| 2º lugar – Projeto nº 99
Arquitetos José Maria de Macedo Filho,
Edgar Gonçalves Dente e Christiane Costa Ferreira Macedo
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Vista
geral
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Significado
da tolerância
Art.1.1
A tolerância é o respeito, a aceitação e o apreço da riqueza
e da diversidade das culturas de nosso mundo, de nossos modos
de expressão e de nossas maneiras de exprimir nossa qualidade
de seres humanos. É fomentada pelo conhecimento, a abertura
de espírito, a comunicação e a liberdade de pensamento, de consciência
e de crença. A tolerância é a harmonia na diferença. Não só
é um dever de ordem ética; é igualmente uma necessidade política
e jurídica. A tolerância é uma virtude que torna a paz possível
e contribui para substituir uma cultura de guerra por uma cultura
de paz.
Art.1.2
A tolerância não é concessão, condescendência, indulgência.
A tolerância é, antes de tudo, uma atitude ativa fundada no
reconhecimento dos direitos universais da pessoa humana e das
liberdades fundamentais do outro. Em nenhum caso a tolerância
poderia ser invocada para justificar lesões a esses valores
fundamentais. A tolerância deve ser praticada pelos indivíduos,
pelos grupos e pelo Estado.
Declaração
de Princípios sobre a Tolerância aprovada pela Conferência Geral
da UNESCO em sua 28ª reunião Paris, 16 de novembro de 1995.
A tolerância
se apresenta como alternativa para as crescentes misérias atuais
da humanidade, como a violência, o terrorismo, a xenofobia, o
nacionalismo agressivo, o racismo, o anti-semitismo, a exclusão,
a marginalização e a discriminação contra minorias nacionais,
étnicas, religiosas e lingüísticas, os trabalhadores migrantes,
os imigrantes, etc. Problemas estes apontados pela UNESCO e que
serviram de base paras as definições acima citadas de tolerância,
criando assim instrumentos para possível reversão de tais quadros.
A filosofia
discorre sobre o conceito de tolerância e intolerância, nos mostrando
o quão complexo e ambíguo estes podem ser, denotando aspectos
positivos e negativos em ambos, caminhado sempre lado a lado,
percebemos que existe uma linha muito tênue entre eles.
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Painél
reflexivo do átrio |
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Com o objetivo
de aproximar tais concepções ao Brasil, o partido conceitual da
proposta funde os significados e definições da tolerância com
a sistemática arquitetônica, potencializando, através da educação
e reflexão, a difusão cultural de um “povo novo e em fazimento”,
resultado de uma grande mistura étnica:
“[...]
sob a regência dos portugueses, matrizes raciais, díspares,
tradições culturais distintas, formações sociais defasadas se
enfrentam e se fundem para dar lugar a um povo novo (Ribeiro,
1970), num novo modelo de estruturação sectária. Novo porque
surge como uma etnia nacional, diferenciada culturalmente de
suas matrizes formadoras, fortemente mestiçada, dinamizada por
uma cultura sincrética e singularizada pela redefinição de traços
culturais dela oriundos”.
Darcy
Ribeiro, O Povo Brasileiro
Para Darcy
Ribeiro o Brasil é uma nação em processo contínuo de formação
na direção da construção de uma nova raça com uma incrível síntese
criativa. Esta é a premissa, justamente durante este processo
contínuo de formação, temos a oportunidade de nos educarmos de
forma mais consistente e madura, no sentido de sermos mais tolerantes
com nossa identidade e diversidade étnica, religiosa e cultural.
Apesar deste
potencial cultural, ainda constatamos problemas estruturais em
nossa sociedade, como as diversas formas de violência, o racismo,
e a intolerância social, representada pelos gravíssimos e crescentes
problemas de exclusão da grande maioria de nosso povo, que apenas
observa o desenvolvimento do país, de uma forma tão distante,
que até parece uma outra nação. Esta segregação merece atenção
especial, pois como sabemos os processos de exclusão e estratificação
social é que geram problemas de intolerância e violência urbana
acentuados.
Este museu
deve ser orientado por todas estas questões, pois assim terá plenas
condições de, junto com a sociedade, difundir seus anseios e preocupações,
com base na educação, torna-se um espaço democrático e tolerante.
