3º
lugar
Arquiteta Glaucineide Coelho
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Vista
sobre a Perimetral entre o Cais do Porto e a Praça Mauá que
destaca a iluminação proposta conjugada a barreira acústica |
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1.
Elementos construtivos da paisagem
Praça
XV e Praça Mauá
Os
trechos em estudo estão situados junto a dois grandes marcos da
área central do Rio de Janeiro: as praças XV e Mauá. São áreas
representativas, em momentos distintos, no contexto histórico
da cidade. A Praça XV foi um dos pontos iniciais de colonização,
se expandindo posteriormente para os morros do Castelo, da Conceição,
de São Bento, da Gamboa e da Saúde, esses últimos formaram a primeira
área portuária da cidade, com trapiches e comércios.
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Mapa
de localização |
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As
zonas central e portuária da cidade estão em processo de revitalização,
através de intervenções pontuais da prefeitura, como o projeto
do Corredor Cultural, Rio Cidade da Av. Rio Branco, e a própria
Praça XV, que passou por recuperação paisagística e ampliação,
viabilizada pela implantação do Mergulhão. Na zona portuária existe
o Plano de Recuperação e Revitalização da Região Portuária - Porto
do Rio, que propõe mudanças viárias expressivas, como a implantação
de um novo mergulhão para a Praça Mauá, e vias de alta circulação
em um Sistema Binário, além da recuperação e revitalização urbanística
e paisagística de diversos pontos da região portuária, incluindo
os trechos em estudo da Praça Mauá e Av. Rodrigues Alves.
O
principal objetivo dessas intervenções pontuais, no Centro e Região
Portuária, é restabelecer a identidade do local, recuperando a
paisagem degradada para torná-la atrativa para o usuário. Nesse
ponto a região portuária se encontra em uma situação crítica,
o abandono das atividades industriais e a transferência de grande
parte do transporte portuário para o Porto de Sepetiba transformaram
a área em um grande vazio, que começa a ser abandonado também
pelos moradores, permitindo que a história do bairro, assim como
o conjunto de elementos simbólicos que constroem o valor cultural
e ambiental da cidade, se percam.
A
identificação desses aspectos como partes constitutivas do todo
urbano, propiciam uma inserção por parte dos que pensam a cidade
de forma a decompor e recompor os ambientes urbanos, entendendo
a produção espacial, e destacando na nova paisagem valores históricos
agregados a novos, guiando uma proposta de intervenção que também
aponte para a preservação, sem que as partes da cidade deixem
de dialogar entre si e com suas diversas fases evolutivas. A âncora
desse projeto seria o Museu Guggenheim, implantado no Píer Mauá,
que transformaria totalmente a dinâmica atual da paisagem, apoiado
em projetos auxiliares como o 'Janelas para o Cais', que propõe
abrir visadas para o mar entre os armazéns da empresa Docas RJ.
A
visão histórica e de defesa da transformação qualitativa da paisagem,
baliza e constrói a metodologia de intervenção do objeto de estudo,
o centro carioca. Para Lamas, "a ameaça sobre os lugares
o tornam um bem raro na cidade" (1), neste sentido a Praça
XV e a Praça Mauá, como eixos no processo de construção da identidade
da paisagem urbana da cidade se mostram significativos e relevantes.
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| Mapa
diagnóstico de ruídos da Praça XV (tons azuis – escala de
ruídos abaixo da Perimetral, tons vermelhos – escala de
ruídos na Perimetral, e, roxo – barreira sonora edificada) |
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Os
aspectos espaciais, tecnológicos e estéticos (2) identificados
hoje nesses ambientes não dialogam positivamente na construção
de uma imagem solidificada na paisagem. Nos quesitos espaciais,
que se referem às relações público e privado, ambos se colocam
como campos abertos exclusivamente a atividades públicas, os usos
do espaço livre propriamente dito são de caráter temporário: feiras
e eventos culturais. As atividades desenvolvidas no entorno vinculam-se
ao semi-público, as instituições, como Polícias Federal e Civil,
o Terminal Rodoviário, na verdade a primeira estação rodoviária
da cidade, o Terminal Marítimo, na Praça Mauá, a Estação das Barcas
e os pontos de conexão rodoviária do Mergulhão e Terminal Menezes
Cortes.
