução da identidade e da autonomia do urbanismo como disciplina,
que mantém vínculos estreitos com a arquitetura, mas que em alguns pontos
se distingue da mesma. No texto em que Secchi polemiza o propósito da
relação entre plano e projeto, Benevolo sustenta que “o ‘urbanismo’,
na sua especificidade, é o conjunto de técnicas capaz de colocar cada
projeto de arquitetura no tempo e no lugar preciso; deve criar condições
preliminares para a arquitetura e não antecipar arbitrariamente seus resultados.
Os instrumentos urbanísticos, por sua vez, são formalizações parciais
pertencentes a uma seqüência que, no seu conjunto, apresenta-se como um
fato arquitetônico na sua totalidade e se justifica por tornar eficaz
a fase de realização final” (36).
Para Benevolo, a inclusão
de determinados projetos no plano não passava de um modo para satisfazer
a especulação imobiliária. Partindo do fato de que as condições eram outras,
a resposta de Secchi rejeitava a idéia do plano como o ponto de partida
de uma série de instrumentos hierarquicamente subordinados, mas o entendia
como “um projeto concreto capaz de se constituir em programa para
uma nova investigação […] sobre as relações de diversas ordens de
espaços e construções”, na qual à administração caberia “definir
os tempos e os modos de uma ativação legítima dos interesses, questão
muito mais complexa que o respeito somente às regras do jogo” (37).
Ao ensinamento destes
mestres, recordando Saverio Muratori (38) e as discussões interdisciplinares
que cada um deles coloca, sobretudo Samonà, florescem nos anos de 1960,
sobretudo, na escola veneziana, o interesse por uma nova abordagem do
aporte da arquitetura ao tema do controle/projeto da forma urbana. Um
nome importante dentro deste contexto é, sem dúvida, o de Aldo Rossi e
seu livro intitulado L'architettura della città, que através dos
estudos de seus "fatos urbanos" chega a uma hipótese de "projetação
da cidade" fundada sobre um processo analógico instituído entre a
estrutura urbana histórica e a construção da cidade nova e escreve: "eu
creio que o modo mais sério de operar sobre a cidade, ou para melhor entendê-la
– que não é muito diferente –, é aquele de colocar uma mediação
entre a cidade real e a cidade análoga. E que esta última, se coloque
como a autêntica projetação da cidade [...]. Em outros termos, é uma forma
de servir-se de uma série de elementos diversos, entre eles ligados ao
contexto urbano e territorial, como ponto central da nova cidade"
(39).
Temos formulada, desta
forma, "a hipótese de uma teoria da projetação arquitetônica onde
os elementos são pré-fixados, formalmente definidos, mas onde o significado
que desencadeia o processo da operação é o sentido autêntico, imprevisto,
original, da investigação", já que "cada um pode se encontrar
diante de elementos fixos e racionais, na própria história, e acentuar
o caráter peculiar de um lugar, de uma paisagem, de um monumento"
(40).
A intervenção de Rossi
na cidade coloca primariamente o problema do conhecimento do significado
do urbano e de sua imagem, para a posteriore transferi-lo "analogicamente"
no projeto.
Vale sublinhar, que
o estudo de Aldo Rossi desencadeia uma posição a respeito da "projetação
urbana" que tende a excluir a formação de uma disciplina intermediária
entre arquitetura e urbanismo, mas que atribui às teorias e às técnicas
da projetação arquitetônica, a tarefa de tomar para si, temas e problemas
relacionados à cidade, e que, conseqüentemente, reafirma a necessidade
de uma relação – não necessariamente dedutiva – entre análise
urbana e projeto arquitetônico.
Em síntese, a “arquitetura
– afirma Aymonino – é considerada um fenômeno urbano",
e assim, “tem todas as prerrogativas e o dever para intervir a favor
da definição física da cidade”. Isto não significa substituir ou
sobrepor as técnicas da arquitetura àquelas do plano; mas identificar
um papel cognitivo preciso e propositivo para a arquitetura na projetação
da cidade reconhecendo que “uma das características essenciais da
arquitetura como fenômeno urbano é aquele de se colocar, de quando em
quando, ‘em relação à’ (a outras arquiteturas existentes,
à uma determinada paisagem, a um sistema de infra-estrutura, etc.); de
ser parte completa de um processo em contínuo desenvolvimento...”
(41).
A "projetação
urbana" qualificaria, não tanto como “disciplina” isolada
ou como "técnica" específica, mas como tema que tem por objeto
a cidade e a sua definição física e formal. A cidade é, portanto, como
o objeto, o fim último da projetação urbana, que pode usar como instrumentos,
de um lado, o Plano (como estratégia de re-ordenação espacial, funcional,
econômica...), e do outro, a arquitetura (como técnica de intervenção
direta na construção da cidade). Todavia – em considerações não
somente dimensional mas também de gestão –, foi eliminada toda e
qualquer ilusão utópica de "cidade como um todo arquitetônico"
ou mesmo de um "controle da forma urbana operada globalmente com
os instrumentos da arquitetura".
