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Perspectiva
da Fachada Leste |
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Projeto
nº 41
Reabilitação Ambiental Brasília Palace Hotel, Brasília
Autores: José Mauricio de Oliveira Barros, Pedro Luis Alves Veloso
e Renata Albuquerque Maciel
Orientadora: Prof. Claudia Amorim
Instituição: Universidade de Brasília – Brasil
História
O Brasília
Palace Hotel (BPH) foi fundado em 1957, pelo então presidente
Juscelino Kubitchek de Oliveira (JK), e projetado pelo consagrado
arquiteto Oscar Niemeyer. Foi uma das obras pioneiras da construção
de Brasília, juntamente com o Palácio da Alvorada, residência
oficial do Presidente da República.
No início
dos anos 60, o BPH se constituiu, de fato, como verdadeiro pólo
cultural da nova Capital Federal, tendo contribuído, em grande
parte, para sua fixação e desenvolvimento.
Lá eram realizados
shows das mais variadas espécies, peças de teatro, bailes, etc.
O hotel era o centro de lazer dos políticos, jornalistas e funcionários
do governo.
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Edificação
original - perspectiva da fachada leste |
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A edificação
é composta por diversos elementos do movimento Moderno como a
planta e fachada livres, volumes puros, pilotis e modulação. Além
disso, é uma síntese também de aspectos específicos do modernismo
brasileiro e da própria obra de Oscar Niemeyer, entre estas a
sinuosidade da vedação vítrea do salão, contraste entre formas
curvas e ortogonais, e a leveza das fachadas.
Atribuir apenas
a função hotelaria ao BPH é assaz simplista. O contexto de sua
história revela uma função que a poucos hotéis é cabida, uma função
monumental, uma espécie de vitrine de Brasília. É um hotel, um
ponto de referência, um monumento, e possui valor tanto como testemunho
histórico e arquitetônico, quanto por seu papel na identidade
da cidade.
Após incêndio
de 1978, passou a figurar na memória dos brasilienses como a carcaça
às margens do Lago Paranoá. Tornou-se assim um abrigo de sem-tetos
e, após algum tempo, foi redescoberto por uma parcela jovem da
população como um espaço de lazer às margens do Lago Paranoá,
principalmente pela prática do rapel.
Várias tentativas
de restauro foram realizadas em vão por desacordos entre o proprietário
e o arrendatário. O hotel foi construído com dinheiro público,
pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil - NOVACAP,
sucedida em 1972 pela Companhia Imobiliária de Brasília - TERRACAP.
Esta empresa assumiu os direitos e as obrigações na execução das
atividades imobiliárias de interesse do Distrito Federal (DF),
objeto de utilização, aquisição, administração, disposição, incorporação,
oneração, arrendamento e alienação de bens.
Finalmente,
em 2001, a organização Paulo Octávio assumiu o projeto de reconstrução,
arrendando por 15 anos, com possibilidade de renovação pelo mesmo
período e direito a compra ao final do contrato.
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Dispositivo
de proteção da fachada oeste |
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O atual projeto
de restauração e reconstrução foi desenvolvido pela equipe do
arquiteto Oscar Niemeyer e equipe de arquitetos da Paulo Octávio.
Hoje, as obras
continuam sendo executadas pela organização Paulo Octávio que
manterá a edificação como um hotel, agora 3 estrelas, fazendo
as adaptações necessárias para adequá-lo às normas de seguranças
atuais, bem como atualizá-lo aos avanços tecnológicos que julgaram
essenciais.
O projeto
em execução apresenta poucas intervenções em relação ao projeto
original, se diferenciando pelo acréscimo de ar condicionado central
nas áreas comuns e individual em cada quarto, consumindo mais
de 40% da demanda de energia elétrica do edifício. O “status”
dado ao equipamento de ar condicionado, considerado sinônimo de
conforto, reflete na própria legislação hoteleira (EMBRATUR, 1998),
que o torna item obrigatório nos meios de hospedagem a partir
da categoria 3 estrelas. Foram também propostos brises verticais
para fachada oeste, que reduz a vista externa e tem pouca eficiência
na proteção solar.