O
intenso tráfego de veículos nas áreas em estudo remete a questões
referentes às diversas formas de impacto ambiental, como o desconforto
sonoro e a poluição do ar. As redes de esgoto, drenagem, iluminação
precisam dialogar entre modernidade e eficiência, no sentido de
conservação da cidade como patrimônio. A costura dessas intervenções
constrói um novo desenho urbano e os ambientes, sob uma nova textura,
emergem nos aspectos estéticos, evocando o conjunto de elementos
simbólicos, trabalhados e valorizados entre os valores culturais,
arquitetônicos e ambientais da cidade.
A
construção de novos aspectos estéticos para as áreas da Praça
Mauá e Praça XV conjuga os aspectos espaciais aos tecnológicos,
e na perspectiva de uma nova visibilidade urbana, o desenho é
trabalhado através da reestruturação da superestrutura da Av.
perimetral, que atravessa estes espaços construindo uma nova paisagem.
Aspectos
tecnológicos da perimetral
O
projeto da via expressa elevada da Av. Perimetral foi implantado,
fruto da febre rodoviarista que marcou os anos 70, para ligar
a Av. Brasil ao Aterro do Flamengo, importantes vias de circulação
no eixo Norte Sul da cidade, hoje complementado pela Linha Vermelha,
que faz a ligação com o Túnel Rebouças. A Av. Perimetral se estende
pelos bairros do Caju, Santo Cristo, Saúde e Gamboa, seguindo
o traçado da Av. Rodrigues Alves. Como eixo rodoviário a sua eficiência
é comprovada, mas enquanto objeto estético de intervenção na paisagem
houve questionamentos, que a identificaram como obstáculo à paisagem,
que agravaria o processo deterioração dos bairros que a abrigam,
e surgiram projetos de substituição da Av. perimetral por estruturas
subterrâneas que complementarias a Av. Rodrigues Alves.
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| Mapa
diagnóstico de ruídos da Praça Mauá (tons azuis – escala
de ruídos abaixo da Perimetral, tons vermelhos – escala
de ruídos na Perimetral, e, roxo – barreira sonora edificada) |
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No
entanto a Av. Perimetral, atualmente, não apresenta tantas características
negativas, ela não pode ser responsabilizada por um processo muito
mais amplo e longo de degradação dessa área da cidade, podendo,
inclusive, ser utilizada como elemento catalisador de sua reestruturação,
através da reversão da imagem pejorativa da estrutura. Nesse processo
de transformação da Av. Perimetral em um marco urbano, é preciso
apreende-la como um todo, e identificar corretamente os impactos
ambientais, positivos ou negativos, causados por sua presença
na cidade, no intuito de apontar a importância de sua preservação.
Sistema
de drenagem existente
O
sistema de drenagem das pistas do viaduto é constituído por caixas
de ralo com grelhas de ferro fundido posicionadas no lado interno
das vias, exceto nos locais onde a sobrelevação do pavimento muda
o caimento transversal da pista.
Estas
caixas estão espaçadas aproximadamente 40m uma da outra e sempre
sobre os pilares do viaduto.
Nestes
locais, estão interligadas a tubulações embutidas nos próprios
pilares que despejam em caixas de coletas no nível da calçada
as quais por intermédio de ramais de ralo, conduzem as águas às
galerias de águas pluviais próximas ao viaduto.
Atualmente
algumas ligações entre as caixas de ralo e as de coleta, estão
comprometidas ou por envelhecimento ou por entupimento. Porém,
mais críticos são os despejos dos tubos de queda nas caixas de
coleta, que estão entupidas e sem tampas na grande maioria.
Dentro
delas, encontram-se todos os tipos de materiais, como plásticos,
madeiras, panos, terra, pedras e outros. Isto faz por vezes, que
a tubulação de queda não consiga despejar a contento, desta forma
os tubos ficam cheios, portanto acarretam alagamentos nas pistas
do viaduto nos locais onde isto acontece.
