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lugar - Projeto nº 107
Arquitetos Alexandre Brasil e Bruno Santa Cecília
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Vista
geral
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Esta proposta
para a sede do Museu da Tolerância realiza-se através de um edifício
de caráter singular e grande força expressiva, a representar os
mais altos ideais de democracia e liberdade, no qual a criação
de espaços para uma nova cultura social e o estimulo à diversidade
das manifestações artísticas impõem-se sobre o agenciamento dos
usos, o emprego da técnica construtiva e a organização do território.
Assentamento
e organização espacial: a técnica como elemento fundador do lugar
A ação inaugural
que demarca positivamente o território e define os espaços do
Museu da Tolerância realiza-se a partir de três grandes gestos
construtivos rigorosamente coordenados. Primeiramente, o solo
é escavado e contido, gerando o espaço necessário para a futura
ocupação. Desse vazio ergue-se um edifício de estrutura autônoma
que abriga: em subsolo, as áreas de exposição; ao nível do solo,
as áreas publicas e de convívio; e, elevados, os ambientes de
trabalho e estudo. Por fim, os planos de fechamento e vedações
externas são agregados a essa ossatura, conferindo o aspecto final
do edifício.
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Três
gestos construtivos rigorosamente coordenados |
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A partir dessa
definição inicial, a técnica é convocada como instrumento fundamental
para a desejável liberação do nível do solo, a favorecer a diversidade
das manifestações artísticas e culturais que o Museu irá catalisar.
Cria-se assim um espaço central coberto e qualificado com trinta
e cinco metros de vão livre, a congregar as principais funções
publicas e acessos ao edifício.
Propõe-se
uma estrutura composta por lajes nervuradas em concreto armado
com protensão de vigas-faixa transversais sustentados em seu perímetro
por quatro pontos de apoio. A esse sistema superpõem-se no nível
da cobertura vigas longitudinais em perfis metálicos soldados
que permitem atirantar a porção central dos pavimentos inferiores.
Outro conjunto de vigas transversais faz o suporte superior dos
painéis de vedação externos, reforçado a independência construtiva
e a constituição tectônica desses elementos.
A ação que
promove a ocupação do terreno busca ainda garantir a preservação
da vegetação existente, principalmente dos exemplares de maior
porte. Para isso, fez-se a separação das áreas de exposição e
de apoio técnico em subsolo a partir do reconhecimento de um conjunto
de três árvores cuja preservação entendia-se como desejável, orientando
o desenho cuidadoso dos arrimos. Ainda pela premissa de preservação
integral dessa vegetação, fez-se opção pela redução da ocupação
da porção superior do edifício em relação aos afastamentos permitidos.
O
atendimento às demandas de uso: o edifício e o espaço público
Ao se considerar
a função social do museu contemporâneo, há que se privilegiar
a criação e manutenção do espaço público como suporte para a troca,
o encontro, a conciliação das diversidades e o estimulo à vida
social e às práticas da tolerância.
Esta proposta
busca reforçar o caráter publico e aberto pretendido para a instituição
e marcar afirmativamente a presença do Museu da Tolerância no
Campus da Universidade através de um amplo espaço de transição
e acolhimento situado ao nível térreo. A promover a ampla liberação
do terreno, protegendo e qualificando o nível de chegada, eleva-se
a porção superior do edifício acima do solo, definindo, assim,
uma plataforma coberta que recebe o pedestre e orienta os fluxos
aos diversos itens do programa com clareza e simplicidade. Tratada
como continuidade do espaço publico e com o mínimo de obstáculos
físicos, esta plataforma-praça reforça o caráter democrático e
a total permeabilidade do edifício e das atividades que nele se
desenvolvem.
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Vista
da praça - elemento articulador |
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O desenho
dessa praça coberta propõe a reconstrução da topografia e a conciliação
das diferenças de nível no terreno em sua maior dimensão. Convertida
em espaço gregário, amplo e desobstruído, ela reúne os ambientes
de caráter mais publico, a saber: cinema, restaurante, loja e
acessos aos demais espaços. A partir dela organizou-se o programa
de necessidades buscando tornar clara distinção entre os espaços
de estudo e aprendizagem, elevados da plataforma de acesso, e
os espaços destinados às exposições museográficas, situados em
subsolo. Esta organização almeja a melhor correspondência entre
usos e espaços propostos, privilegiando as melhores condições
de insolação, ventilação natural e vistas significativas para
os ambientes de trabalho ou que demandam permanência prolongada,
como biblioteca, laboratórios, administração, coordenação, auditório
e salas de aula.
Modo oposto,
a necessidade do controle estrito da iluminação, dos ruídos e
da climatização artificial, orientou a disposição dos ambientes
de exposição em local confinado. Para esses espaços, foram pensadas
grandes áreas livres, a permitir maior liberdade e flexibilidade
na montagem de exibições temporárias e permanentes. Favorecendo
essa concepção, foi proposta a integração dos espaços de apoio
e serviço em área adjacente, concentrando os núcleos de instalações
sanitárias, circulação vertical, vestiários, copa, reserva técnica
e montagem.