Vale ressaltar que
em parte o embate reside na dialética que surge entre a análise formal
e a análise histórica, que explicitaria o caráter lógico da arquitetura
permitindo o entendimento de que o fato racional pode ser analisado segundo
categorias específicas baseadas no “método científico”: observação
dos fenômenos, classificação, comparação, com a seguinte procura de categorias
interpretativas que permitiam a inserção dos resultados em uma teoria
geral dos fatos urbanos. É muito expressivo, assim, que “ciência
urbana” tenha sido o termo empregado pelos arquitetos da Tendenza
para se referir a seus estudos de análise urbana como aparece no primeiro
capítulo de L’architettura della città (42), intitulado “problemas
de descrição e classificação”.
Contrariamente, na
noção de projeto que aparece subliminarmente em Primeira lição de urbanismo,
mas também em outros textos do mesmo autor, “os fragmentos da cidade
contemporânea são os materiais de um sistema aberto, disponíveis à repetição,
à conexão e composição, que se compõem a partir do estudo e da experimentação
enquanto materiais urbanos” (43). É justamente a condição de fragmento
sem hierarquia imediata, que justifica na essência a abordagem na forma
de catálogo.
Ao analisar os planos
de Bernardo Secchi, Patrizia Gabellini fala da “uma nova forma de
plano e técnica, que se distancia de uma coleção sistemática e fechada
de formas pré-definidas, e se aproxima de um acúmulo de materiais a serem
re-utilizados, numa espécie de catálogo aberto, a partir do qual se atinge
a referência específica à tematização” (44).
É nessa capacidade
alargada que se abrem possibilidades para a compreensão de realidades
e de relações complexas, pela superação do "reducionismo correlacionista"
típico dos métodos quantitativos e suas aplicações em ciências sociais.
Com isso, o autor afasta-se o mais possível dos estereótipos consolidados
pela história, numa clara superação da história operativa (45), que em
certa medida, serviu de base para reestruturações urbanas paradigmáticas
no nosso século urbano. É justamente este artifício, encontrado no Le
degré zero de L'écriture (46) do semiólogo francês, um texto por ele
nomeado órfico, que descortina-se o instrumento que Secchi utiliza para
“Atravessar o tempo” sem cair na fórmula fácil do retorno
formal. Este é o estigma de Orfeu e também o estigma da escritura, que
serve de leitmotiv para o “projeto da cidade contemporânea”.
2. Mas se a afirmação
do binômio Plano e Projeto em Secchi converge à trajetória de Samonà,
Quaroni e De Carlo (47), no tocante à compreensão entendimento do projeto
de arquitetura como projeto de modificação Secchi estabelece um diálogo
franco com Vittorio Gregotti, principalmente na concepção do cenário.
Nas palavras de Gregotti,
“só com a arquitetura, utilizando uma antiga figura retórica, as
palavras do urbanismo podem-se converter em pedras, porém somente a partir
das pedras da arquitetura é possível fazer do urbanismo uma disciplina
da modificação qualitativa do território” (48).
Tal debate recupera
a linha italiana de um estudo teórico-projetual centrado sobre a relação
entre geografia e signo arquitetônico, que Gregotti pode ser indicado
como o principal expoente. Disto derivou uma verdadeira e própria teoria
da projetação arquitetônica, que vê o projeto de arquitetura como “modificação
crítica do território”. Assim, o projeto, ao dispor-se com clareza
absoluta, torna-se instrumento de transformação das relações existentes
no sítio; procura o confronto com as permanências, para modificar as regras
de pertencimento.
A idéia de modificação
está estreitamente conectada com uma outra noção, da qual é necessário
explicitar imediatamente o sentido: aquela de lugar. A modificação enfrenta
justamente as relações que se instauram entre arquitetura e lugar (49).
Podemos assim afirmar, citando Gregotti, que: “Modificação, pertencimento,
contexto, identidade, especificidade e lugar, são um grupo de vocábulos
que parecem pressupor uma pré-existente realidade a ser conservada transformando-a,
tramando lhe a memória com os traços a ela pouco a pouco enraizada à base
de traços precedentes; uma realidade que aparece na forma física de uma
geografia a qual o culto cognitivo e a sua interpretação fornecem o material
fundante do projeto” (50).
A “teoria da
modificação” de Vittorio Gregotti trata de “trabalhar sobre
diferenças significativas [...] procurar a solução do caso específico,
re-encontrando nas leis da construção do lugar os principais materiais
a serem confrontados com o avanço disciplinar, e somente através dos mesmos
propor os fragmentos das hipóteses [...]. Dessa forma, o contexto sempre
se constitui em material indireto para verificação de uma arquitetura
do lugar” (51).