Sistema
de iluminação existente
Atualmente
os postes se localizam no canteiro central com braços curvos para
cima das pistas, causando efeitos de estreitamento da via e poluição
visual. O sistema atual do ponto de vista arquitetônico e luminotécnico,
está fora das diretrizes pretendidas à área portuária, por suas
características ultrapassadas, além de estar fora das tendências
de vias e viadutos modernos das grandes metrópoles do mundo.
O
arranjo atual não garante a segurança total dos usuários, visto
que a via encontra-se na orla marítima, portanto apta a maior
desgaste, além de não estimular os usuários a apreciação da avenida
como um todo, bem como o valor arquitetônico ao redor e da área
portuária.
Descrição
sumária da estrutura
A
superestrutura dos trechos do viaduto e rampas de acesso, onde
se pretende inserir obras de tratamento acústico, é constituída
por uma estrutura mista de concreto/aço.
Parte
da superestrutura é constituída por uma seção do tipo caixão em
concreto, com laje dotada de balanço em suas extremidades e apoiada
internamente entre longarinas.
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Corte
diagnóstico de ruídos da Praça XV |
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No
trecho da rampa de acesso próximo a Praça Mauá a superestrutura
empregada é do tipo mista com lajes em concreto apoiadas em longarinas
metálicas.
Nas
extremidades em balanço as lajes são dotadas de guarda-rodas do
tipo barreira lateral com finalidade de impedir a saída dos veículos
das pistas.
A
mesoestrutura é constituída por pilares em concreto armado com
seção transversal retangular variável.
Condições
atuais das estruturas
Nas
inspeções realizadas, foram detectados visualmente diversos pontos
da superestrutura com armaduras expostas e com a camada de cobrimento
inteiramente deteriorada, principalmente junto às extremidades
em balanço.
O
mesmo foi observado em alguns dos pilares ao nível do terreno,
ocasionado por uso indevido da área sob o viaduto.
De
um modo geral, não foi detectado visualmente nenhum dano grave
ao longo da obra. Não foram observadas aberturas de trincas e/ou
fissuras de grande porte nem deformações acentuadas.
A
estrutura apresenta-se em condições normais de utilização necessitando
somente de obras de caráter de conservação, de modo a evitar o
processo de degradação.
Diagnóstico
de ruídos para a praça mauá e praça xv
A
avenida Perimetral, como via de tráfego intenso, pode ser modelada
como uma fonte linear de grande comprimento. A atenuação sonora
depende de diversos fatores: absorção do ar, divergência geométrica,
efeitos do tipo de solo, vento e temperatura.
Para
uma fonte linear, em campo livre, podemos admitir uma atenuação
da ordem de 3 a 4 dB(A) cada vez que a distância entre a fonte
e o receptor é dobrada.
Na
Av. Perimetral o ruído emitido pelos veículos que trafegam no
elevado atinge diretamente as fachadas dos edifícios, com valores
flutuando entre 70 e 90 dB, exceto os armazéns, situados abaixo
do nível das pistas.
A
Avenida Rodrigues Alves apresenta níveis de pressão sonora flutuando
de 85 a 90 dB, com picos de 100 dB, medidos em horário de rush
(18:30h), na pista abaixo do viaduto.
Existe
uma pequena redução dos níveis de pressão no trecho descoberto
(projeção da Av. Perimetral) da via, porque o som não reverbera
na superestrutura.
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Corte
diagnóstico de ruídos em frente a Polícia Federal |
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Na
Praça Mauá a principal fonte de ruído é o tráfego de veículos
nas ruas próximas ao entorno. Os níveis de pressão sonora flutuam
de 75 a 83 dB, com picos de 91 dB, medidos em horário de rush
(18:30h)
A
Praça XV apresenta níveis de ruído, bastante variáveis, dependendo
do ponto de medição, são : 65 a 70 dB, próximo ao Paço Imperial
e a Estação das Barcas, em torno de 75 dB embaixo do viaduto e
cerca de 90 dB, junto das saídas do Mergulhão.
