Sobre Lucio Costa (1902-1998)
  Foto Ana Lucia Arrázola
     

Arquiteto e urbanista, "inventor" de Brasília (projetada em 1957), Lucio Costa foi também profundo conhecedor do patrimônio cultural brasileiro, pensador e humanista. Esteve à frente de uma série de episódios que marcaram profundamente a alma brasileira: a reforma da Escola Nacional de Belas Artes; a construção do Ministério da Educação e Saúde - obra-prima da arquitetura moderna mundial; a criação do SPHAN/Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (atual IPHAN). E, sempre incansável na defesa do projeto de renovação cultural que assinou com os maiores intelectuais da sua geração (Rodrigo de Mello Franco, Mário de Andrade, Drummond, entre outros) consolidou o projeto de um Brasil moderno que se cristalizaria na nova capital federal erguida com Oscar Niemeyer a quase mil quilômetros do Rio de Janeiro.

Por questão de temperamento, Lucio Costa jamais se preocupou com a guarda de seus projetos, e ao longo do tempo foi simplesmente acumulando, em seu apartamento no Rio de Janeiro, uma "papelada" extraordinária. São estudos que resultaram em projetos (Brasília, inclusive), textos em elaboração, notas do cotidiano, livros, revistas e jornais, fotos, desenhos e manuscritos, além de cartas do mundo inteiro (Le Corbusier, Walter Gropius, André Malraux, Charlotte Perriand, entre tantos outros).