Como escreveu Secchi,
o fato determinante no ato de projetar de Gregotti é "a escolha de
uma escala e de uma medida que organizem a subdivisão e articulação dos
espaços, de um conjunto de alinhamentos, de traçados que separem e entre
eles liguem, "como pontes", o dentro e o fora, o edifício e
o não construído, que especifiquem e signifiquem o modo do uso e o papel
de cada uma das partes e o conjunto" (52).
No tocante às questões
atuais, Secchi esclarece no texto explicativo do Plano de Siena: que uma
das regras mais importantes do plano seria levar a cabo aquilo que ele
denominou de “projeto de solo” como uma intermediação possível
entre a arquitetura e a sociedade:
“Sustento
que não se trata de pensar somente em mudar o uso do que já existe ou
em substituí-lo com novos edifícios, de completar as partes inacabadas
da cidade, mas que se trata também hoje, acima de tudo, de projetar
o solo de maneira não banal, redutiva, técnica e desarticulada”
(53).
O que está colocado
em jogo é, de um lado, a valorização do papel do profissional naquilo
que denomina “Análise Tecnicamente Pertinente”, que é uma
operação de competência exclusiva do urbanista; do outro, traz à tona
a questão do sentido do espaço público na cidade como lugar de interação
dos agentes sociais e dos cidadãos (54).
Notas
1
O título faz alusão à discussão italiana sobre plano e arquitetura nos
anos de 1970, principalmente aquela realizada no “Seminario di Gibilmana”
com a presença de Alberto Samonà, no qual defende a importância de uma
resposta arquitetônica, principalmente nos planos para pequenas cidades.
Ver: MARCHETA, Manlio, Piano come architettura In, MONTUORI, M
(org.) Giuseppe e Alberto Samonà. L’Unità architettura urbanistica.
La poetica dell’insieme tra didattica e professione dell’architettura.
Milano: Officina Edizioni, 2000.p.101-108. Agradeço a Matteo D’Ambros
(IUAV), Barbara Boifava (IUAV), Anat Falbel (Unicamp), Kelly Magalhães
(Unesp), Norma Constantino (Unesp), Marta Enokibara (Unesp) e Christian
Traficante (Unesp) pelas sugestões e discussões; aos alunos do grupo Situ
pelo debate durante o Laboratório Agudos.
2
SECCHI, Bernardo. Primeira lição de urbanismo. Tradução
de Marisa Barda e Pedro M. R. Sales. São Paulo, Perspectiva, 2007, p.
11.
3
BARTHES, Roland. Aula. Tradução de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo,
Cultrix, 1987.
4
Sobre o termo urbanismo empregado por Victor da Silva Freire ver: SIMÕES
JR, José Geraldo. O Setor de Obras Públicas e as origens do urbanismo
em São Paulo. Dissertação de mestrado. São Paulo, EEAESP/FGV, 1990;
ANDRADE, Carlos Roberto Monteiro de (1996): Camillo Sitte, Camille
Martin e Saturnino de Brito: traduções e transferências de idéias urbanísticas.
In: PECHMAN, Robert; RIBEIRO, Luiz Cesar de Queiroz (org.). Cidade,
povo e nação. Gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Civilização
Brasileira, p. 287-310; RETTO JUNIOR, Adalberto da Silva. Victor da
Silva Freire e Camilo Sitte: o debate urbano da ENPC a São Paulo.
In: Anais do I Congresso Internacional de História Urbana. São
Paulo, Cultura Acadêmica, 2004.
5
Alfred Hubert Donat Agache, arquiteto francês, elaborou, junto com um
grupo de técnicos estrangeiros, o primeiro plano diretor para a cidade,
durante o período de 1927 a 1930. O volume intitulado “Cidade do
Rio de Janeiro – Extensão – Remodelação – Embellezamento”
contém a seguinte definição nas páginas introdutórias: “O Urbanismo
é uma Sciencia e uma Arte, e sobretudo uma Philosophia social. Entende-se
por Urbanismo o conjuncto de regras applicadas ao melhoramento da edificação,
do arruamento, da circulação e do descongestionamento das arterias publicas.
É a remodelação, a extensão e o embellezamento de uma cidade levados a
effeito mediante um estudo methodico da geographia humana e da topographia
urbana sem descurar as soluções financeiras.” In Cidade do Rio de
Janeiro – Extensão – Remodelação – Embellezamento, Paris,
Foyer Brésilien – Editor Paris, 1930.
6
Sobre o Plano de Avenidas de Francisco Prestes Maia: LEME, Maria Cristina
da Silva. O Plano de Avenidas e a formação do pensamento urbanístico
em São Paulo nas três primeiras décadas do Século XX. Cidade e
História – modernização das cidades brasileiras nos séculos XIX
e XX. Salvador, UFBA, 1990, v. 1, p. 69-76. Sobre a análise comparativa
com o diagrama de E. Hénard: "Études sur les transformations de
Paris" exemplificando a noção de "plano regulador"
concebido em raios e anéis associados a núcleos e sub pólos como morfotipos
em um sistema de reconexão à escala urbana em um explícito retorno a Alberti,
ver: RETTO JR., Adalberto da Silva. “De rua curva à via expressa
de fundo de vale: a era do automobilismo, o down town e a cidade
como objeto epistemológico”. In: Escalas de Modernidade. Vale
do Anhangabaú: Estudo de uma estrutura urbana. Tese de doutoramento.
