2°
lugar: Dani Hirano, Daniel Corsi da Silva, Danilo Ribeiro Cardoso
Terra
São Paulo, SP
Orientador: Mario Biselli
O
homem da natureza + a natureza do homem
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Alameda
principal |
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O
conceito
A
idéia de se expressar uma necessidade e um desejo que deu origem
a esse projeto. A primeira representada pela idéia elementar de
abrigo, do homem que vive e habita um espaço, precisando da proteção
e acolhimento que este deve lhe proporcionar. A segunda, traz
o homem contemporâneo que, mais no do que nunca, tem um universo
próprio, criado à sua maneira e, que busca satisfazer todas suas
vontades e desejos num mundo frenético e inconstante de que hoje
fazemos parte.
Representando
esse anseio, adotamos para a concepção do projeto, uma apropriação
do espaço que acontece através da pixelização deste. Através de
uma malha e de um módulo, o píxel, todo o projeto se desdobra,
criando uma interface dinâmica entre o todo e cada uma das partes.
O
píxel representa, metaforicamente, essa natureza do homem,
definida pela tecnologia digital, pela comunicação e pela informação,
assim como pela imagem e o conteúdo iconográfico que esta pode
produzir. Um módulo mutante, que possibilita a criação de um espaço
que pode assumir uma infinidade de naturezas.
O
projeto é dividido em três escalas:
Escala
A – a metrópole
Estudando
a localização do terreno e levando em consideração sua inserção
na malha urbana, torna-se indispensável uma leitura mais ampla,
fazendo-o com que se envolva se interaja com toda a metrópole
da qual faz parte.
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Linha
do trem. Vista noturna |
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A
metrópole da qual falamos é aquela que possui uma poética urbana,
intensamente presente nesse local através da linha férrea. Esta
traz uma série de referências para se pensar o lugar. A história
está presente neste projeto através da referência à natureza que
um dia ali existiu quando a várzea do rio Tietê ocupava seu espaço
natural, assim como a presença de uma espécie de “galpão” (pórtico
de acesso ao subsolo) que retoma o aspecto das indústrias que
tanto definiu a imagem da cidade. Junto a isso está a idéia de
se representar os movimentos e as velocidades que caracterizam
a cidades hoje. Através da barra de lazer e serviços se traduz
uma estética urbana, feita para ser vista pela rápida velocidade
dos meios de transporte. O marco vertical resume toda essa leitura
urbana, trazendo para um local de pouca identidade, assim como
para as pessoas que ali transitam, um símbolo que a noite torna-se
um farol urbano, referenciando a história, a velocidade e o lugar.
Escala
B – o local
O
espaço que o arquiteto pensa, na verdade, não é exatamente o construído,
o material, mas sim o que fica entre esses elementos, o vazio.
É desse modo que acontece a implantação deste projeto. Utilizando-se
de uma topografia operativa, ou seja, aquela criada para servir
as funções do homem, cria-se um espaço natural, um micro-ambiente
na cidade repleto de verde, tornando-se até mesmo um lugar bucólico.
Uma paisagem constituída pelo vazio, pelo espaço existente entre
as árvores, assim como pelas casas, que se implantam do mesmo
modo que a vegetação. As unidades tornam-se árvores, dado origem
um espaço “entre”, onde tudo acontece.
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Implantação
geral |
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Através
de um eixo principal de circulação, definido pela imensa árvore
hoje lá existente e único elemento significativo do terreno, uma
alameda é criada percorrendo toda a área de habitar até chegar
na barra que margeia a linha de trem que protege todas as residências
do ruído e movimento que ali acontecem.
Acima
de tudo isso está uma grande cobertura metálica, totalmente elaborada
como uma tela de pixels, dividida em módulos de 1, 3 e 6 metros.
Esta unifica todo o conjunto de 33 unidades habitacionais (12
de 60 m², 9 de 90 m² e 12 de 150 m²), gerando uma série de diferentes
espaços, dos fechados aos totalmente abertos, dependendo da função
a ser abrigada. Seu aspecto pixelizado gera um cenário inusitado
através do acontecimento de luzes e sobras inesperadas e diferentes
a cada hora do dia.
Escala
C – as unidades
A
idéia do “habitar“ sofreu muitas modificações nos últimos tempos.
A funções elementares (social, íntimo e serviço) continuam presente,
porém, sua essência hoje se encontra na fusão do abrigo e do desejo.
Desse modo, interpreta-se as unidades através de três objetivos
principais. O primeiro é o da tecnologia, seja a da construção
ou da informação. Da casa acessa-se o mundo, tornando-se um pleno
meio de comunicação, principalmente pela Internet. Para isso as
unidades criadas são definidas por uma parte material, e outra
desmaterializada, sendo esta constituída por uma membrana digital
de cristal líquido que pode assumir as mais diversas características,
desde texturas e imagens ou de transparência e opacidade total.
