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| Dois mundos opostos no Rio - isso era só o começo 3 de janeiro de 1953. Uma matéria sobre os opostos na cidade do Rio de Janeiro: a "Zona Norte e a Zona Sul" (1). Considerando a mídia, o tema é bastante provocativo e atual, ainda que com enfoque “zona-sulista”. "Terra esquecida", "dois mundos opostos", "dois estilos de vida", outro lado da “cortina de ferro” e “norte de morte” são os termos usado pelo jornalista Pedro Gomes para expor o que já se antevia: a formação de duas cidades em um só território. O começo foi o conflito entre a zona Sul e a zona Norte. Me pergunto se o que se antevia era o que realmente veio. Será que em 1953 se vislumbrava, ou alguém vislumbrava aonde iríamos chegar? Acredito que alguns sim, talvez não em detalhes sobre a guerrilha instaurada, mas talvez cientificamente pudesse se antever pouco da situação atual. A divisão, os opostos não são apenas opostos territoriais. São visões de sociedade que caminham paralelamente. Às vezes sobre o mesmo território, ou muito perto. O geógrafo Milton Santos em 1979 já havia mencionado os dois circuitos - superior e inferior - e as formas de sobreposição e conflitos no espaço no seu livro O espaço dividido. Os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvido publicado em 1979. Na reportagem, o Méier, hoje um bairro de classe média, é apresentado como esquecido, e Copacabana, na zona sul enquanto a região privilegiada. Já era o começo de uma divisão que só iria se acirrar. Em escala e em qualidade. Os guetos não são de origem racial, ainda que cristalizem dominações antigas e insistentes. A ausência do Estado (em todos os níveis) gera vazios que são ocupados (e foram ocupados) por iniciativas diversas. Das milícias aos serviços dos condomínios. Dependendo da faixa de renda um nome é aplicado. Dois lados de uma mesma moeda. Uma sociedade dividida, com democracia eleitoral mas sem lugar, cada vez mais fechada em suas partes. O Méier, consolidado na década de 60 e 70, foi o que primeiro recebeu a novidade do “shopping center”. O modelo de cidade espalhada, sem viabilidade econômica, com altos custos de infra-estrutura, desenhou o bairro. Hoje um bairro semelhante a muitos outros das nossas cidades. Certamente mais limpo e higiênico do que há cinquenta anos atrás. Em paralelo, e bem mais abandonados do que o Méier, foram surgindo outros núcleos. A ausência do Estado foi marcante. Como que se entregue à iniciativa privada, as questões se resolveriam sozinhas. E se resolveram. Atendendo a interesses imediatos e privados. Esta postura gerou hoje territórios com vida paralela ao Estado oficial. A ausência de espaços públicos qualificados, prontos para o uso e devidamente mantidos gerou o mais preocupante - a ausência da prática de convivência urbana. A convivência entre diferentes que poderá gerar um novo território nacional - este sim democrático. Observações sobre a normalidade atual Sete
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