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| "Morro-cidade". Sobre uma crônica de Ruben Braga Num feriado involuntariamente prolongado tive tempo para folhear algumas revistas antigas de uma coleção particular do meu pai (1). Nelas pude observar como a questão da arquitetura e urbanismo já foram pautados na mídia e como algumas questões levantadas naquela época ainda são atuais. Em conversa com o amigo Abílio, vimos oportuna a publicação de alguns dos “achados”. As publicações que encontrei não eram especializadas, portanto espelhavam uma visão não restrita aos profissionais arquitetos. Eram uma amostra do espaço que a arquitetura ocupava na cultura e no pensamento nacional. A crônica “Morro”, de Ruben Braga, publicada em 1954 na revista Manchete (2), parece prever a situação que iriam alcançar as nossas cidades 50 anos depois da sua publicação. O ponto que Ruben Braga toca, o conceito de “integridade” do território, é uma premissa que, se tivesse sido considerada, teria alterado o desenho de projetos públicos e privados. Ruben Braga tem, na crônica, uma visão íntegra do espaço, onde não há espaço para segregação. Essa visão lembra o que disse Paulo Mendes da Rocha em uma entrevista no “Roda Viva”: quando perguntado sobre o que era “habitação popular”, ele respondeu, contundente, com outra pergunta: “existe megawatt popular?”. Ruben Braga faz alusão à “nos igualar democraticamente, como está começando a acontecer com a crise de energia”. A crônica também faz referências a termos hoje usados com outros significados, como, por exemplo, “higienizar”. O sentido no texto de Braga é de dotar o morro com infra-estrutura sanitária – considerando a visão pública que ele expõe, totalmente distante do que se ouve hoje ao se falar de um “higienista”. Se a construção da cidade seguisse essa ótica, ou seja, entender a cidade como um todo e não por partes, talvez as cidades hoje, 50 anos depois, fossem bem diferentes. De 1954 – data da publicação da crônica – para cá, muita coisa aconteceu e a perda de um projeto de nação levou o território à condição de mero insumo (seja para ações econômicas ou sociais). Talvez seja hora de nós, arquitetos, caminharmos para uma “convergência” de direções, dando mais um passo na direção de um repertório coletivo que extrapole as idiossincrasias arquitetônicas atuais. Notas 1 2 |
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