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Inquietações
de um engenheiro
O
papel do engenheiro tem sido facilmente associado à responsabilidade de
“resgatar” imagens, desenhos, animações, projeções, estatísticas, simulações
ou diagramas, transferindo-os definitivamente (ou temporariamente) para
o campo real da solução estrutural e do canteiro de obras. A verdade é que muitas obras e experimentações dispensam esta compartimentação do processo de projetar em etapas e disciplinas estanques. Os papéis embaralham-se, as origens das soluções se perdem em caminhos cruzados; pesquisa e experimentação tornam-se um desafio multidisciplinar. Este processo difuso, abraçado pelo engenheiro entrevistado Charles Walker, que trabalha para a firma inglesa Ove Arup (1), por vezes suscita peculiar colaboração com os arquitetos e está associado à idéia do engenheiro como designer. Nesta
entrevista, além de abordar esta idéia, Charles Walker nos apresenta sua
engenharia de vanguarda, extremamente dependente de processos digitais,
com soluções que aparentemente demandam condições econômicas, sociais
e tecnológicas pouco comuns no contexto brasileiro. É oportuno lembrar que o projeto do arquiteto Oscar Niemeyer com o engenheiro José Carlos Sussekind para o Pavilhão Serpentine 2003 (3), em Londres, tem a participação de Charles Walker/Ove Arup. A
condução deste projeto, além de revelar a força da obra do arquiteto brasileiro,
confirma, com simplicidade, os caminhos da engenharia contemporânea
apresentados por Walker; tanto em termos de soluções arquitetônicas fortemente
articuladas a partidos estruturais, como em termos dos papéis dos engenheiros
e arquitetos na concepção de um projeto, digital ou não… Contexto Esta entrevista com o engenheiro Charles Walker, juntamente com as entrevistas com o filósofo Andrew Benjamin e o arquiteto Patrik Schumacher, disponíveis neste mesmo site, compõem (ou recompõem) um importante cenário. Estas pessoas têm em comum o fato de possuírem alguma ligação com a Architectural Association School of Architecture, a AA School de Londres (2) e mais especificamente com o seu Design Research Laboratory – DRL (Laboratório de Pesquisa em Projeto), cujas investigações digitais abordam temas relativos a arranjos e organizações espaciais e sociais emergentes. As entrevistas foram feitas em Londres, em janeiro de 2000, pela ocasião do término de meus estudos de mestrado no DRL/AA. A idéia de realizá-las surgiu de forma intuitiva tentando reunir óticas diversas de uma realidade multifacetada. No entanto, as entrevistas apontam para a complementaridade dos pensamentos dos entrevistados e para a adequabilidade de seus discursos ao contexto europeu globalizado. Nota-se, também, o marcante caráter interdisciplinar e difuso da atuação profissional dos entrevistados. O cenário delineado assume relevância por sua própria lógica e coerência, abrindo todo um campo de possibilidades para pensarmos simultaneamente sobre o contexto brasileiro. Notas 1 2 3 |
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