O
Mergulhão da Praça XV é um dos pontos críticos da área, além de
apresentar ruído excessivamente alto no seu interior, as zonas
de transição para entrada e saída apresenta níveis altos que se
propagam pela praça. Os níveis de ruído variam entre 80 e 90 dB,
com picos de 105 na passagem de veículos pesados no interior da
estrutura, e entre 70 e 90dB nas áreas próximas aos acessos.
Outro
ponto crítico é o corredor de ruído formado entre os edifícios
da Bolsa de Valores e da Maternidade, principalmente devido a
altura dos edifícios e ao paralelismo das fachadas.
2.
Instalação urbana
A
possibilidade da técnica associada à estética
Após
investigação dos aspectos constitutivos da paisagem - espaciais,
tecnológicos e estéticos - nas três áreas de estudo, emerge o
objetivo do estudo, a minimização dos impactos ambientais urbanos
causados pelo desconforto acústico.
Tomou-se
como premissa uma intervenção que respeitasse o entorno histórico,
não competindo, mas sim agregando valores ao ambiente.
A
conciliação dos aspectos tecnológicos propostos à dinâmica espacial
e estética sintetiza uma metodologia de projeto, que cria a possibilidade
de adequação a realidade do elemento acústico-paisagístico proposto.
A
intenção objetiva é criar uma estrutura que minimize os problemas
acústicos causados pelo intenso tráfego de veículos na região,
transformando-o na possibilidade de requalificação da Avenida
Perimetral como um marco edificado.
A
idéia inicial parte da possibilidade de implantação de um túnel
transparente, que isolaria a cidade do ruído, mas em contrapartida
criaria uma zona de desconforto acústico muito maior, e concentração
de gazes tóxicos no seu interior, além de estruturalmente ser
condenado, pois seria uma estrutura muito leve em uma zona de
ventos fortes.
A
partir da avaliação funcional dos tipos de barreiras acústicas
concluiu-se que esta poderia conjugar-se ao sistema de iluminação,
solucionando outro ponto deficiente nos ambientes da praça Mauá
e Praça XV.
Com
esse desafio colocado são propostas soluções que se aplicam tecnicamente
e que não disputam com a paisagem como patrimônio, mas sim dialoga
com esta, na construção da imagem de uma cidade que (re)-desperta
para sua vocação cultural, ou seja, a proposta funciona como uma
instalação urbana que marca eixos visuais da cidade.
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Corte
diagnóstico de ruídos na Avenida Rodrigues Alves |
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Na
Praça XV as perspectivas que se obtém da Baía de Guanabara e também
da passagem através do Paço Imperial, e na Praça Mauá, a barreira
conjugada à sua iluminação conduz a perspectiva ao Píer Mauá,
atualmente cenário de eventos culturais, e futuramente local de
implantação de um equipamento cultural polarizador da área portuária.
Jogos
de luz e sombra
A
concepção do projeto luminotécnico da perimetral tem como principal
objetivo a fundamental mudança das características e efeitos visuais.
No
projeto proposto, os postes estão localizados nas laterais, juntamente
com o equipamento adotado pelo tratamento acústico.
Os
postes deixam de ser apenas mais uma informação do mobiliário
urbano e tornam-se pontos ornamentais de interesse visual na área
externa, bem como proporcionam uma "liberdade" visual
e sensação de amplitude para os que trafegam em suas pistas.
Os
postes são ligeiramente inclinados para fora do viaduto, com luminária
de alta eficiência luminosa e lâmpada vapor metálico, garantindo
que as pistas estejam dentro dos critérios de nível de iluminamento
e uniformidade adotada pelas normas brasileiras.
Neste
mesmo poste será acoplada uma luminária na parte externa, de modo
que todo o perímetro estrutural do viaduto seja iluminado, criando
uma iluminação ornamental visível à distância, inclusive por quem
trafega pela ponte Rio-Niterói, na orla da Baía de Guanabara e
principalmente aos que estejam apreciando a chegada ao Rio de
Janeiro pelo Aeroporto Santos Dumont.