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Vista
espaço para exposições |
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A concepção
do edifício primou por garantir o acesso universal e irrestrito
a todos os espaços que compõem o Museu da Tolerância. Para tanto,
concorre a ordenação vertical do programa de necessidades em meios
níveis favorecendo o uso de rampas acessíveis como principal elemento
de circulação e articulação das funções do Museu. A partir dessa
opção, diferentes atividades desenvolvem-se de maneira contínua
e homogênea sem imputarem verdadeiras rupturas ou segregações
aos espaços.
Optou-se pela
interiorização dos ambientes de trabalho e estudo, favorecendo
a concentração e a introspecção necessária ao bom desempenho das
atividades produtivas. De maneira contrária, os espaços coletivos
e circulações foram dispostos na periferia dos pavimentos, estimulando
o convívio social e a fruição da paisagem do campus.
A demanda
por estacionamento e local para carga e descarga foi solucionada
pelo aproveitamento das áreas externas de recuo e pela disposição
criteriosa das cinqüenta vagas solicitadas, de modo a garantir
a preservação integralmente das árvores existentes. Também foi
proposta baia para embarque e desembarque de veículos de turismo
externa ao Museu e incorporada ao ponto de ônibus existente, o
que exigiu seu redesenho.
O
tratamento plástico dos volumes e superfícies
Esta proposta
para o Museu da Tolerância busca garantir a presença singular
do edifício na paisagem através de sua diferenciação plástica
em relação ao seu entorno imediato. Buscou-se essa diferenciação
pela redução das massas construídas e desmaterialização do volume
mais visível, correspondente ao bloco superior.
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Maquete-vista
geral |
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Foi opção,
portanto, fixar o caráter estereotômico da base, conformando-a
a partir de seções e cortes rigorosos sobre o novo solo criado,
a definir os principais acessos e ocultar as maiores massas construídas.
Modo oposto, a porção superior do edifício apresenta-se em solução
tectônica de maior leveza, favorecida pela opção do vão livre
central e redução das massas aparentes. Essas ações reforçam a
distinção feita entre as áreas de exposição situadas em subsolo
e ambientalmente controladas, dos espaços de trabalho e estudo,
elevados sobre pilotis e dotados de iluminação e ventilação naturais.
Além da disposição
de parte do programa edificado em subsolo, outras três estratégias
compositivas foram conjugadas para obtenção do desejado efeito
de redução das massas construídas, a saber: a valorização dos
planos de vedação externos como elementos autônomos e independentes
da estrutura portante do edifício; o seu prolongamento para além
dos limites dos pavimentos, a eliminar arestas que pudessem sugerir
um volume prismático; o fracionamento assimétrico desses mesmos
planos em conformidade com os principais acessos à praça coberta;
e, por fim, a opção pelo uso de um material mais claro, regular
e com capacidade de transmitir parte da luz incidente ao interior
do edifício.
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Vista
parcial da praça |
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Para compor
os planos de fechamento externos, elegeu-se como elemento expressivo
o mármore branco cortado em chapas de espessura controlada e fixado
em quadros metálicos. Essa opção justifica-se pelas características
singulares do material que permitem conciliar a necessidade vedação
e estrito controle ambiental com a desejável iluminação do interior
dos pavimentos pela luz filtrada pelo mármore. Concorreram ainda
para a escolha deste material, a possibilidade de sua montagem
a seco e a geração de uma epiderme contínua e homogênea. Para
as vedações das interfaces sudeste e noroeste privilegiou-se o
uso de panos contínuos de vidro liso e incolor a privilegiar a
maior fruição da paisagem e melhor controle da luminosidade e
ventilação dos espaços de trabalho e estudo.
Na porção
oeste do terreno, propô-se um prolongamento das vedações laterais
e cobertura do edifício em direção ao conjunto de árvores que
se fez preservar. Essa solução, além de permitir a correção das
proporções do edifício e de responder à necessidade de controle
da incidência solar direta nos pavimentos superiores, configura
um espaço de transição prolongado e coberto ao nível da praça
publica.
O uso dos
materiais construtivos em seu aspecto bruto, a dispensar o uso
de revestimentos de qualquer natureza, pretende minimizar as operações
de manutenção e melhor representar os ideais de simplicidade e
honestidade arquitetônicas, imputando ao edifício sede do Museu
da Tolerância o desejável caráter de permanência.
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| Corte
longitudinal |
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| Corte
transversal |
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| Planta
nível 362.00 - Exposição temporária e reserva técnica |
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| Planta
nível 364,80 e 364,72 - Vazio da exposição temporária e reserva
técnica |
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| Planta
nível 370,80 e 367,60 - Exposição permanente e apoios |
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Planta
nível 374,00 e 375,50 – Praça, loja e cinema |
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| Planta
nível 374,00 e 370,40 - Praça e restaurante |
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| Planta
nível 379,10 e 380,80 - Biblioteca e laboratórios |
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| Planta
nível 382,50 e 384,20 - Salas de aula e coordenação |
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| Planta
nível 385,90 e 387,60 - Auditórios e administração |
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Ficha
técnica
Autores
Arquitetos Alexandre Brasil e Bruno Santa Cecília
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