| Menção
honrosa - Projeto nº 01
Sergio Ricardo Nunes Camargo, Valério Pietraróia e Claudia Nucci
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Vista
do Museu da praça Prof. Jorge Americano
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O Concurso
para a Sede do Museu da Tolerância descreve, em seu edital, sua
criação com o objetivo de divulgar o trabalho desenvolvido pelo
LEI – Laboratório de Estudo sobre a Intolerância da FFLCH-USP
e de outros centros de pesquisa nacionais e internacionais, atuando
como centro de conhecimento e divulgação do assunto. Portanto
o chamado Museu da Tolerância, denominado de MUT em nossa proposta,
é antes de tudo um laboratório de pesquisa e ensino — vocação
para a qual a universidade foi criada —, uma “escola” sem um corpo
docente / discente definido, mas que possa, através de seu acervo
e de conhecimentos trazidos por outras instituições, ser um centro
de convergência do público interessado em conhecer, desenvolver
e divulgar o conhecimento nesta área.
A tolerância,
no Brasil, é de certa forma um ato cultural. Diversas foram as
manifestações culturais que ajudaram a integrar os grupos constitutivos
da sociedade atual, da mesma forma que hoje são conhecidas inúmeras
iniciativas de grupos culturais que atuam para minimizar as diferenças
sociais existentes em determinadas comunidades, integrando-as
e promovendo seu conhecimento.
A tolerância
não pode ser confinada a estudos teóricos; deve, ao contrário,
ser manifestada no espaço público. A rua é o espaço da tolerância.
É nela que as diferenças tornam-se visíveis, onde se pode mostrar
a diversidade de características que compõem uma sociedade e onde
os conflitos devem ser resolvidos.
Implantação
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Vista
do Museu da Avenida Prof. Lineu Prestes |
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A área escolhida
para a implantação do MUT (Museu da Tolerância), localizada no
campus da Universidade de São Paulo, tem um significado estratégico
e simbólico da maior importância. Estratégico pela própria importância
que a USP representa no cenário nacional e internacional. Simbólico
porque finaliza e arremata o conjunto de edifícios composto pela
FAU e pela Faculdade de História e Geografia, referências de nossa
arquitetura recente. Neles Vilanova Artigas e Eduardo Corona assumem
a proposta de liberar o térreo com a clara intenção de integrar
horizontalmente as diversas instituições de ensino, nesse trecho,
quase todas voltadas para as ciências humanas tendo a FAU, em
um extremo, fazendo a transição para as ciências exatas.
A Cidade Universitária
não tem rua. A criação do campus e a mudança das diversas escolas
que compõem a USP anteriormente localizadas no centro da cidade
excluíram a relação direta entre a cidade e essas instituições.
As grandes áreas livres e as grandes avenidas, hoje já com tráfego
intenso, isolam as unidades.
O terreno
escolhido mostra claramente essa contradição. Se um lado está
localizado em um dos pontos de convergência do campus, no prolongamento
do eixo FAU/História, ele está, de certa forma, isolado pelas
vias de circulação.
O limite com
a área verde do Instituto Butantã e com a área verde lateral indica
um caminho importante para que sejam criadas condições de conforto,
de acolhida ao visitante e aos funcionários – situação rara na
cidade e que deverá ser explorada.
A área não
edificante lateral foi encarada como fundamental para a melhoria
dessas condições. A consulta aos órgãos ambientais mostrou que
sua utilização como via de acesso, com pavimentação drenante,
poderá ser admitida mediante uma análise detalhada de impacto
a ser feita durante o desenvolvimento do projeto. As árvores de
porte que estão na área delimitada para a implantação do edifício
deverão ser remanejadas e complementadas seguindo um projeto específico
com a intenção de integrar e recuperar a continuidade com a área
lateral e a área do Butantã.
O suave declive
existente no sentido leste / oeste deverá ser utilizado na implantação
e na organização dos níveis e espaços internos.
Proposta
Com a intenção
de transformar o MUT em um centro de convergência aberto e dinâmico,
onde os ambientes de estudo e divulgação integrem-se aos espaços
de exposição, aos acervos e ao espaço público, nossa proposta
parte da idéia de um edifício aberto ao espaço público, mas com
a proteção necessária para a concentração aos temas aqui tratados.