A
Avenida Perimetral deixará de ser simplesmente uma via iluminada
no meio do contexto urbano e será um elemento contínuo e nítido,
causando efeito linear a um novo cartão postal da cidade do Rio
de Janeiro.
O
efeito causará um desenho de luz e destaque, proporcionando uma
iluminação multiuso, ou seja, serão efeitos cromáticos diferenciados
ou com informações de utilidade pública, como por exemplo: se
o perímetro estiver iluminado na cor azul significa que a previsão
do tempo é boa, se estiver na cor verde o transito está livre,
podendo também criar projetos especiais como iluminação de natal.
Aproveitando
o tratamento acústico lateral proposto, será utilizada uma luz
embutida para a correção de eventuais sombras causadas por veículos
de grande porte.
Entre
os pilares da base da Avenida Perimetral, na área da Praça XV,
serão instalados postes retilíneos de aço com iluminação difusa,
sem proporcionar ofuscamento aos usuários e sem interferir no
mobiliário urbano existente.
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Vistas
frontal e lateral e planta da barreira projetada |
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Os óculos
destes mesmos pilares serão valorizados com iluminação de cor
amarelada direcionada de baixo para cima para que no período noturno
possamos criar a sensação de leveza e transparência, evitando
a escuridão gerada pelo posicionamento dos equipamentos hoje existentes.
Ainda neste elemento um facho de luz branca, saindo do forro inferior
do viaduto, incidirá na direção do óculo criando uma leitura visual
de elemento vazado e tornando o ambiente com iluminação de destaque,
transformando-o em um cenário.
Será
construído um forro irregular com diferentes alturas onde existirá
luz indireta (por trás do forro) direcionada na diagonal para
cima na cor branca (ou seja vapor metálico) a fim de gerar um
teto leve e com diversidade de fachos de luz, criando atmosfera
agradável e intimista.
Na
entrada do mergulhão serão instalados projetores de uso externo
com lâmpada vapor metálico (de luz branca) para a iluminação da
parte interna do rebatedor curvo projetado e projetores de uso
externo com lâmpada vapor de sódio (de luz amarela) por trás do
mesmo proporcionando luz de fundo.
A
iluminação atual não integra nem qualifica a área como um todo
(perimetral, Praça XV e Praça Mauá) gera luz apenas para fins
de arruamento.
A
Avenida Perimetral não precisa ter características luminotécnicas
similares ao cenário histórico onde se encontra, mas precisa integrar-se
com características de um elemento inserido pela evolução natural
da cidade sem causar efeitos pejorativos à sua imagem. Deve porém,
tornar-se uma via moderna e atual, contribuindo para o embelezamento
do segmento do Cais do Porto.
3.
Barreira acústica
Permeabilidade
visual
Ao
longo da Avenida Rodrigues Alves é recomendado o tratamento da
face inferior do viaduto com material de absorção acústica para
reduzir a reverberação, na pista abaixo do elevado. O material
recomendado (manta de lã mineral de alta densidade, protegida
por filme plástico) poderá ser instalado sobre o forro de grelha
metálica, de acordo com projeto aprovado pelo IPP para a área
da Rodrigues Alves.
Entre
a Rua Edgard Gordilho e a Praça Mauá será instalado uma barreira
acústica ao longo da margem esquerda do elevado (oposta ao mar).
No lado direito a barreira deverá ser instalada apenas no trecho
situado em frente aos edifícios da Cia. Docas do Rio de Janeiro
e Terminal de Passageiros, não havendo necessidade de proteger
os demais armazéns porque eles estão abaixo da fonte de ruído.
A
barreira deverá ser executada em chapa dupla de policarbonato
cristal, com montantes em aço. Para evitar a reflexão do som sobre
os motoristas a barreira será inclinada (5%) em relação ao plano
ortogonal à pista. A altura será variável, em função dos edifícios
a serem protegidos. Quando a altura exigida for superior a 3 metros
(além da mureta), estão previstos anteparos laterais, com absorção
sonora na face voltada para a pista.
