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| Jardim
da Casa Forte, 1935, Recife PE, foto Ana Rosa 1996 |
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Ana Rosa de Oliveira:
O Sr. poderia mencionar alguns dos seus projetos paisagísticos
que considera importantes?
Roberto Burle Marx: Acho
muito importantes os meus trabalhos associados à cidade. O paisagista
está sempre subordinado ao urbanista. Sem compreender as necessidades
de uma cidade e, principalmente sem compreender as funções das áreas verdes,
o paisagista não poderá realizar jardins. No projeto do Parque do Ibirapuera,
realizei muitas experiências plásticas com pavimentos e vegetação. O Aterro
do Flamengo foi uma experiência com plantas resistentes à salinidade,
ao vento. Acredito que sem técnica não se chega a um bom resultado. Uma
flor por exemplo, tem uma simetria, obedece a certos princípios como a
cristalização. O mesmo ocorre com os jardins. O jardim é uma natureza
organizada pelo homem e para o homem. Disciplina muitas vezes ajuda a
chegar a um resultado.
Na realidade,
artista é aquele que consegue expressar-se com inteligência. Por outro
lado, para mim a arte é uma necessidade de encontrar um auto-equilíbrio.
Existe no entanto, um lado da arte que é tão imponderável quanto a vida.
Se pudéssemos explicar a razão de porque temos necessidade de perpetuarmo-nos,
de porque vivemos...
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