Finalista
Brasil – Tiago Teixeira Guimarães
Universidade Federal do Ceará / Fortaleza Brasil
Orientador: José Almir Farias
Assentamento
humano para situações transitórias
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Perspectiva
do assentamento |
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O
trabalho de socorro a grupos humanos em situações de emergência
consiste em um conjunto de ações coordenadas que extrapola a simples
criação e montagem de abrigos. Muito além das soluções técnicas
necessárias para a acomodação temporária de uma população em trânsito,
todo um corpo de planejamento e um acertado entendimento das demandas
são de extrema importância para o sucesso da assistência. Sendo
assim, arquitetos e engenheiros, detentores do conhecimento técnico
específico nesta área, devem propor soluções de acordo com diretrizes
que garantam esta totalidade.
No
caso de desastres físicos, migrações forçadas ou desapropriações
por motivo de projetos de reestruturação urbana, não somente o
teto é perdido. A população afetada perde suas principais referências,
necessitando, assim, de um aparato de assistência maior que ultrapassa
o abrigo provisório. Porém, é preciso levar em consideração que
estas pessoas, devido ao trauma vivido, possuem capacidade de
cooperação. Todas as ações de socorro devem ser realizadas em
conjunto, promovendo uma situação de convivência capaz de amenizar
os prejuízos obtidos pelo deslocamento forçado.
Diante
das considerações levantadas, a proposta aqui apresentada para
este concurso de idéias consiste na elaboração de um “Assentamento
Humano para Situações Transitórias” destinado a populações
que se encontram no período entre o processo de deslocamento do
seu habitat original e a reintegração das condições normais de
moradia. Não só a habitação foi pensada para a idéia. A assistência
às famílias deve ser integral. O assentamento proposto possui
equipamentos diferenciados, tais como; centro comunitário, espaço
infantil, escritórios para instituições, alojamentos de apoio,
banheiros coletivos, armazéns e depósitos.
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Planta
baixa do assentamento, com ocupação máxima
(300 famílias ou 1200 pessoas) |
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O
Assentamento tem capacidade para 300 famílias, o que corresponde
a um número médio de 1.200 pessoas. Ele possui diâmetro de ocupação
de 505 metros e se organiza a partir de uma malha de hexágonos
de 10.80 metros de lado. Os desenhos do trabalho mostram uma situação
onde o Assentamento estaria com sua capacidade máxima de abrigados.
Caso exista uma maior demanda, outro núcleo independente deve
ser montando. Assim, o princípio a ser seguido é o de polinucleação
e não mononucleação. Por outro lado, se a demanda requisitada
for de um número menor de famílias, somente parte do sistema pode
ser utilizado.
Um
aspecto importante da proposta consiste no arranjo espacial dos
abrigos. A cada grupo de cinco abrigos (um para cada família),
um nicho habitacional é criado, anexando-se uma montagem de apoio
provida de cozinha, refeitório, lavanderia e lavabo. O abrigo
possui somente a função de dormitório, não se tratando de uma
habitação completa. Assim, o caráter de provisoriedade é reafirmado.
Os
sistemas de abastecimento de água e coleta de resíduos devem ser
dispostos de acordo com os recursos disponíveis. A distribuição
de pontos de água encanada para cada aglomerado habitacional é
oneroso, e por vezes inviável, devido o caráter temporário do
assentamento. A armazenagem de água em potes distribuídos para
cada aglomerado pode constituir a solução de abastecimento mais
simples e barata. A população abrigada ficaria ela mesma encarregada
de coletar a água em uma caixa d´água central e estocá-la nos
potes fornecidos. Do ponto de vista da solução de esgotamento
sanitário, o sistema de fossa seca é o mais indicado para coleta
de resíduos, pois não exige uma demanda de água em quantidade
e ainda produz adubo para a prática da agricultura.
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Planta
baixa nicho habitacional |
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Para
atender às inúmeras situações previstas para o Assentamento, propõe-se
uma única estrutura modular capaz de articular-se em diferentes
arranjos espaciais de modo a formar os diversos equipamentos já
citados. Para tanto, algumas diretrizes de projeto foram seguidas:
1.
Portabilidade: as peças formadoras do módulo devem ser facilmente
armazenadas, transportadas e montadas;
2.
Reutilização: sendo mantido adequadamente, o módulo deve ter vida
útil prolongada e servir para várias situações;
3.
Montagem facilitada: o sistema construtivo deve ser de fácil apreenção
devido a participação da própria comunidade assistida no processo.
O peso das peças não pode extrapolar a capacidade de carregar
de duas pessoas. O número de ferramentas necessárias deve ser
reduzido, limitando-se a simples pás e enchadas;
4.
Flexibilidade: além da capacidade de aglomerar-se na composição
de outros espaços, o módulo deve ter layout interno flexível capaz
de atender as mais diversas demandas;
5.
Padronização: busca-se um partido que exija o menor número de
peças possíveis assim como redução da variedade de materiais.
Formalmente,
o módulo possui a forma pura de uma planta baixa hexagonal resultante
de um corte das arestas de um triângulo eqüilátero maior. O hexágono,
base da montagem, é dividido numa malha triangular exata de 13
unidades produzindo formas baseadas no ângulo de 60 graus. Os
painéis de vedação vertical são dispostos de acordo com o layout
desejado, não sendo obrigatório o perímetro do ambiente criado
coincidir com o do hexágono maior da base. A coberta triangular
de três águas coroa a montagem.
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O
desenho sugere ações de cooperação
e ajuda mútua, aspectos tão importantes em
situações extremas |
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Toda
a estrutura do módulo é de alumínio devido a resistência deste
material aos esforços e as intempéries. O sistema construtivo
constitui numa adaptação de uma solução já existente no mercado
utilizada largamente na montagem de palcos e estruturas para eventos.
A parte de vedação e coberta é feita por velcros de nylon e peças
duplas de tecido chamado Acqua Block da empresa Karsten destinados
no mercado para estofados em áreas externas. Constituído de 80%
de algodão, este material possui as fibras envolvidas por uma
resina de grande resistência que impede a penetração de água e
poeira mantendo o arejamento entre os fios. O piso é formado por
placas triangulares dispostas logo acima da base estrututral.
As placas são feitas por chapas sintéticas Ibaplac fabricadas
a partir de um processo de reciclagem de caixas de alimentos tipo
Tetra Park. Possuem ótima resistência às intempéries, podem ser
serradas, cortadas, pregadas, parafusadas, lixadas, pintadas e
até mesmo coladas, mantendo sua integridade porque não desfolham
e não trincam.
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Esquema
de montagem |
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O
processo de aglomeração dos Módulos é possibilitado pelos encaixes
de espera restantes da estrutura sextavadas, podendo o volume
gerado pelas cobertas triangulares fechar a forma do hexágono.
Calhas horizontais e diferentes “jacarés” de PVC vedam
o encontro das cobertas ocasionado pela junção de módulos, solucionando
o escoamento de água da chuva.
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