
Capa do catálogo da 12ª Documenta |
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A
apresentação é constituída por três partes: um espaço expositivo,
um workshop e um objeto arquitetônico.
- O
espaço expositivo consiste num ambiente formado por três grandes
painéis onde são exibidos esquemas do processo de geração das
idéias projetuais. As primeiras intuições, o registro das tensões
que um organismo complexo como uma favela contém; os seus elementos
positivos e negativos, e alguns dos procedimentos utilizados.
- No
workshop com a participação da Faculdade de Arquitetura de Kassel
será definida a localização final do objeto a ser construído,
e será ajustado o seu detalhamento final. Serão também eleitos
os estudantes responsáveis pelo acompanhamento até à sua finalização.
- O
objeto a ser construído durante os três meses que dura a Documenta
é uma pequena edificação desmontável, informativa, lúdica e interativa,
que toma como referência uma célula habitacional de uma favela
do Rio de Janeiro, no seu caráter essencial. Este objeto proporcionará
uma ambiência estético-espacial para atividades várias. Os materiais
a serem utilizados na construção serão totalmente recicláveis.
Pela
internet será mantida uma interação constante entre o Rio e Kassel,
em tempo real, entre os co-executantes da construção, o público,
o meu escritório no Rio de Janeiro, e eu próprio, que estarei em
“ponte aérea” entre as duas cidades durante os três meses da Bienal.
A
construção do edifício conta com o apoio financeiro da World Future
Council, uma ONG que atua na área da promoção de iniciativas ecológicas
a nível mundial.
Favela
como devir
O
conjunto de desenhos, croquis, textos e fotografias que compõem
parte da apresentação na 12ª DOCUMENTA, constituem as pegadas do
processo de gestação das idéias de projetos de escala urbana; a
primeira intuição, o registro das abordagens iniciais.
São
o rasto das forças que atravessam um organismo complexo como o das
favelas, com as suas potencialidades e seus aspectos negativos;
o manifesto e por vezes o que apenas está latente. O conflito entre
o material e o assunto, a tensão entre eles.
As
favelas constituem espécies de organismos vivos, com vontade própria,
onde acaso e necessidade se intrincam sem fim, exigindo para decifrá-los
uma abordagem desde várias “frentes” em simultâneo, a ser feita
“em camadas”. Envolve o desafio do tamanho e da domesticação da
escala.
A
favela é o lugar de um puro devir.
A
leitura da estrutura do lugar (registros gráficos de caráter topológico)
e a “escuta” das demandas (segundo o método Freudiano da associação
livre e da atenção flutuante) constituem o dispositivo fundamental
da abordagem projetual.
O
projeto urbano funciona, nesta perspectiva, como uma estratégia
de reconquista da cidade e como um instrumento para lidar com os
conflitos.
O
campo do urbano contemporâneo define um espaço de múltiplas intersecções,
uma urdidura onde diferentes disciplinas se entrecruzam. Urbanismo,
arquitetura, paisagismo, psicanálise, filosofia, arte, sociologia,
engenharia, interceptam-se com as problemáticas do sujeito, com
as questões legais referentes à propriedade dos terrenos, e com
os aspectos da segurança citadina.
Tudo
isto implica a absorção, a fusão de categorias consideradas à partida
heterogêneas e contraditórias. Implica também lidar com um universo
de probabilidades relacionadas com fluxos: de informações, de pessoas,
de veículos e de mercadorias.
Imaginar
futuros possíveis desejáveis, a partir dos quais intervir no presente,
implica articular o simbólico, o imaginário e o real, ao mesmo tempo
que o físico, o social e o ecológico, num processo onde o formal
e o informal se cruzam possibilitando um jogo de ressonâncias.
Lista
oficial de expositores
Abdoulaye
Konaté, Agnes Martin, Ahlam Shibli, Ai Weiwei, Alejandra Riera,
Alice Creischer, Alina Szapocznikow, Allan Sekula, Amar Kanwar,
Anatoli Osmolovsky, Andrea Geyer, Andrea Geyer, Andreas Siekmann,
Andrei Monastyrski, Annie Pootoogook, Aoki Ryoko, Artur Zmijewski,
Ashley Hunt, Atul Dodiya, Bela Kolárová, Bill Kouélany, Ck Rajan,
Cosima Von Bonin, Charlotte Posenenske, Churchill Madikida, Danica
Dakic, David Aradeon, David Goldblatt, David Thorne, Dias e Riedweg,
Dierk Schmidt, Dmitri Gutov, Eleanor Antin, Ferran Adrià, Florian
Pumhösl, George Osodi, Gerhard Richter, Gerwald Rockenschaub, Gonzalo
Díaz, Graciela Carnevale, Grete Stern, Grupo de Artistas de Vanguardia,
Guy Tillim, Halil Altindere, Harun Farocki, Hito Steyerl, Hu Xiaoyuan,
Ibon Aranberri, Imogen Stidworthy, Ines Doujak, Iñigo Manglano-Ovalle,
Iole de Freitas, Ion Grigorescu, J. D. ‘Okhai Ojeikere, James Coleman,
Jirí Kovanda, Jo Spence, Johanna Billing, John McCracken, Jorge
Mario Jáuregui, Jorge Oteiza, Juan Davila, Jurgen Stollhans, Katerina
Sedá, Katya Sander, Kerry James Marshall, Kirill Preobrazhenskiy,
Kwiekulik, Lee Lozano, León Ferrari, Lidwien Van De Ven, Lili Dujourie,
Lin Yilin, Lotty Rosenfeld, Louise Lawler, Lu Hao, Luis Sacilotto,
Luis Jacob, Lukas Duwenhögger, Maja Bajevic, Mária Bartuszová, Martha
Rosler, Mary Kelly, Mira Schendel, Mladen Stilinovic, Monika Baer,
Nasreen Mohamedi, Nedko Solakov, Olga Neuwirth, Oumou Sy, Peter
Friedl, Poul Gernes, Ricardo Basbaum, Romuald Hazoumé, Saâdane Afif,
Sakarin Krue-On, Sanja Ivekovic, Sharon Hayes, Sheela Gowda, Shooshie
Sulaiman, Simon Wachsmuth, Simryn Gill, Sonia Abián Rose, Tanaka
Atsuko, Trisha Brown, Tseng Yu-Chin, Xie Nanxing, Yael Bartana,
Yan Lei, Yvonne Rainer, Zheng Guogu, Zoe Leonard, Zofia Kulik.
Informações
Mais
informações sobre a participação na 12ª Documenta podem ser
obtidas em www.jauregui.arq.br/kassel.html. |