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| Arcosanti |
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Roberto
Segre: É
uma grande emoção conhecê-lo, porque nos anos sessenta
e setenta, nos identificamos com suas propostas de vida espartana e com
a esperança de chegar ao novo milênio com as perspectivas
de um mundo melhor. Não pensas que todo esse esforço resultou
inútil diante da crise generalizada que vivemos na atualidade?
Paolo
Soleri: É certo que desde então as condições
ambientais do mundo pioraram consideravelmente: a indefinida expansão
das megalópoles; a persistente destruição da natureza;
a contaminação ambiental e o buraco na camada de ozônio;
a febre consumista do modelo capitalista e o livre mercado, agora universalizados
com a desintegração do sistema socialista; o culto da violência
e outros aspectos negativos. Porém é imprescindível
sermos otimistas para nos salvarmos da autodestruição. Quando
proponho a existência de uma "teologia do sol", refiro-me
que a energia do universo, que se desenvolve no espaço e no tempo,
orienta-se na direção da vida, não da morte. E a
sociedade humana, deseja mais construir do que destruir, avançar
mais que retroceder. Existe um jogo de forças, em constante tensão
entre o bem e o mal, mas acredito no triunfo do bem e na redenção
da espécie humana. Nossa comunidade é um grão de
areia no meio do deserto, mas está ali, difundindo seus ideais,
seu exemplo material e espiritual. Não é casual que milhares
pessoas nos visitem anualmente, não somente por interesse turístico,
mas em busca de alguma verdade, que supomos poder oferecer. Se dentro
da confusão de tendências que existem na atualidade na arquitetura
e urbanismo – que estiveram presentes na Bienal de Veneza – nosso trabalho
foi reconhecido por seu conteúdo ético e estético,
significa que ainda somos um exemplo a seguir para as novas gerações.
RS:
De todos os aspectos negativos do mundo atual, qual considera que possui
efeitos mais negativos para nosso ambiente físico?
PS:
Considero o automóvel nosso principal inimigo. Não sou contra
o objeto tecnológico como instrumento para deslocar-se sobre o
território, mas contra o princípio de uma vida urbana baseada
exclusivamente no uso do automóvel, que tem gerado a expansão
infinita da moradia individual no subúrbio e a desintegração
da cidade compacta. A síndrome do automóvel gerou a equação
"contaminação–destruição": por um
lado, os problemas nos quais vive o mundo em relação à
atmosfera é produto de seu incremento infinito; por outro, esse
sistema condicionou uma filosofia individualista, que fez perder no cotidiano
da vida urbana os espaços cívicos de encontro social. Finalmente,
o desperdício persistente, não somente de energia e de combustível
não renovável, mas também nos fabulosos recursos
que se investem nas infra-estruturas viárias e a ocupação
indiscriminada de território fértil para construir moradias
unifamiliares isoladas, somente acessíveis por meio do veículo
individual.
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