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Capa,
com desenho L’architecture assassinée de Aldo Rossi, do livro
BIRAGHI, Marco. Progetto di crisi. Manfredo Tafuri e l'architettura
contemporanea. Milão, Marinotti, 2005 |
Adalberto
Retto: Qual é o verdadeiro papel de Manfredo Tafuri na crítica contemporânea?
Marco
Biraghi: Penso que Tafuri tenha pelo menos um duplo papel. Em primeiro
lugar um papel “histórico”, no sentido que foi uma das maiores e mais
influentes figuras da crítica arquitetônica da segunda metade do século
passado. A sua atual “eclipse”, total ou parcial, não significa que este
papel não tenha havido e que não os viria reconhecido. A sua importância
é “objetiva”, e creio vá além de cada avaliação de parte.
Alguns de
seus livros são fundamentos da cultura arquitetônica, muito além (ou,
quase sempre além) da sua atualidade. É justamente por serem profundamente
radicados na sua época, em tê-la assinalada, que demonstram a sua importância;
mesmo se hoje podem resultar – e por certos artigos tomara que sejem –
superados ou parciais.
Depois ele
tem um papel que diria “potencial”. Com meu livro procurei olhar este
papel, e de indicar lhe o sentido. Tafuri nos convida a uma profunda,
radical inquietude: a inquietude do historiador, não aquela do filósofo
ou do homem comum. A inquietude do historiador é aquela que não dá por
passado o passado, que não lhe permite passar, mantendo-lhe aberto, interrogando-lhe
continuamente, e assim fazendo modificando-lhe. Eu creio que o mesmo deveria
ser feito com Tafuri e com sua obra. Continuar a interrogá-la significa
não somente mantê-la viva, mas também manter aberta aquela produtividade
da crise que está no centro do seu projeto histórico. Retenho que a compreensão
profunda do significado da crise seja muito importante para nós hoje,
e não só para os historiadores. No sentido banal, que hoje a crise é mais
atual, no sentido que a crise é sempre atual, e assim enquanto
tal escapa aos olhos desatentos, aos olhos que não querem ver. A crise
é objeto de uma contínua, perpétua remoção, social e cultural. E eu penso
que o fato de fazer nos tomar atenção à crise, à constituição da crise,
faça do pensamento de Tafuri um dos fundamentos do Novecentos, de que
não precisa ter muita pressa de descartar-se.
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Man
Ray, Portrait imaginaire de D.-A.-F. de Sade, 1940. In: TAFURI,
Manfredo. Progetto di crisi, p. 292 |
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