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Dispositivo
de proteção da fachada leste |
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Assim, a partir
do pressuposto de que a edificação ainda não sofreu as alterações
feitas pela organização Paulo Octávio e encontra-se exatamente
como estava no início do novo milênio (totalmente abandonado,
mas com toda sua estrutura possível de aproveitamento), o desafio
para uma intervenção no BPH seria a conciliação entre as diversas
propostas de estratégias bioclimáticas que o adequariam ao clima
de Brasília e a máxima preservação de suas características modernistas.
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Estratégias
bioclimáticas nos quartos |
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Projeto
Original
Os 3.000 m²
do edifício foram concebidos em cima do repertório arquitetônico
tradicional de Oscar Niemeyer: um prédio em lâmina repousando
sobre pilotis, com uma marquise térrea no centro e um volume semi-enterrado
de serviços anexo.Os veículos chegam por uma via que cruza o pilotis
da edificação, liberando o passageiro em frente à recepção do
hotel.
A recepção,
que fica num pavimento semi-enterrado, é acessada por uma rampa
desde o acesso de carros no pilotis. O pavimento térreo só é acessado
após a passagem pela recepção, por meio de uma escada. A ventilação
da recepção é feita somente por janelas basculantes quase do nível
do teto.
No pavimento
térreo há a laje em T, que é um saguão decorado com um mural de
azulejos do artista Athos Bulcão, esculturas e pinturas parietais
também do mesmo artista, e delimitada a leste por uma vedação
de vidro sinuosa, que rendeu a esse ambiente grande parte dos
registros visuais hoje guardados da edificação antes do incêndio
de 1978.
Neste saguão
funcionam um restaurante e uma boate, separados por paredes curvas.
A boate foi, nos anos 60, famoso ponto de encontros políticos,
diplomáticos e lazer da cidade.
O pavimento
tipo compõe-se de um longo corredor que dá acesso aos quartos,
135 no total do hotel sendo 45 por andar. As fachadas são de cobogós
e vidro para o poente e grandes esquadrias de vidro para o nascente.
O edifício é uma lâmina orientada no eixo norte-sul, o que tornam
críticas as soluções para controle térmico.
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Perspectiva
geral com estratégias do projeto |
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O quarto tem
uma varanda, cuja separação é feita pela diferenciação de nível
entre os pisos e separação por uma cortina. O fechamento é feito
por uma esquadria de vidro, do chão ao teto. Há registros de reclamações
quanto ao desempenho térmico devido ao pé-direito baixo, ao pouco
controle luminoso e à ventilação insuficiente. O corredor de acesso
é vedado por vidro e há exposição direta para o sol poente.
Nos primeiros
anos do hotel, lhe faziam companhia apenas o Palácio da Alvorada
(residência oficial do Presidente da República) e o Lago Paranoá.
Para aproveitar a locação privilegiada, os quartos do BPH tinham
visão para o Lago. Hoje, pode-se visualizar de uma de suas fachada
o Complexo Blue Tree Alvorada, e na outra Quality Hotel &
Suites Lakeside. Ambos são hotéis de luxo, com “flats”, limitando
as visuais para o lago, principalmente a partir dos quartos do
BPH.
O BPH está
localizado no SHTN – Setor de Hotéis e Turismo Norte.
Projeto
de intervenção
Buscando adequar
o projeto às novas necessidades, foram feitas alterações visando
a melhoria das condições climáticas do edifício, de modo que reduza
ou até anule a necessidade de sistemas ativos de climatização,
diminuindo gastos de energia, bem como iluminação natural para
a economia da luz elétrica durante o dia. Foram também desenvolvidas
estratégias para o uso racional da água e sistema fotovoltaico
integrado à rede pública.
Na proposta,
a recepção passa para o nível térreo, sendo acessada por uma rampa
ascendente. O antigo local da recepção é agora destinado a três
auditórios de paredes removíveis para oferecer maior versatilidade.
Estes auditórios são acessados pela antiga rampa da recepção e,
por conta da insuficiência das janelas basculantes, foram totalmente
climatizados por ar-condicionado. Este é o único ambiente do hotel
onde se utiliza climatização artificial.
O antigo saguão
contém agora a recepção, o restaurante nas mesmas dimensões e
um espaço multiuso, no lugar da antiga boate. A cozinha, que se
situa próxima ao restaurante, terá um sistema de circulação de
ar forçado.
