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Proyecto Cultural Comunitario "Okan Odara", Havana, Cuba,
novembro 2000 (baseado nos motivos de pintura em pano de prato
da Vila Rhodia)

Mural
no Assentamento MST Carlos Lamarca, Itapetininga, Brasil

Detalhe
de parede de Casa em Tijuana, México

Cozinha
na Vila Rhodia, São José dos Campos, Brasil
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Parto
do princípio de que em maior ou menor grau para cada pessoa,
a beleza pura e simples é um dado indispensável para a sua
saúde mental, tendo como exemplo principalmente a minha própria
experiência. Tenho ainda a convicção de que a nossa saúde
mental é um item absolutamente decisivo na opção pela sobrevivência
do planeta. Assim, apostando muito mais na vocação curativa/balsâmica/didática
da arte que em qualquer outra que ela possa ter, minha intenção
é fazer a dimensão do belo acessível ao maior número de pessoas
possível.
Para
tanto, reformulei o repertório veiculado pelo meu trabalho
lançando mão de um tipo de visualidade que acredito responder
com eficiência essa preocupação, isto é, acrescentei às minhas
primeiras investigações plásticas o dado da ornamentação islâmica.
Fi-lo por acreditar ser este um dos mais belos produtos visuais
da humanidade; portanto, potencialmente com maior capacidade
apelativa que a linguagem mais seca e menos sensual característica
dos primeiros anos da minha produção. Essa transformação se
deu há uns oito anos e meu trabalho, acrescido do elemento
"beleza pura", novamente se voltou para um crescimento vertical,
aprofundando as questões basicamente metalingüísticas que
propunha.
Tenho
agora sentido falta de uma atualização deste mote, possivelmente
o mais importante do meu trabalho, isto é, proporcionar o
contato coma dimensão do belo para o maior número de pessoas
possível. A idéia é executar pinturas de parede em zonas urbanas
excluídas do circuito das artes, desprovidas de qualquer equipamento
cultural, lugares onde a probabilidade de se vivenciar esta
dimensão é praticamente nula. Estas pinturas seriam feitas
nas paredes públicas possíveis destas áreas. Desta forma estaria
colaborando para a expansão dos limites impostos à experiência
estética pelo circuito protegido de arte.
Note-se
que não pretendo fazer qualquer denúncia, nem chamar a atenção
para algum dos muitos problemas socio-econômicos existentes.
Quero apenas proporcionar o contato dos ditos excluídos com
um produto cultural que jamais teriam chance de conhecer,
contato este que acredito ser principalmente salutar para
os que dele usufruírem. Deste modo, pretendo deslocar a questão
da transformação da sintaxe interna do trabalho para a intervenção
direta no circuito, entendendo-o como um dos elementos integrantes
do léxico da minha própria produção.
De
fato, entendo a beleza pura como atitude política inclusive
dentro do próprio circuito de arte estabelecido, uma vez que
a grande maioria da produção artística "de ponta" manipula
informações geralmente agressivas e de forma ajuda comprometida
com os preceitos desestetizantes promulgados pela arte deste
século. Entendo que aqui no Ocidente a pura fruição estética
sofre enormes constrangimentos provocados por uma equivocada
supervalorização do intelecto, o que restringe enormemente
o campo de ação da arte e, segundo o meu ponto de vista, justamente
na sua especificidade máxima: o exercício da fruição do belo,
sutil porem profundamente transformador.
Mônica
Nador , São Paulo Brasil |