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drops 17.06 | março 2007 Biennale di Venezia 2006 Sobre 10ª Mostra Internazionale di Architettura
O novo milênio nos havia brindado com uma idéia forte: a discutida, contraditória, incomoda e portanto inesquecível Less Aesthetics, more Etics do arquiteto Massimiliano Fucksas; logo apagada, em 2002, pelo descompromisso acrítico de Next, do então diretor da revista Domus Dejian Sudjic, e em 2004 pelo pragmatismo de Metamorph do professor Kurt Forster. A decima Bienal Città. Architettura e società do arquiteto e urbanista Richard Burdett – que fechou em novembro de 2006 em Veneza – confirmou mais uma vez a opção “britânica” dos organizadores, em prol de uma suposta imparcialidade ou pretendida objetividade. As protagonistas da edição 2006 eram 16 megacidades e grandes cidades dos quatro continentes (Shanghai, Mumbai e Tokyo na Ásia; Caracas, Cidade do México, Bogotá, São Paulo, Los Angeles e New York nas Américas; Johannesburg, Cairo e Istambul na África e Mediterrâneo; Londres, Barcelona, Berlin e Milão-Torino na Europa) apresentadas – no espaço admirável das Corderie do Arsenal – por meio de impecáveis (mas monótonas) seqüências de imagens de autor, filmagens escorrendo nas telas e pelo chão sobre seu território e seu “cotidiano”, projetos de arquitetura e urbanismo em andamento.
Alertado na entrada por dados fornecidos em multivision a 360°, o visitante/espectador ficou então sabendo que “no sul do mundo as cidades crescem com maior rapidez”; que “o crescimento maior será na Ásia e na África”; que as cidades estão consumindo “a metade da energia total” do planeta e “produzem o 75% das emissões de CO2”; que Tókio é, junto com Shanghai e Mumbai, a maior conurbação do mundo”; que em 2040 a maior será Mumbai, com 40 milhões de habitantes; que México é a cidade com menor densidade; que São Paulo tem uma população regional equivalente à de Los Angeles e Shanghai, etc. etc. São Paulo, Bogotá e Caracas foram escolhidas – explicou Burdett – “para ilustrar tensões e oportunidades da cidade latino-americana”. Com destaque para São Paulo – definida a new-world dinamo – que abriu e fechou a seqüência fornecendo o estímulo, ou o pretexto, para as considerações finais do curador, marcadas por um otimismo (e um paternalismo) quase constrangedores:
Nos pavilhões nacionais o tema foi tratado – como de costume – de acordo com diversos enfoques, e objetivos:
Entre os eventos colaterais, a Ikona Photo Gallery apresentava fotografias de Giulia Foscari, que vive numa villa de Palladio e trabalha sobre a favela brasileira.
Fartos de tamanha abundancia de dados e informações; irritados por ter sido chamados, na maioria das vezes, a constatar e admirar muito mais que a pensar e a imaginar , os que resolveram se entregar ao press escape encontraram poucas, mas notáveis, oportunidades: entrar no “panorama” realizado por Franco Purini (em anexo a Invito a Vema , proposta de uma nova cidade, utópica ma non troppo ) e assistir a sua intrigante, irônica, performance visiva sobre a arquitetura italiana do século XX contada através dos rostos de seus protagonistas; sentar calmamente no pavilhão da Bélgica para ver e ouvir escorrer, no escuro, as águas de um canal (La beauté de l’ordinaire, de Label Architecture); e subir enfim, ao por do sol, no Tiles garden do arquiteto Wang Shu, China, construído no lugar mais escondido do Arsenal – o Giardino delle Vergini – com mais de 60.000 antigas telhas recuperadas em demolições, “para mostrar ao mundo não o que é a arquitetura contemporânea made in China, mas como a arquitetura chinesa encara o mundo contemporâneo”. E quem quiser entender, entenda.
Giovanna Rosso Del Brenna, Milão Itália |
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