FAU USP/IUAV, São Paulo, 2003; FOLIN-CALABI, Lodovico. Sinfonia incompiuta
di una metropoli: São Paolo del Brasile 1930-1950. Tese de doutoramento.
Venezia, SSAV, 2007.
7
Ver: Costa, Lúcio. Plano-piloto de Brasília, “Modulo –
Arquitetura Ltda”, 19.
8
A partir de uma solicitação da Cogep – Coordenadoria Geral de Planejamento
e a Emurb – Empresa Municipal de Urbanização, da Prefeitura de São
Paulo, Vilanova Artigas elabora um estudo interligando os dois rios, Pinheiros
e Tietê, que se configura como um verdadeiro plano para a metrópole paulistana
em resposta à incompreensibilidade da cidade na definição de um claro
sistema infra-estrutural à grande escala. Questões relativas estavam presentes
também na proposta do arquiteto Nestor Goulart Filho (1972), que citando
o arquiteto inglês Peter Smithson, perfila um programa multifuncional
no sentido de congregar todas as atividades num só sistema sem separar
“estacionamento de tráfego, de pedestres e de quaisquer outros usos”.
Sobre isso ver:RETTO JR., Adalberto da Silva. “Megaestrutura, o
desenho da dimensão metropolitana, Il cuore della città: a retomada do
centro e a exigência da nova escala”. In: Escalas de Modernidade.
Vale do Anhangabaú: Estudo de uma estrutura urbana (op. cit.). Ver
também: ARTIGAS, João Batista Vilanova. Caminhos da arquitetura.
São Paulo, Cosac Naify, 2004.
9
Sobre a proposta de Jorge Wilheim no Concurso Público Nacional para Elaboração
de Plano de Reurbanização do Vale do Anhangabaú – São Paulo (1981/91),
enfocando a problemática urbana para uma "redécouverte de l'urbanitè".Ver:
“Megaestrutura, o desenho da dimensão metropolitana, Il cuore
della città: a retomada do centro e a exigência da nova escala”
(op. cit.). Ver também: WILHEIM, Jorge. São Paulo: metrópole 65 –
subsídios para seu plano diretor. São Paulo, Difusão Européia do Livro,
1965; WILHEIM, Jorge. Substantivo e o adjetivo, São Paulo: Perspectiva,
1979.
10
Sobre isso ver textos do próprio Anhaia Mello: Problemas de urbanismo:
mais uma contribuição para o calçamento, “Revista Politécnica”,
São Paulo, n. 83, jun. 1927, p. 343-65; A cidade, problema de governo.
"Boletim do Instituto de Engenharia”, São Paulo, n. 43, dez.
1928, p. 278-87; “Urbanismo”. “Boletim do Instituto
de Engenharia”, n. 42, São Paulo, nov. 1928, p. 235-240; “Problemas
de urbanismo: bases para a resolução do problema técnico”, Boletim
do Instituto de Engenharia, São Paulo, 1929; “Problemas de urbanismo:
o recreio ativo e organizado nas cidades modernas“. Boletim do
Instituto de Engenharia, São Paulo, 1929; “Urbanismo: o problema
financeiro“. Boletim do Instituto de Engenharia, n. 46, São
Paulo, mar. 1929, p. 102-21; “Urbanismo: regulamentação e expropriação“.
Boletim do Instituto de Engenharia, São Paulo, n. 45, fev. 1929,
p. 55-64; “Urbanismo e suas normas para organização de planos“.
Boletim do Instituto de Engenharia, n. 89, São Paulo, abr. 1933,
p. 209-218; “A cidade celular, quadras, super quadras e células
residenciais”. Boletim do Instituto de Engenharia, n. 94,
São Paulo, set. 1933, p. 131-142. Elementos básicos para o planejamento
regional de São Paulo. São Paulo, Comissão Orientadora do Plano Diretor
do Município, 1954. Ver também: FELDMAN, Sarah . Planejamento e zoneamento.
São Paulo, 1947-1972. Vol 01. São Paulo, EDUSP/FAPESP, 2005.
11
Secchi, Bernardo. Primeira lição de urbanismo (op. cit.), p. 26.
12
Ao falar sobre as pesquisas de cidade difusa, Secchi faz referência à
definição de welfare positivo de Antony Giddens que por sua vez
estabeleceu uma nova perspectiva que diz respeito à reestruturação da
cidade ou a uma re-configuração da cidade ou do território como resposta
às demandas que emergem da sociedade na sua nova condição. Ver também:
INDOVINA, Francesco. La città diffusa. Venezia, Daest, 1990.
