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Entrevista
com Paul Meurs Talvez tenha nascido com a Escola de Chicago, nos anos 20, a idéia de que a cidade constitui um importante "laboratório social", a partir do qual é possível compreender mais claramente uma série de práticas culturais, em seus distintos territórios. O arquiteto holandês Paul Meurs, cujo interesse pelo Brasil nasceu ao final dos anos 80, intensificando-se a partir de então, tem pesquisado e escrito vários artigos sobre as cidades brasileiras, o que colaborou para que um conjunto de profissionais da área de arquitetura e urbanismo da Holanda quisessem conhecer tal realidade mais de perto. Em meio às várias atividades organizadas por Paul Meurs, iniciaram-se a partir de 1995 viagens regulares a grandes centros urbanos brasileiros por arquitetos, planejadores, ecologistas e outros. Dentre os resultados de tal intercâmbio, destaca-se aqui o livro organizado por ele e Esther Agricola, intitulado Brazilië: laboratorium van architectuur en stedenbouw (Brasil: laboratório de arquitetura e urbanismo), publicado em 1998, que reúne impressões, análises e reflexões desses visitantes. Assim, aspectos da realidade urbana e arquitetônica brasileira - sobretudo as marcas modernistas - são registrados nessas espécies de "expedições", propiciando, como num jogo de espelhos, uma reflexão sobre o presente e o futuro de cidades holandesas. Essa entrevista - realizada numa das várias vindas do autor ao Brasil -, procura reconstituir esse olhar, ao mesmo tempo que tenta, tomando carona nessa viagem, contemplar nossas próprias metrópoles com um certo olhar de estranhamento. |
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