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Corte
perspectivado da Perimetral entre o Cais do Porto e o Prédio
da Polícia Federal destacando a iluminação noturna sob o elevado |
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Os
anteparos deverão ser executados em chapa metálica, perfurada
na face inferior, com miolo de lã mineral protegida por filme
plástico.
No
trecho da Avenida Perimetral que passa pela Praça Mauá as barreiras
sonoras deverão ser interrompidas, pela inexistência de edifícios
nas laterais não há necessidade de proteção, então, podemos evitar
o fechamento de um importante eixo de visada para o mar, tanto
para motoristas, quanto para os usuários da praça. Deverá ser
estudada a colocação de barreira sonora para proteção do Mosteiro
de São Bento e edificações vizinhas, em função do ruído emitido
por eventos no Píer Mauá.
Na
Praça XV deverá ser mantido o tratamento (absorção acústica) proposto
para a face inferior do viaduto na Avenida Rodrigues Alves e na
Praça Mauá, para reduzir a reverberação no nível dos pedestres.
Para
atenuar o ruído do Mergulhão da Praça XV, provocado pela reverberação
do ruído dos carros, foram projetadas barreiras horizontais. Esses
elementos funcionarão como barreira acústica e deverão ser executados
em chapa metálica (perfurada na face interna) com miolo em lã
mineral de alta densidade protegido por filme plástico.
Internamente
o Mergulhão da Praça XV deverá receber tratamento nas paredes
laterais e teto, com material de absorção acústica, para reduzir
a reverberação. Foram projetados para as paredes painéis de aço
galvanizado, perfurado, com miolo de lã mineral de alta densidade
protegido por filme plástico. No teto será utilizada manta de
lã mineral de alta densidade, protegida por filme plástico sobre
forro de grelha metálica, semelhante ao adotado no viaduto.
Ainda
na Praça XV serão usadas barreiras acústicas nas duas margens
da Av. Perimetral, para minimizar o corredor de ruído existente
entre os edifícios da Bolsa de Valores e a Maternidade. Essas
barreiras deverão ser instaladas entre a Praça XV e a Avenida
Presidente Vargas.
Devido
a altura dos edifícios citados, a barreira será dotada de anteparos
laterais, com absorção sonora na face voltada para a pista, para
reduzir a reverberação sonora, chamados de venezianas acústicas,
são elementos vazados, que permitem a livre circulação de ar nas
pistas da Avenida Perimetral.
Os
anteparos poderão ser executados em chapa metálica, perfurada
na face inferior, com miolo de lã mineral protegida por filme
plástico.
As
barreiras sonoras propostas são equipamentos integrados ao sistema
de iluminação pública, em módulos de três metros, fixados por
montante em aço, que formam um módulo maior, de trinta metros,
fixados nos postes. Em função dos fortes ventos marítimos poderão
ser necessários sistemas de fixação auxiliar, a ser dimensionado.
Nos
trechos em que a barreira sonora é interrompida, ela tem sua altura
escalonada, para que a redução da proteção seja gradual, chegando
até a altura de um metro acima da mureta. Esse efeito além de
vantagens técnicas facilita a execução do equipamento, além de
oferecer um acabamento estético melhor.
Situações
e soluções acústicas recorrentes em ambientes urbanos
Barreira
acústica: "Barreiras acústicas são projetadas para impedir
que o ruído da via de tráfego alcance, de forma não reduzida,
uma área a ser protegida" (NBR 14313) (3).
A
barreira cria uma zona de sombra acústica, cujos limites espaciais
variam em função das dimensões da barreira e de sua posição em
relação à fonte sonora e ao receptor. No caso de barreiras de
grande comprimento, como, por exemplo, as situadas ao longo das
vias de tráfego, podemos desprezar a difração provocada pelas
bordas laterais.
Difração:
Chama-se difração ao processo físico que permite que o receptor
possa ser submetido ao ruído emitido por uma fonte sonora, mesmo
quando um anteparo impede a propagação direta.