13
SAGGIO, Antonino. “Lo sguardo di Corboz”. In: Coffe Break,
2000 <http://architettura.superava.com/coffeebreak>.
Ver também: CORBOZ, Andrè. Ordine sparso. Milano, Franco Angeli,
1998.
14
TOSI, Maria Chiara, Di cosa parliamo quando parliamo di urbanística, Roma:
Meltemi, 2005.
15
Secchi, Bernardo. Primeira lição de urbanismo (op. cit.), p. 6
16
Secchi assim define Renovatio Urbis: é um termo do século XV re-colocado
por Manfredo Tafuri nos anos de 1980, e trabalhado por outros estudiosos
como Poleggi ao debruçar-se sobre Gênova, Tenenti sobre Roma, ou Giedion
sobre a Roma de Sisto V e de Giulio II, Nápoles, Messina. Entre as cidades
européias, a primeira a adotar uma política símile talvez tenha sido a
Antuérpia. Uma política de renovatio urbis pressupõe poucas intervenções
pontuais e limitadas com a finalidade de modificar uma parte da cidade
ou de um lugar, dando-lhe um novo sentido e papel, procurando modificar
o modo de funcionamento do conjunto inteiro urbano. Não se trata mais
de desenhos complexos da cidade, mas uma série de intervenções estrategicamente
dispostas no seu interior: limitadas não somente no espaço, mas também
tematicamente: uma igreja, um museu, um aeroporto; são limitadas por que
movem um número restrito e identificável ex ante de operadores,
e também porque mobilizam recursos limitados (o que não significa exíguos).
Esta política tem uma longa tradição na história longa da cidade, da antiguidade
aos nossos dias, e permite reconhecer períodos nos quais o tema torna-se
o da expansão e períodos durante os quais o tema é aquele da renovatio
urbis, interpretada de forma diversa.
17
Sobre isso ver: TAFURI, Manfredo. La sfera e il labirinto. Torino,
Einaudi, 1980.
18
CORBOZ, André. “El territorio como palimpsesto”. Diógenes,
n. 121, primavera de 1983. México, UNAM. Coord. de Humanidades, p. 20.
19
GREGOTTI, Vittorio. Território da arquitetura. São Paulo, Perspectiva,
1975. Tradução de Il territorio dell'architettura. Milano, Feltrinelli,
1966.
20
BENEVOLO, Leonardo. História da arquitetura moderna. São Paulo,
Perspectiva, 1976. Tradução de Storia dell'architettura moderna. Bari,
Laterza, 1960.
21
ARGAN, Giulio Carlo. História da arte como história da cidade.
São Paulo, Martins Fontes, 1984. Tradução de Storia dell'arte come
storia della citta. Roma, Editori Riuniti, 1983.
22
ARGAN, Giulio Carlo. A cidade e o arquiteto. São Paulo, Perspectiva,
1984. Tradução de La città e l'architetto. Bari, Laterza, 1984.
23
ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna. São Paulo, Companhia das Letras,
1992. Tradução de L’arte moderna : 1770-1970. Firenze, Sansoni,
1970.
24
ZEVI, Bruno. Saber ver arquitetura. São Paulo, Martins Fontes,
1994. Tradução de Saper vedere l'architettura: saggio sull'interpretazione
spaziale dell'architettura, Torino: Einaudi, 1948.
25
ROSSI, Aldo. Arquitetura da cidade. São Paulo, Martins Fontes,
1995. Tradução de L’architettura della citta, Padova, Marsilio,
1966.
26
ARGAN, Giulio Carlo. Projeto e destino. São Paulo, Ática, 2000.
Tradução de Progetto e destino, Milano, Il saggiatore, 1965.
27
MANCUSO, Franco. “Nouvelles tendances de l’urbanisme em Italie“.
In L’Architecture d’Aujourd’hui, n. 132, Paris,
1967, p. 53.
28
Sobre a recepção francesa dos livros Ver Cohen, Jean-Louis. La coupure
entre architectes et intellectuels, ou les enseignements de l’italophilie.
Coleção “In extenso”, vol. I. Paris, École d’Architecture
Paris-Villemin, 1984; RETTO JUNIOR, Adalberto da Silva. “Entrevista
com Jean Louis Cohen“. Entre/vista. São Paulo, Portal Vitruvius,
2005 <www.vitruvius.com.br/entrevista/cohen/cohen.asp>.
Sobre o contexto espanhol: A.A.V.V. “Ciutat real, ciutat ideal.
Significat i funció a l’espai urbà modern“ [“Real city,
ideal city. Signification and function in modern space“]. Urbanitats,
n. 7, Barcelona, Centre of Contemporary Culture of Barcelona, 1998; Mateo,
Josep Lluís (ed.). Barcelona contemporánea 1856-1899. Barcelona,
Centre de Cultura Contemporània, 1996; Bru, Eduard. Tres en el lugar.