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Implantação
e paisagismo |
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Atitudes
bioclimáticas
O saguão terá
uma escada em espiral para acessar à cobertura da laje, agora
com tratamento de vegetação, conhecido como “Green Roof”, que
aumenta sua inércia térmica e trabalha como um excelente impermeabilizante,
fazendo com que a laje apresente uma maior resistência a mudanças
de temperatura. A alta inércia térmica é, particularmente, benéfica
em regiões de clima mais seco, como o de Brasília, onde há uma
grande diferença entre as temperaturas diurnas e noturnas externas.
Além disso, em uma cobertura vegetal sempre irrigada ocorre uma
dissipação de calor, através do fenômeno de resfriamento evaporativo
durante o verão. A camada de terra, por conseqüência, recebe um
ganho de calor bastante reduzido. A massa térmica de sua camada
de terra reduz as variações de temperatura diárias, tanto no verão
quanto no inverno. A laje terá então duas funções: espaço contemplativo
do lago com caminhos em meio ao novo paisagismo, e cobertura vegetal
para o aumento da inércia térmica da laje e impermeabilização
da mesma.
No pavimento
tipo as principais alterações estão relacionadas à criação de
quatro átrios ao longo do corredor que melhoraram a iluminação
natural e a ventilação do edifício. Estes átrios cortarão o edifício
do pavimento térreo à cobertura, onde se localizam suas torres.
Em praticamente
todas áreas de circulação há mecanismos para aproveitamento da
iluminação e ventilação natural.
Na fachada
oeste serão utilizados painéis de madeira de alto grau de durabilidade,
formando um módulo que se repete ao longo de todo edifício, composto
por brises horizontais e montantes verticais. Os montantes serão
direcionados para o noroeste, melhorando a visibilidade para o
lago, aumentando área de ventilação.
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Átrio
com esquema de ventilação iluminação
e umidificação |
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Na localização
dos átrios existem módulos sem os painéis de madeira que deixarão
à mostra as esquadrias e as jardineiras de concreto pré-moldado.
Estas jardineiras foram projetadas para se localizarem entre o
corredor de acesso aos quartos e as esquadrias mencionadas, umedecendo
a entrada de ar no corredor e tornando-o mais agradável. No projeto
original, as esquadrias eram fixas o que impossibilitava seu manejo
para permitir a entrada de ar, enquanto que as novas esquadrias
serão móveis, de fácil abertura e manutenção.
No quarto
haverá de fato uma varanda, com brises protetores no na fachada
e separada por uma esquadria com um sistema de persiana sanfonada
externa . A ventilação do quarto foi melhorada estabelecendo uma
generosa área de abertura para circulação no forro do teto, propiciando
uma constante ventilação cruzada . Na varanda, junto aos brises
horizontais de madeira, haverá um sistema de resfriamento evaporativo
com equipamentos para minimizar o uso da água, como medidores
de temperatura e umidade e aeradores.
A linguagem
adotada na fachada oeste com os painéis de madeira busca harmonizar
a horizontalidade e aparência geral do edifício original que era
composto por cobogós de concreto.
Na cobertura
do edifício principal, há o uso de painéis fotovoltaicos para
captação solar, aquecimento de água, captação e armazenamento
de águas pluviais. No edifício semi-enterrado a cobertura terá
jardins e painéis foto voltaicos.
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Análise
de luz |
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Quarto
Análise das
simulações térmicas (software ECOTECT)
Parâmetros
da simulação do quarto
Ventilação
natural
Ocupação:
9-18h – 1
pessoa
18-9h – 2
pessoas
Equipamentos:
19-23h - 20
w/m²
23-2h - 6
w/m²
infiltração:
1 volume/h
quarto original
x quarto modificado
redução da
carga de radiação solar direta em 90% devido as estratégias de
proteção solar - temperaturas internas dentro da zona de conforto,
redução de 3º a 4º C nas horas mais quentes, com relação a situação
original
Ventilação
Natural
ventilação
considerando ventos predominância leste (anual) considerando uma
abertura de 3 m² de entrada (piso térreo) e 0,40 m² de saída (duto)
Φ= X.Ae.Var
X= 0,20
Aentrada=2
m2
Var= 3m/s
Asaída=0,40
m2
Φ=0,2.3.10800
= 4320 m3/hora
140 renovações/hora
Átrios
Ventilação
Natural
Ventilação
áreas circulação considerando somente o efeito chaminé através
do atrio considerando uma abertura de 5 m² de entrada (piso térreo)
e 10 m² de saída (átrio)
Qc= Cd.A.[2gH
(To Ti)/T]0,5
g=9,8 m/s2
Cd=0,67
A= média ponderada
área abertura
Qc = 22608
m3/h
62,8 renovações/hora
Sistemas
de Instalações Racional
Uso racional
da água
Hotéis são
edificações que exigem alta performance no uso de água, principalmente
quando lotado. Hóspedes são exigentes em relação ao uso de água
quente e consomem acima da média de uma edificação residencial.
