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os dias 23 e 28 de abril celebrou-se em Barcelona a Construmat,
Feira Internacional da construção civil. O evento
acolhe diferentes empresas relacionadas com atividades industriais
da construção, desde maquinaria pesada a empresas
de desenvolvimento de software com aplicações para
o setor. Apesar de suas dimensões (125.000 mē de exposição),
o certame está muito voltado para a indústria da construção,
onde a mesmice comercial tem imperado.
Com
o intuito de reflexionar sobre a atual produção habitacional,
extremamente obsoleta, este ano a feira trouxe como novidade o Projeto
Casa Barcelona. Idealizado pelo arquiteto
Ignacio Paricio e bem recebido pelo presidente do salão,
Josep Blanchart, este projeto aproximou algumas empresas de destaque
na indústria da construção civil a cinco equipes
de arquitetos de prestígio internacional.
Dominique
Perrault, Ben Van Berkel, David Chipperfield e Toyo Ito, além
de uma equipe de arquitetos espanhóis: Ignacio Paricio e
Lluís Clotet, propuseram uma rediscussão sobre cinco
elementos de importância numa habitação, na
opinião do comissariado: a janela, as paredes de divisão
interna, o piso, a água (banheiro) e o fogo (cozinha). Participaram
também da conferência
Luís Fernandez Galiano (diretor da revista Arquitectura Viva
de Madri) e Oriol Bohigas (arquiteto de importância destacada
nas obras pré-olímpicas). O público assistente,
superior ao da entrega dos prêmios Mies no dia anterior, demonstrou
o interesse despertado.
Se
por um lado a idéia do projeto queria refletir sobre as profundas
transformações no ambiente doméstico, como
as novas formas de vida observadas na contemporaneidade e a entrada
da informática e de internet nos lares, os resultados
não foram além de sofisticadas respostas tecnológicas.
O conjunto
dos trabalhos apresentados não condiz com as premissas do
texto de Parício. O que se apresentou foi uma série
de artefatos e invenções de difícil aplicação
e, sobretudo, destinadas a um público de alto poder aquisitivo.
Uma reflexão sobre o futuro da habitação não
deveria ser tão elitista e sim atender a um mercado mais
"popular". Os projetos tampouco fazem referência
a formas alternativas de energia ou ao uso de material reciclável.
As
propostas do projeto Casa Barcelona sugerem que o conceito de habitação
deva passar por uma "reforma", mas não discutem
uma alteração significativa na gênese da habitação.
Não será uma banheira que passeie pela casa, uma cozinha
automatizada (e elétrica!) ou uma janela (com direito a ar
condicionado e calefação) o que caracterizará
a habitação do futuro. Sobrou tecnologia e faltou
arquitetura. |