Barcelona, Actar, 1997; Solà-Morales, Ignasi de. “Barcelona: construir
sobre lo ya construido“, Revista de Occidente, n. 97, jun.
1989; Cohen, Jean-Louis. “La Barcelone de Bohigas, identité d’une
ville, Architecture, Mouvement“. Continuité, n. 2. Paris,
out. 1983; Morand, Paul. Méditerranée, mer des surprises. Paris,
Flammarion, 1938, p. 26; Montaner, Josep Maria, “El ensanche litoral;
la Villa Olímpica, historia de una idea, Barcelona 1992”. Arquitectura
Viva, n. 22, 1990, p. 16-25. No contexto americano ver: RETTO JR.,
Adalberto da Silva. “Christiane Crasemann Collins e trajetórias
transatlânticas”. Entre/vista. São Paulo, Portal Vitruvius,
2004 <www.vitruvius.com.br/entrevista/collins/collins.asp>.
Sobre a discussão desta temática e a filiação ao pensamento de Camillo
Sitte ver: Klaus Semsroth, Kari Jormakka, Bernhard Langer (Org.): Kunst
des Städtebaus. Neue Perspektiven auf Camillo Sitte. Viena, Böhlau,
2005; JORMAKKA, Kari (Org.): Datutop 27: from Camillo Sitte to today.
The art of the city. Tampere, Dept. of Architecture, Tampere University
of Technology, 2006. O contexto brasileiro está sendo trabalhado com ajuda
do urbanista Prof. Dr. José Cláudio Gomes, que recepcionou italianos como
Vittorio Greggotti em São Paulo. Ver também: RETTO JUNIOR, Adalberto da
Silva; CONSTANTINO, Norma Regina Truppel; ENOKIBARA, Marta. “Entrevista
com o arquiteto e urbanista José Cláudio Gomes”. Entre/vista.
São Paulo, Portal Vitruvius, 2005 <www.vitruvius.com.br/entrevista/gomes/gomes.asp>.
29
A tradução informal do título “Este assassinará aquele” se
reporta à importância que os livros assumiram ao longo dos últimos anos
em relação á arquitetura e sua tratadística. DE MICHELIS, Marco De. “Ceci
tuera cela”. Parametro, n. 267, mar. 207, p. 19-23.
30
Ver RETTO JUNIOR, Adalberto da Silva. “Trajetórias transatlânticas”.
Registros, n. 3, 2005, p. 102-109; Adalberto da Silva. “Christiane
Crasemann Collins e trajetórias transatlânticas” (op. cit.).
31
Giuseppe Samonà trabalhou o conceito de uma unidade arquitetura-urbanística,
não como uma vontade de fusão das duas disciplinas nem como tentativa
de constituir um campo disciplinar intermediário e híbrido, mas como vontade
de responder à busca de uma identidade do espaço com o lugar, ou seja,
da "dimensão geográfica da área relativa", já que como projetação
arquitetônica e projetação urbanística concorrem ambas à uma introspecção
e à definição morfológica dos lugares (urbanos). Ver de Samonà
Giuseppe: L'unità architettura urbanistica. Scritti e progetti 1932-1973.
Milano, Franco Angeli, 1978; L'urbanistica e l'avvenire della città
negli stati europei. Bari, Laterza, 1959; La nuova dimensione urbana
in Francia. Vicenza, Marsilio, 1966; Gli insediamenti residenziali
nel territorio di Mestre-Venezia. Venezia, Cluva, 1966; [con altri]
Piazza San Marco. L'architettura, la storia, le funzioni. Venezia,
Marsilio, 1970; La casa popolare degli anni '30. Padova, Marsilio,
1973. Ver também: MONTUORI, Marina (curadora). 10 maestri dell'architettura
italiana. Lezioni di progettazione. Documenti di architettura. Milano,
Electa; MARINONI, Giuseppe. “Metamorfosi del centro urbano. Il caso
Gibellina”. Lotus, n. 69; LOVERO, Pasquale. “La professione
dell'urbanistica – architettura. Progetti dello studio Giuseppe
ed Alberto Samonà 1968-1972“. Controspazio, n. 2, 1973; AA.VV.
Giuseppe Samonà. 1923-1975 Cinquant'anni di architetture. Roma,
Officina, 1980; TAFURI, Manfredo, Due maestri: Carlo Scarpa e Giuseppe
Samonà. Storia della architettura italiana 1944-1985. Torino,
Einaudi, 1986; BELLUZZI, Amedeo; CONFORTI, Claudia. Architettura italiana
1944-1984. Bari, Laterza, 1985; DE GIORGI, G. Il dibattito architettonico
in Italia 1945-1975 – Giuseppe Samonà. Roma, Bulzoni, 1977.