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Vista
superior da rua interna |
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Descartamos
a proposta de pavimentos especializados onde determinadas atividades
seriam neles concentradas. Dessa forma o acervo, os módulos temáticos
e as exposições temporárias devem, na medida do possível, estar
próximas e integradas às atividades de ensino, estudo e divulgação,
“envolvendo” fisicamente essas áreas, evitando-se a estanqueidade
entre os diversos níveis, procurando-se uma integração dinâmica,
horizontal e vertical.
O edifício
não deverá se sobressair do conteúdo exposto, criando as melhores
condições para sua apresentação e manutenção, mas, pela sua importância
e singularidade, ele deve revelar sua presença diferenciando-se
da arquitetura de valor duvidosa praticada atualmente no campus.
O programa
foi distribuído nos pavimentos com o objetivo de intensificar
os fluxos verticais e horizontais, entre pesquisadores e estudantes,
visitantes e funcionários.
Uma base que
explora o desnível natural do terreno, revelando o movimento original
existente, define o nível térreo, aberto, livre, uma proposta
de rua interna, que liga os acessos e as áreas verdes. Nele, além
das atividades de percepção e informação, propõe-se utilizá-lo
como grande foyer de exposições temporárias, local para que sejam
manifestadas as experiências de tolerância. A base receberá espaços
de recepção de grande público, como o auditório e a biblioteca,
além das áreas de apoio, serviços e administração.
Acima do térreo
três pavimentos receberão os locais para aulas, laboratórios e
cinemas “envolvidos” pelas salas temáticas e as exposições temporárias.
Projeto
museográfico
O projeto
do edifício propõe criar uma grande diversidade de tipologias
de espaços e de modulação para que o projeto museográfico a ser
desenvolvido possa trabalhar com a multiplicidade de situações
e com a flexibilidade necessária para o enriquecimento da visita
e da convivência.
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Perspectiva
interna - Exposições |
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Foram pensados
nos pavimentos espaços de exposição lineares, espaços com pés
direitos duplos e triplos, espécies de “caixas de palco”, integrando
visualmente os pavimentos, as salas de aula, os laboratórios,
espaços baixos, mais “introspectivos”, com determinado isolamento.
Todos eles são circundados por uma galeria de circulação, espaço
de transição entre o exterior e o interior do pavimento, de onde
o público poderá partir, criando o seu percurso aleatório ou temático,
em função de seu interesse.
Infra-estrutura
A galeria
criada em toda a periferia do MUT deverá organizar os fluxos verticais
e horizontais de público e de infra-estrutura, atendendo à totalidade
das salas de maneira independente. Como o foco são as informações
internas, as galerias serão externamente fechadas por painéis
em concreto branco, com aberturas estrategicamente dispostas nas
posições dos volumes internos. Nas extremidades um sistema de
rampas entrelaçadas de um lado e terraços no lado oposto deverão
se abrir para as áreas verdes, porém protegidos por um sistema
de painéis cerâmicos quebra-sol permitindo a necessária proteção
das fachadas leste e oeste.
A cobertura
atende aos mesmos critérios de modulação propostos para o edifício.
Nela, o deslocamento dos planos inclinados e a defasagem das aberturas
verticais permitem utilizar a iluminação natural de maneira modular,
orientando-a em relação ao sul ou mesmo ao norte, dotando-a de
proteção necessária e evitando-se a radiação direta da luz solar.
Pretende-se
utilizar as áreas externas adjacentes como forma de integração
com o sítio existente. A colina proposta ao longo da Av Lineu
prestes, marcando o acesso inferior, além de se relacionar com
o plano inclinado do térreo, será uma barreira sonora importante
para a melhoria das condições no interior do MUT.
A área verde
lateral poderá ser utilizada para atividades ao ar livre e como
via de acesso. A análise dos órgãos ambientais deverá considerar
o impacto na área já canalizada do córrego, hoje gramada, onde
o público tem livre acesso.
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Corte
transversal
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| Corte
transversal |
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Corte
longitudinal
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Planta
pavimento inferior 2
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Planta
pavimento térreo-inferior
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Planta
pavimento térreo
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Planta
pavimento tipo 1
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Planta
pavimento tipo 2
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Planta
pavimento tipo 3
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Vista
inferior da rua interna |
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Ficha
técnica
Autores
Claudia Nucci, Sergio Camargo e Valerio Pietraroia
Colaboradores
Bruna Jorge Alves, Kelly Murayama, Luciano Soares e Rafael Henrique
de Oliveira
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