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| Alhos
Vedros, ARX Portugal, 1999 |
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Pedro
Jordão: As maquetes têm uma enorme importância no desenvolvimento
dos vossos projetos, são um instrumento de trabalho com o qual têm uma
relação muita intensa...
José
Mateus: As maquetes têm a vantagem de teres o objeto na mão e
de lhes poderes mexer e rapidamente alterar. Uma representação tridimensional
em computador está distante a um certo nível e o desenho bidimensional
é obviamente limitado em termos de antecipação do que é o objeto, sobretudo
quando as geometrias são muito complexas. Desde o início de cada projeto
há a maquete do sítio e a maquete do programa. O que é a maquete do programa?
Os cadernos com programas preliminares de edifícios de grande dimensão,
por exemplo, têm uma listagem de espaços com as áreas respectivas. Só
que às vezes são centenas de compartimentos. E o que passamos a fazer
foram volumes, a uma escala qualquer, de cada parte funcional do edifício.
E depois, em primeira análise, empilhamos sobre o terreno, fazemos as
primeiras constatações. Nós costumamos brincar com o fato de que, hoje
em dia, faz-se muito o projeto para se chegar ao fim e ter-se uma caixa.
Nós começamos com uma caixinha e no fim, até pode haver uma caixinha,
mas fomos buscar muitas outras coisas. A maquete é um auxiliar extraordinário
na nossa metodologia mas não é tudo. Nós desenhamos como os outros arquitetos.
Saltamos é constantemente do desenho para a maquete e da maquete para
o desenho, havendo sempre inúmeras maquetes em cada projeto, que acabam
invariavelmente em maquetes de obra, que podem ser troços à escala 1:50
da estrutura desse edifício, o que é muito útil para descobrir contradições
entre o projeto de arquitetura e o projeto de estruturas, podem ser fragmentos
do edifício à escala 1:20 ou um detalhe muito completo. E, por vezes,
no fim do projeto, há a maquete de representação global.
Nuno
Mateus: Isto é a descrição. Quanto à motivação, eu diria que,
uma maquete é para ver, outra é para construir e, no meio disso, é para
pensar. E no fim é para comunicar. Percebemos os projetos são, têm de
ser, cada vez mais rápidos. Para contrariar esse sentido da velocidade
dos dias que correm, utilizamos a maquete, que no fundo reivindica uma
certa lentidão. Uma maquete está sempre à vista, não se desliga, como
um computador. Como o [Fernando] Távora diz, fazer as tripas como antigamente,
fazem-se de um dia para o outro, não se fazem no mesmo dia. Essa lentidão
tem a ver com o tempo da sua construção, que é mais lenta que um esquiço.
Essa lentidão leva-nos a uma relação muito próxima com aquilo que estamos
a fazer e com as decisões que se estão a tomar em relação à sua construção.
Nós fazemos maquetes em todas as escalas, em todas as fases. Por exemplo,
nós tentamos, tanto quanto possível, que arquitetura e estrutura sejam
uma mesma coisa, que a arquitetura esteja toda inscrita na estratégia
estrutural. E a maquete serve para apanhar os erros todos antes de ir
para a obra. É uma espécie de protoconstrução, em plástico, cartão ou
madeira.
JM:
E há ainda o potencial da comunicação da maquete com o cliente.
Muitos dos clientes que chegam cá, não fazem a mínima idéia do
tipo de arquitetura que nós desenhamos. Alguns pensam que sabem. Se o
cliente entrar no processo e conseguir perceber o projeto que está a ser
construído aos poucos, vendo as maquetes, sente-se mais seguro e lentamente
vai-se inscrevendo na sua mente que, afinal, a casa é um bocado diferente
do que pensava. Porque, ao fim e ao cabo, nós não somos ilustradores dos
desejos muito precisos que eles trazem. Naturalmente que há o programa
e alguns aspectos que são concretos. Mas nós procuramos determinadas lógicas
de arquitetura que gostamos de reafirmar e de investigar.
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| Projeto
Expositivo para o Pavilhão do Conhecimento dos Mares, Expo
98 Lisboa, Portugal. ARX Portugal, 1996. Foto Daniel Malhão |
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