32
Ludovico Quaroni, diferentemente de Samonà, falava explicitamente de um
possível nível intermediário entre arquitetura e urbanismo, em torno do
tema do "disegno urbano", que segundo o mesmo, era capaz de
fazer a mediação entre as tarefas de programar o desenvolvimento, típico
do urbanismo, e os conteúdos compositivos e espaciais, típicos da arquitetura.
A pesquisa de Quaroni apontava, sobretudo, no superamento de uma práxis
– aquela difundida em geral na planificação particularizada –
incapaz de criar uma comunicação profícua entre planificação do desenvolvimento,
ideía do projeto na escala urbana e realização arquitetônica de partes
individuais. Ver de Quaroni, Ludovico: “I principi del disegno urbano
nell'Italia degli anni '60 e '70“. Casabella, n. 487-488,
Milão, 1983; “Dieci opinioni sul Tipo“, Casabella,
n. 509-510, Milão, 1985, p. 101-104; “Un progetto didattico“,
Casabella, n. 520-521, Milão, 1986, p. 95; “La cultura del
progetto”, Rassegna di architettura e urbanistica, n. 61-63
(número monográfico), 1988; Progettare un edificio: otto lezioni di
architettura. Milano, Marzotta, 1977, Torre di babele. Padova,
Marsilio, 1967. Ver também: CIORRA, Pippo. Ludovico Quaroni, 1911-1987,
opere e progetti. Documenti di architettura. Milano, Electa, 1989,
p. 142-147; MONTUORI, Marina [curadora], 10 maestri dell'architettura
italiana (op. cit.); AA.VV. Ludovico Quaroni Architetture per cinquant'anni.
Roma – Reggio Calabria, 1985; TAFURI, Manfredo. Ludovico Quaroni
e lo sviluppo dell'architettura moderna in italia. Milano, 1964; AYMONINO,
Aymonino. “Storia e cronaca del quartiere Tiburtino”. Casabella,
n. 215, Milão, 1955, p. 18-43; CiuccI, Giorgio. “Giorgio Ciucci
intervista Ludovico Quaroni”. Casabella, n. 515, jul./ago.
1985, p. 32-34; Melis, Paolo. “Intervista a Ludovico Quaroni“,
Domus, n. 652, jul./ago. 1984, p. 18-25.
33
Giancarlo De Carlo foi um dos primeiros urbanistas a tentar aplicar a
participação por parte dos clientes durante a fase de projeto. Ficou conhecido
internacionalmente por ser um dos fundadores do Team X, que operou uma
ruptura com o Movimento Moderno e as teses funcionalistas de Le Corbusier.
Ver de DE CARLO, Giancarlo: Le Corbusier, antologia critica degli scritti.
Milano, Rosa e Ballo, 1945. ________, William Morris, Milano, Il
Balcone, 1947; Questioni di architettura e urbanistica. Urbino,
Argalia, 1964; La pianificazione territoriale e urbanistica nell'area
milanese. Padova, Marsilio, 1966; Urbino. La storia di una città
e il piano della sua evoluzione urbanistica. Padova, Marsilio, 1966.
Pianificazione e disegno delle università. Venezia, Edizioni Universitarie
Italiane, 1968; L'architettura della partecipazione, Milano, Il
Saggiatore, 1973. Ver também: Rossi, Lamberto. Giancarlo De Carlo.
Architetture. Milano, Arnaldo Mondadori Editore, 1988; Zucchi, Benedict.
Giancarlo De Carlo. Oxford, Butterworth-Heinemann, 1992; PERIN,
M. (curadora), Giancarlo De Carlo, un progetto guida per realizzare
l'utopia. Urbanisti Italiani. Roma-Bari, Laterza, 1992. Mioni, Angela;
OCCHIALINI, Etra Connie (curadoras) Giancarlo De Carlo. Immagini e
frammenti. Milano, Electa, 1995; Samassa Francesco (curador). Giancarlo
De Carlo – Inventario analitico dell'archivio. Padova, Il Poligrafo,
2004.
34
GABELINNI, Patrizia. “Figure di urbanisti e programmi di urbanistica”.
In CAMPOS VENUTI, Giuseppe; OLIVA, Federico (eds.). Cinquant'anni di
urbanistica in Italia, 1942-1992. Bari, Laterza, 1993, p. 459.
35
SECCHI, Bernardo. Un progetto per l’urbanistica. Torino,
Einaudi, 1989.
36
BENEVOLO, Leonardo. “I progetti nel piano”. Casabella,
n. 563, Milão, 1989, p. 34-36.
37
SECCHI, Bernardo. “L’eccezione e la regola”. Casabella,
n. 509-510, 1985, p. 29-31
38
MURATORI, Saverio. Studi per una operante storia urbana di Venezia.
Roma, Istituto poligrafico dello Stato, stampa 1960. MURATORI, Saverio.