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Maquete
da unidade 60 m2 |
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Temos
também a preocupação com o meio ambiente, tendo em suas coberturas
a possibilidade de captação de luz solar e sua transformação em
energia. Por fim, temos a grande qualidade das unidades aqui pensadas:
a multiplicidade de espaços e de formas de ocupação. Funcionando
como um mecanismo que se abre ou se fecha, podemos ter uma casa
onde os espaços são claramente definidos, assim como podemos ter
um único espaço, dependendo do desejo do homem que ali habita.
A não compartimentização do espaço é plena, possibilitando uma
infinidade de formas de ocupação, que o homem pode resumir num
simples abrigo, onde dorme, trabalha, se diverte ou num espaço
onde a busca de todos os seus desejos e vontades, torna-se totalmente
possível pela espacialização de suas duas naturezas: a da qual
faz parte e daquela que ele mesmo criou.
Situação
urbana
A
segunda etapa do Concurso Morar na Metrópole – São Paulo 450
anos apresentou-se como mais um grande desafio: demonstrar
que um projeto de intensa vanguarda arquitetônica é possível de
ser executado em sua plenitude, tanto do que diz respeito à sua
relação com cidade e seu funcionamento, assim como à tecnologia
da qual se apodera para sua realização.
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Perspectiva
da maquete |
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O
projeto consolida-se como um conjunto de residências, um condomínio,
mas que se distingue completamente do que hoje se presencia na
cidade. A proposta em si assume uma postura definitivamente urbana,
se comunicando e se interagindo com a cidade, diferentemente do
aspecto “carcerário” que tanto caracteriza o lugar de morar hoje
na metrópole.
As
distinções de espaços públicos e privados acontecem de maneiras
muito mais fluidas e não tão arredias como na maioria dos casos.
A fusão entre cidade e propriedade é presenciada através de elementos
arquitetônicos – guarda corpos, balanços do deck de circulação,
projeção da cobertura – e principalmente através dos elementos
paisagísticos como o porte da vegetação e a topografia criada
exatamente para essa função, a de separar os espaços interiores
do exterior, chamada assim de “operativa”, atuando como um elemento
que insinua a natureza dos espaços, hierarquizando as funções
e atuando principalmente através da percepção do indivíduo, dispensando
o caráter de um obstáculo puramente visual e físico, acabando
por não separar os lugares e sim de isolá-los.
Por
essa busca de integração com a cidade que o projeto configura-se
com as diferentes paisagens lindeiras, desde o pequeno gabarito
de suas unidades dialogando com as tipologias do local em que
está inserido, assim como com a escala metropolitana através da
expressiva fachada voltada para a linha férrea, elemento que cruza
toda a metrópole.
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Perspectiva
noturna com árvore |
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Do
mesmo modo, a relação com o entorno não ocorre apenas no que se
refere à paisagem urbana. Suas funções também são atadas. É o
caso do aproveitamento máximo do terreno onde o projeto se desenvolve,
visando uma preocupação com o mercado que viabilizaria tal execução,
aproximando-se o quanto possível de seu potencial construtivo.
Para tal, as áreas livres, ainda que generosas, não são caracterizadas
como um parque, mas sim como um espaço privado de lazer e atividades
que se destina a seus moradores. Isso se justifica pela existência
de uma possível conexão com a enorme praça ao lado do terreno,
constituindo-se quase como um parque, que deveria servir a toda
a vizinhança, mas que se encontra atualmente descuidada e subutilizada.
Assim,
é de essencial importância a preocupação de apresentar-se novas
alternativas para o “morar” na metrópole, a fim de despertar novos
rumos ajudariam a reconstituir a tão difamada paisagem urbana
paulista.
Técnicas
construtivas
Visando
sempre o desenvolvimento das técnicas e a utilização de seus mais
recentes avanços, simultaneamente, essa proposta une elementos
de extrema vanguarda, alguns ainda em experimentação, e outros
que há muito já fazem parte do cotidiano da construção civil contemporânea.
O
maior exemplo dessas tecnologias experimentais é membrana digital
de cristal líquido proposta como um dos fechamentos das unidades
de habitação. Já há alguns anos esse recurso encontra-se em intensa
pesquisa no exterior, tanto por escritórios de arquitetura quanto
por técnicos e cientistas, tendo-se exemplos já construídos, mas
ainda não atingindo o mercado de maneira plena. No entanto esse
é um recurso totalmente simulável através de projetores de vídeo,
que possibilitam a projeção de imagens em grandes superfícies.
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Planta-Corte
da unidade e painel |
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No
que se refere às técnicas comuns existentes, o projeto adapta-se
ao maxímo à produção industrializada, principalmente devido à
utilização em grande escala do aço, cultura que atualmente busca
firmar-se em nosso país, estando presente em quase todos os elementos
do projeto, desde os caixilhos até o sistema estrutural.
