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| Toda arte é combativa. Mário Andrade e os “assuntos” da arquitetura Hoje, no caldeirão em ebulição das imagens e da cultura de massas, esta afirmação pode parecer extemporânea, mas me parece extremamente pertinente. Mario de Andrade, na carta a um pintor que ilustra esse texto, diz: “A bem dizer não existe uma arte de combate. Mas se não existe uma arte de combate, toda arte é essencialmente combativa, por definição.” A carta é de 1942, sobre uma exposição de um jovem artista (1), e foi publicada pela revista Manchete em 1953 (2). É um texto interessante se lermos à luz da luta diária pela significação do nosso fazer. Só a construção destas razões nos leva para longe dos desvios da lógica do “fazer mercado” (o que se chama de “marketing”). Na época Mario de Andrade passa uma “carraspana” no jovem artista de maneira absolutamente respeitosa: não critica a escolha de temas e enfoca a fragilidade da construção das obras, como no trecho em que descreve a relação figura-fundo (do quadro que não conhecemos), mas que já vimos. Não existe “encher lingüiça” na arte. Cada gesto tem a sua intenção, construindo um discurso combativo, seja no sentido do conhecimento (não da retórica), seja no transformador. Hoje o que se chama de arte se confunde com propaganda. A propaganda (e o “fazer mercado”) invadiu a seara da arte e faz vezes de combativa, ditando regras de como viver e de que perspectiva de vida devemos ter. Estes conceitos vão se sedimentando e solidificando há décadas. Acredito que a busca das razões da arquitetura, de uma forma coletiva, pode nos levar a uma nova convergência. Vale a leitura da carta, pois algumas passagens são extremamente atuais:
A recuperação das razões da arte na carta de Mario de Andrade nos remete às razões dos nossos projetos. Quais as questões pautadas nos projetos hoje? Como estamos construindo os nossos discursos arquitetônicos? Com maneirismos, dicionários lingüísticos ou existindo e acreditando nos nossos assuntos? Uma vez, ainda na FAU-USP, em um atendimento, tentando entender a gênese do projeto, um querido professor (3) disse: “Em um projeto, a principal dedicação é na formulação da questão a ser enfrentada. A esta formulação devemos nos dedicar até termos clareza do que iremos propor com o projeto. A solução, se você tiver um pouco de talento conseguirá estudar e encontrar, se não, busque ajuda de alguém, da história, ou se quiser... eu posso te ajudar”. A carta do Mário de Andrade e a inquietação e respeito com que ele trata a exposição do tal artista me pareceram muito oportunas neste momento em que os conceitos se confundem com as imagens. Ainda que rabugento, explica a própria indignação:
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