“Democracia
não é fraqueza. Tolerância não é passividade”.
André
Comte-Sponville, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes
A criação
de um espaço destinado a um centro de contemplação, produção e
difusão destas questões, tão inerentes ao homem, deve possuir
as características presentes na nossa tradição arquitetônica,
ou seja, deve ser um espaço para todos, aberto, fluido e continuo.
Um lugar que permita a vivencia, a troca, o encontro e, principalmente
a experiência da diversidade cultural, própria de nosso povo,
povo alegre, sensual, e, essencialmente tolerante, apesar de excluído.
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Vista
noturna |
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O projeto
do nosso museu procurou assegurar a permeabilidade e a continuidade
do espaço público, de forma que possa ser acessado com toda fluidez
de quem na rua anda, estabelecendo a fusão entre o público e privado
de forma sutil e progressiva.
Concebido
em dois blocos distintos, unidos por um grande salão majestoso,
que acolhe quem da rua vem e funciona como uma grande praça coberta,
distribuidora de fluxos, onde o usuário percorre planos em desníveis
sucessivos, alternando espaços abertos e fechados, conectando
assim todos os ambientes do museu: espaços de produção, exposição,
administração e lazer.
A forma resultante
configura uma grande caixa de vidro, transparente como se não
estivesse lá, ou tentasse ser invisível, funciona como uma espécie
de caixa de luz, onde esta percorre livremente os ambientes, durante
o dia, iluminando as atividades e permitido as visuais do conjunto,
da cidade e do bosque lindeiro, durante a noite esta luz, absorvida
e filtrada durante o dia emana do museu iluminando a cidade e
seu entorno, comunicando o que está sendo exposto, refletido e
produzido.
O bloco principal
concentra as atividades expositivas, uma grande área com espaços
muito flexíveis e mutantes, concebidos de forma que possam mudar
de posição de acordo com a necessidade, graças a um sistema de
trilhos, os pisos podem ser móveis e se deslocar lateralmente,
podendo alcançar grande pé direito em determinados locais, assim,
além da planta livre temos o corte livre. No coroamento surge
um grande terraço jardim, onde após percorrer a exposição o usuário
encontra generosas visuais do entorno, ver o verde, ver a cidade.
O segundo
bloco abriga as atividades de pesquisa e produção, com as salas
de aula, laboratórios e biblioteca. Neste bloco temos uma espécie
de espaço intersticial, entre os laboratórios e a biblioteca,
funciona como uma área de contemplação da cidade e do sistema,
pois ao norte é descortinada uma vista privilegiada de São Paulo,
e no pólo contrário, sul, como uma espécie de espelho virtual,
está implantando um grande telão, que reflete não apenas a morfologia
urbana, mas os atos de seu principal agente, o homem.
Neste sistema
a biblioteca tem papel emblemático e simbólico, considerada o
subconsciente do museu, “a caixa dentro da caixa”,
está solta no ar, em posição vigilante, não para punir, mas sob
o peso do conhecimento, evidenciar nossa responsabilidade como
agentes transformadores da sociedade.
Nos subsolos
encontramos os auditórios, os espaços administrativos e os serviços,
está concebido de maneira que permita que funcione de forma autônoma
junto com o restaurante, em relação ao restante do museu, conferindo
maior flexibilidade de uso ao complexo.
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| Corte
longitudinal |
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| Corte
transversal |
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| Corte
transversal |
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| Planta
nível -6,00 - Reserva técnica e serviços |
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Planta
nível -2,40 - Restaurante |
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| Plantas
nível 0,00 - Aulas e exposição temporária |
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| Plantas
nível 1,20 - Aulas e exposição temporária |
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| Plantas
nível 5,00 - Laboratórios e exposição
temporária |
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| Plantas
nível 7,40 - Praça suspensa e exposição
temporária |
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| Plantas
nível 14,60 - Mezanino da biblioteca e exposição
permanente |
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Ficha
técnica
Autores
Arquitetos José Maria de Macedo Filho, Edgar Gonçalves Dente e
Christiane Costa Ferreira Macedo
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