Isso
possibilita uma simplicidade, rapidez e economicidade na execução
dessa proposta, tornando-a cada vez mais viável pela sua identificação
com da produção industrial civil.
Sustentabilidade
Sustentabilidade
é um fator aqui tratado da forma que se espera em qualquer projeto,
de maneira natural e em conjunto com todas as demais áreas de
intervenção do projeto, como arquitetura, estrutura, hidráulica,
elétrica e etc.
Quanto
a coleta e ao reaproveitamento de água pluvial, seu reuso para
atividades específicas como rega de plantas e limpeza de áreas
comuns é possível devido a existência de um tanque de coleta na
cobertura da barra de serviços e lazer e a uma rede interna que
direciona a água para reservatórios subterrâneos.
A
luz solar também é utilizada como fonte de energia elétrica através
de placas fotovoltaicas, posicionadas ao longo de todo o eixo
principal da cobertura, onde também desempenham o papel de brises
horizontais voltados para a fachada norte, de maior incidência
de radiação solar, assim como na cobertura das casas de dois pavimentos
(unidades de 150 m²). Toda essa energia é utilizada em todo o
conjunto e não apenas nessas unidades habitacionais.
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Diagrama |
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O
lixo já previamente separado nas residências é depositado em diferentes
receptáculos, para que seja feita a coleta pela prefeitura, facilitando
assim o processo de reciclagem.
Além
destes aspectos técnicos a questão da sustentabilidade se encontra
também no partido do projeto, desde a unidade habitacional, passando
pelo conjunto, até sua relação com a cidade, pois muito mais que
habitações, o projeto possui detalhes que juntos cumprem seu papel
urbano e humano. Detalhes como o eixo de circulação adotado a
partir de um marco natural que é a monumental árvore situada na
rua Garibaldi; como a questão do uso à margem da linha do trem,
onde a barra de serviços e lazer serve tanto como barreira sonora
como marco visual para os passageiros dos trens que por ali passam;
e por fim a dicotomia entre uma área livre e verde que é a praça
Nicolau de Moraes Filho e uma adensada, mas verde também área
de habitação que é nossa proposta.
Tudo
isso ajuda a transformar o projeto em um espaço sustentável das
mais diversas maneiras, atuando não somente de maneira a utilizar
técnicas e elementos tecnológicos, mas também qualidade na permeação
do projeto com o seu entorno imediato e com a cidade.
Execução
O
processo de execução da obra subdivide-se basicamente em duas
partes. A primeira, trata-se da preparação do terreno para que
este esteja adequado a iniciação da segunda fase, a execução das
unidades.
A
partir do terreno analisado e implantado conforme normas municipais,
inicia-se a demarcação uma “malha” de 3X3 metros, que estruturará
toda a execução do projeto. Analisado o tipo de solo, loca-se
a fundação, iniciando também o deslocamento de terra para a construção
do estacionamento a meio nível. Concluído a construção das paredes
estruturais em concreto no subsolo, bem como os pilares (malha
6x6m) e as vigas de concreto que apoiarão as respectivas lajes,
impermeabilizando-as com fiber e posteriormente recobrindo com
a terra deslocada.
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Corte
geral |
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Inicia–se
assim a segunda fase do processo de execução da obra. Paralelamente
a construção da barra de serviços. Prepara-se uma base em concreto
sobre os apoios da estrutura subterrânea para o processo de implantação
das unidades habitacionais. Concluída a cura desta, chumbam-se
perfis metálicos(.08X.10) em aço e conectores que apoiarão os
quatro perfis ”H” (.20x.20), constituindo a estrutura principal.
Nestas serão apoiadas externamente, terças metálicas (.08X05)
que fixarão as telhas termoacústicas e, internamente, as placas
de gesso e sarrafos metálicos laterais e do forro da cobertura.
Concluindo o fechamento das unidades, as duas peles são apoiadas
nos montantes estruturais, a membrana diretamente no montante
e os vidros da caixilharia nas presilhas, restando assim os acabamentos,
mobiliário e instalações técnicas (elétrica, hidráulica e específicas)
no interior da unidade.
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Vistas
internas |
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Toda
a proposta de execução deste projeto, foi baseada nos melhores
parâmetro possíveis, seguindo diretrizes do próprio edital do
concurso. No entanto seus custos e valores são facilmente variáveis
e adaptáveis perante as distintas possibilidades de execução construtiva,
exatamente por sua simplicidade e exeqüibilidade técnica.
Ficha
técnica
Autores
Dani Hirano, Daniel Corsi, Danielo Terra (São Paulo SP)
Orientador
(2ª. Fase)
Mario Biselli
Consultoria
Estrutural
Eng. Chingo Yamamoto
Maquetes
Físicas
Leon Richard Benkler
Orcamentos
Quantum Consultoria
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