Civilta e territorio. Roma, Centro studi di storia urbanistica,
1967. Ver também: Studi e documenti di architettura (a cura dell'Istituto
di composizione architettonica 1-2 della Facoltà di architettura di Firenze),
n. 1 (dez. 1972), n. 9-10 (mar. 1979), n. 11 (jul. 1983). Firenze, Teorema,
1972; CATALDI, Giancarlo (org.). Saverio Muratori architetto (Modena
1910 – Roma 1973), il pensiero e l'opera. Mostra itinerante,
Firenze, Alinea, 1991; PIGAFETTA, Giorgio. Saverio Muratori architetto,
teoria e progetti. Venezia, Marsilio, 1990. NADDEO, Dario. Giudizio
storico e pianificazione territoriale, Saverio Muratori nella provenienza
della razionalità urbanistica. Milano, Guerini scientifica, 1998;
MONTUORI, Marina. L’insegnamento di Saverio Muratori, lezioni
e dibattiti dal corso di dottorato di ricerca per l'a.a. 1983-84.
Venezia, Cluva, 1985; GEROSA, Pier Giorgio. Sur quelques aspects novateurs
dans la theorie urbaine de Saverio Muratori, Nantes, "Ville Recherche
Diffusion", c1986; DE CARLI, Emilio; SCATA, Elena (org.). Antologia
critica degli scritti di Saverio Muratori. Firenze, Alinea, 1991.
39
ROSSI, Aldo. Scritti scelti sull’architettura e la città.
Torino, Città Studi Edizioni,1975.
40
Idem, ibidem.
41
Aymonino, Carlo. Il significato delle citta. Roma/Bari, Laterza,
1975.
42
ROSSI, Aldo. Scritti scelti sull’architettura e la città (op.
cit).
43
Secchi, Bernardo. Primeira lição de urbanismo (op. cit.), p. 161-162.
44
GABELINNI, Patrizia. “Figure di urbanisti e programmi di urbanistica”.
In CAMPOS VENUTI & F. Oliva (eds.) Cinquant'anni di urbanistica in
Italia, 1942-1992, Bari, Laterza, 1993.
45
GABELINNI, Patrizia. “Figure di urbanisti e programmi di urbanistica”.
In Op. cit.
46
Ver de RETTO JUNIOR, Adalberto da Silva; BOIFAVA, Bárbara: A 'Scuola
di Venezia' e a historiografia da arquitetura e do urbanismo, Diálogo
com Donatella Calabi. Bauru, Gráfica e Editora Coelho, 2005, v.1.
p. 48. “História da arquitetura e história da cidade: um casamento
difícil” (introdução à entrevista com Donatella Calabi). Entre/vista.
São Paulo, Portal Vitruvius, 2003 <www.vitruvius.com.br/entrevista/gomes/gomes.asp>.
47
BARTHES, Roland. O grau zero da escritura. São Paulo, Cultrix,
1984.
48
GABELINNI, Patrizia. “Figure di urbanisti e programmi di urbanistica”.
In Op. cit.
49
GREGOTTI, Vittorio. “In difesa della ragioneria urbanística“.
Casabella, n. 526, Milão, 1986, p. 2-3.
50
Lugar, do lat. Lócus. No sentido amplo, uma parte do espaço, idealmente
ou materialmente circunscrita. In geom. Define-se l.geométrico, ou assol.
Luogo, um conjunto de pontos do plano ou do espaço que satisfaz certas
condições, isto é, que contém todos juntos e esse sozinho, uma mesma propriedade.
51
Gregotti, Vittorio. Il territorio dell'architettura, Milano, Feltrinelli,
1966.
52
OECHSLIN, Werner. “Introduzione”. In GREGOTTI, Vittorio. Gregotti
Associati, 1973-1988. Milão, Electa, 1990.
53
SECCHI, Bernardo. “Siena, l’importanza della forma”.
In CAMPOS VENUTI, Giuseppe; OLIVA, Federico (eds.). Cinquant'anni di
urbanistica in Italia, 1942-1992. Bari, Laterza, 1993.
54
Ver de SECCHI, Bernardo: Laboratório Prato PRG, Firenze, Alínea
editrice s.r.l., 1996; Un projetto per Prato. Firenze, Alínea editrice
s.r.l., 1996.
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Siena. PRG’90. Projeto de Solo (detalhe). In CAMPOS VENUTI, Giuseppe;
OLIVA, Federico (eds.). Cinquant'anni di urbanistica in Italia, 1942-1992.
Bari, Laterza, 1993

SECCHI, Bernardo. Primeira lição de urbanismo

GREGOTTI, Vittorio. Território da arquitetura

BENEVOLO, Leonardo. História da arquitetura moderna

ARGAN, Giulio Carlo. A cidade e o arquiteto

ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna

ZEVI, Bruno. Saper vedere l'architettura: saggio sull'interpretazione
spaziale dell'architettura

ROSSI, Aldo. L’architettura della citta

ARGAN, Giulio Carlo. Projeto e destino
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