Absorção
sonora: Os materiais porosos e fibrosos permitem que a onda
sonora penetre e se propague no seu interior. Após sucessivas
reflexões sobre as paredes destes poros, a energia sonora é dissipada
sob forma de calor. O poder de absorção de um material é indicado
pelo seu coeficiente de absorção sonora (a), que é a relação entre
a quantidade de energia sonora absorvida e a incidente, para um
determinado material. Os valores de (a) variam de 0 (material
totalmente reflexivo) a 1 (material totalmente absorvente).
Campo
livre: ocorre quando entre a fonte sonora e o receptor não
existe nenhum tipo de obstáculo que modifique o trajeto das ondas
sonoras. O nível sonoro percebido pelo ouvinte depende essencialmente
da distância entre fonte e receptor. Na prática, mesmo os espaços
abertos são limitados pelo plano refletor representado pelo solo.
Logo, devemos considerar também o efeito do tipo de solo (coeficiente
de absorção) sobre o som.
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Vista
do tratamento luminotécnico sob a Perimetral no trecho da
Praça XV, destacando a volumetria dos óculos dos pilares e
revestimento |
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Campo
reverberante: Em um campo reverberante a onda sonora encontra
obstáculos, é refletida e permanece por algum tempo no ar. Um
bom exemplo de campo sonoro refletido é o de um compartimento
de uma habitação. Neste caso, o nível sonoro não depende apenas
da distância em relação à fonte, varia também em função das características
geométricas do local e dos coeficientes de absorção dos materiais
de revestimento das superfícies internas e do mobiliário.
Recuperação
e melhorias do sistema de drenagem existente
O
procedimento imediato para recuperação deste sistema passa pelas
seguintes ações:
- Restauração
dos caimentos longitudinais das pistas do viaduto junto as muretas,
- Eliminando
depressões e limpando o caminho por onde a águas escorrem superficialmente.
- Limpeza
e recuperação das caixas de ralo e das tubulações que estão
embutidas nos pilares do elevado,
- Recuperação
e limpeza das caixas de coleta junto as bases dos pilares do
viaduto,
- Desentupimento
dos ramais de ralo que interligam as caixas de coleta à galeria
de água pluvial,
- Limpeza
das galerias de águas pluviais contíguas ao elevado e,
- Implantação
de caixas de ralo onde for constatada a necessidade deste dispositivo,
o escoamento deverá ser feito por intermédio de tubulações que
se interligarão ao sistema existente.
Carregamentos
e condições de fixação dos elementos projetados
Em
função do que for projetado para o tratamento acústico deverão
ser analisados os seguintes aspectos:
- O dimensionamento
estrutural isolado dos elementos projetados para os carregamentos
previstos (cargas permanentes e sobrecargas);
- Dimensionamento
dos elementos de fixação da estrutura projetada para a ação
dos carregamentos previstos;
Análise
de estabilidade da estrutura existente do viaduto para o acréscimo
de sobrecarga prevista.
Na
falta de elementos de projeto da estrutura existente, deverão
ser realizados serviços de levantamento cadastral de modo a permitir
a análise das condições de estabilidade da estrutura para o acréscimo
de carga prevista.
Entendemos
que devido ao porte da obra existente, em função do acréscimo
de carregamento a que estará sujeito o viaduto, não venha a ocorrer
qualquer tipo de impedimento ou necessidade de reforço eventual.
Será
necessária a verificação das condições locais para fixação dos
elementos da estrutura a ser projetada o que deverá ser o balizador
da proposta.
4.
A transformação da paisagem e perspectivas futuras
A
intenção por trás da idéia
A
premissa adotada na construção da idéia parte dos aspectos espaciais,
tecnológicos e estéticos, e considera a importância de preservação
da paisagem-ambiente das Praça Mauá e Praça XV. O elemento arquitetônico
que tratará a iluminação e acústica desses trechos da Avenida
Perimetral coaduna a moderna tecnologia construtiva aos valores
que tornam a paisagem urbana parte da identidade do lugar.