Sendo assim, adotamos algumas estratégias que visam diminuir o
consumo de água buscando alterar o mínimo possível os hábitos
de seus usuários. Buscamos aproveitar a água pluvial, reciclar
a água menos suja, usar equipamentos que diminuem o consumo, otimização
do dimensionamento, aquecimento da água por sistema híbrido solar-gás,
tratamento dos efluentes gerando gás, gerando um final sustentável.
Água pluvial
Segundo os
dados climáticos dos diferentes períodos analisados desde a fundação
de Brasília, a média anual da precipitação é de 1552,1 mm, variando
por demais ao longo do ano. Percebe-se que durante o inverno há
uma estiagem considerável, com poucas chuvas.
Considerando
todas as coberturas da edificação e estacionamentos temos, aproximadamente,
uma área de 10.000 m². Admite-se uma perda de 20%, assim temos
um aproveitamento de 12.000 m³ de água possíveis de aproveitamento
por ano. Aproveitando a água pluvial diminuimos a carga de drenagem
e reduzimos o consumo de água tratada.
Há necessidade
de um reservatório inerte com capacidade de estocagem pelo período
de maior estiagem. Tal reservatório ainda receberá parte da água
tratada do sistema de esgoto, formando um ciclo da água. Sendo
inerte e com as devidas precauções é possível que este reservatório
armazene água por longos períodos sem perigo de contaminação da
água estocada. Prevendo o consumo da edificação, adotamos um reservatório
de 450 m³, cisterna.
A água estocada
no reservatório de água pluvial recebe água da chuva e da finalização
do sistema de tratamento de esgoto secundário. Eventualmente pode
ser abastecido por água da rede tratada, em casos de período de
grande estiagem. Esta é bombeada para cinco reservatórios elevados
distribuídos ao longo da edificação, otimizando o consumo.
Os pontos
de consumo serão onde não há contato direto humano, como irrigação,
limpeza da edificação e vasos sanitários.
Tratamento
das águas para consumo
Tanto a água
pluvial, a água proveniente do tratamento do efluente e a água
tratada da rede de abastecimento passa por um tratamento preliminar,
antes de seus reservatórios e consumo. Recebe tratamento por filtros
e purificação por filtros de luz ultra-violeta, eliminando microorganismos
sem modificar suas características principais.
Água da
tratada
A água tratada
será utilizada nos pontos onde há contato direto humano, como
torneiras de banheiro, cozinha, chuveiros. Também permitirá o
abastecimento eventual do sistema de água pluvial.
Dispositivos
economizadores de água
Procurou-se
adotar todas as tecnologias economizadoras disponíveis no mercado
que mais se adequassem ao padrão de uso hoteleiro. Optamos pelo
uso de arejadores e pulverizadores de vazão constante, torneiras
de acionamento hidromecânico, mictórios de acionamento de descarga
automática.
Os vasos sanitários
a vácuo permitem uma economia de até 90%, consumindo 1,2 Litros
de água por descarga. Esse sistema consiste em uma central de
vácuo automatizada, que coleta dejetos através de uma rede de
tubulação, baseando-se na diferença da pressão atmosférica quando
o botão de acionamento do vaso é pressionado, sua válvula de descarga
se abre, sugando o efluente em direção à unidade central e, ao
mesmo tempo, um jato de água limpa o vaso sanitário.
Água quente
Adotou-se
sistema de aquecimento da água com energia solar e gás. Os sistemas
convencionais de aquecimento de água com energia solar geralmente
pressupõem a utilização de uma fonte de energia auxiliar porque
é quase impossível garantir uma continuidade diária de incidência
de radiação solar em nível adequado.
