Finalista
Brasil – Marcos Rosa
Universidade de São Paulo / São Paulo Brasil
Orientador: Márcia Peinado Alucci
Implantação
de um módulo habitacional / criação de um nicho na cidade
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Esquema
de funcionamento do módulo em corte – conexões |
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O
módulo, a rua-praça
A
área selecionada situa-se dentro de uma malha urbana configurada
por lotes de tamanhos e características diversas, acolhendo desde
de casas térreas a galpões industriais. Essa complexidade de usos
e escalas e a inclusão desses terrenos numa ZEIS (Zona Econômica
de Interesse Social) do Plano Diretor de São Paulo, torna-a alvo
de um planejamento urbano amplo e cuidadoso.
Nessa
área, onde se encontra o projeto em questão, destaca-se uma rica
vocação à diversidade que justifica a elaboração de um plano maior,
a partir de projetos que ilustrem esse cenário em sua totalidade,
abrigando equipamentos, infra-estrutura adequada e empreendimentos
que respondam da melhor forma possível às necessidades da área
e sua inserção na cidade.
Implantação
A
implantação do complexo habitacional integra-se com a vila operária
existente, tombada pelo patrimônio histórico. A vila Maria Zélia
é composta de casas em sua maioria térreas, criando gabaritos
característicos que emolduram as ruas e configuram um espaço urbano
peculiar. Perpendicular a essas ruas, uma outra delimita o fim
da vila, dando acesso a um antigo armazém, uma igreja e um outro
edifício em ruínas. Do outro lado da rua, uma praça que se defronta
com grades, delimita o fim da área, significando uma barreira
que priva a cidade do valor desse espaço.
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Implantação |
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O
projeto propõe restauro e utilização desses três edifícios como
um centro cultural e comunitário à região. A implantação reconhece
esse espaço urbano como fundamental à organização da nova área
a ser configurada, devolvendo-o à cidade, tornado-a mais rica
a partir de elementos vivos que se cruzam e reconectam escalas
de transição da metrópole e do local.
Densidade
A
questão da densidade reconhece a realidade de São Paulo, mas também
o fato de que densidades maiores otimizam o uso da infra-estrutura
urbana existente.
Partindo
do conceito de um elemento de fácil montagem-desmontagem, identifica-se
uma forma de utilização do módulo proposto e seu contexto urbano
adequado à realidade e escala locais. A partir das características
da área organizam-se espaços internos-externos.
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Visualização
do módulo |
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A
partir de um módulo de 30 m² incorpora-se a rua como praça, são 32
m² por unidade de espaço de lazer. Além disso, nessa organização
do espaço optou-se por um ambiente com densidade condizente às
questões do lugar, com a vantagem do fácil acesso aos espaços
públicos e do ganho pela forma de implantação.
Unidade
de vizinhança
A
permeabilidade (relação dentro-fora) do módulo de 30m2
cria uma área muito maior, absorvida pela mescla das atividades
exercidas ao longo do dia. O espaço urbano é esculpido pelo edifício,
negativo da habitação, prolongamento da casa.
Também
fundamental à existência dessas áreas de convivência, os interiores
das ‘quadras’ (oito módulos) formam um quintal comunitário,
uma horta onde se pratica permacultura.
Unidade
O
conceito é um kit montável, constituído de peças ambientalmente
adaptáveis. As peças têm dimensões máximas de 3x3m, e podem ser
montadas rapidamente por qualquer um, fixando as peças a uma fundação
previamente preparada.
Os
painéis conectam visualmente dentro-fora e possibilitam fácil
acesso às áreas externas. Isso amplia a área efetiva da unidade,
estimulando o convívio social e a unidade de espaço.
Flexibilidade
A
unidade se propõe à adaptação a condições ambientais diversas,
baseadas no principio da implantação.
Os
critérios adotados propõem a criação de espaços públicos que conectam
a cidade existente ao empreendimento. A criação de áreas restritas
destinadas à permacultura e de ruas-perfis valoriza ao máximo
o espaço público como um local de convivência.
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Montagem |
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Além
disso, os critérios solar e de ventilação são fundamentais ao
bom funcionamento e qualidade em conforto ambiental aos moradores.
A
densidade entra como conceito essencial à justificativa da escolha
pelo elemento térreo. Ela demonstra uma opção consciente aos contextos
propostos, permitindo vantagens como a conexão direta com o espaço
externo, dado fundamental ao projeto.
Qualidade
ambiental
Os
mecanismos utilizados têm a intenção de diminuir os gastos energéticos
e otimizar a qualidade ambiental.
Na
unidade de habitação isso ocorre a partir:
1.
dos painéis móveis de fechamento que controlam a incidência de
luz direta e indireta, funcionando como uma pele protetora no
verão, e como um elemento de ganho de calor no inverno; das dinâmicas
das aberturas, que permitem ventilação cruzada tal como por diferença
de altura (efeito chaminé).
2.
do sombreamento da cobertura por uma malha metálica.
3.
dos painéis de concreto de 20cm de espessura preenchidos com uma
camada de materiais isolantes que protegem o interior das unidades
a partir do conceito de massa térmica.
4.
da coleta de água, filtrada pela tela, recebendo o devido tratamento,
ilustrando os espaços públicos.
Espaço
Como Conjunto
O
espaço criado pelos critérios de implantação confere afastamento
suficiente à garantia da insolação necessária, tal como da ventilação.
Além
disso, desenha o espaço urbano como um tecido drenável, onde o
automóvel não tem papel fundamental. O adensamento, possibilitado
pela centralidade do local e proximidade a meios de transporte
que conectam a cidade, transforma o pedestre no elemento norteador
do desenho urbano na escala do projeto.
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Vista
da habitação |
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As
áreas verdes e espaços de lazer dividem-se hierarquicamente, entre
públicos (ruas-praças e parques) e privados (permacultura).
O
resultado é um espaço orgânico e fluido, garantido pela ordenação
do verde e das questões ambientais trazidas ao desenho e a ordenação
da leitura de malhas aparentemente ortogonais, existentes e propostas,
que reconhecem prioritariamente o pedestre em todos os seus percursos.
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