Tais
valores, imateriais e materiais, se associam nessa
(re) construção, em que os valores imateriais trabalham a memória
dos diversos grupos sociais, ressaltando os aspectos contemplativos
do Rio de Janeiro como cidade com vocação para o lazer e a cultura
no encontro da diversidade. Já os valores materiais contidos nas
informações arquitetônicas e urbanísticas da região, como o Paço
Imperial, o Arco do Telles, a 1° Catedral da Cidade, a Estação
das Barcas, o Mosteiro de São Bento, os edifícios Rio Branco 1,
A Noite, da Polícia Federal e Docas RJ descrevem a paisagem-ambiente
e são identificados pelo exercício da leitura da cidade, decodificados
e interpretados.
A
partir do momento em que se captou os valores contidos nessa paisagem
as novas necessidades pretendidas pelos usuários das áreas foram
identificadas: a de uma cidade com perspectiva de futuro, moderna
em suas tecnologias e serviços, que oferece o melhor para seus
usuários espacialmente, tecnologicamente e esteticamente.
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Vsta
do conjunto projetada para Praça XV com a barreira em policarbonato
com tirantes em aço, iluminação dos óculos e sobre a perimetral
os novos postes em aço levemente inclinados |
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O
partido permeia o crescimento da cidade primando pelo aumento
da qualidade de vida urbana, sem que se perca a identidade local.
Atingiu-se
a conjunção desses aspectos - espacial, tecnológico e estético
- a partir da compreensão da história impressa na paisagem, observando-se
a forma urbana através da sua dinâmica viária, do parcelamento
do solo e do entendimento das dinâmicas dos espaços livres e construídos,
indo além da caracterização de estilos arquitetônicos, nas ações
de preservação e aumento da qualidade do ambiente, destaca-se
a importância da transformação da paisagem, mantendo diálogo com
as diversas fases evolutivas da cidade.
A
idéia de fragmentação atual das áreas das Praças Mauá e XV é costurada
no instante em que a cultura torna-se o foco de construção da
identidade urbana.
O
resultado é a cidade sonhada, fruto de sucessivas mutações ao
longo do processo histórico, e que com a implantação dos conceitos
de reestruturação e revitalização urbana passa a integrar um contexto
global direcionado por tecnologias sem perder suas características
locais.
O
intuito global é produzir ambientes eminentemente calçados em
aspectos culturais onde os acúmulos de informações técnicos e
sociais, serão traduzidos em ambientes que irão refletir o lugar
cotidiano. A perspectiva é que as partes históricas da cidade
do Rio de Janeiro, no caso a Praça Mauá e Praça XV, produzam lugares
que primem pelo bem estar coletivo, que se sirva das novas técnicas
para distribuir de maneira uniforme seus serviços, permitindo
uma qualidade ambiental evolutiva.
Notas
1
LAMAS, José M. Ressano Garcia. Morfologia urbana e desenho
da cidade. Lisboa, Calouste Gulbenkian, 2ª ed., 2000.
2
COELHO, Glauci. “Aspectos da qualidade do espaço marcados na paisagem
urbana”. In Direito em Revista / Organizadoras: Maria Guadalupe
Piragibe da Fonseca e Rosângela Lunardelli Cavallazzi. Rio de
Janeiro, Letra Capital / OAB-RJ / UNIGRANRIO, 2004, p. 169-182.
3
NBR 14313. Barreiras Acústicas para Vias de Tráfego: características
construtivas. ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas),
1999.
Ficha
técnica
Paisagismo
Arquiteta Glaucineide Coelho
Acústica
Arquiteta Maria Lygia Alves de Niemeyer
Luminotécnica
Arquiteto José Fábio de S. A. de Sena
Produção
gráfica
Estudante de Arquitetura Luisa Beatriz Santos
Design
gráfico
Wagner Brasil (maquetes eletrônicas)
Estruturas
Engenheiro Civil Jonh William Moss
Estudos
de tráfego
Engenheiro Civil Cláudio Martinelli Murta
Drenagem
Engenheiro Civil Luiz Antônio de Moraes Simões
Pavimentação
Engenheiro Civil Custódio Augusto Soares Júnior
Instalações
elétricas
Engenheiro Eletricista Marco Aurélio Guariglia
Meio
ambiente
Engenheiro Civil José Augusto Jordão Castro |