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drops 27.06 | maio 2009 | tradução Pamela Bassi |
versão em espanhol
O
que é Arquitetura Três Poemas, Seis Imagens
Esta trilogia
de poemas tenta ser uma resposta à eterna pergunta do pesquisador e escritor
de arquitetura...: O que é Arquitetura? Espero com estas pequenas reflexões,
encorajar os leitores à procura permanente de frescor, objetividade e
vitalidade em nosso trabalho arquitetônico atual.
Em um mundo
no qual as desigualdades crescem exponencialmente, as necessidades seguem
sendo prementes em uma parte majoritária do mundo pobre, e as respostas
arquitetônicas seguem sendo débeis e aquietadas pela voracidade da publicidade
e o glamour, ofereço aos leitores uma visão, outra, que tenta também achar
respostas contundentes, eficientes, poéticas e democráticas ante a atual
realidade do nosso ofício arquitetônico.
Minhas dissertações
estão sobre a mesa, espero poder compartilhar meus raciocínios.
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Corpo
- Vista
da Cidade de Lisboa. Fonte: Figura do autor. Lisboa, janeiro 2007 |
Corpo
“... meu
corpo está submerso em um espaço que não é nunca unidimensional e específico...”
Olhares nos
envolvem
Incompreensíveis
Luxúria de percepções
Caos de ser
De viver como corpo
Como sensibilidade capaz
De envolver traços melancólicos
Sutis
Reais
Mundo de
contrastes
Fachadas multifacetadas
Percebem meu andar simples
Cotidiano
Nos fundimos... somos um
Andamos juntos as sombras que jogam
Que transcendem sua estrutura
Minha estrutura
Cores de
variáveis infinitas
Pórticos floridos
Minha mão na sua
Beijo-te
Faço-te minha
Me alimento de ti
De teu sorriso
De teu espaço
De teu fôlego
Corpo
- Vista
da Cidade de Lisboa. Fonte: Figura do autor. Lisboa, janeiro 2007 |
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Nossas sensações
tomam forma
Posso sentir o calor do teu sorriso
Teu símbolo perfeito
Tua nudez mais esquisita
Tuas paredes endurecidas
Tua luz que me ilumina
Teu corpo que me excita
Só então
Aquele caos caótico simbiotiza
O calor de teu “senna” aceso
/Doce/
De tuas curvas perfeitas
Da perceptível luxúria de teu corpo
Tu, és minha
Eu, sou teu
Então, nosso corpo
É nosso
Olhares nos
envolvem
Formas
Bruma racional
Que nos acompanha como volumes sob a luz
Como ordens desordenadas
Como espaços criados com beleza infinita
Absorvemos
os olhares
Interpostos como um diálogo
Que nos envolve
Que nos duplica
É então, que nossa arquitetura
É nossa.
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Espaço
- Capela
de Ronchamp. Le Corbusier. Cerca de Belfort-França, 1950-1955. Fonte:
Figura do autor. França, 1995 |
Espaço
“... estas
interconexões não são realidades já dadas, e sim tem que ser construídas...”
Estamos envoltos
dentro de quatro paredes brancas
Vermelhas
Azuis
Amarelas
A cor não importa
Importa o calor do teu corpo
Junto ao meu
Aberturas
que nos incitam a olhar
Ao finito infinito
À Andrômeda próxima e distante
Ao abismo perfeitamente redondo que nos olha
Desde o outro lado da lua
Da vida
Aberturas que nos convidam a andar
Caminhamos então por lugares inscritos
Em um mesmo espaço
Como recorrer os montes brancos de teu peito
Ou se perder na rosa púrpura de teus lábios
Ou interconectar nossos instantes de respiração
De agouro
De canto perdido
De realidade abrupta
Espaço
- Capela
de Ronchamp. Le Corbusier. Cerca de Belfort-França, 1950-1955. Fonte:
Figura do autor. França, 1995 |
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Aberturas
abertas à luz
À leveza incrédula
À manivela de tuas mãos no ar
À doçura de teu gesto
À estilizada figura de teus dedos
Ao suave cair de teus cabelos
Em teu rosto meu
Paredes nos
envolvem
Transpiram
Comunicam
Convidando a cheirar teu odor feminino
A degustar o odor cândido do pinho
A descansar em um balcão outonal em teu domingo secreto
Paredes e
aberturas brotam da forma
São espaço
São corpo
São interconexão de sensações
São utopia e realidade
São agoras e sempres
(O demais é só dialética que voa)
Espaço é nosso corpo
Espaço é nosso espaço.
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Sonhei
- Pátio
do Edifício Aristos. Cidade de México, arquiteto Josep Lluis Benlliure.
Fonte: Figura do autor. México, 2002 |
Sonhei
com um Lugar
“... meu
corpo habita entre todos esses espaços que compõem a sociedade...”
Levanto o
olhar
A distância se perde
Revirando-se em extensas fantasias
Terra firme que gera vida
Ainda que sem um corpo resulte demasiado absurdo
Estar vivo
Ter lugar
Ter espaço para respirar sem respiração
Levanto o
olhar
Aproprio-me do que me rodeia
Silêncio
Pintassilgos que revoluteiam na alvorada
Eternidade
Solidão anunciada
Continuo vivo sem sentir tua respiração
Levanto o
olhar
Aproprio-me das formas
Dos usos que as habitam
Mortos me permitem olhar
Ao andar que avança
Sobre felicidades mortas
Clandestinas
Continuo vivo sem sentir tua respiração
Levanto o
olhar
Arquitetura me rodeia
A minha
Minha forma
Meu espaço vazio de ti
De mim
A forma arquitetônica alvoroça meus neurônios
Incitando minhas ânsias de viver
Sonhei
- Pátio
do Edifício Aristos. Cidade de México, arquiteto Josep Lluis Benlliure.
Fonte: Figura do autor. México, 2002 |
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Levanto o
olhar
O céu avança apressado
Sobre minha esvoaçada cabeça
Abrigo-me em tua forma
Em teu espaço
Na lembrança de teu corpo
De tua pátria
De tua bandeira
Levanto o
olhar
Sonho-te comigo e te tenho
Abraço-te
Respiro-te
Percorro-te
Minha arquitetura então te resguarda
Resguarda-me
Levanto o
olhar
Sonho um âmbito perfeito
Uma arquitetura simples e plana
Que rompe a marcha das coisas feitas
A simplicidade da vida dos homens
Miro-te a ti
Abrigada sob o leito amplo
Decido as formas
Levanto o
olhar
Despertando excitado
E então só sonho
/Que sonhava/
Humberto
González Ortiz, Barcelona Espanha
Humberto
González Ortiz é Doutor em Arquitetura pela Universidade Politécnica de
Catalunha e arquiteto da Universidade Nacional Autônoma de México.
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