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Arquibancadas frontais. Estádio de Futebol de Braga, arquiteto
Eduardo Souto de Moura |
José
Mateus: Como surgiu a hipótese de desenhar um estádio?
Eduardo
Souto de Moura: Telefonou-me um vereador da Câmara de Braga a contar-me
a história de que o estádio do Braga tinha um desenho, feito por um engenheiro
da cidade, para se candidatar ao Euro 2004, o qual já tinha sido aprovado
e até se havia pedido uma verba, creio que seis milhões de contos, e que
depois disso tinham pedido um projeto ao arquiteto Norman Foster. Pelo
meio, à Câmara desagradaram-lhe os elevados honorários pedidos por Foster
e o fato de o estádio vir a ter uma imagem muito próxima à do estádio
de Wembley, que o Foster está a fazer. Não sei, porque não vi. Deduzi
que iria ser uma adaptação “liofilizada” do estádio de Wembley. Então,
a Câmara pensou em encomendar este projeto ao arquiteto e engenheiro Santiago
Calatrava. E como não tinham o contacto dele, telefonaram-me. Pessoalmente,
não tenho nada contra o Calatrava, que é das pessoas simpáticas que eu
conheço, mas devo dizer que não é propriamente o meu expoente máximo de
engenharia ou de arquitetura. Eu tinha feito um parecer sobre os honorários
do Rem Koolhaas para a Casa da Música e fui forçado a informar-me sobre
honorários por esse mundo fora. As pessoas acham muita graça a ter nomes
sonantes mas depois quando vem a fatura...
JM:
…E muitas vezes não fazem a mínima idéia do tempo que envolve um projeto
destes.
ESM:
Não, realmente não fazem. E já que estamos a falar da Casa da Música,
o projeto tinha sido pedido em 1999 ao Siza. Tínhamos Porto Capital da
Cultura, Siza, uma figura sólida da arquitetura portuguesa, e Casa da
Música, um edifício emblemático... Pede-se ao Siza, que diz: 'este edifício
necessita no mínimo de 4 anos: 1 ano para projeto, 2 para construção,
e depois mais algum tempo para retificações e equipamento'. E o Siza não
aceitou, e depois foi acusado de ausência de eficácia, aquela conotação
de arquiteto sonhador, 'imaginem, 4 anos para fazer a Casa da Música…'
e já vamos em 5 e vamos acabar em seis…. Era portanto minha obrigação
dizer 'não pensem que com Calatrava será mais barato'. No seguimento da
conversa percebi que não me tinham convidado por eu ter recusado um projeto
da Câmara, ao que eu respondi: 'eu recusei um projeto mas posso fazer
um estádio'. E posteriormente chegamos a acordo.
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sob a arquibancada. Estádio de Futebol de Braga, arquiteto
Eduardo Souto de Moura |
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