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Em um almoço no sítio Santo Antônio da Bica, Fernando
Chacel elogiou a camisa que Burle Marx usava e pintada pelo próprio.
Burle Marx ali mesmo deu a camisa de presente para Chacel, que até
hoje a guarda como lembrança. Foto de Isabel Vianna, arquiteta
paisagista uruguaia |
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Fernando
Chacel e a consciência ecológica e ambiental
Antônio Agenor de Melo Barbosa
Fernando
Magalhães Chacel (1931) é, certamente, o mais conceituado e bem sucedido
arquiteto-paisagista brasileiro da geração pós Burle-Marx (1909/1994).
Com mais de 50 anos de atividades profissionais o que mais impressiona
neste homem já de cabelos e barbas brancas é a sua enorme vitalidade e
a dedicação ao trabalho na pesada rotina à qual se dedica diariamente
no seu escritório no centro do Rio de Janeiro. É do 14º pavimento de um
edifício na Avenida Almirante Barroso – com vista privilegiada para o
Teatro Municipal e, ao fundo, o Aterro do Flamengo emoldurado pelo Pão
de Açúcar – que Chacel concebe e conceitua seus projetos. Aqueles que
tiverem a oportunidade de uma breve passagem por seu escritório poderão
observar que Chacel, no momento, coordena e desenvolve dezenas de projetos
paisagísticos em vários locais do Brasil. No Rio de Janeiro está à frente
do projeto paisagístico da Cidade da Música – de autoria do arquiteto
francês Christian de Portzamparc – que será implantado em breve na Barra
da Tijuca, na zona oeste da cidade.
Como
se não bastasse a grande quantidade de projetos que desenvolve no escritório;
Chacel, que é Professor Visitante da Universidade de Montreal no Canadá,
ainda dedica-se a coordenar (e lecionar) os cursos de graduação e de pós-graduação
em Paisagismo da Escola de Design e Artes Visuais da Universidade Veiga
de Almeida, também no Rio de Janeiro. Como professor de paisagismo já
estruturou e desenvolveu vários cursos para o Instituto de Arquitetos
do Brasil em muitas cidades do país e é também um conferencista muito
requisitado não só no Brasil como também no exterior. Em meio a tantas
atribuições, ainda assim, o sempre gentil e bem humorado Fernando Chacel
concedeu esta entrevista exclusiva para o Vitruvius. Foram quase três
horas de (boa) conversa onde o entrevistado relatou questões e fatos fundamentais
para a correta compreensão da grande importância do profissional de Paisagismo
no Brasil em um contexto tão adverso como o das nossas cidades, notadamente
as metrópoles como Rio e São Paulo. Visivelmente emocionado em vários
momentos da entrevista, Chacel derramou algumas lágrimas ao relembrar
amigos e parceiros já falecidos, como também ao falar das injustiças e
das grandes mazelas sociais existentes no Brasil.
Todavia,
numa visão otimista de seu tempo, Chacel arrisca dizer aos mais jovens
que esta é uma das profissões do futuro, não por estar vinculada a qualquer
tipo de modismo, mas sim por que, no seu entendimento, o arquiteto-paisagista
será um dos poucos capacitados a atender às demandas sócio-ambientais
que o novo século introduziu.
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Grupo
de Ananas bracteatus, tendo como pano de fundo o manguezal recuperdo.
Mais ao fundo as pedras da Gávea e do Itanhangá. No
Parque de Educação Ambiental Professor Mello Barreto,
na Barra da Tijuca |
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