Uma limitação
do uso de energia solar para aquecimento de água para banho é
a defasagem entre a disponibilidade da energia e a hora do consumo.,
Sendo assim, a utilização de um sistema híbrido com GLP torna-se
a estratégia mais aconselhável, haja vista que é 2,5 vezes mais
barato que a utilização de energia elétrica.
Com o tratamento
dos esgotos dos vasos sanitários é possível a produção de gás
pelo sistema de biodigestor, que terá uma eficiência maior que
o convencional devido aos dejetos serem concentrados pelo sistema
a vácuo, com menor quantidade de água, favorecendo a produção
do gás, que tem um alto poder calorífico. Assim, temos o aquecimento
da água com gás GLP e gás do biodigestor.
Para os painéis
para aquecimento foi adotado um sistema passivo, ou termossifão,
que permite a circulação natural da água, sem a necessidade do
uso de bomba. Sua dimensão é de 1,90 m por 0,60 m, com inclinação
de 20º, orientados com a face inclinada para o norte, permitindo
a maior incidência de luz direta.
Assim como
os reservatórios elevados de água tratada e de água pluvial, temos
5 reservatórios de água quente distribuídos ao longo dos 200 metros
de edifício, sendo todos independentes. São 20 painéis por sistema,
totalizando 100 painéis.
O reservatório
de água quente deve ser mais vertical, permitindo a estratificação
térmica. A estratificação de temperaturas atingida no interior
do reservatório do sistema é desejável, estando a água mais quente
para consumo, localizada nas camadas superiores e a água mais
fria que vai para os coletores solares e para o aquecimento a
gás, localizada no fundo.
Sistema
de tratamento dos efluentes
Existem dois
sistemas paralelos de tratamento dos efluentes, separando a água
dos vasos sanitários captados pelo sistema á vácuo e o restante
das águas servidas.
O sistema
de tratamento após a bomba de vácuo consiste em tratamento anaeróbico
com um biodigestor, que gera gás para consumo no aquecedor de
água a gás, seguido de um tratamento preliminar, separando metais
pesados e toxidade, gerando um lodo desidratado que vai para um
aterro sanitário, tendo a parte líquida seguido para uma zona
de raízes e inflitração no solo. A zona de raízes consiste num
tanque biológico com espécies de junco regional, com aproximadamente
200 m², metade para cada sistema de tratamento.
A água oriunda
dos demais lugares segue pelas mesmas etapas de tratamento em
paralelo, porém, ao invés de infiltrada no final, a água é reaproveitada
no reservatório de água pluvial, formando um ciclo.
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| Perspectiva
da Fachada Oeste |
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Sistema
de energia fotovoltaico integrado à rede pública
A energia
solar fotovoltaica é uma fonte renovável e inesgotável de energia,
não poluidor, não agride o meio ambiente, apresenta alta confiabilidade,
tem facilidade de instalação e manutenção, permite sua produção
no local de consumo, diminuindo as perdas no transporte de energia
e permitindo sua expansão com facilidade.
Entre os diferentes
sistemas de geração de energia fotovoltaica, a que melhor apresenta
rendimento para aplicação neste hotel é o sistema integrado a
rede de energia pública. Desta maneira o sistema fica simplificado
e de menor custo, dispensando o armazenamento em baterias.
A energia
gerada pelos painéis fotovoltaicos é convertido em energia alternada
e colocado para consumo imediato, neste caso a rede pública é
conectada como fonte supridora de energia em períodos sem geração
fotovoltaica, como os períodos noturnos. O sistema fotovoltaico
atua como uma central geradora de energia em paralelo com as centrais
de sistema público. No caso de produção de energia fotovoltaica
superior ao consumo da edificação, o sistema passa a fornecer
energia a rede pública, passando a edificação de consumidora a
fornecedora de energia, “rodando o relógio ao contrário”. Desta
maneira não há perdas no processo de armazenamento, o excesso
é injetado diretamente na rede, quando insuficiente (períodos
de elevado consumo elétrico, ou baixa incidência solar, ou ainda
a noite), a energia complementar é extraída da rede pública. O
controle da tarifagem se faz-se através um medidor de energia,
permitindo a concessionária fornecedora de energia da rede pública
remunerar a produção de energia fornecida.
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