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drops 17.07 | março 2007
Bienal
de Veneza
Um
enfoque particular
A recente
Bienal de Arquitetura realizada em Veneza encerrou-se já há alguns meses.
Ela foi amplamente noticiada e comentada em “Vitruvius” em artigo de
Abilio Guerra, cujas impressões correspondem em grande parte às que eu
tive, ao percorrer os pavilhões disseminados nos “Giardini” e a mostra
principal, instalada no imponente ambiente das “Corderie” do histórico
Arsenal.
Qualquer
acréscimo àquilo que ele escreveu sería portanto supérfluo de minha parte,
no que se refere ao conteúdo do tema central da exposição ou das abordagens
específicas dos vários países em seus pavilhões. Sobre estes direi apenas
que me tocou mais sua arquitetura (frequentemente assinada por nomes famosos
e divulgada na literatura da época de sua construção), do que a forma
confusa e ambígua com que foram colocadas muitas das teses apresentadas,
numa duvidosa relação com a finalidade cultural e prática de um evento
da importância da Bienal.
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Instituto
Massuah, planta do subsolo |
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Fiel porém
a minha esporádica contribuição como “correspondente de Vitruvius em Israel”,
quero me referir ao pavilhão desse país.
O pavilhão
de Israel é projeto do veterano precursor da arquitetura israelense, Zeev
Rechter. Construído nos anos do início do novo Estado, reflete a atmosfera
de austeridade e limitação que caracterizou aquele período, apresentando-se
em sua modesta simplicidade como um documento autêntico, qualidade que
veio a faltar em ulteriores manifestações da arquitetura de Israel. E
neste sentido ocupa um lugar digno também junto aos demais pavilhões nacionais,
alguns dos quais primam por uma elegância de tratamento espacial e fineza
de detalhes, mas se demonstram vazíos de conteúdo relevante.
O tema escolhido
para a mostra de Israel contrasta com a tendência geral presente em grande
parte dos pavilhões, e foi mesmo contestado (sem dúvida em má-fé) por
certos participantes europeus portavozes de opiniões políticas anti-israelenses
atualmente em voga em círculos da esquerda intelectual: ao invés de se
ocupar com prementes problemas de habitação e urbanismo que de formas
diversas constituíram o foco de grande parte das exposições, Israel dedicou
seu pavilhão a Memoriais e locais de comemoração dos infelizmente numerosos
episódios de martírio ou sacrifício humano que povôam sua história.
Não se trata
de um alheiamento, indiferente a uma situação urbana que preocupa pelo
seu âmbito mundial e pela sua gritante desigualdade social. Trata-se da
expressão verdadeira de uma nação que há décadas se confronta com o luto
numa espécie de “segunda natureza”, fazendo-o elemento de fundo a todo
seu comportamento na formação de uma cultura.
O tratamento
arquitetônico dado a esses memoriais é quase sempre anti-retórico, muitas
vezes endereçado para uma funcionalidade que antepõe um uso “utilitário”
e educativo ao aspecto monumental e celebrativo. Esta é uma qualidade
não desprezível, em época em que proliferam os “grandes gestos simbólicos”
de arquitetos mais preocupados com promoção e prestígio pessoal do que
realmente com a finalidade a que seus edifícios têm que atender.
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Projeto
"Vale das comunidades" do arq. paisagista LipaIahalom, situado
no conjunto do memorial "Iadvashem" do Holocausto |
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Vale
das comunidades |
A apresentação
dos projetos não se limitou a fotos, plantas, cortes e maquetes, mas recorreu
também a um expediente de abstração que visava elevar o assunto exposto
de um mero aspecto técnico para uma categoria de objeto de arte: o elemento
gráfico das plantas foi usado como base para composições tri-dimensionais
em acrílico, expostas em paralelo com o material ilustrativo dos projetos.
Com isto atinge-se uma mensagem abstrata de ordem espiritual que aproxima
o observador da intenção embutida na escolha do tema, enquadrando a mostra
em um contexto condizente com o nível geral que se espera de um acontecimento
como a Bienal, e com um refinamento de gosto bem apropriado à atmosfera
única da cidade de Veneza.
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Vale
das comunidades, implantação |
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Vale
das comunidades, planta do pavimento térreo |
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Vale
das comunidades, cortes |
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Vale
das comunidades |
Vittorio
Corinaldi, Tel Aviv, Israel
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