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| Roberto Burle Marx nas palavras de Ruben Braga e na arquitetura de Richard Neutra Em sua coluna semanal nos idos de 1953, Ruben Braga sempre descrevia o perfil de um artista, um intelectual ou profissional daquele momento. Era a “personalidade da cidade” como o próprio autor denominava. A pequena biografia de Burle Marx (1), além de bem escrita, revela o foco de atenção de um pensamento da época. A busca de uma identidade nacional era o objetivo do movimento moderno, nas artes, na arquitetura e, através de Burle Marx também no paisagismo. A busca era de um projeto que fosse uma expressão da cultura nacional, não um arremedo da natureza. Além disso, não deveria ser entendido como um estilo, e sim como uma atitude diante da vida. Burle Marx fazia do jardim uma obra de arte. O jardim paisagem Nas fotos abaixo um jardim de Burle Marx, uma surpresa para um brasileiro em Cuba. Uma paisagem conhecida nossa, projetado por Burle Marx em Havana, Cuba, é o jardim de uma casa do arquiteto Richard Neutra construída em 1953 – a residência Alfred Schulthess (2). Nota-se que não é só o jardim que tem essa identidade – a residência também. A concomitância entre o pensamento de Neutra e as obras dos nossos arquitetos Rino Levi, Oswaldo Bratke fica expressa na espacialidade, nas soluções estruturais e na implantação. Nos projetos de Burle Marx, os jardins obra de arte, os murais e as esculturas integram o conjunto urbanístico e arquitetônico em um só texto. A seriedade no conhecimento dos espécimes e pesquisa constante da técnica permitiu que o artista Burle Marx mudasse a identidade dos nossos jardins e criasse um jardim brasileiro. Se o momento era o de busca de uma identidade nacional, na trilha do paisagismo, Burle Marx plantou sementes fortes, que ficam claras no entendimento da paisagem do aterro do Flamengo, das calçadas de Copacabana, assim como os inúmeros jardins executados (tanto a residência em Havana como o da residência Olivo Gomes, de 1949/51, em São José dos Campos – projeto do arquiteto Rino Levi por exemplo).
Pode parecer redundância ou insistência em um consenso (será?), mas em uma época em que poucos jardins urbanos são planejados e mantidos com a perspectiva pública de criação de uma paisagem própria das nossas cidades, nunca é demais levantar as experiências positivas que já tivemos. Em uma época em que as avenidas e praças estão entregues ao “Fulano de tal mantém esta área” e em que as “kaizukas” (3) e os “buxos” (4) (abrasileirado para “bush” – oops!!) imperam, sempre é bom lembrar que o Jacarandazinho Mimoso, aquele com flores roxas, floresce em outubro (geralmente na primeira semana) e suas flores fazem das nossas calçadas e ruas um espetáculo a parte (5).
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