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drops 09.08 | novembro 2004 Cidade
suja
Em época de eleições a mesma imagem se repete: independente do partido ou do barulho de seu jingle, o que se vê é a cidade imunda com santinhos jogados ao chão, adesivos colados em paredes, postes, árvores, outdoors do tamanho do ego de cada candidato, ou seja, uma imagem nem um pouco agradável de uma cidade que os políticos tanto glorificam em seus programas em nome da “cidadania”. Ser cidadão é fazer parte de uma comunidade, é trabalhar por ela e a favor dela. É neste momento que a cidade é disputada com unhas e dentes pela retórica política: todos a querem e todos a desejam, pois ela ainda tem muito a oferecer como palco democrático do ideário político. Suas ruas e praças são usadas como palanques de discursos elaborados em prol da qualidade de vida. Mas como defender uma qualidade de vida quando, um simples ato básico de cidadania, o cuidado com o lugar onde se mora não é respeitado? Como defender a cidade e falar em seu nome, quando os ditos “cidadãos” fazem dela a sua lixeira? Ser cidadão não é somente pagar impostos, ter um número de identidade e CPF ou mesmo votar; é ser educado com sua cidade e sua gente para no mínimo não sujá-la. A cidade é o espaço da democracia por natureza. É nela que nascemos, crescemos, constituímos as famílias, votamos e escolhemos nossos candidatos, que irão nos representar perante a cidade e sua sociedade. E estes por obrigação são os primeiros, eleitos ou não, de terem com ela um respeito eterno.
Fabiano Vieira Dias, Vitória ES Brasil |
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